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Vamos então ver por onde andam os candidatos a estas europeias. Vamos começar pela Iniciativa Liberal. Miguel Santos Carrapatooso, bom dia. Estás a acompanhar a comitiva liderada por João Cotrim de Figueiredo. Por onde é que vão andar hoje?
Em Viseu, numa visita ao Instituto Politécnico. Depois, já perto do meio da tarde, vamos até Lamego, vamos visitar o Andebol Clube de Lamego. Esperam-se algumas novidades neste aspecto.
Livres de sete metros, não.
Vamos provavelmente ver João Cotrim de Figueiredo a praticar desporto outra vez, ele que já jogou voleibol de praia em Maditzinhos. E depois terminaremos o dia num jantar em Mirandela, portanto é um dia preenchido o de João Cotrim de Figueiredo.
Miguel, nas últimas eleições legislativas, disse-se na altura, durante a campanha, que Rui Rocha fugia um pouco dos contactos com a população, eram mais contactos com empresários, almoços com empresários. Tem sido diferente esta campanha da Iniciativa Liberal com João Cotrim de Figueiredo? Miguel Santos Carrapatooso?
Estou de volta. Tive aqui uma chamada que me interrompeu o sinal.
Não sei se ouviste a pergunta. Nas últimas eleições legislativas, Rui Rocha foi acusado de fugir um pouco ao contacto com a população, fazer aqueles contactos de rua que normalmente se fazem nas campanhas. Tem sido diferente com João Cotrim de Figueiredo? Tem privilegiado mais o contacto com as pessoas?
Tem sido diferente, mas também é preciso dizer que são campanhas diferentes. Há outra dinâmica nesta campanha para as eleições europeias que não existia na legislativas. Ainda assim, os dois candidatos são muito diferentes. João Cotrim de Figueiredo é uma pessoa que se dá bem na rua, que tem boa aceitação junto de quem o recebe e tem muito à vontade, coisa que talvez Rui Rocha não tivesse tanta. Portanto, João Cotrim de Figueiredo é um homem muito mais experimentado nesse aspecto. E depois, João Cotrim de Figueiredo tem apostado muito numa campanha minimalista. É verdade que provavelmente as imagens que vocês vão recebendo a partir das televisões mostram sempre uma grande intensidade, João Cotrim de Figueiredo a jogar voleibol de praia, João Cotrim de Figueiredo à noite a beber umas cervejas com os jovens liberais ou simpatizantes do partido. Hoje provavelmente veremos João Cotrim de Figueiredo a jogar andebol. Tudo isso é verdade e tudo isso tem existido, mas são ações muito cirúrgicas. Tem sido uma agenda muito pouco preenchida a João Cotrim de Figueiredo, que tem vivido uma campanha muito à custa ou à boleia da marca do candidato da Iniciativa Liberal, que até pelas interações que vai tendo na rua, e esse aspecto é muito interessante, tem um espectro de eleitorado talvez superior ao da própria Iniciativa Liberal. É verdade que há muitos jovens a aproximarem-se do candidato, mas também há pessoas mais velhas que olham para João Cotrim de Figueiredo e veem alguém com respeitabilidade, com credibilidade, com seriedade. E, portanto, João Cotrim de Figueiredo tem feito valer muito a sua própria marca nesta campanha, numa campanha, como dizia, que tem sido minimalista, sem grande intensidade.
A começar pelos cartazes com o nome e a foto de Cotrim de Figueiredo.
É verdade, e não são só os cartazes, aliás, Paulo. Tudo que é merchandising da Iniciativa Liberal tem inscrição "Com Cotrim, sim". Desde os óculos de sol aos leques, até aos chapéus que a comitiva vai usando e distribuindo, pode ler-se sempre "Com Cotrim, sim". Portanto, é uma campanha muito à volta da imagem do candidato da Iniciativa Liberal, muito personalizada.
Uma campanha diferente da que aconteceu nas legislativas com Rui Rocha na altura a liderar a caravana dos liberais. Vamos passar para o Miguel Viterbo Dias, que está a acompanhar a comitiva da AD. Bom dia, Miguel. Por onde vai andar Sebastião Bugalho e a caravana da Aliança Democrática?
Bom dia. Nós hoje é com o Montenegro, sim. Pegando naquilo que o Miguel Santos Carrapatooso estava a dizer, o primeiro-ministro volta a juntar-se à caravana, vai ser só ao final do dia num jantar-comício em Pombal, é um conselho que é governado por uma autarquia do PSD, e Luís Montenegro volta a juntar-se à caravana no dia a seguir, no day after, ter apresentado mais um plano de emergência, neste caso para os migrantes, e vai aparecer já com esse documento promulgado por parte do Presidente da República. Foi uma promulgação muito rápida e hoje vamos poder ouvir ou tentar ouvir Luís Montenegro já depois de saber que pelo menos esta proposta de pôr fim à manifestação de interesse e obrigar à existência de um contrato de trabalho, esta não bateu na barra no Parlamento, foi aprovada por decreto e promulgada pelo Presidente da República. Portanto, é uma proposta que não só foi anunciada pelo governo como vai conseguir mesmo ser implementada. Antes deste jantar-comício em Pombal ao final do dia, o candidato da Aliança Democrática volta a estar focado sobre assuntos da juventude. Ontem ao final da tarde esteve com o Carlos Moedas num encontro com jovens em Lisboa e hoje arranca para Coimbra para uma reunião com a Associação Académica de Coimbra, é uma das mais importantes académicas do país, talvez a que tem mais histórico, e depois visita também uma república estudantil na cidade de Coimbra, a República dos Galifões. Deixa-me só dar a nota que o diretor de campanha é Emídio Guerreiro, o antigo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, que foi também estudante em Coimbra e com uma grande vivência académica nessa cidade. E Sebastião Bugalho hoje vai dedicar o final da manhã aos estudantes em Coimbra. À tarde, visita o Instituto Pedro Nunes, é um dos Primeiros centros em Portugal de fomento da tecnologia, do empreendedorismo. Vai estar também de visita a esse local para conhecer aquilo que a Universidade e a cidade de Coimbra fazem no que toca à inovação e depois arranca para Pombal, para esse jantar-comício com o primeiro-ministro e numa altura onde a campanha se vai encaminhando para o fim, onde começamos a contar os dias que faltam. E quando digo começamos, não só os jornalistas, mas também as próprias estruturas começam a contar os dias que faltam para ir carregando dia a dia, cada vez mais no apelo ao voto, ou seja, a mensagem passa a ser muito mais focada.
Miguel, ontem assistimos ao debate das rádios, onde deu a ideia que Sebastião Bugalho estava um pouco à defesa, não queria era dizer nada que pudesse ser polêmico. Há alguma afinação de mensagem para estes últimos quatro dias de campanha da parte da AD? Não agressão com a Iniciativa Liberal, eventualmente acertar baterias ao PS. Por onde é que vai andar o discurso?
Sim, o foco parece ser, sobretudo, não errar, ou seja, não escorregar em nenhuma casca de banana nestes últimos dias que possa estragar a tendência que o PSD diz que está a existir com a sondagem de ontem. O PSD faz uma leitura de que mesmo estando atrás, está a recuperar caminho face ao PS e essa é a leitura que quer passar e por isso o objetivo é não criar problemas que dificultem esta narrativa. Para além disso, Sebastião Bugalho tem apostado muito, desde o início, na crítica ao Partido Socialista e agora também já nos últimos dias, naqueles indecisos que desde há alguns anos entraram nas campanhas, que são os votos que se vão decidindo nos últimos dias ou quiçá apenas no domingo, e com um pedido curioso que é o objetivo do PSD. E lá está, negando sempre que esta seja uma segunda volta das legislativas, é muito a mensagem do não voltar para trás. Isso tem sido dito por Sebastião Bugalho em todos os discursos nos últimos dias, o não dar um passo atrás. E isso é uma tentativa de mobilizar aquele eleitorado que não só pode estar em dúvida, mas que no dia 10 de março não confiou em Luís Montenegro e agora até reconhece que Luís Montenegro pode estar a fazer um trabalho que precisa de tempo e, portanto, Sebastião Bugalho quer ir mais longe do que o Luís Montenegro conseguiu. E o objetivo tem sido esse nos últimos dias. Ontem o cabeça de lista voltou a reforçar que o objetivo mínimo é ter mais um ponto percentual do que a idade que tem, portanto, chegar aos 29%. Isso permitiria manter a delegação que o PSD tem nesta altura, sendo que agora tem que acrescentar também o CDS e portanto teria que ter total de sete eurodeputados para não perder. E esse é o objetivo mínimo definido por Sebastião Bugalho e por isso o foco vai se fazendo na conquista daqueles que, ele até usou uma frase que é: "Aqueles que em março não confiaram, que agora nos possam dar esse voto de confiança e mostrar que o governo", não que o governo, mas entre linhas é isso que se lê, "tem condições para continuar e tem confiança". Ou seja, que o país decidiu mesmo virar à direita e não foi uma obra do acaso nas legislativas de 10 de março e agora já há o sinal de que possa querer virar pro PS. E portanto, essa é a mensagem, é olhar para os indecisos, é olhar para aqueles que possam ter votado em protesto no Chega e que agora reconhecem que o governo merece algum tempo para trabalhar e merece estabilidade, e dar esse sinal de que a mudança foi mais do que no dia 10 de março, também dando a vitória à AD no dia 9 de junho.
E a acompanhar a campanha do PS está o Luís Soares. Bom dia, Luís. Por onde vai andar hoje Marta Temido?
Hoje Marta Temido vai andar por Viana do Castelo, Braga e Guimarães. Daqui a pouco, antes das 11h, Marta Temido volta ao mar, volta a visitar uma instalação relacionada com o mar, depois da Escola Náutica Infante Dom Henriques em Passos de Arcos, logo nos primeiros dias de campanha. Hoje é a vez de visitar o Centro de Mar de Viana do Castelo, no navio Gil Eanes, na Doca Comercial. Isso vai ser pouco antes das 11h. De resto, a agenda da candidata é feita, sobretudo, de contatos com a população. Primeiro em Viana do Castelo, depois do almoço em Braga, a meio da tarde em Guimarães e o dia vai terminar com o encontro Europa, um comício já também em Guimarães, às 19h.
E nesse périplo pelo Minho, Luís Soares, ontem a comitiva do PS teve Alexandra Leitão e Augusto Santos Silva. Estiveram claramente os dois ao ataque. Há nomes sonantes previstos para hoje ou para os próximos dias?
Ainda não sabemos, Paulo. Isso vai se sabendo dia a dia, quase hora a hora, de quem é que vai fazendo essas despesas de vir aos comícios.
Há um fator surpresa também nisso, não é?
Exatamente. Ontem, por exemplo, e há isso para assinalar, que Pedro Nuno Santos foi, provavelmente, se bem me lembro, o primeiro dia em que Pedro Nuno Santos não esteve presente na campanha. Pedro Nuno Santos que acabou por reagir em Lisboa às mudanças na AIMA e ao pacote das migrações anunciado pelo governo. O certo é que em todos os comícios, aquilo que transparece é: Marta Temido não faz ataques diretos nem ao governo, nem aos adversários. Vai mandando eventualmente algumas indiretas, mas não faz ataques diretos. Esses ataques, essa despesa fica para os convidados. Ontem foram dois convidados fortes e com críticas fortes ao governo e também a Sebastião Bugalho. No caso de Alexandra Leitão, líder parlamentar do Partido Socialista, acabou por deixar críticas ao governo nas leis que tem aprovado e naquilo que tem aprovado relativamente nos últimos dois meses. Diz Alexandra Leitão que, por exemplo, são medidas que ou já estavam a ser implementadas pelo governo anterior ou aquelas que são novas estão no caminho errado. E deu, por exemplo, o caso do plano da saúde e diz Alexandra Leitão que o SNS vai ser depauperado. Depois, em relação a Sebastião Bugalho, criticou naquilo que diz ser a atrapalhação de Bugalho no que diz respeito ao tema dos direitos das mulheres. Diz que votar em toda a direita por igual é abrir um retrocesso nestes direitos, porque Sebastião Bugalho fica sempre atrapalhado quando se trata destes temas. Mas as críticas mais fortes acabaram por vir mesmo de Augusto Santos Silva, que criticou bastante o governo. Diz que estamos a assistir à ocupação política do Estado, nomeadamente depois da saída da direção da AICEP ontem. Augusto Santo Silva critica o governo por ter basicamente só mudado tutelas, diz Augusto Santo Silva, ao longo destes dois meses e meio, dando esse exemplo da AICEP e falando em política. Isso não havia, diz Santos Silva, nenhuma razão de fundo para haver essa alteração da direção da AICEP e, portanto, Augusto Santo Silva acusa o governo de estarmos a assistir a uma ocupação política do Estado, uma crítica forte feita ontem por Augusto Santos Silva.
Muito bem, foram as linhas de ontem, de facto, do comício do PS à noite. Vamos ver qual é a afinação de discursos para hoje. Luís Soares, bom dia de campanha por aí. O Direto à Campanha vai voltar amanhã.