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Bom dia. Este é o Direto ao Assunto. Hoje conosco temos Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, cargo ao qual se recandidata, e líder do PSD Madeira. Bom dia, senhor Presidente.

Bom dia.

O PSD governou a ilha durante 43 anos, sempre com maioria absoluta e, ao que tudo indica, o PSD pode não só perder a maioria absoluta, como perder até a presidência do Governo Regional. Aquilo que lhe pergunto é se este cenário, que nunca tinha estado tão perto de acontecer, não é em parte também culpa sua, sendo desculpado.

Em primeiro lugar, nós estamos, neste momento, num processo eleitoral, onde tudo indica, o PSD vai ganhar, o PSD Madeira, porque quando o Primeiro-Ministro esteve aqui na Madeira, há uns meses, antes das europeias, disse que a Madeira ia ser três em um. E já perdeu as europeias, e pensamos nós que, mais uma vez, os madeirenses e os porto-santenses vão dar a confiança ao PSD Madeira e o PSD vai ganhar.

Mas nada faz prever que seja com maioria absoluta.

Vamos ver. Inicialmente, a perspetiva era que o PS ia ganhar as eleições. E desde há largos meses que embandeiraram em arco a dizer que o PS ia ganhar. Aliás, ainda há duas semanas esteve aí o Carlos César, que disse que já cheirava a vitória. Vamos ver. Eu acho que o PSD, mais uma vez, vai ganhar.

Mesmo no cenário de poder ganhar, pode acontecer aquilo que aconteceu em 2015 nas legislativas, que é o PSD ganha, mas não tem votos suficientes para, mesmo com o CDS, conseguir uma maioria e haver aqui uma espécie de zangança.

Isso seria trágico pra Madeira, mas eu penso que isso não vai acontecer, uma vez que os madeirenses e os porto-santenses sabem o que é a esquerda a governar. A esquerda a governar é aumento de impostos, fuga do investimento, regressão econômica e social e, obviamente, isso a Madeira não quer, porque nós, neste momento, temos um quadro de crescimento econômico de 2,3 há 72 meses, a taxa de desemprego é a mais baixa desde há oito anos, estamos com 6,9, inferior a Lisboa. Temos as contas públicas, a única região que tem um saldo orçamental positivo pelo sexto ano consecutivo. Somos a única região onde houve redução efetiva dos impostos para as famílias e para as empresas. Neste momento, para as pequenas e médias empresas da Madeira, o IRC, fruto da redução do governo, está em 13%. As classes profissionais, ao contrário do que aconteceu no continente, têm o seu enquadramento profissional feito, como os professores que aterram aqui aos seis anos.

Certo, isso são as conquistas do mandato.

São conquistas importantes e por isso é que eu lhe estou a dizer.

Eu não estou a desvalorizá-las. Aquilo que estou a perguntar é se mesmo que o PSD ganhe, tudo faz prever que perca a maioria absoluta.

Se o PSD perder a maioria absoluta, vamos ver no quadro parlamentar quais são as soluções. Só há uma solução para o PSD: nunca fazer coligações à esquerda.

Portanto, também só há uma solução, que é fazer coligações com o CDS.

É a única força que não é de esquerda. Não é comunista, não é socialista, por enquanto, e não é socialista retquel.

E o PSD não está mais limitado no que toca a essas coligações, precisamente por só admitir coligar-se com o CDS? Isso não é uma desvantagem também para o dia 23 de setembro?

Eu acho que é uma vantagem em termos de clarificação política, porque nós estamos perante umas eleições e nós temos, de uma vez por todas, em Portugal, dizer o que é que queremos, porque esta ideia de a política não ter princípios, não ter doutrina, não ter valores, leva, de facto, à desvalorização da democracia e, sobretudo, leva à cedência face à força das esquerdas e às forças progressistas, que a direita e a centro-direita continuam há 20 anos a ceder ao politicamente correto. E nós, neste momento, temos que pôr um travão nisto, porque senão daqui a 10 é tudo igual. Nós continuamos, a direita, a ceder aos princípios. Não são princípios, às temáticas fracturantes da esquerda e parece que os políticos de centro-direita em Portugal têm medo de enfrentar a esquerda. Eu não tenho.

Então não é uma desvantagem, mas é uma vantagem pela clarificação. O que é certo é que no dia 23, se CDS e PSD...

O taticismo em política não vale tudo. Nós vivemos num tempo do marketing, do soundbite, mas acho que temos que pôr as pessoas a pensar. E uma das funções da política é também apresentar projetos de vivência coletiva e objetivos para a nossa sociedade. Não é tudo igual, na política há uma diferença substancial entre o PSD Madeira e as forças de esquerda. O PSD Madeira tem uma tradição de liberdade, de mercado, de preservação intransigente da autonomia política e a esquerda é contra as empresas, é contra o investimento privado, é contra a liberdade de escolha dos cidadãos, é sempre favorável ao aumento direto ou indireto dos impostos, como aconteceu no continente, onde se atingiu, apesar das baldramices do atual primeiro-ministro, a carga fiscal mais alta da história da democracia, 35% do PIB, onde as cativações são uma realidade. Portanto, é isso que a gente tem que denunciar e dizer.

Se não conseguir formar governo, demite-se de líder do PSD?

Se eu não ganhar as eleições e não conseguir formar governo, obviamente, tenho que me demitir, não tenho outra solução. Eu não faço governos a qualquer custo, nem abdico dos meus princípios.

E olhando para o PSD Madeira, acredita que é possível encontrar um sucessor? Porque durante muito tempo, nos últimos anos de Alberto João Jardim se falava de Miguel Albuquerque, agora não se fala de nenhum delfim.

Não, nós demos uma lição, ao contrário da esquerda e dos partidos de esquerda, que diziam que o PSD era isto e era aquilo. Nós tivemos eleições internas em 2014, que foram exemplares. Tivemos seis candidatos. Houve debate democrático, houve um congresso e em março de 2015, ou seja, o congresso foi em dezembro de 2014, em 2015, nós fomos às eleições e ganhamos. Portanto, nós fomos exemplares no que toca ao debate interno democrático dentro do nosso partido. Não temos tremendo, temos pessoas adultas, que são pessoas formadas dentro dos valores da autonomia e do social-democracia madeirense. Temos militantes, temos pessoas que sabem fazer escolhas. Acho que isso não é nenhum dono.

Temos estado a falar, sobretudo, do cenário de derrota do PSD. Num cenário de vitória, o PSD, ao longo dos últimos 43 anos aqui na Madeira, esteve sempre a governar com maioria absoluta.

E bem, foi ótimo para a Madeira.

O PSD está preparado para entrar numa fase mais dialogante?

Nós sempre fomos dialogantes. Todos os meses, os membros do governo passam a vida no Parlamento. Nós temos um regime parlamentar puro. Eu todos os meses vou ao Parlamento. Nunca tive medo de enfrentar a oposição. Eles, aliás, agora já não querem que eu vá lá com tanta frequência. Portanto, não vejo nenhum problema da história do dialogante. O que a gente não perde é tempo, porque jogar para o lado não é a nossa modalidade. Nós temos é que governar com sentido de interesse público e não perder tempo em diálogos de surdos, porque o diálogo muitas vezes é uma desculpa para não se fazer nada.

Mas é importante na política haver esse diálogo ou não?

É importante. Agora, conversas de surdos, esqueça. Já o doutor António de Oliveira Salazar dizia: "Quando não é para fazer nada, faz uma comissão." E em Portugal fala-se muito e faz-se pouco. Nós aqui somos mais anglo-saxónicos. Vamos straight to the point, objetivo para cumprir e toca a andar.

Desde o último congresso que Alberto João Jardim tem surgido mais perto de si. Houve uma aproximação entre Miguel Albuquerque e Alberto João Jardim, depois de numa fase inicial do seu mandato, ter prometido que vinha para fazer uma renovação.

E fizemos.

E para fazer diferente. Do lado do PS, ouvem-se críticas de que isto é oportunismo político, aproveitar o capital do jardinismo ou que o jardinismo ainda tenha. É oportunismo político?

Não, é apenas o regresso à política ativa. O doutor Alberto João Jardim é um grande português, é um grande madeirense. Foi um homem que liderou este governo, fez as grandes transformações à frente do partido, que são realmente transformações incríveis do ponto de vista estrutural, social, económico, cultural na Madeira e obviamente, sendo um presidente honorário do partido, está conosco, continua a estar conosco e está a participar também na nossa campanha.

Antes de a campanha ter começado, houve rumores que o acusavam de ser toxicodependente.

Não foram rumores.

Já vai dizer que se tratou de uma campanha política orquestrada pelo PS.

Orquestrada e nas redes sociais por uma agência de publicidade.

Se tem provas disso, se tem provas de que se tratou de uma campanha do PSD.

Tenho todas as provas. Aliás, bastava olhar para o que eles puseram no Facebook.

Pode esclarecer, pode especificar?

Ponham posts no Facebook a dizer isto e aquilo. Aliás, basta constatar, ainda devem circular esses posts, que é uma tremenda vergonha, uma canalhice. A sede de poder é de tal ordem que não se coíbem de usar todos os meios para atingir os seus fins más abjetos. É outra vez, que isto é uma coisa abjeta.

E de que forma é que isso afetou, não só o Miguel Albuquerque, mas a campanha do PSD?

Afetou-me a mim, afetou, sobretudo, a minha família, porque eu tenho filhos e tenho netos e isto de facto é uma vergonha, porque eu sempre fui uma pessoa que me pautei na minha vida pública por não utilizar determinados estratagemas, call it what you please. E, por conseguinte, foi uma coisa que me deixou, não vou dizer que não me afetou, afetou-me um pouco, mas ainda me deu mais força para combater este tipo de canalhices.

E na campanha houve alguma repercussão? Sentiu isso?

Não. Acho que neste momento as pessoas também têm o bom senso e a lucidez. Aliás, eu estou há bastante tempo na vida pública e toda a gente já me conhece. Portanto, não vale a pena tentarem atirar. Isso foi uma campanha muito bem orquestrada, mas nem assim conseguiram.

Falemos agora de políticas para a Madeira. Um dos maiores problemas que os madeirenses apontam nos últimos anos tem a ver com as passagens aéreas. O modelo existente parece não ser do agrado da maioria dos madeirenses. O próprio PSD reconhece isso e defende, por exemplo, a introdução de uma nova companhia aérea a fazer a ligação.

Não, são três coisas diferentes.

E com o Funchal, aquilo que pergunto é: o que é que Miguel Albuquerque pode garantir para os próximos quatro anos, se for eleito, que vai mudar neste regime?

Primeiro lugar, nós estamos a falar três coisas diferentes. O regime é bom. Esta lei foi aprovada no sentido de garantir que os cidadãos nacionais residentes da Madeira e no Porto Santo podiam circular dentro do território nacional a preços acessíveis. É isso que estamos a falar.

Mas não é isso que acontece.

Deixa-me explicar para as pessoas perceberem. O que é que acontece? Este regime, quando foi aprovada a lei, ficou com período experimental de três meses para depois procedermos às respetivas retificações. O que é que se começou a constatar? Começou-se a constatar que a companhia aérea nacional, a TAP, que é maioria do Estado, começou a praticar preços, como aliás você sabe, deve ter pago, astronómicos para a Madeira E isso obrigava o quê? Como o residente paga €86, obrigou e continua a obrigar o residente, face aos preços pornográficos que a TAP está a praticar com a conivência do Governo da República, porque António Costa deixa que isto aconteça, porque é mais barato para um cidadão nacional como o senhor ir a Nova Iorque do que visitar o seu próprio país. Isto é que é o escândalo. Numa companhia que tem capital maioritariamente público, nunca o governo ou os administradores nomeados pelo governo intervieram no sentido de estabelecer preços acessíveis para a Madeira. E por quê? Porque isto é uma forma encapotada do Estado estar a financiar a TAP, que é para a Madeira, que é para os Açores. O que nós propusemos desde há três anos foi que houvesse a revisão do subsídio de mobilidade no sentido dos madeirenses e porto-santenses pagarem apenas os €86. Através da criação de um fundo, como nós fizemos para os estudantes, que resolvia esta situação. Durante três anos, o Governo da República não resolveu nem quis resolver. E até são boas propostas que nós apresentamos aos respectivos orçamentos de Estado, quer o PS, quer o Bloco de Esquerda, quer o Partido Comunista. Só agora, no fim da legislatura, é que foi aprovada uma resolução no sentido de os madeirenses pagarem apenas os €86. E por que isso se passa? Porque se você tiver dois filhos a estudar em Lisboa, as famílias já não têm 400 e 500 euros ou 800 euros para estar a adiantar e receber ao fim de três meses.

Mas foi o senhor que negociou esse modelo com a TAP.

Não negociei nada. O que eu estou a dizer é que este modelo era um bom modelo para ser revisto. Só que o Partido Socialista e o Governo do Partido Socialista nunca fez a revisão. Por que não fez a revisão? Para, mais uma vez, castigar os madeirenses e financiar de forma encapotada a TAP. E tanto que é assim, que nós aqui na Madeira criamos um fundo para os estudantes que está a funcionar maravilhosamente. Agora, há aqui uma questão que é esta: para além disto, isso é uma questão que é preciso rever e isso é fácil de rever, porque se você tiver um fundo, o fundo custa uma coisa ínfima, que faz o adiantamento e não têm que ser os cidadãos a financiar. Agora, tem outra questão, que é a reversão da privatização da TAP fez com que o Estado ficasse com a maioria do capital. E para quê? Por que foi feita essa reversão? No sentido de assegurar que a TAP continuaria a ser uma companhia estratégica nas ligações entre a Madeira e as comunidades madeirenses. O que acontece? A TAP e os seus administradores continuam a praticar preços para a Madeira verdadeiramente escandalosos. Se você quiser fazer turismo interno, que a TAP está tramado. A questão da terceira companhia é outra questão, uma questão que nós estamos a negociar, mas tem que ser negociado com grande cuidado. Por quê? Para não acontecer o que aconteceu nos Açores, onde a Ryanair entrou e foi paga para entrar, secou a EasyJet e de voo de facto é que, neste momento, o primeiro semestre da SATA tem já quase 50 milhões de euros de prejuízo. Nós aqui na Madeira temos 56 companhias a operar aqui nas diversas modalidades. Temos os charters, voos regulares e low costs. E, por isso, é fundamental encontrar um ponto de equilíbrio onde o castelo de cartas que está montado, não desabe.

Mas ainda assim, este é um modelo que parece precisar de alguma revisão.

Não, eu acho que o modelo, ou seja, o preço que vai ser pago-

Miguel Albuquerque não podia ter feito mais enquanto presidente do Governo Regional para alterar este modelo nos últimos quatro anos?

Podia se eu pegasse na mão do Primeiro-Ministro e obrigasse o Primeiro-Ministro no Conselho de Ministros a tomar a decisão que ele está há três anos e meio para tomar. Mas eu não tenho possibilidade de pegar na caneta do senhor Primeiro-Ministro, pegar na mão e assinar essa resolução no Conselho de Ministros.

Uma outra novidade nesta campanha tem a ver com a comunidade luso-venezuelana, que nos últimos anos tem crescido na Madeira.

Não, tem regressado, coitado, devido às maravilhas e aos princípios paradisíacos do socialismo e do comunismo, que é não há comer, não há medicamentos, não há economia e não há liberdade.

Pronto. Com as sondagens a colocar PS e PSD tão próximos, qualquer voto pode ser decisivo. Estima-se que, nos últimos anos, tenham chegado ou tenham regressado da Venezuela 8 mil luso-venezuelanos e que destes, não há números oficiais, mas que até 4 mil possam vir a votar. Qual é a importância desta comunidade nestas eleições?

A importância é, de facto, serem hoje cidadãos plenamente integrados na nossa vida. A comunidade foi bem recebida, foi bem acolhida e neste momento, tenho a certeza que a opção de voto dessa comunidade nunca será à esquerda, porque eles já experimentaram as delícias das políticas da esquerda na Venezuela, entre aspas.

Ontem, numa entrevista ao Observador, Paulo Cafôfo disse que esse argumento que acabou de utilizar, de associar o socialismo bolivariano às políticas de esquerda aqui na Madeira, é uma questão de desonestidade intelectual, porque isto é um socialismo democrático, isto é mais ou menos a citação dele, e o socialismo bolivariano não o era. Isto é ou não é o tal taticismo político que ainda há pouco criticava?

Não, o taticismo político é ele ter aquela flexibilidade mental no sentido de alterar a realidade, porque a verdade é que este socialismo bolivariano, que ele diz que não é o socialismo democrático, foi largamente apoiado pelo parceiro que ele quer fazer coligação, com quem se entendeu maravilhosamente na esquerda, que foi os retalhos do Bloco de Esquerda, que é um partido comunista e que adora o Maduro. A mesma coisa com o Partido Comunista, que nunca condenou os atentados à liberdade e a extinção da democracia na Venezuela, que são os parceiros de coligação potenciais deste candidato.

Colocar luso-venezuelanos nas listas de candidatos, como fizeram PSD e CDS, não é utilizar esta comunidade também para ganhar votos?

Não, é ter uma representação desta comunidade no Parlamento

Isso é importante agora mais do que nunca, é isso? Porque antes não tinha acontecido.

Antes nós não tínhamos essa situação. E aliás, nós sempre propusemos até que houvesse um voto pela emigração para a Madeira, só que sempre foi chumbado pela esquerda, nunca quiseram.

E continua a propor isso no vosso programa.

Sim.

Outra questão que também tem estado na agenda da campanha tem a ver com o novo hospital do Funchal. O PSD, PS, CDS, todos acabam por defender com prazos diferentes. O PS fala em cinco anos, quando nem sequer os terrenos foram todos expropriados. Parece-lhe razoável esta data?

O concurso internacional já está lançado, foi o nosso compromisso e os terrenos estão praticamente todos expropriados. Neste momento, já estamos numa fase de pré-qualificação. Temos é um problema, é que o primeiro-ministro veio aqui à Madeira garantir que ia financiar em 50% o hospital, mas mais uma vez aldrabou os madeirenses e os porto-santenses, porque o que está numa resolução do Conselho de Ministros de outubro de 2018 é apenas menos 30% dessa comparticipação do Estado no financiamento, inclusivamente, com a violação dos princípios estatutários e constitucionais, que é integrar património da região como antigo hospital na amortização da comparticipação do Estado, que é ilegal. E, para além disso, mete ainda por cima um hospital, que é o hospital dos Marmelades, que nem sequer é propriedade plena da região, que tem a Santa Casa da Misericórdia.

Se o governo se mantiver, se António Costa se mantiver à frente do executivo.

Nós vamos fazer o hospital, não tenha dúvida nenhuma.

Pronto. O que é mais importante? É protelar a construção do hospital em nome de uma guerra com o continente?

Não é guerra nenhuma. Nós temos é que denunciar, porque é assim, este primeiro-ministro tem que ser escrutinado. Anda toda a gente atrás do primeiro-ministro, tem medo de enfrentar António Costa. Por quê? O que se passa, afinal, em Portugal? Mas ele não é primeiro-ministro? Quando ele mente, nós dizemos que ele está a mentir e no caso concreto do hospital da Madeira, ele afirmou perante os jornalistas que ia financiar em 50%. Se vocês jornalistas pegarem na resolução de outubro de 2018 do Conselho de Ministros, o que está lá não é 50%, é menos 30. Portanto, ele mentiu. Isto chama-se escrutínio em democracia.

Certo. Perante isto, o que o PSD pode garantir aos madeirenses?

Eu posso garantir é que vou fazer o hospital. Quer Costa queira ou participe, quer não participe, nós vamos construir, porque é urgente e é fundamental termos um novo hospital na Madeira.

E consegue dar um prazo para a sua conclusão?

O prazo será, neste momento, através da própria conclusão do concurso. Agora esperamos iniciar a construção logo que houver adjudicação. Nós não podemos garantir, porque é um processo, é um concurso internacional. Pode haver reclamações, portanto, prazos certos, não. Agora, queremos iniciar a construção já no próximo mandato. Aliás, o concurso já está aberto, já há as fases de pré-qualificação, e pronto, vamos iniciar.

Estamos a chegar ao fim da nossa entrevista. Eu gostava de falar um bocadinho sobre o PSD e o estado atual do PSD. Atualmente, parece atravessar um período difícil, olhando para as últimas sondagens referentes às legislativas, coloca o PSD quase 20 pontos percentuais atrás do PS. Isto preocupa-o?

Preocupa-me, porque neste momento, a esquerda e este governo da esquerda, tudo se permite e não é escrutinado e não há combate político. Nós temos que combater esta esquerda.

Mas não há combate político também por culpa do PSD.

Não há combate político, porque há uma grande tolerância também dos media relativamente à esquerda.

Mas não é aos media que cabe fazer combate político, é aos partidos. Custava mais a Rui Rio, por exemplo?

Mas compete aos media escrutinar e emitir juízo crítico relativamente ao primeiro-ministro, como fazem relativamente a Rui Rio.

Mas custava mais de Rui Rio, neste combate político que se anda a fazer?

Não, acho que as coisas têm corrido bem. Ele tem tido grandes dificuldades de emitir as mensagens, mas ele esteve muito bem ontem no debate. Acho que ele esteve muito bem.

Mas o Rui Rio teve quase dois anos para preparar estas legislativas e chega à campanha quase 20 pontos percentuais atrás nas sondagens. Não há aqui uma quota parte de responsabilidade também do PSD?

Há sempre responsabilidade do PSD. Você há pouco perguntou se as coisas correm mal, a responsabilidade é minha, que eu é que sou o líder do partido. Eu sou o principal e o primeiro responsável. Portanto, vamos ver, mas temos que esperar pelas eleições.

Para terminar, tenho um pequeno desafio para si. Vou pedir que caracterize com uma palavra apenas os seguintes políticos. Paulo Cafôfo.

Um produto do Martin.

Alberto João Jardim.

Um grande português e um grande madeirense.

António Costa.

Uma versão suave de José Sócrates.

Rui Rio.

Um político determinado.

Marcelo Rebelo de Sousa.

Um presidente da República de quem muito se espera.

E Miguel Albuquerque.

Um servidor da República.

Muito obrigado, Miguel Albuquerque, pela entrevista.

Obrigado.

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