Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Faz hoje 60 anos desde o dia em que o primeiro homem chegou ao espaço. Foi a 12 de abril de 1961 e soou mais ou menos assim: Enfim, a qualidade do som não é a melhor, mas estas eram as comunicações entre Yuri Gagarin, através do foguetão Vostok 1, criado com tecnologia muito simples, uma missão que lhe podia ter custado a vida, na verdade. A tecnologia era mesmo simples e na altura surpreendeu toda a gente. Esta missão era de tal forma secreta que nem a própria mulher de Yuri Gagarin tinha conhecimento dela. Aliás, o assessor da Agência Espacial Norte-Americana, da NASA, quando soube da notícia, disse mesmo que pelos Estados Unidos ainda se dormia. Tal era o secretismo, ninguém sabia que tudo isto se estava a passar.
E para nos falar um pouco sobre este marco histórico para a humanidade, precisamente neste Dia Internacional do Voo Especial e também no Dia do Cosmonauta, temos conosco o astrónomo José Augusto Matos, a quem agradeço desde já a disponibilidade. É um dia também marcante para essa conquista no espaço. Começo por lhe perguntar como é que era, afinal, este Vostok 1, como é que foi criado. É dito que tem uma tecnologia relativamente simples, mas o certo é que acabou por levar o primeiro homem a visitar o espaço.
Sim, é verdade. É uma nave histórica, esta nave Vostok 1, porque realmente é a primeira nave que leva um ser humano dentro dela e que faz uma volta completa à Terra e consegue regressar em segurança. A nave era relativamente simples, tinha uma cabine onde ia o Yuri Gagarin e depois tinha uma outra secção, que era a secção dos instrumentos que estavam ali para controlar a nave durante o seu voo orbital. E foi dentro dessa nave, dessa famosa Vostok 1, que o Yuri deu a primeira volta à Terra e foi o primeiro ser humano a fazer isso, porque até então era uma novidade. Nunca nenhum ser humano tinha feito uma viagem dessas no espaço.
Ora bem, os Estados Unidos, a Casa Branca suspeitavam que qualquer coisa estava a acontecer, mas não achavam que era um homem que estava neste foguetão. Poderia ser um cão. Não suspeitavam ao certo o que seria. E daí a nossa referência também que o assessor da NASA, na altura, disse que os Estados Unidos estavam completamente a dormir para esta questão.
Eles foram surpreendidos pelo voo do Yuri, porque não estavam a contar, embora convém também referir que os Estados Unidos, em 1961, já tinham também a preparação em curso de um programa tripulado, que era o programa Mercúrio, que um mês depois, em maio, também deu origem ao lançamento de uma nave Mercúrio, com um astronauta americano. Mas os Estados Unidos não estavam à espera de ser ultrapassados em termos de lançamento, ou seja, os soviéticos conseguiram antecipar-se aos Estados Unidos e conseguiram primeiro meter um homem no espaço. E os norte-americanos, nesse aspecto, só depois, em maio e depois um pouco mais à frente, fizeram lançamentos que, mesmo assim, as duas primeiras naves norte-americanas não conseguiram fazer uma órbita completa. Foram apenas voos suborbitais, ou seja, não conseguem dar a volta à Terra, porque o lançador que é usado não era tão poderoso como o lançador soviético que conseguiu pôr o Yuri no espaço e ele deu uma volta completa à Terra.
Isso terá levado também os norte-americanos a tentarem apressar-se e inovarem de forma mais rápida também, até porque havia essa corrida a dois pela conquista do espaço.
Sim, os norte-americanos claramente que ficaram chocados com aquele êxito. Também já tinham ficado em choque quando foi do primeiro satélite em 1957, em que a União Soviética também conseguiu ser o primeiro país a pôr um satélite no espaço. Também a União Soviética foi o primeiro país a pôr um cão em órbita da Terra, a cadela Laika, por exemplo. Iam conseguindo vários sucessos e os norte-americanos não os conseguiam acompanhar. Daí que na altura, em 61, o presidente Kennedy já estava na Casa Branca e foi justamente o presidente Kennedy que, em reação a este voo do Yuri, lançou a ideia dos norte-americanos irem à Lua. A ideia de ir à Lua surge a partir do voo do Yuri Gagarin.
Exatamente, que só se concretizou em 69. Eu ia lhe dizer, o secretismo era tanto que nem a mulher de Gagarin sabia desta aventura. Ele correu o mesmo risco de vida. Aliás, até havia um suplente. E foi dessa forma que a mulher acabou por descobrir, porque a vizinha, que era a mulher desse suplente, acabou por contar a história. Foi de uma enorme coragem, tudo isto.
Sim, porque aqui estamos a falar do primeiro voo tripulado por um humano e há sempre algum risco inerente a uma viagem dessas. Aliás, o voo correu bem, mas por exemplo, na reentrada, quando a parte dos instrumentos, porque a cápsula estava dividida em duas partes e essa parte dos instrumentos solta-se, ela tem que separar-se da parte da cabine propriamente dita, houve aí alguma dificuldade. Podia ter acontecido uma tragédia, por exemplo, se essa parte dos instrumentos não se tivesse separado da cabine. Acabou por separar, mas houve ali um momento de tensão.
Ou seja, isso quer dizer que as coisas poderiam ter corrido mal mesmo.
Podiam. Mas vocês reparem, como era tudo feito em segredo, os soviéticos iam-se calar muito bem caladinhos e não iam dizer nada a ninguém. Portanto, mesmo que ele tivesse morrido, nós não íamos saber.
Em caso de tragédia, havia a possibilidade de nem sequer ser notícia, é isso?
Exatamente, porque reparem, eles só anunciam o voo e só anunciam que o Yuri tinha estado no espaço depois dele regressar à Terra em segurança, porque o lançamento não foi anunciado, nem o voo foi pré-anunciado. Foi tudo feito em grande segredo, porque realmente se alguma coisa corresse mal, obviamente que essa informação seria ocultada do público em geral.
E foi também um regresso com muito aparato. Houve uma grande festa, houve honras de Estado também nesse regresso de Gagarin à Terra.
Sim. Reparem que foi uma grande vitória para a União Soviética naquele tempo e eles aproveitaram politicamente ao máximo essa situação.
É isso mesmo. E esta história está também num artigo assinado pela jornalista Marta Leite Ferreira, em detalhe no site do Observador. Assinalamos estes 60 anos desde que Gagarin chegou ao espaço, hoje também com o astrónomo José Augusto Matos. José Augusto Matos, muito obrigada por ter estado conosco.
De nada.
Obrigada e até à próxima. Vamos sempre contar consigo, já sabe, vamos continuando a falar sobre espaço.
Vamos continuar a falar do espaço.
É isso mesmo. Muito obrigada. Até à próxima. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.