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Um viva à Espanha, a Ferran Torres e a toda uma seleção que conseguiu destronar aquela que era, até então, a campeã do mundo, a Argentina. Uma exibição muito desinspirada da seleção de Lionel Messi, que conseguiu cumprir a proeza de, numa final, se tornar a primeira seleção de sempre sem remates em 90 minutos. Vamos analisar esta final que sorriu para a Espanha neste "O Campeão É". Contamos com a análise do Pedro Henriques, do João Pinto e também do Gabriel Alves. Eu sou o João Costa e Silva, sejam todos muito bem-vindos. Dezesseis anos depois desse histórico gol de Andrés Iniesta no Mundial jogado na África do Sul, a La Roja volta a conquistar um mundial. Pedro Henriques, fazer já aqui uma nota prévia, que hoje te vamos ter por muito pouco tempo e, por isso, deixar-te aqui com algum espaço também para começares esta edição conosco e falares desta final. A Espanha foi sempre melhor e até podia ter resolvido o jogo nos 90 minutos, disse também de la Fuente já depois do jogo. A Argentina provou aqui que teve realmente muita sorte no calendário até chegar a esta final.

Eu acho é que Portugal teve muito azar quando teve um selecionador que achava que ficar em primeiro ou segundo lugar era a mesma coisa. Pronto, é uma forma de responder à sorte que o calendário deu à Argentina, olhando para aquilo que me dói ainda no coração, que foi o trajeto que Portugal não fez. Mas em relação a esta final e em relação à Espanha, duas coisas. Primeiro, as estatísticas que eu gosto sempre, que acho que é muito importante. Ações nas áreas adversárias: Espanha 31 contra 6, cantos 9 contra 4, posse de bola 64 contra 36. E essa história dos remates enquadrados, se pensarmos no total com tudo o que foi o jogo, até podemos ter rajadas ali de dois remates enquadrados para a Argentina, que era 0, 12-0, mas depois que no total são 22. Isto mostra bem aquilo que foi a Argentina. Eu vou dizer isso de forma simpática, levou um autêntico banho de futebol. A única coisa onde a Argentina ganhou à Espanha foi seis amarelos e dois vermelhos, que a Espanha não levou. Depois, olhar isto de uma forma mais global, e o Gabriel Alves é a pessoa certa para falar melhor do que qualquer um de nós, porque conhece como ninguém o futebol espanhol. Vamos olhar para este século. Vamos começar a olhar a partir de 2000. Qual é a única seleção que ganhou duas Copas Mundiais? A Espanha. Metade das Eurocopas, Campeonatos da Europa, foram ganhos pela Espanha. Tem o melhor futebol feminino, porventura, que existe em termos planetários e tem talvez dois dos clubes, garantidamente são dois dos clubes do mais alto nível. Aqui e acolá aparece um Paris Saint-Germain, um City, etc. Mas o Barcelona e o Real Madrid. E, portanto, isto diz muito daquilo que é o futebol espanhol no seu todo, que se reflete depois na seleção, que se reflete no fato de os meninos da seleção espanhola terem vindo a ser acompanhados e aparecerem neste momento com vários títulos e agora também com títulos a nível mundial. Chama-se a isto planeamento, chama-se a isto trabalho e sabemos que os nossos irmãos não brincam em serviço. Nestes aspetos, já foi assim com os Jogos Olímpicos ainda no século passado e o boom que deram a partir daí. E, portanto, eles encaram o desporto de uma maneira geral e o futebol muito em particular como uma coisa muito séria, e isso tem se visto. E, portanto, foi uma Argentina que perdeu, eu diria, foi uma seleção espanhola que ganhou, foi claramente superior e mostrou exatamente através destes números. Para terminar, antes de pedirmos, se calhar, a nota do campeão.

Vou pedir, mas continua.

Exatamente.

Tu geres o teu tempo melhor do que ninguém.

Não, vou já terminar com isto. Primeiro, aquilo que fica deste mundial e que vai para além daquilo que é, obviamente, só o jogo da final, coisas que eu não gostei. A começar pelo intervalo de ontem, foram 27 minutos. Ridículo. Já tínhamos falado sobre isto. A lei é muito clara, o intervalo não deve exceder os 15 minutos e, portanto, isto é uma adulteração completa daquilo que foi este mundial, com muitas influências externas que não deviam ter existido. A última conferência de imprensa antes do mundial pagou 70 euros. O hydration break não me choca quando realmente o aspeto é hidratação. Quando o aspeto não é hidratação e pagas de 200 mil a 250 mil euros por cada anúncio que fazes, percebemos que havia aqui uma fonte de negócio. Não me choca, mas choca-me que os bilhetes na final, na Candonga, já estivessem a variar entre 6 mil e 30 mil euros. E, portanto, há aqui uma série de coisas que aconteceram neste mundial e que passaram para além daquilo que é o futebol. Esperemos que volte um bocadinho grande, daqui a quatro anos, a uma maior normalidade e que a parte política, a parte externa e a parte de negócio não suplelante aquilo que é o bem-estar e a saúde dos jogadores e, portanto, isto deixou-me aqui alguma coisa menos positiva. De resto, tivemos muitos jogos, jogos de grande qualidade. Parabéns à África, passou de cinco para 10 seleções com este alargamento e dessas 10, nove conseguiram passar à fase seguinte e, portanto, também há esse lado positivo. Houve jogos de altíssima qualidade e aquilo que eu também tinha dito, as alterações às regras que iam tendo muito impacto e tiveram de maneira e a arbitragem teve também no cerne da questão, nem sempre pelos melhores motivos.

Pedro, vamos à tua nota. Sim, vamos a isso.

Eu vou deixar as notas de campeão para os meus colegas, aquelas verdadeiras notas de campeão. Eu apecei-me de escrever isto, é o seguinte: vou dar nota 20, porque as imagens que ficam muitas vezes as últimas, as primeiras, e deste mundial, a imagem que eu vou guardar com a nota 20 é a imagem do espetáculo que é o intervalo, que a dado momento vi a Madonna ladeada pelos dois Ronaldos. E os dois Ronaldos vestidos com um fato estranho de cores altamente garridas e saltitantes. Se eu não soubesse que estava no mundial, eu iria dizer o seguinte, que me parecia a Maria Leal mais dois Powers Rangers no Festival do Caracol em Loures. Nota 20, foi delicioso Hoje despeço-me por aqui, deixo aqui para o resto a apreciarem o resto.

Foste tirar inspiração ao João Pinto com esse recital.

Não, claro. A gente tem que atacar aqui o João Pinto, que o João Pinto é o nosso criativo, a gente gosta de brincar um bocadinho com isto. Foi um grande espetáculo, mas devia ter sido feito era no princípio do jogo. De qualquer maneira, nem tudo foi mau. Parabéns à Espanha, justíssimo vencedor, justíssimo campeão e que Portugal ponha os olhos nos nossos irmãos para fazer as coisas com outra política, com outro sentimento, com outra atitude, também no desporto. Planeamento, organização. Mas estamos num país em que até as notas são fixadas a um domingo, está tudo dito no que diz respeito a notas dos exames, está tudo dito no que diz respeito a quem nos governa. E quando assim é, é um bocadinho complicado.

Pedro, muito obrigado por teres te juntado a nós. Tens agora compromissos, nomeadamente com jovens.

Futebol.

Futebol. Portanto, bom trabalho.

Estou em um tratamento com uma clínica de futebol. Vou dar formação de arbitragem a 40 jovens agora, já de seguida, até às 15h.

Bom trabalho. Nós continuamos por aqui a análise no "E o Campeão É?". Agora com o Gabriel Alves. E Gabriel, vitória da La Roja, uma seleção que foi em crescendo neste mundial. Termina esta fase com apenas um golo sofrido, com um guarda-redes que vence, aliás, também esse prémio de melhor guarda-redes da competição. Já lá vamos também analisar esses prémios individuais, mas temos de falar de um herói, Ferran Torres, um jogador que acredito que conheças bem. Joga neste momento no Barcelona, que veste aqui a pele de herói já no prolongamento e marca esse golo decisivo para uma seleção que, como dizia há pouco, se calhar nos 90 minutos, e não sei se concordas, podia ter resolvido o jogo ou não?

Boa tarde. Sim, podia ter resolvido, foi a equipa melhor, foi completamente bem demonstrado, bem patente numa final, onde houve uma equipa e houve uma seleção. E ganhou, venceu, com toda a justiça, a equipa. Mais que aquilo que é o título mundial conquistado pela Espanha, que é de facto o ouro, obviamente, é, eu diria, a platina, a matriz futebol que a Espanha deixou para a história dos campeonatos do mundo e para os compêndios do futebol em termos internacionais, mundiais, planetários, ao nível global e ao nível de cada país. O coletivo. Isto é, acima de tudo, o coletivo. A gestão desse coletivo, o trabalho de base feito nesse coletivo. E isso é fundamental para que possa naturalmente haver resultados. Não quero aqui dizer que não haja estrelas, que não haja grandes e imensos futebolistas, os tais futebolistas de grande talento, os tais diferenciados, que obviamente são importantes no âmbito coletivo, mas esse seu diferencial tem que ser posto ao serviço do coletivo e não posto ao serviço do seu ego, do seu valor financeiro, do seu valor comercial, do seu valor publicitário, do seu valor estrelato. Não. A estrela é tanto mais brilhante quanto é enquadrada naquilo que é o coletivo onde se integra. E isso foi o que a Espanha fez. Quando tu me dizes: o Ferran Torres sai de herói. Sim, ele marcou o golo. Obviamente que ele marcou o golo, mas podia ter sido outro herói. Foi ele. Podia ter sido o A ou B ou azáfaca.

O Merino também teve lá uma grande oportunidade, podia ter sido mais uma vez.

Exatamente. E o Merino então foi herói noutros jogos. Foi herói frente a Portugal, foi herói no jogo logo a seguir.

Contra a Bélgica.

Contra a Bélgica. Tudo isto são fatores. Todos eles são heróis no momento certo, mas todos eles são heróis do coletivo. E acima de tudo é isso, a matriz futebolística que deixa, e isto é verdade. Um coletivo jogou face a uma seleção. A seleção baqueou, o coletivo venceu. O Pedro Henriques já tocou aí um pouco, e bem, e muito bem, de forma muito objetiva e muito pragmática, naquilo que é a formação desportiva de um país. Porque não é só com a Espanha. A Espanha, realmente, quando se candidatou aos Jogos Olímpicos de Barcelona 92, não se candidatou para fazer só uns jogos, um ato de turismo, um ato de negócio à altura. Hoje as coisas têm outra dimensão, normal, a vida avança, como é óbvio, e as coisas avançam. Não. Também se preparou para ser competitiva e a par daquilo que fazer uns Jogos Olímpicos exemplares, ter equipas que pudessem competir e que pudessem conquistar medalhas. Pôr a nação ao serviço do desporto. E daí desenvolveu todo um pedestal desportivo que tem vindo a dar. No basquete, campeã no mundo, campeã da Europa, no andebol, no padel. Olha, no padel, no hóquei em patins, no ténis. Os grandes nomes do ténis. Vê lá, queres que eu fale? Em Nadal e o atual, que estava lá ontem no estádio, o grande tenista da atualidade espanhola. É nas modalidades todas. E o futebol faz parte desse contexto, sendo, obviamente, a alma maior, digamos assim, porque é aquela que consegue fazer com que o povo viva a utopia constante, seja na Espanha, aqui, ali ou acolá. Esta seleção, que tem um trabalho de base Que começou com o Lafuente. Quando sai Luís Enrique, ele que vinha das camadas jovens, vinha dos Olímpicos, é ele que dá continuidade e repare, esta seleção de Espanha tem oito jogadores do Barcelona. Portanto, oito jogadores da La Masia. A final ontem, atenção, tinha 17 jogadores em que nove eram do Atlético de Madrid, oito eram do Barcelona. Portanto, há equipa, há qualquer coisa de diverso. E temos o Luis Lafuente, que é um homem calmo, sereno, e ele até é muito bem comparado, acho eu, e eu ontem na transmissão não deixei de o tocar, à sua conexão com Marco Aurélio, que governou o Império Romano de 161 a 180 depois de Cristo, exatamente com aquilo que é a essência da gestão da equipa, a equipa acima de tudo. Eu vou repetir. De Lafuente repete-se sempre que nenhum jogador está acima dos outros. Ele vê o balneário exatamente como mais uma expressão de Marco Aurélio, o que não é útil à abelha. Se um jogador procura apenas a glória pessoal, a abelha, acaba por prejudicar todo o grupo. Esta filosofia é a origem dos seus apelos aos jogadores que sejam boas pessoas e à escolha dos colegas de equipa certos. Portanto, é isto que se tem que fazer ao nível global, a nação sai mais rica. E eu vou te dizer, sabes quanto é que ganhou a Espanha com isso tudo? A chuva de milhões para a Espanha. Titul renda cerca de 44 milhões de euros para a federação. E cada um dos 26 jogadores selecionados que estiveram no Mundial de 26, cada leva pra casa €756 mil. Se acresceres a isto tudo aquilo que é o foco publicitário que caiu sobre eles, certeza que ultrapassa o milhão pra cada um.

Muito bem, vamos ouvir aqui o João Pinto também com a perspectiva sobre esta final. João, uma Espanha que esteve sempre muito bem na partida e até se esperava que pudesse ter algumas dificuldades depois da Argentina naquela fase final frente à Inglaterra, ter praticamente encostado a Inglaterra às cordas, ou seja, sendo final, esperava-se uma Argentina diferente, muito igual a si própria neste mundial e uma Espanha que foi claramente superior e que podia ter resolvido o jogo muito mais cedo e com este valor adicional, como falava também o Gabriel, ser uma seleção unida do início ao fim e sem entrar naquelas questões que também ainda não falamos e não pusemos aqui em perspectiva, de alguma violência por parte de alguns jogadores da Argentina durante o jogo.

Olá, boa tarde. Sim, houve essa equipa do bullying, em que quando nós passamos da raça, da vontade para o extravasar das leis, para a agressão, para este tipo de bullying coletivo, isto tem que ser refletido em cartões amarelos e cartões vermelhos e ao longo do torneio nunca foi para a Argentina. Portanto, eles continuaram a cavalgar esse cavalo até a final. A questão foi que chegaram lá à final e isso não chegou. Não foi suficiente, porque é preciso ter bullying, mas bola, e nunca tiveram bola. Eu acho que a final acabou por ser um jogo demasiado só para lado. Só vimos a Espanha a jogar, a Argentina a tentar se defender, nunca teve bola. Era a mesma coisa que costumava acontecer no Ronaldo, o Messi estava a mais, não tinha bola e portanto, como também não defende, acabaram por ficar sempre com 10, até começarem a jogar com nove. E tirando realmente alguns excessos que não tiveram correspondência nos cartões mostrados, a Argentina estava sempre no fio da navalha e percebeu-se que a Espanha, mais cedo ou mais tarde, ia acabar por marcar. Foi uma vitória absolutamente justa. Acho que do ponto de vista futebolístico, nos 90 minutos e dos minutos de prolongamento, não havia muito mais a dizer senão que a Espanha ganhava e ganhou com toda a justiça.

Vamos olhar aqui também, uma vez que já fizemos esta análise a esta vitória espanhola, La Roja, frente à Argentina, aos prêmios individuais. Gabriel, melhor jogador do torneio, Rodri, para alguma surpresa de muitos. Messi ficou em segundo lugar, Mbappé, que foi o melhor marcador deste torneio com 10 gols, ficou em terceiro. Temos ainda a luva de ouro, o prêmio de melhor guarda-redes para o Unai Simón, como já seria de esperar, sofreu apenas um gol nesta competição. Prêmio de melhor jovem para o central de 19 anos, Pau Cubarsí, e ainda, claro, temos de falar deste pleno para os novos campeões do mundo, que levam aqui praticamente todos os prêmios importantes desta competição. É uma Espanha também a provar que alia aqui muito bem, e temos essa consciência, jogadores mais velhos com jogadores mais novos, falando em Yamal, este Pau Cubarsí também, mas depois com a experiência de jogadores como o Yor Zabal, Laporte. É uma seleção bem oleada nesse sentido e que também culmina aqui com estas vitórias nos prêmios individuais.

É de chamada gestão, de que eu já falei há pouco, é saber gerir entre jovens e jogadores mais maduros, eu diria, mais cultos sob o ponto de vista tático e competitivo. E, portanto, fazer com que estes jovens, que são muito jovens, o Lamine, o Cubarsí e outros.

Há mais.

Há mais, o Pubill, por exemplo, que não chegou ao alinhado, é um excelente futebolista, um excelente central que vai dar muito que falar. Eu lembrei-me agora desse. Portanto, fazê-los integrar e fazer o crescimento de um osmose de gerações que obviamente traz brilho à seleção. Portanto, isto é fundamental, é trabalho de estrutura, é trabalho de treinador e é trabalho dos próprios jogadores. Quanto aos prêmios, nada tenho a dizer. O Unai Simón só sofre um gol, portanto, como é o guarda-redes. E lá está, foi muito comentado em Espanha, inclusivamente, o Juan García, que fez no Barcelona uma época fabulosa, o Raya, que fez uma época campeã em Inglaterra, no Arsenal Mas Unai Simón, que até fez no Athletic Bilbao uma época modesta para a equipa basca, foi o escolhido por Lafuente. É simples, está integrado naquilo que é o coletivo, o jogo. O guarda-redes é um lugar específico, é um lugar extremamente importante, é o lugar que dá confiança para a frente. Está lá atrás é o Unai, sabe como articular com os centrais, com os laterais, com os médios, com os avançados. Percebe, além daquilo que é um guarda-redes de enormíssima qualidade, em que talvez nem o Roy García, nem Raya saibam jogar tão bem com os pés como ele, que hoje é fator determinante para a função. Portanto, os prêmios sim, deixam aqui alguma dúvida. Sei lá, Rodri foi de facto a estrela da seleção.

Esse é o prêmio que gera aqui mais interrogações, não é, Gabriel?

Exatamente. Gera, e porque de facto Messi fez um campeonato absolutamente fabuloso. Foi um divertir, um entreter, e foi ele que fez com que a Argentina chegasse à final. Um pouco à medida daquilo que Maradona fez no Itália 90, as pessoas já estão esquecidas. Também foi o Maradona que levou a Argentina a jogar com a Alemanha na final. E foi Messi. E Messi fez um campeonato fabuloso. Portanto, sem desprimor para Rodri, para mim, é a minha opinião pessoal, Messi merecia nesta sua despedida, neste seu adeus ao futebol e a todos nós. Olha, vamos recordar, somos felizes, fomos contemporâneos enquanto ele jogou na Espanha, naquela rivalidade com o Cristiano Ronaldo, naquela Catalunha-Castela, naquele Barcelona-Real Madrid, que estivemos durante aquela década, década e meia, esse prazer, eu diria quase orgia. E tivemos a oportunidade de seguir um grande mundial na despedida, nas lágrimas de Messi. É o único prêmio que me deixa duvidoso.

João Pinto, a mesma pergunta. No final, e até mesmo quem acompanhava a transmissão via televisão da RTP, os próprios comentadores ficaram um pouco confusos para perceber se Rodri tinha mesmo vencido esse prêmio de melhor jogador do torneio. Também acreditavas que podia ir para Lionel Messi?

Acreditava e achava justo. Concordo com o Gabriel, acho que ele pintou o Campeonato do Mundo, com tudo aquilo que ele faz, com tudo aquilo que ele fez e com a idade que tem, que merecia e era absolutamente justo que ele tivesse sido o melhor jogador do torneio. Aliás, se olhares para a história dos melhores jogadores do torneio, muitas vezes o melhor jogador do torneio acaba por ser quase um prêmio de consolação. O Kahn ganhou em 2002, o Ronaldo Fenômeno ganha em 98. Não tem que ser um jogador campeão do mundo a ganhar o prêmio, e tinha que ser, sim, o jogador que melhor se deu e que mais fez durante o Campeonato do Mundo. Portanto, sim, acho que teria sido mais justo ver o Messi a ganhar. Aliás, eu acho que realmente para o Messi ganhar o Campeonato do Mundo, aquilo que faltou à Argentina foi o Di María. Faltou um companheiro de carteira ao Messi durante este Campeonato do Mundo, que esteve no mundo e que infelizmente não esteve tão bem. E de resto, o resto dos prêmios, acho que o prêmio Unai Simón é isso, é um gol sofrido tem que valer um prêmio, especialmente no Mundial, que tem mais jogos de sempre. E ao mesmo o Cavazi que acaba de fazer realmente um Campeonato do Mundo muito bom. A Espanha tem dois momentos de sorte no Campeonato do Mundo, a lesão do Nunês e a lesão do Courtois. Tirando isso, é tudo mérito e a defesa falou muito alto num torneio tão comprido.

E neste momento, pelo que estou aqui a ver, imagens que estão a chegar através da CNN Portugal, os campeões do mundo estão a chegar neste momento a Espanha, Rodri está a exibir a taça de campeão mundial e portanto é um momento que também vai ser certamente muito acompanhado em Espanha durante esta tarde. Muita festa, aliás, também aqui em Portugal para festejar esta conquista dos espanhóis, que naquilo que toca aos prêmios individuais, foi mesmo um pleno. E sabemos agora que segue esse mundial 2030 com a organização portuguesa, espanhola e Marrocos, portanto também vai ser muito interessante de percorrermos esse caminho até lá, ainda pelo meio há o Euro 2028. A atenção aqui também do João Pinto e a notícia desta manhã, o Benfica, como sabemos, entra em campo já esta quinta-feira frente ao St. Gallen, na primeira mão desta preliminar da Liga Europa, às 19h desta quinta-feira. Entretanto, já sabe que se passar este St. Gallen da Suíça, vai defrontar o Hearts ou o Sturm Graz já na terceira preliminar, que vai ser jogada em agosto. Vamos avançar para as notas de campeão. Gabriel, vou começar por ti. Acredito que tenhas vários destaques nas tuas notas.

Tenho, Tony. Peço já para a Espanha os meus nove parabéns e 20. Mas não é só à Espanha por ter conquistado, à Espanha de esporte. À matriz que deixou deste campeonato, esta seleção, que mostrou que o futebol é coletivismo. Depois quero deixar aqui um 17 para a África, por seu crescimento. E dentro desse 17 para a África, eu dar um cadinho mais, não porque tivesse a melhor equipa, mas porque teve uma equipa de resiliência, de atitude, de caráter, de paixão pelo país, Cabo Verde. Cabo Verde foi de uma dimensão enorme, portanto 18 para Cabo Verde e com 18 para o seu guarda-redes, capitão, Vozinha, que de facto deram cartas. E evidente que não perderam com os finalistas, pelo menos durante aquilo que foram os 90 minutos. E foram os cabo-verdianos que naquilo que era a língua portuguesa com três seleções, deram dimensão a essa mesma língua, porque Portugal foi medíocre, o Brasil medíocre foi. Quero também dar aqui uma nota de 17 a Carlos Queiroz, outro português que lá esteve. A verdade é que ele é o único que ganhou dois campeonatos mundiais para Portugal, o sub-20 de 89 e 91. É um treinador que trouxe tudo aquilo que transformou o futebol português naquilo que hoje é, é a base, e que 2010, 2014, 2018, 2022, 2026 E ainda em 2002 apurou a África do Sul, esteve nos Mundiais. É o treinador português que tem este recorde, portanto merece tudo e quando abre a boca, abre bem, porque fala no Moneyball 2 e obviamente que é a última nota com que eu vou acabar, porque um artigo que eu sugiro aos nossos observadores para ler está na Itália, na Gazetta dello Sport: "Negócios, favores e poder é o sistema Infantino, mas o futebol paga o preço". Leiam porque é muito interessante, vejam o que o senhor Infantino faz para ter poder. É interessante ver. Portanto, para Infantino, na minha perspectiva, zero.

As notas do Gabriel Alves, aqui com notas positivas, tirando esta última para Infantino. Vamos às tuas, João Pinto.

A minha primeira nota fica em casa para a Rádio Observador, especialmente para o Miguel Cordeiro, que andou pelas Américas a fazer a cobertura do Mundial que acabou ontem e que acho que foi um trabalho muito bem feito. Nota 20. Depois outra nota 20 para uma novidade deste Mundial, que foi a questão da live mode e da maneira como as transmissões televisivas foram acompanhadas e complementadas pela concorrência da internet, que é uma coisa que também provavelmente veio para ficar. Uma nota alta também, um 17 para a África, realmente, com esse sublinhado que o Gabriel Alves já fez pela participação de Cabo Verde. E por fim, um 20 para a Espanha, que tal como já foi referido pelo Pedro e pelo Gabriel, há alguns anos, por volta de 98, percebeu que os países só conseguem crescer quando usam os seus melhores recursos naturais e os espanhóis perceberam que o seu melhor recurso natural eram as pessoas e os seus desportistas e que à volta das pessoas, dos seus desportistas e também dos seus atores e da cultura, promovem o país e fazem de Espanha um nome grande no mundo. Seria bom que Portugal fizesse o mesmo.

Diz, João Gabriel.

João, deixa-me dar só uma nota última. É uma nota de saudades para Lionel Messi.

Vai deixar saudades.

Adiós, Messi.

Vai deixar saudades e aquelas lágrimas que ele derramou.

Adiós, Messi.

Fechamos assim esta edição de "O Campeão É", numa altura em que os campeões mundiais já chegaram a Madrid. São imagens que nos chegam através da CNN Portugal. Estão neste momento no aeroporto, muito felizes com esta conquista. Cai o pano deste Mundial 2026 e agradecer, claro, também a todos os comentadores da Rádio Observador que fazem parte deste "Campeão É" e que ao longo destas emissões especiais estiveram sempre conosco, aconteça o que acontecer, não fosse esse também o lema da Rádio Observador. Amanhã há mais, a partir da 13h10.