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Arranca agora mais uma edição de "E o Campeão É". Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador, com o encontro do Sporting em casa frente ao Tondela como prato principal para o programa de hoje. Conto com os comentários do Augusto Inácio, do Gabriel Alves e também do Pedro Henriques. Meus caros, sejam todos muito bem-vindos. Há muito para escrutinar neste encontro do Sporting, que esteve a vencer por 2 x 0, mas em cinco minutos de terror acabou por deixar escapar a vitória e deixou escapar também matematicamente a hipótese de se sagrar tricampeão nacional. Augusto Inácio, vou começar por ti. Há alguma explicação para esta hecatombe do Sporting em apenas cinco minutos?

Boa tarde a todos. É difícil haver uma explicação para tudo isto. Não sei o que aconteceu, sinceramente. Posso dizer que eu estava num evento ontem, que não pude estar a ver o jogo em direto. Vi-o mais tarde, quando cheguei a casa e quando vi 2 x 0, pensei que o resultado estava feito, que o Sporting ia conquistar três pontos, mais a mais com o jogo já nos 90 minutos. Quando dei por mim e vieram me dizer: "Olha, o Sporting empatou". Eu disse: "Não quero acreditar, como é que o Sporting empatou se estava a ganhar 2 x 0 e estava a acabar o jogo?" O que é certo é que quando eu cheguei a casa e vi o jogo, comecei a perceber que realmente tinha sido mesmo assim, que eu mesmo assim não queria acreditar. Que explicações é que há para isto? Sinceramente, não sei. Só as pessoas que estão lá dentro do Sporting é que podem saber isso. 2 x 0 é um resultado que parece que está garantido, mas não está. O Tondela teve o seu mérito e não podemos tirar o mérito ao Tondela, porque acreditou sempre, mesmo perdendo de 2 x 0 em Alvalade, e acreditou que podia fazer alguma gracinha. Acabou por acontecer, através de dois pontapés de canto, uma falta de concentração muito grande, uma falta de organização também muito grande. Diria que o Sporting fez um mau jogo. A exibição do Sporting tinha sido muito má até então. É verdade que marcou dois gols, é verdade que teve o domínio do jogo, é verdade tudo isso, mas não chegou para ganhar. E o que é certo é que o Sporting entrou numa onda em que com os dois últimos classificados na reta final do campeonato, pelo menos não sendo campeão, pode segurar o segundo lugar, o Sporting perde quatro pontos contra os dois últimos. O que isto quer dizer é que praticamente o Sporting está a oferecer o segundo lugar ao Benfica, que provavelmente é capaz de garantir esse segundo lugar, embora tenha jogos perigosos ainda pela frente, mas diria que o Sporting parece que está a cair de uma maneira estrondosa e cai numa maneira e num momento em que isso não devia ter acontecido.

E as lesões são o único culpado?

Isto aqui não tem a ver com lesões. Isto tem a ver aqui também com mentalidade, que é a parte anímica, que é a parte mental. O Sporting já na Vila das Aves entrou em campo que isto mais minuto, menos minuto, vai-se marcar um golo e vai-se ganhar. E as coisas nunca são assim. Há que respeitar sempre o adversário e sinceramente acho que o Sporting facilitou muito e não respeitou tanto o adversário como ele merecia ser respeitado e por isso o Sporting teve o seu castigo.

Gabriel Alves, quero também escutar-te sobre este encontro do Sporting. A vencer por 2 x 0, deixou-se empatar na reta final da partida. A estrelinha do título do Leão apagou-se, complicou as contas também para o segundo lugar. Faço-te a mesma pergunta que fiz ao Augusto Inácio, pode ser que tu nos consigas explicar o que se passa com este Leão.

Boa tarde. Na Argélia há uma frase: "Deu o berro." Deu o berro. Portanto, questões mentais, questões físicas, questões de ânimo. Esteve muito bem agora o Augusto a falar da questão quando se entra em campo e eu também estou sempre a dizer o mesmo: nunca meças o teu adversário por baixo. Não, mas isso hoje em dia. "Eu é que sou bom, pá. Eu é que sou bom." Pois é. Há aí muitos bons, quer ao nível coletivo, quer ao nível individual. Depois, mais tarde, vimos a ver as notícias, o que é que são os tais muito bons. O Sporting neste momento, em termos anímicos, está mal, em termos físicos está mal, em termos de jogo, obviamente, está mal e os adversários também já perceberam. Porque temos que sempre considerar que o treinador do próximo jogo, obviamente, está a ver os jogos que estamos a fazer neste preciso momento. E obviamente que se nós somos muito bons, tão bons, eles também podem não ser tão bons, mas há uma coisa que eles são, são profissionais, são capazes, são competentes. Como dizia o outro, o Otto Glória, há muitos anos: "A gente faz as omeletes com os ovos que tem." Não têm ovos de galinha, fazem com ovos de codorniz. Ok? E a verdade é que esses ovos depois acabam por ter o seu efeito. Portanto, este Sporting, na sua conjuntura, até pela forma como entrou no jogo, lento, sem chama. A equipa do Tondela, um sistema 6-3-1, controlou, a partir de determinada altura, esteve, porque não teve também grande dificuldade em o fazer. Foi até com mais posse de bola para diante, teve uma pressão mais alta e foi controlando o jogo. Há aquele momento em que o Soares marca aquele gol, de facto, a ponta de lança apareceu, porque também até ali não tinha nada aparecido. E esta é que é a verdade. Eu, por acaso, durante a transmissão, fui dizendo: "Cuidado. Cuidado que isto..."Desatenções completas, desconcentração competitiva completa, o que dá indisciplina tática e acaba no que acaba. E é de dizer: cuidado com os lances de bola parada. A equipa do Tondela trabalhou-os e concretizou-os. Bem se viu, saíram os dois gols de dois cantos. O Sporting teve tantos. Não concretizou nada, antes pelo contrário, não resolveu nenhum. Portanto, é um Sporting, neste momento, completamente perdido em alta competição. Até o Arsenal foi um, do Arsenal pra cá é outro.

Pedro Henriques, quero saber o que tens a acrescentar e pergunto também se podemos falar em descalabro do Sporting.

Eu sei que quando te fazes perguntas, a ideia é que nós demos respostas, mas eu hoje também só tenho perguntas pra fazer, várias. Tem a ver com isso da liga dos últimos, ou seja, o Sporting com os dois últimos, na liga dos últimos perde quatro pontos. E as minhas dúvidas, as minhas perguntas, que são várias, são estas: Trincão no banco? Diomande no banco? Rafael Nel não vai pra jogo? Vagner Yunes em jogo? Nuno Santos, tantas paragens, regressou, lesionou-se. É preciso segurar, vai pra jogo? Costa Civil vai pra jogo com o Diomande no banco? Então não era mais Diomande e Quaresma e o Debasta fazer a posição onde ele cresceu e nasceu, que é exatamente à frente destes defesas? Portanto, tenho muitas dúvidas e muitas perguntas em relação às opções. Como tenho dúvidas e perguntas também em relação à renovação. É amanhã, dia 1 de maio, Dia do Trabalhador. O Rui Borges perdeu direto com o Benfica na Supertaça, é eliminado por um grande, que é o Vitória Esporte Clube, na meia final da Taça da Liga. Em 18 pontos possíveis pro campeonato, com Porto, Benfica e Braga, faz quatro. São mais perguntas que eu tenho pra fazer. E é só pra terminar, pra lembrar, o Sporting está na final Taça de Portugal com o Torriense, que é da Liga 2. É bom recordarem o Aves e o Académica, porque com este descalabro, utilizando aqui as palavras que foram utilizadas, não sei se o Sporting mentalmente, fisicamente, psicologicamente, tem condições, até inclusivamente pra ganhar a Taça de Portugal, o que seria um descalabro ainda maior. Portanto, não consigo compreender este momento final do Sporting, mas não quero também deixar de relembrar que durante muito tempo o Sporting foi ganhando a acabar. Nem sequer estava com essa consistência. Foi ganhando a acabar, só que estava a ganhar, obviamente. Acabava, eram os descontos. Portanto, não há assim tanta consistência quanto isso. Tenho muitas dúvidas em relação a este Sporting, neste momento, à equipa e também ao seu treinador.

Sporting numa situação complicada nesta reta final do campeonato. Augusto Inácio, é este o momento da liderança falar? Deveríamos escutar em breve Frederico Varandas? Deveria chegar-se à frente o presidente do Clube Leonino?

Nesta altura é que se vê as grandes lideranças e os grandes presidentes. Quando se fala, quando se está na mó de cima, é mais fácil. E depois quando se fala e quando se ataca adversários e rivais com uma linguagem que realmente não é própria de um presidente, as coisas têm uma dimensão maior ainda. Agora, sim, acho que sim. Se realmente as coisas não estão a correr bem, e parece que tudo indica que o Sporting é capaz de perder o segundo lugar, o que dá direito só a ir à Liga Europa e não ir à Liga dos Campeões, com a não entrada de mais 45 ou 50 milhões, pelo menos, que podia entrar nos cofres, é a altura também, nestes momentos, do presidente dar a cara e de falar. Por que não falar agora? Não sei. Ficamos todos à espera que diga alguma coisa.

Gabriel Alves, está na altura de Frederico Varandas se mostrar?

Estou de acordo com o Augusto Inácio, mas há aqui vários fatores também, que naturalmente interpelaram. O que se fez em termos de construção, em termos de projeto durante esta temporada, porque isso esteve tudo muito bem, enquanto se foi ganhando, enquanto se esteve na frente, enquanto se ia discutindo o título. Mas o que se fez de projeto em questão de ter uma equipa sólida, ter jogadores pra aquilo que se pretendia, previsto estar na Champions, estar na Taça, estar no campeonato, querer se vencer. O Sporting é uma equipa, quando parte, é para discutir posições cimeiras e títulos. E é só com esta equipa. Não há um mercado de inverno global, a nível de toda a Europa, ao nível do mundo, exato, para que as equipas se possam ajustar, se possam, diria até, reconstruir aqui ou acolá, e o Sporting não fez nada disso. Esta que é a verdade. Antes pelo contrário, dispensou os jogadores que se calhar teriam sido extremamente úteis se tivessem ficado, principalmente um que estamos a acompanhar na Itália, que ganhou o seu espaço. Mas ganhou o seu espaço para si. Aquilo que está a fazer no Napoli, fazia cá. Só que o treinador lá percebeu quem é o Ellison. Eu não quero dizer que o Ellison é que era o salvador. Não. É aquilo que é, na conjuntura, aquilo que a estrutura do Sporting fez em função de poder dar à sua equipa técnica matéria, material, por isso é que eu falo muito das omeletes e dos ovos, material para que lhe pudesse exigir também. Resta um campeonato, tem desgaste físico, tem desgaste de lesões, tem desgaste de castigos. Normal, não é em Portugal, é em Portugal e em todo lado. É uma competição, é uma maratona, vai ter aquilo que é os seus pontos. E isso tem que ser projetado. Olha, um bom exemplo, Futebol Clube do Porto. Soube o que tinha que fazer, é campeão.

Bem, pra já, ainda não, mas certamente está num bom caminho a equipa de Francesco Farioli.

Amanhã, logo em fim de semana, já saberemos.

Em princípio, o Futebol Clube do Porto pode efetivamente conquistar o título de campeão nacional este sábado, mas pra já a matemática ainda não diz isso mesmo. Pedro Henriques, este programa fica marcado por muitas perguntas, é certo. É Frederico Varandas que tem as respostas e as explicações?

Claro que sim. Neste conceito e contexto dos clubes e da maneira como eles são organizados, são os seus presidentes as pessoas que, numa última análise, lideram, gerem, chefiam, comandam, o que quer se utilizar, que são coisas diferentes umas das outras que eu estive a dizer. Num plano teórico e académico, não é só nos momentos bons que têm que aparecer ou nos momentos em que normalmente os presidentes aparecem, que é para dizer mal uns dos outros e sobretudo para dizer mal da arbitragem. E aí eles são muito fortes todos. Em teoria, no papel, nos momentos negativos, maus, devem aparecer. Agora, a questão que se coloca relativamente ao Filipe Varandas é que as suas intervenções, que nunca foram muito fortes, mas que até tinham vindo a melhorar, voltaram a descambar. Foi na onda daqueles picantes do André Villas-Boas, que usou uma estratégia de contra tudo e contra todos. E em vez de o Filipe Varandas ter uma resposta diferente, foi reagindo. E depois reagiu e por isso está a ser atacado, até em termos de redes sociais, com as suas próprias palavras, quando disse que o Porto estava com medo, aquelas coisas que a gente tem visto. Obviamente que as pessoas agora agarram nisso e questionam quem é que está com medo, quem é que está a jogar mal, quem é que joga muito mal. É isso que eu diria. Termino com isto. Num plano teórico, sim, aparecer agora num momento difícil, se bem que amanhã há uma renovação e poderá fazer mais sentido fazer essa intervenção, se calhar, amanhã. Mas, por outro lado, atendendo àquilo que é o histórico do Filipe Varandas e as suas intervenções, que não são muito felizes, eu não sei se não é melhor estar calado.

Meus caros, estamos a chegar ao final do nosso tempo. Trinta segundinhos para conhecer as notas de cada um de vocês. Começo por ti, Augusto Inácio.

Nota um para o Sporting, que claramente nas duas últimas jornadas perde quatro pontos e praticamente está a perder quase 50 milhões de entrada direta na Liga dos Campeões, que é capaz de ser o Benfica a ganhá-los. E nota 16 para aquilo que o Tondela fez em Alvalade. Nunca desistiu, foi à procura de ser feliz, acabou por sê-lo, ganhou um ponto, pode ser importante para a sua manutenção.

Gabriel Alves, 30 segundinhos para as tuas notas.

As minhas notas, eu tenho que dar uma nota ao jogo de ontem entre o Atlético de Madrid e o Arsenal. Podemos dizer que é um jogo chato? Pois é, mas foi mais tático, mais calculista, mais posicional, físico. E há quem pense, e já estou a ler por aí fora, que qualquer delas, a que passar, seja uma ou outra, não se admirariam se a outra que passar, seja o PSG ou o Bayern, não venha a ser o campeão europeu. Há aqui uma discussão, no bom sentido, obviamente, de conteúdo, não é uma discussão barata, sobre aquilo que é o futebol na tática e no espetáculo. É interessante estarmos atentos. E a minha nota vai para Pep Guardiola, porque eu vou levantar aqui um problema que parece que ninguém está a levantar. É o preço do mundial. E o Guardiola veio levantá-lo já há uns dias atrás, não foi ontem nem anteontem, veio levantá-lo. Mas o futebol não é para o povo, não é para a gente. Não. Os preços que estão a ser e que vão ser praticados ao nível deste mundial, não sei para quem são, se calhar para extraterrestres.

Pedro Henriques.

Sim, três notas e muito rápidas. Nota 15 para o Braga, está na meia-final e hoje vai ser muito importante que o Braga, uma vez mais, esteja em grande momento. Acho lá que sim. Nota 16 para o Cristiano Ronaldo. Golo 970, faltam 30. Olá, a questão é que se acautele, como diz o nosso João Pinto, vai sofrer 25 gols o Cristiano Ronaldo. E finalmente, também nota 17, porque eu sei que a arbitragem normalmente só aparece para a malta cascar e sobretudo os árbitros portugueses. É só para relembrar que hoje há uma meia-final muito importante, Nottingham Forest x Aston Villa, que ainda por cima duas equipas. E é só para relembrar os árbitros que lá estão: João Pinheiro, Bruno Jesus, Luciano Maia e depois Tiago Martins no VAR e André Narciso como AVAR. É só para relembrar isso.

Ora bem, ficamos com as notas do Pedro Henriques, do Gabriel Alves e também do Augusto Inácio. Está feita mais uma edição de "E o Campeão é?" na Rádio Observador.