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Futebol Clube do Porto concedeu a primeira derrota nesta temporada, perdeu em Inglaterra 2x0 frente ao Nottingham Forest. Já o Sporting Braga continua a onda vitoriosa na Europa e bateu o Estrela Vermelha por 2x0. Aconteceu numa noite que fica também marcada pelo debate rumo às eleições no Sport Lisboa e Benfica, que juntou os seis candidatos. São temas em destaque nesta edição de "E o Campeão É". Vamos começar por aquilo que aconteceu na Liga Europa com João Castro, o Futebol Clube do Porto ter a primeira derrota. Surpreendeu-te a forma como aconteceu esta derrota dos Dragões? Já vamos ao João Castro. João Pinto, faço-te a mesma pergunta. Acompanhaste o jogo do Futebol Clube do Porto, o que te pareceu esta exibição dos Dragões?

É um bocado uma chamada à realidade. Boa tarde. Realmente, uma coisa que o Luís ontem chamava muito a atenção, que tem a ver com esse gap de qualidade que há entre as grandes equipes portuguesas e as grandes equipes inglesas, que se nota especialmente quando as equipes de médio porte inglesas, como são o Newcastle e o Nottingham, depois jogam contra Benfica e Futebol Clube do Porto. E se percebe que, especialmente do ponto de vista do andamento físico e do passo a que o jogo é jogado, que temos alguma dificuldade em acompanhar. Ontem o Futebol Clube do Porto acho que teve uma má decisão quando coloca o Pablo no meio-campo. Tirando isso, o Porto estava com os seus melhores e os seus melhores não foram suficientes para aguentar aquela vontade toda e aquela constância toda que o Nottingham meteu no jogo. Depois são pormenores, são dois pênaltis. Se aquele gol do Porto entra e conta, o Porto podia dar a volta, mas não contou, estava fora de jogo e, portanto, a partir daí, o Futebol Clube do Porto teve sempre muita dificuldade em pegar no jogo a meio-campo e muita dificuldade em lançar aqueles contra-ataques e aqueles ataques sobre as faixas, que costumam ser tão mortíferos. É isso, é uma chapada de realidade que o futebol português leva nesta dupla jornada.

Sim, Pedro Henriques, nós já tínhamos falado disso quando foi a questão do jogo do Benfica frente ao Newcastle, sendo que aí a realidade foi diferente, o resultado também foi mais pesado. Aqui o Futebol Clube do Porto vinha de excelentes exibições, vinha de uma onda quase 100% vitoriosa, já tinha tido empate com o Benfica também nesta temporada. Mas como é que se explica este desaire frente ao Nottingham?

Bem, em primeiro lugar, eu diria, e pego nas palavras do João Pinto, eu sei que a Inglaterra tem valores astronômicos em todos os plantéis, portanto, mesmo as equipes que estão cá para baixo. E isso, quer queiramos, quer não, não é o saco de dinheiro que joga, mas são os jogadores que a partida terão sempre mais qualidade do que aqueles que serão mais baratos. E o Nottingham Forest em 18º, o Newcastle em 14º, foram suficientes para aquilo que é o nosso topo. Portanto, quando pensamos em Benfica, Porto e Sporting, pensamos no nosso topo. E de alguma maneira ficamos com a sensação de que, pelo menos em relação a estes dois jogos, esta é a minha perspectiva, que as equipes adversárias foram mesmo melhores, seja na velocidade, na intensidade, seja porque foram mais pragmáticas e marcaram gols. Acho que foram melhores. E esta é uma das preocupações. É lógico que nenhuma equipe, quer dizer, raramente na história, mesmo dos ditos supersônicos, é uma equipe que consegue fazer oito ou nove meses de competição em todas as competições e ganhar tudo. Há de haver sempre momentos mais altos e menos altos e, portanto, situações em que empatas ou que eventualmente perdes. E como o Porto nos estava a habituar, e bem, a ganhar e, portanto, só tinha um empate e o resto era vitória, obviamente que quando acontecesse esta primeira não-vitória ou derrota, que iríamos sempre fazer uma análise, uma reflexição, tentar perceber o que estaria correto ou incorreto. No meu ponto de vista, eu sei que fazer o Totobola à segunda-feira é sempre muito mais fácil, mas acho que a maneira como o Farioli aborda o jogo deixa-me algumas dúvidas, porque eu acho que o Farioli, e isso também tinha ficado provado no Porto-Benfica, eu acho que ele às vezes fica mais focado naquilo que é o adversário e toda a estratégia pensada em função do adversário e não em função do próprio clube. E acho que o Pabo Rosário aparece no pensamento estratégico do adversário, do duelo físico, etc. E já com o Benfica foi a mesma coisa. E acho que talvez isso justifique, e oxalá esteja enganado para bem do Porto, o porquê do Farioli, nas últimas jornadas, ter pura e simplesmente passado do céu ao inferno na Holanda, nos Países Baixos. Porque percebe-se agora que independentemente das suas capacidades e qualidades, quando a coisa aperta, o discurso dele é todo em função do adversário e não em função da sua própria qualidade clube. E porque se o Porto jogasse em casa, eu agora vou inventar, contra o último classificado da primeira liga, o Pabo Rosário não jogava. É lógico que tem que haver sempre um pensamento em relação ao adversário, claro que sim, mas não ao ponto de meter os jogadores que normalmente não jogam, utilizar estratégias que normalmente não utilizas. Normalmente, isso dá mau resultado. É um bocadinho como quem joga para o empate. E termino com isto, que tenho dois pensamentos. Um foi quando o Fariola diz: "Concedemos dois pênaltis e mais nada". Eu olho para isto, e esta é outra preocupação, e diria que temos a versão dois do Rui Borges, que corresponde basicamente à versão um do Roger Schmidt. Só eles é que veem o que mais ninguém vê. E depois continuo com uma dúvida: o melhor talento do Futebol Clube do Porto, podem dizer tudo que quiser, o melhor talento do Futebol Clube do Porto entrou ao minuto 86. Para quê? Desculpem, não consigo perceber porque é que o melhor talento do Porto entra ao minuto 86 e está no banco e está tão ausente da equipa. Não consigo perceber.

João Castro, creio que agora sim, já em condições.

Sim.

Como é que explicas esta derrota do Futebol Clube do Porto, depois do que já foi aqui dito também?

Boa tarde a todos. Em primeiro lugar, deixa-me te dizer uma coisa. Obviamente que concordo que o nível em Inglaterra é superior ao nosso. Intensidade, qualidade, dinheiro, tudo. Mas também não podemos dizer que é só por isso. O Sporting ainda há pouco tempo ganhou 4-1 ao Manchester City, ainda há pouco tempo também dominou o Arsenal. Portanto, não podemos ir só por aí quando há derrotas, é tudo: "Ah, é Inglaterra, é muito difícil". Não. Nós temos capacidade para lutar contra eles. Claro que é difícil, mas não podemos logo esconder. E eu acho que o Pedro agora tocou um bocadinho ao de leve no problema. O problema aqui foi a gestão do Farioli. Pablo Rosari, claramente um erro. Num jogo destes, o Porto tem tido dificuldades. Quando aumenta o nível e as equipas conseguem igualar a componente física do Porto, as coisas complicam um bocadinho. E foi isto que o Forest fez. O Porto podia ter ido buscar mais criatividade, em vez de tentar igualar ou jogar de físico pra físico, obviamente ir buscar a criatividade. E onde é que estava a criatividade? Estava no Rodrigo Mora e no William Gomes, que quanto a mim deviam ter sido e podiam ter trazido ao futebol do Porto a capacidade técnica que não se viu no jogo. E não consigo perceber como é que o Rodrigo Mora, na Taça, joga pouco e depois na Liga Europa joga pouco. Conseguia perceber se ele tivesse poupado o jogador na Taça para ser uma aposta firme em Inglaterra. E acho que faltou essa criatividade ao Porto, faltou a capacidade técnica. O que nos distingue dos ingleses não é igualar a capacidade física, é claramente a capacidade técnica. E acho que a gestão do Porto, onde só rodou dois jogadores na Taça, e eu pensei que em Inglaterra ele fosse, até porque o Porto está numa posição muito confortável na Liga Europa, pudesse realmente acrescentar mais qualidade técnica e não tanto física, para complicar a vida e para dar outro andamento ofensivo ao Futebol Clube do Porto. Não aconteceu e, portanto, a gestão do Futebol Clube do Porto, já o próprio Farioli jogou 78 minutos para a Taça e ontem voltou a jogar tantos minutos. Eu acho que o Porto vai acabar por quebrar fisicamente e obviamente também a motivação de alguns jogadores, neste caso do Rodrigo Mora e de outros, se continuarem a jogar muito poucos minutos. Portanto, acho que a culpa e a derrota deve-se muito à gestão destes dois jogos por parte do Farioli.

Análise feita a essa derrota do Futebol Clube do Porto, uma das surpresas da noite de ontem, sendo que o Sporting Braga continua a onda vitoriosa, soma nove pontos nesta altura, está na segunda posição desta fase de liga da Liga Europa, está apenas atrás do Midtjylland, mas é uma questão de diferença de gols. O Midtjylland tem mais um gol nessa diferença de gols, tem seis positivos, o Sporting Braga, cinco. A juntar-se também a essa lista de clubes com nove pontos está o Lyon. O Futebol Clube do Porto está na 15ª posição com seis pontos. Vamos seguir numa rápida análise ao debate de ontem à noite. Um debate longo, quase quatro horas. João Pinto, o que achaste deste debate? Foi esclarecedor? Não foi esclarecedor? Clarificou, pelo menos, os indecisos?

Foi longo, achei longo. Deu pra ver o Ben-Hur duas vezes, quase. Mas se foi esclarecedor? Foi, eu acho que foi um debate com alguma elevação, em que não valia a pena ter centrado em algumas situações, quase que parecia um debate político, quando somos todos do mesmo partido, mas acho que é normal nessas coisas haver algumas atoardas e haver alguma troca de galhardetes. Para mim, como sócio, esclareceu-me. Fiquei reduzido a dois candidatos. Achei muito engraçado o ascendente que o Luís Filipe Vieira tinha sobre todos os outros e a visão tão detalhista que ele tinha dos temas. Mas para mim continua a haver só dois candidatos, o Rui Costa e o Noronha Lopes. Tudo o resto são candidatos que têm boas ideias, mas creio que ficou provado que não chegam lá.

Pedro Henriques, tens alguma coisa a dizer sobre este debate ontem na BTV?

Dois lados. Um é que eu acho que já não há nada neste planeta que se faça com quatro horas. Então ao nível de comunicação, a malta é do minuto, dos dois minutos, é dos TikToks e essas coisas todas. Sejam pessoas mais antigas ou menos antigas, eu acho que foi demasiado exaustivo este modelo. Parece que o João Pinto viu o debate todo, ok, mas tenho dúvidas que até os próprios associados do Benfica tenham visto quatro horas de debate. Não faz sentido e acho que foi demasiado pesado. Depois, no meu ponto de vista, não há aqui uma ideia nova, no sentido de quem tem acompanhado os debates percebe, e é lógico, que cada um daqueles que são os candidatos vieram no fundo refletir o mesmo que já tinham falado e chega à conclusão também que, porventura, vamos ter uma segunda volta e a questão vai ser o Noronha e o Rui Costa. Eu acho que não vai haver mais ninguém a intrometer-se neste processo, sendo que aqui a questão tem a ver com o modelo, que é de votos, porque sabemos que não é uma pessoa e um voto. E é isto que eventualmente pode trazer alguma surpresa relativamente àqueles que, sendo mais antigos, têm direito a mais votos, e isso pode de alguma maneira mudar aqui. Mas acho que amanhã, que são as eleições, acho que o final disto tudo vai ser uma segunda volta e Noronha e Rui Costa, e acho que é aí que está a discussão do próximo presidente.

Muito bem, vamos partir já para as nossas notas de campeão. Estamos já com pouco tempo. João Castro, passo para ti, campeão do dia. Se quiseres, aproveita também para deixar a tua nota sobre este debate.

Deu alguns memes engraçados, o debate, isso deu. Mas deixo, obviamente, toda a análise para o João Pinto. Acho que vai haver segunda volta e, se calhar, o Vieira, em alguns pontos, pode até ser uma surpresa. Em relação à nota, nota 18 pro Braga, por esta campanha fantástica na Liga Europa. Claramente, mereceu destaque. Parece que o treinador acertou aqui um bocadinho mais as agulhas da equipe bracarense e, portanto, nota 18, pelos pontos que têm dado também em Portugal. E aqui nota negativa ao Farioli por esta gestão que eu acho incoerente e, neste caso, nefasta para o Futebol Clube do Porto, sobretudo nestes jogos.

Muito bem. Pedro Henriques?

Duas notas. Naturalmente, nota 18 pra vitória do Braga. Nove pontos, segundo lugar na classificação, cinco gols marcados, nenhum sofrido, a contrastar com o oitavo lugar da nossa primeira liga. Não deixa de ser um bocadinho bipolar. E depois pro futebol feminino, porque foi a primeira vitória de sempre sobre as americanas, sobre os Estados Unidos, uma vitória de 2-1. Ainda por cima o gol das americanas foi fora de jogo, mas lá não havia VAR. E foram também os primeiros gols que nós marcamos aos Estados Unidos. E, portanto, acho que é uma vitória muito interessante sobre o que diz o que é a evolução do futebol feminino e oxalá isto venha dar mais força pra nossa liga, pras nossas jogadoras e para aquilo que é o desenvolvimento do futebol feminino.

João Pinto, para fechar.

Isto, fui assaltado, foram os campeões todos, mas são exatamente os mesmos que já disseram aqui. Pro Braga, um 18 e pro futebol feminino um 15 e faço minhas as palavras deles.

Está feita esta edição de "E o Campeão É...".