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Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador. Está no ar mais uma edição de "E o Campeão É", com destaque para os resultados da Primeira Liga, sem esquecer os medalhados portugueses no Campeonato do Mundo de Atletismo, na Polónia. É um dos destaques da edição de hoje de "E o Campeão É". Ainda assim, vamos arrancar pelas vitórias de Sporting e Futebol Clube do Porto na Primeira Liga, as emoções do campeonato que continua ao rubro. Hoje conto com os comentários do Pedro Henriques, do Augusto Inácio e também do editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro. Sejam todos bem-vindos. O primeiro tema é a vitória do Futebol Clube do Porto. Ganhou por 2-1 ao Sporting Braga, com direito a reviravolta. Bruno Roseiro, já podemos falar num campeonato entregue?
Na minha ótica, sim, diria que este é o xeque-mate do Futebol Clube do Porto ao título, que tinha ficado adiado depois do empate contra o Benfica. E eu diria que é um xeque-mate muito assente naquilo que é a grande marca de Fariola este ano, que tem a ver com a recuperação do ADN do Futebol Clube do Porto em campo. Mais uma vez, aquilo que nós vimos também, colocando em perspectiva aquilo que foi o jogo da primeira volta, foi um Sporting Braga com mais posse, um Sporting Braga com mais passes, um Futebol Clube do Porto que é muito mais forte em termos defensivos do que o Sporting Braga, e essa é uma das grandes diferenças, e sobretudo um Futebol Clube do Porto, que é uma equipa imbatível num parâmetro que é dos mais importantes, que é querer ganhar. Não há nenhuma equipa que queira ganhar mais do que o Futebol Clube do Porto. Mais uma vez, isso notou-se até pela forma como a equipa reagiu ao golo sofrido. E, no final, aquilo que sobra é também outra grande vitória paralela do Futebol Clube do Porto. Se nós compararmos aquilo que foi o mercado de inverno do Futebol Clube do Porto com o Benfica e com o Sporting, vemos um Piotrowski que é cada vez mais uma chave do Futebol Clube do Porto para desequilibrar na frente. Um Fofana que não só contribui com o reforço de força física, e essa fisicalidade também está sempre muito presente no jogo do Futebol Clube do Porto, mas também com gols, voltou a marcar, e o próprio Mofi, que veio colmatar aquilo que poderia ser um problema para o Futebol Clube do Porto, que é a lesão de Samu. Sobrava apenas Dion, que também já não contava. Sobrava apenas Denisz Gul e até o próprio MofI, com tudo aquilo que possa ter de bom e de mau, é uma opção importante para Fariola, que, por exemplo, Rui Borges não tem. Se Luís Suárez, por alguma razão, não jogar, não existe uma alternativa a não ser Rafael Nel na equipe B. E, portanto, além de o Futebol Clube do Porto ter sido a equipa que melhor preparou a época, que melhor se reforçou e que melhor construiu o seu plantel, teve também o mérito de, no mercado de inverno, perceber aquilo que poderiam ser as suas limitações e aquilo que poderia condicionar a corrida ao título. Superou também esse obstáculo, ganhou em Braga. Para mim, parece-me que já existe um xeque-mate ao título e a partir de agora o Futebol Clube do Porto eventualmente poderá perder o campeonato, não são os outros que o vão ganhar.
Augusto Inácio, falas também já em xeque-mate ou para já ainda só xeque ao rei?
Boa tarde a todos. Eu diria que o Bruno Roseiro sintetizou tudo aquilo que também era a minha ideia em relação a este comentário que estás me a perguntar. Eu acho que o Porto preparou muito bem a época, gastou o dinheiro que tinha que gastar e bem gasto, nenhum jogador praticamente passou ao lado. Teve azar com a lesão do Samu e com o Luca de Jong, que são duas pedras com que o Fariola contava muito, principalmente o Luca de Jong, pela sua experiência, porque trazia o balneário, mas também pela força física e pelo momento em que o Samu também poderia dar à equipa, até porque tinha sido também muitas vezes convocado pra seleção A de Espanha. Perdeu duas unidades, temeu-se realmente o pior, mas lá está, o André Villas-Boas e o Fariola, provavelmente, digo eu, o André Villas-Boas também foi um grande treinador, e provavelmente conversaram e falaram e o André Villas-Boas percebeu que o Porto precisava de mais qualquer coisa para aquilo que tinha apresentado e com as lesões dos jogadores, era preciso retocar o plantel. E mais uma vez, acertou em cheio. Fofana é realmente uma força física, é aquele jogador do box to box, é aquele jogador que dá força ao meio-campo em termos defensivos e em termos ofensivos consegue fazer gols. Foi assim que fez o gol com o Sporting no Dragão, em que o Sporting empatou no último segundo. Foi assim que se passou ontem em Braga. Fofana torna-se um jogador importante e fundamental, até porque o Rodrigo Moura também estava lesionado e o Gabig Veiga já tinha um cartão amarelo, mas aquele jogador é sempre um jogador com que se conta. Eu diria que o Porto, não digo um xeque-mate, mas que era um jogo muito importante para as aspirações dos três grandes, do Porto, do Sporting e do Benfica, porque o Benfica e o Sporting estavam à espera que o Porto escorregasse pra terem possibilidades ou de sonharem que poderiam lá chegar. Com esta vitória do Futebol Clube do Porto, o Porto tem tudo, mas tudo, para ser campeão. E depois também não podemos esquecer, há um Sporting-Benfica. No Sporting-Benfica alguém vai perder pontos. Não acredito que o Benfica chegue lá. Acredito, se houver um ou outro escorregãozinho, se assim se possa dizer, um empatezinho que o Porto possa ter, entretanto, que o Sporting possa também pensar que pode chegar lá, até porque o Sporting está a sete pontos, tem um jogo a menos, fica a quatro. E se não ganhar o Benfica, aí, sim, eu diria que o Futebol Clube do Porto tem tudo pra ser campeão, até porque nesse Sporting-Benfica, se o Sporting não ganhar, não podemos esquecer que, entretanto, até lá, o Porto joga na próxima rodada com o Famalicão, que não vai ser nada fácil. Mas sinceramente, depois de tudo isso que se passou ontem, o Porto, não digo que possa encomendar as faixas, mas tem tudo, mas tudo mesmo, pra ser campeão.
Pedro Henriques, o que queres acrescentar a este tema?
Muito bom dia. Só dizer que realmente há muito ouro no banco do norte do Porto.
E da Polónia também vem, mas já lá vamos.
Sim, não falo de ouro, de lingotes, nem banco de instituição bancária, mas eu acho que aquilo que é o banco de suplentes e aquilo que é o banco de suplentes/mercado de inverno do Porto, no meu ponto de vista, fez toda a diferença. E acho que é isso que assenta, para além daquela consistência defensiva, que o futebol clube do Porto tem. Duas partes. Do lado do Braga, Zalazar e Gurulitche, um bocadinho acima da média, no meu ponto de vista, e o Braga igual a ele próprio, uma vez mais, tal como quando tinha perdido na Hungria, lá quase 70% de posse de bola e aqui 62%, mas depois, na prática, isso não se traduz em pontos muitas vezes. E uma vez mais não se traduziu. O Porto com melhores índices ao nível daquilo que são até os pontapés de canto, cinco contra três, aquilo que foram os remates, 12 contra seis e até os três contra um de remates enquadrados. O Porto não é só o Fofana, claro, que ontem foi, se calhar, aquele jogador que acaba-se de destacar porque é decisivo naquilo que é o gol, mas é todo o que está no plantel do Futebol Clube do Porto. Ontem, uma vez mais, um William Gomes sempre a abrir. O homem tem pilhas Duracell. A magia do Petar Dzveric, que foi das melhores contratações para o presente e sobretudo para o futuro do Futebol Clube do Porto, seja para ficar, seja para vender. Aquela questão que é daqueles jogadores que são sempre pentos, mesmo quando às vezes tem outros que dão mais nas vistas, mantêm a sua regularidade. Estou a falar do Alan Varela e do Fran Ol. Eu acho que está muito à vista os aliados para o Futebol Clube do Porto. Claro que o discurso do Futebol do Porto tem que ser cauteloso e fazem bem, inteligência acima de tudo, na maneira como fazem a gestão daquilo que é a própria euforia. Mas penso que pela experiência que todos nós temos no futebol, será muito difícil que o Futebol Clube do Porto agora perca quatro, que no fundo são, digamos, cinco pontos, tem que ser uma derrota e um empate, e que o Sporting, está bem que joga em casa com o Benfica, mas com o Gil Vicente, com o Vitória Sport Club, ainda também tem jogos de grau de dificuldade. E dou-te já o mote para fazeres a passagem para o Sporting, porque o Sporting tem um problema que é: olhamos para o calendário do Sporting com jogos complicadíssimos e vemos só os jogadores a tombar com lesões e não vemos o tal banco e a tal profundidade que o Futebol Clube do Porto tem e que lhe dá inclusivamente garantias para aquilo que falta jogar deste mês e meio.
E vamos precisamente falar desse encontro do Sporting de ontem, que venceu o Alverca no Ribatejo. Bruno Roseiro, temos ainda assim, meus caros, de fazer como Isaac Nadea ontem na Polónia e acelerar um pouco. Bruno Roseiro, que notas a retirar desse encontro?
Até devia ter acelerado um bocadinho mais. Aliás, ele agora no final da prova já percebeu isso.
Sim.
Ele devia ter acelerado um bocadinho mais.
Eu disse acelerar pouco?
Sim.
Acelerar um pouco mais.
Ele devia ter acelerado um bocadinho mais. Em relação ao Sporting, começo com aquilo que o Pedro disse agora para dizer um dos pontos negativos. Ou seja, além da lesão do Nuno Santos, que voltava a ser titular mais de 500 dias depois, ao minuto 90 vemos Trincão no chão, Pote no chão, o Geny praticamente no chão, portanto levou uma bolada a seguir e foi. E isso acaba por ser o estado físico nesta altura das unidades fulcrais do Sporting. Ou seja, estão com um desgaste acumulado brutal, exatamente porque nem o Sporting tem o banco suficiente para rodar consoante os jogos que vai tendo, nem o próprio Rui Borges quer colocar em causa qualquer objetivo desportivo nesta altura. O que é que mudou em relação a alguns jogos? É que, ao contrário do que tem acontecido em alguns jogos que depois acabaram por dar empate para o Sporting, a maneira como o Sporting conseguiu gerir a vantagem na segunda parte foi algo que nós ainda não tínhamos visto. Ou seja, o Sporting mostrou que é possível gerir vantagem controlando o jogo, tendo bola, mas nunca deixando de visar a baliza adversária. Foi isso, por exemplo, que não aconteceu em Barcelos, foi isso, por exemplo, que não aconteceu em Braga e foi isso também que valeu a perda de pontos nesses dois jogos. Um Pote a aparecer a um nível muito mais alto que frente ao Bodø/Glimt, um Suárez que quando o provocam, entre aspas, parece que fica ainda melhor.
Aquele olhar matador depois de marcar o gol.
Depois de marcar o gol, o olhar para o João Pinheiro. E sobretudo um Sporting que, depois desta paragem, vai ter de perceber o que é que quer em termos desportivos, porque jogar com 12, 13 jogadores pela Liga dos Campeões, pelo campeonato e pela taça, não vai dar. Portanto, o Sporting vai ter de tomar opções, exatamente porque o mercado de inverno não foi o mercado de inverno que o Sporting precisava. E a fatura está aí.
Augusto Inácio, em minutinho e meio, pergunto-me muito diretamente, o plantel do Sporting está por arames?
Está. Sinceramente, está. Acho que sim. Pouca rotatividade, Yohan Aidoo nunca mais está pronto. Voltou, caiu outra vez. Mais um problema que fica por explicar. Eu diria que o Suárez, e aqui, sinceramente, acho que o treinador, aquilo que tem e com o resultado que já estava seguro, acho que devia ter tentado mais cedo poupar o Pote e o Suárez, porque são duas pedras fundamentais. Então o Suárez é fundamental e praticamente o Suárez jogou quase o jogo todo. E estas coisas podem não ser nem num, nem noutro jogo que se nota isso. É daqui para frente, depois no desgaste que o Sporting vai ter. São jogos atrás de jogos, quando vierem das seleções nacionais. Eu diria que o Sporting, e o Rui tem razão, o Sporting não tem plantel para estas frentes todas. Não tem, porque às vezes quem muito quer, tudo perde. E eu não sei qual é o Sporting, acho que o Sporting quer é ganhar o campeonato. Acho que é isso. Mas se pensar assim: "Mas o Sporting não pode desistir de nenhuma competição". Não pode desistir desde que faça um plantel adequado para isso. Agora, quando não tem plantel adequado para isso, está sujeito a não ganhar nada.
Pedro Henriques quer também escutar sobre este tema. Um minuto.
Sou rápido, sei que o tempo é curto. Primeiro, parabéns ao Rui Borges pela vitória 50 à frente do Sporting. Isso é sempre importante e ele próprio diz que se sentia feliz por isso. A bicadazinha que deu em função de uma pergunta que fizeram ao Mourinho, porque ao contrário do Mourinho, quando lhe perguntaram se ficou incomodado com aquilo que disse o Mourinho do Sporting não ser campeão e ganhar a Champions, ele diz que sou português e quer sempre que os portugueses ganhem, portanto, uma bicadazinha. Mas depois também uma crítica ao Rui Borges, ele é que está lá dentro e sabe como fazer a gestão, obviamente, mas quem está de fora fica a ideia que as substituições poderiam ter sido feitas mais cedo e, sobretudo, poupar aquilo que são as peças e unidades importantes, como foi aqui dito, e bem, por Bruno Roseira, já estava uma série de jogadores acabados, o Trincão, que acho que foi pisado, o próprio Giannis Katano, o Pote, todos caídos no chão e o Sporting teve ontem, claramente, em Luis Suárez, o craque, e depois um Fresneda que tem vindo a surpreender, ainda bem para o Sporting, e um Giannis Katano e um Pedro Gonçalves com uma bitola elevadíssima. É isso que também traduz a superioridade do Sporting ontem no jogo de ontem. E vamos ver o que ainda resta do campeonato.
Ora bem, para já, o Futebol Clube do Porto segue líder, o Sporting em segundo e o Benfica em terceiro. São as contas do campeonato. Estou a apressar-vos, meus caros, por um bom motivo. Na verdade, são três vindos da Polónia, duas medalhas de ouro no salto em comprimento, Agathe Sousa e Gerson Baldé, e uma medalha de prata de Isaque Nader nos 1500 metros, isto nos Campeonatos do Mundo de Atletismo Indoor, que decorreram em Torun, na Polónia. Em homenagem a estes resultados, hoje vou pedir não campeões como habitualmente, vou pedir medalhas de campeão. Bruno Roseira, vou começar por ti. Acredito que já estivesses com planos de colocar estas três medalhas nos teus campeões, porque são literalmente campeões.
Eu sou como o Domingues Castro. Eu achava que ia haver uma quarta, porque a Salomé Afonso acabou por não ir à final e se Salomé Afonso tenha ido à final, estava na luta pelas medalhas. Uma outra nota também, aquilo que as estafetas fizeram, sobretudo a estafeta 4 vezes 400 masculina, apesar de ter sido um quinto lugar, a maneira como chegaram à final e bateram o recorde nacional, acaba por ser quase a medalha tangível, digamos assim, dentro daqueles tubarões. Em relação à Agathe, ao Gerson e ao Isaque Nader, eu diria que o Isaque Nader está a um patamar que nesta altura prata já começa a ser pouco para ele. E é ótimo nós vermos isso, porque o Isaque Nader, quando cai nas meias-finais dos Jogos Olímpicos, não me esqueço, na zona mista, ele sai e diz: "Eu vou lutar para ser campeão olímpico em Los Angeles", e as pessoas ficaram todas: "Mas tu nunca ganhaste sequer uma medalha numa grande competição". Ele é campeão do mundo ao ar livre, agora é vice-campeão do mundo em pista curta e portanto prova que, de facto, ele sabe aquilo que está a dizer e pode ter as suas ambições para 2028. Em relação à Agathe e ao Gerson, sobretudo aquilo que mostra é que Portugal tem mais vida nas disciplinas técnicas além de pitchardo e tem mais vida em termos de atletismo, de tal forma que nestes mundiais bateu o recorde de participantes, o recorde de medalhas, o recorde de pontos e igualou o recorde de finais. Portanto, eu diria que isto resume tudo aquilo que se passou em Torun.
Augusto Inácio, quais são as tuas medalhas?
As medalhas são estas que o Bruno Roseira acabou de dizer em relação ao atletismo. Não vou me alongar mais com isso. Nota 20 para eles todos. Queria dar também nota 18 para o Futebol Clube do Porto, pela grande vitória que conseguiu ontem em Braga. Nota 20 também para o Manchester City, que ganhou a Taça da Liga, com Matheus Nunes e Bernardo Silva a levantar a taça, mas acima de tudo, nota 20 para o Luis Suárez. Não é normal um jogador ter uma atitude daquelas que teve quando disse ao árbitro que não era grande penalidade. Não é normal, e isso tem que ser enaltecido e tem que ser agradecido pelo gesto que o Luis Suárez teve. Só que no futebol não pode haver seriedade, já se percebeu. Quanto mais sério se é, mais cartões se leva. Por isso, injusto aquele cartão amarelo, nota 20 para o Luis Suárez pela sua atitude.
Pedro Henriques, tem 30 segundinhos para escutar as tuas medalhas.
A minha medalha é a medalha com o carimbo de qualidade da Rádio Observador, ou seja, é acima do ouro, é mais que ouro, é platina. 6,92 para a Agathe, obviamente que realmente Agathe Sousa, também para os 8,46 do Gerson Baldé e obviamente para aquilo que foi uma diferença de 3,39 segundos para 3,40, portanto nove centésimos, em relação ao espanhol que ganhou com brilhantismo a prova, mas obviamente que também para esta medalha de prata. Portanto, estamos de parabéns por tudo aquilo que também foi aqui o resumo feito de todas as nossas participações e todos os recordes que acabámos por bater, que o Bruno Roseira traduziu aqui muito bem. Parabéns ao atletismo, parabéns aos nossos medalhados, parabéns a Portugal.
Bruno Roseira, Augusto Inácio e Pedro Henriques, muito obrigado. Está feito mais um episódio de "E O Campeão É...".