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E o Campeão é na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos falar de desporto. Tenho um painel de luxo para o programa de hoje. Conto com os comentários do Gabriel Alves, do Luís Pinto Coelho, do João Pinto e também do Pedro Henriques. Hoje no menu, prato forte, as competições europeias, Liga Europa e Liga Conferência, e com vitórias para as equipas portuguesas. O Benfica ganhou por 5x0 ao St. Gallen. Já o Sporting Braga venceu o Zelezičnar por 4x0. Seguem as duas em frente no caminho, à procura de chegar à fase de liga das provas europeias, o Benfica na Liga Europa, o Sporting Braga na Liga Conferência. É o primeiro ponto de análise na edição de hoje de "E o Campeão É". Gabriel Alves, vou começar por ti. Barrigada para as equipas portuguesas ontem.
Sim. Cumpriram com aquilo que era a sua obrigação e aquilo que era a configuração dos valores que estavam em jogo. E obviamente que seguem em frente, embora o Braga já tivesse meio caminho andado. O Benfica vinha, naturalmente, não só de uma derrota, mas mais do que a derrota, de uma exibição confrangedora. E eu vou aqui citar Marco Silva ontem, porque realmente o Marco Silva é um treinador, alguém que aprendeu muito no futebol inglês. Eu gosto das pessoas que aprendem, porque eu também gosto de aprender. E obviamente que é pouco de novelas, é pragmático, é objetivo, é concreto, é direto. E então, Marco Silva, e cito: "Fizemos o que tínhamos que fazer, a nossa obrigação. E ainda, temos que melhorar muito". Eu acho que está aqui a fotografia daquilo que se passou ontem no Estádio da Luz. Também a nota que ele deu ao 12º jogador, que é o público, que naturalmente envolveu e que ele, antes pelo contrário, quis. Esse público nunca quis estar aquém dele, mas antes pelo contrário, no meio dele, portanto, trazendo-o à equipa. Portanto, Marco Silva, muito bem. E deu uma bela fotografia nestas frases que eu citei, daquilo que foi o jogo, daquilo que foi a formação. Quer dar aqui uma palavra para o ponta de lança.
Quatro gols, Pavlídis.
Pavlídis, sim, o ponta de lança, Pavlídis. Um poker, com gols de vária natureza, muito bem. Há aqui uma coisa que é interessante. Pavlídis, que aqui há meia dúzia de dias, que até era descartado. Eu quero dizer, este Pavlídis é um excelente jogador, além de matador, é um jogador de boa técnica, de cultura tática, de inteligência. E não é por acaso que Marco Silva ontem quando termina a partida, vai ter com ele e saúda-o. Marco Silva sabe bem quem é o futebolista, quem é a pessoa que obviamente orienta. E naturalmente, eu só darei aqui um pano de fundo, nesta nova dimensão que o Marco Silva quer dar para o Benfica que orienta, com os quatro homens na frente, ele é um jogador fulcral, é um pilar, é um vértice, porque é um jogador que faz tudo aquilo circular de uma maneira extremamente inteligente. Portanto, Marco Silva, Pavlídis tiveram bem. O Benfica cumpriu com a obrigação. Pavlídis deu aquela que é a pimenta e o piripiri dos jogos, o gol. E Marco Silva está num bom caminho. Quanto ao Braga, há que dizer que Carlos Vinicius continua o seu trabalho de solidificação. Fiquei com os olhos naquele gol. Muito bom aquele gol que foi marcado pelo futebolista Gabriel Silva, acho eu. É Gabriel Silva que ele se chama. Sim, senhora. Muito bem. Com Jorge Jesus na bancada, que acho que também esteve bem ali.
João Pinto, depois do poker de Pavlídis, é a altura de fazer all-in no avançado grego? E quero também a tua análise ao jogo de ontem com essa goleada frente ao St. Gallen.
Olá, boa tarde. Eu acho que no fundo foi isso, foi aquele aluno que teve oito no primeiro teste, depois teve 15 no segundo, e convém que nós não nos lembremos só do 15, mas realmente foi um jogo bem conseguido, especialmente a segunda parte, o Benfica esteve muito bem. Os jogadores em muito bom plano, o Sudakov muito bem na segunda parte, o Kaminski também muito bem, porque tem aquele tipo de técnica que eu gosto no jogador. Não vai para cima fintar e fazer nós, não, mas recebe de primeira, passa de primeira, movimenta-se, apoia o lateral, joga dentro, joga fora. Portanto, é um jogador muito completo do ponto de vista tático, é daquele tipo de jogadores que os treinadores gostam. O Leandro Barreiro também muito bem no jogo e portanto tivemos ali uma série de boas exibições, que depois, claro, desaguaram todas numa boa exibição do ponta de lança do Pavlídis. Uma primeira parte com umas saídas de bola um bocado arriscadas, mas isto é o Benfica, tem que se arriscar. Uma segunda parte muito melhor, com muitas movimentações, o Benfica a jogar com propósito, com os olhos na baliza e, portanto, a deixar água na boca e, para já, missão cumprida.
Luís Pinto Coelho, que leituras é que podemos tirar destas duas vitórias de equipas portuguesas na Europa?
Olá, boa tarde. Confirmaram o que se esperava. Eu ontem tinha dito aqui que poderiam acontecer duas goleadas. Aconteceram. Eu acho que o Benfica ganha bem. Eu acho que na primeira parte há alguns calafrios que se percebe que ainda há muito a melhorar na transição defensiva, no primeiro processo de construção também, mas é normal, é treinador novo, dinâmicas novas. Depois na segunda parte o Benfica melhora, também há a expulsão e a partir daí, obviamente, cavalgou para uma goleada. Gostei do apontamento do João Pinto relativamente a Kaminski, é que muitas vezes, hoje em dia, os jogadores são apelidados de tecnicistas quando fazem rotundas e não saem do sítio. Técnica é receber bem, é passar bem, é tudo isso. E muitas vezes não se valoriza este estilo dos jogadores e concordo plenamente com o que o João Pinto disse sobre Kaminski. O Braga também confirmou, já vinha de uma vitória, Carlos Vicente continua o bom trabalho e acredito que são uns dos verdadeiros candidatos a ganhar a Conference League.
Falta-me também escutar o Pedro Henriques sobre esta dupla goleada de equipes portuguesas nas provas europeias.
Muito boa tarde. O que se pode dizer mais? Os quatro gols do Pavlídis, o António Silva na despedida, e eu acho que isso não é um pormenor, é um por maior, e despediu-se como um grande líder, no meu ponto de vista, e com uma grande exibição. O Rafa a provar que foi um regresso bem pensado para o Benfica, porque quando ele é preciso, ele aparece e, portanto, é um jogador, no meu ponto de vista, consistente e regular. Não quer dizer que jogue sempre bem todos os jogos, mas esteve bem, uma vez mais. Há muita malta que anda sempre à procura de pontas de lança e avançados. É olhar para o Baldé, dois jogos, duas grandes exibições, e eu estou a falar do Aliou Baldé da equipe do St. Gallen, neste caso. Portanto, às vezes não é preciso ir muito longe para ir buscar jogadores que, no meu ponto de vista, têm grande qualidade. E relativamente ao Marco Silva, uma vez mais, um discurso coerente. O Gabriel Alves já aqui falou. Portanto, não é um treinador como o nosso ex-selecionador e como outros treinadores que o Benfica também teve no passado, em que viam sempre maravilhas, mesmo quando as coisas corriam mal. Foi assim na semana passada e foi assim esta semana. Portanto, muita frieza. E se o Pavlídis é descartável, o Marco Silva deixou entre linhas uma frase que diz: "Há peças que não podemos perder. Pavlídis é muito importante para mim". Não disse que era muito importante para o Benfica, e para mim. Se calhar, está a dar aqui já algum recado para quem pensava que podia ser descartável. E depois, a problemática, não é problemática, mas é uma situação que o Benfica devia ter previsto. Não fez isso, daí o António Silva jogar estes dois jogos, porque também disse que quanto mais depressa chegar o central, melhor. E, portanto, é um Marco Silva muito lúcido. E é esta lucidez do treinador, além de ser com as características que nós sabemos que tem, porque é um bom treinador, já o provou em diversos locais, que eu acho que o Benfica poderá, eventualmente, pensar em fazer uma época se calhar diferente para melhor, porque tem um treinador muito lúcido e muito realista, isso é o por maior. Quanto ao Braga, foi o Horta, uma vez mais, a pegar naquilo tudo, no meu ponto de vista, o melhor em campo. Depois, naturalmente, tanto Paul Víctor, como Fran Navarro e Gabriel Silva, que marcaram gols, mas é um Braga que no fundo também acabou por confirmar aquilo que já era um favoritismo. Termino com isto. Obviamente, que estes não são jogos de referência para se averiguar se Benfica e Braga vão fazer grandes épocas, mas eu acho que é importante ganhar e é importante quando os adversários são menos fortes, que se confirme exatamente, não só com gols, mas também com qualidade de jogo. E tanto o Benfica como o Braga cumpriram isso. E, portanto, como diz, neste caso, o João Pinto, fica um pouquinho d'água na boca para aquilo que o Benfica possa fazer no futuro com outros adversários, com outras equipas, e também para aquilo que é o Braga. Estamos sempre à espera, não no plano internacional, que o Braga está sempre muito bem, mas nas competições internas, que este Braga possa estar colado mais vezes, mais tempo, durante a época, àquilo que é o favoritismo dos três grandes e vamos ver se é esta época. Mas depois há aqui um aspecto que o Vincent ontem falou, que é o Hornið Seck ainda é do clube e o Braga, muitas vezes, para fazer bons negócios, perde um ou dois jogadores que são muito importantes e isso depois pode fazer a diferença também nas competições internas. Vamos ver até que ponto é que conseguem segurar ou não este guarda-redes, que é realmente uma figura maior na equipe do Braga.
Para já, passos em frente dados, quer pelo Sporting Braga, que venceu o Zeleznikar por 4x0, quer pelo Benfica, que goleou o St. Gallen por 5x0. Antes de avançarmos para uma notícia triste para o futebol português, dar ainda conta de que António Silva estará mesmo de saída do Benfica rumo ao Campeonato Inglês. Hoje já foi captado em várias câmeras a partir para o aeroporto para ir, ao que tudo indica, para a Inglaterra, onde deverá assinar contrato com o Bournemouth. Pergunto, João Pinto, se ontem já sentiste despedida de António Silva e como é que vês o Benfica depois de André Silva e se há um antes e depois.
Bom, se há um antes e depois de António Silva, claro que há, o Benfica continua. É preciso o tal central, que o Marco Silva estava a falar ontem, portanto, é normal que o Benfica vá ter que se reforçar, porque tinha três bons centrais e passa a ter dois e, portanto, tem que ir buscar mais um. Em relação ao António, continuo a dizer que o António tinha lugar no Benfica durante mais 10 anos, da mesma maneira que eu dizia do Florentino. Portanto, acho que o Benfica, quando apanha este tipo de jogadores, que depois são mal amados pela imprensa e pelos mil programas de televisão que dão à mesma hora à noite, os benfiquistas não se devem deixar afetar. Temos que acarinhar os nossos. O António, muitas vezes, faltou-lhe esse carinho, faltou-lhe esse amparo. E é por isso que eu também acho que o Benfica tem que melhorar a nível de estrutura, porque um jogador como o António, que é da casa, não pode ser deixado assim e a sair triste, com toda a gente de pé a bater palmas, mas o jogador sai triste, sai desamparado. E, portanto, há qualquer coisa a melhorar no Benfica, há qualquer coisa a melhorar na estrutura e ao António só lhe desejo o melhor e as melhores felicidades neste novo passo.
Meus caros, antes de irmos às notas e aos campeões de hoje, dar conta também da morte de Franco Baresi, antigo defesa. Morreu esta sexta-feira aos 66 anos, conquistou 21 títulos pelo Milan. Ganhou mesmo, diria eu, estatuto de lenda rossoneri. Gabriel Alves, é um dia triste para o futebol mundial.
Era um dia muito triste. Eu quero dizer que conheci Baresi ainda garoto, em 1978, num torneio internacional de juniores sub-18 da UEFA, disputado na Polônia, num jogo com Portugal. E foi um futebolista que logo na altura mostrou a arte de bem jogar, distinguiu-se nos seus movimentos, na sua juventude, dentro do campo, na forma elegante, artística com que projetava em desenhos o seu estilo, no pisar com elegância, leveza no relvar, num constante bailado com e sem bola, na ocupação dos espaços ou na oposição direta ao adversário, num cálculo a roçar a perfeição daquilo que é bem jogar, no bem defender. Um líbero. É uma escola que fica para o futuro. Nessa equipa jogava Carlo Ancelotti, Tassotti, Dossena, nessa equipa de garotos, e na nossa de O3, também, o malogrado Zé Beto, o Diamantino Miranda e o Alberto Barros Soares. Portanto, tivemos a oportunidade, e eu tive essa oportunidade, e depois de o acompanhar no Milan, na grande carreira de 20 anos que ele fez, comentando, narrando jogos, analisando. Baresi, de facto, uma escola imensa. Que esteja em paz.
Luís Pinto Coelho, gostava também de te ouvir sobre este tema.
É realmente uma lenda. Eu cresci a ver o Baresi naquele quarteto defensivo, talvez um dos melhores da história, como Aldini, Baresi, Costacurta e Tassotti, que se cansavam de ganhar. E ele também na seleção italiana, obviamente, que era uma peça basilar. E depois um jogador que fez toda a sua carreira num clube. Isso hoje em dia é cada vez menos usual. Ainda vamos tendo alguns casos desses em Itália, como tivemos o Totti, tivemos o Baresi, mas deixa-nos cedo demais, ainda muito jovem, e que deixou a sua marca de elegância, de qualidade, um livro que hoje já se faz muito pouco.
João Pinto?
É pouco a acrescentar, só mesmo o respeito, a saudade, o prazer de o ver jogar. Foi um jogador que ganhou uma Liga dos Campeões ao Benfica, uma Taça dos Campeões Europeus na altura, fazia parte dessa geração que ganhou tudo no Milan. Era realmente um general da defesa e só nos resta aplaudir de pé e respeitar.
E termino com o Pedro Henriques, este tema.
Sim, para já a história de alguém que parte, que começa de uma forma engraçada. É aquelas rivalidades que muitas vezes existem nos clubes, como a Inter, o Sport e o Benfica. Ele vai fazer transfer de captação ao Inter, dão-lhe uma nega e acaba por ir pro AC Milan. E depois toda a história que ele tem, que é seis primeiras ligas, duas vezes segundas ligas, conseguiu três Taças dos Clubes Campeões Europeus, na altura era o nome, juntou a isso duas Supertaças Europeias e outras tantas Taças Intercontinentais e quatro Supertaças Italianas. Portanto, ganhou muito ao longo da vida. Há um ano esta parte, não conseguiu ganhar uma luta complicada e daí a sua partida. Fica a memória e sabemos que quem escreve história, seja em que área for, e neste caso no futebol, a memória, pelo menos essa, ficará sempre eterna e parte aos 66 anos. Paz à sua alma.
Vamos para as notas e os campeões do dia de hoje, sexta-feira. Gabriela Alves, começo por ti. Temos dois minutos até ao fecho do programa para dividir isto de forma justa. Trinta segundos para cada para conhecer notas e campeões.
Deixo a nota de pesar para a perda de Baresi, mas deixo também nota de pesar para um desportista português, Mário Albuquerque, basquetebolista, uma figura do desporto nacional do basquete, que tanto contribuiu para o crescimento da modalidade entre nós. Eu conheci Mário Albuquerque ainda em Moçambique, no Sporting Clube de Lourenço Marques, depois transitou para aqui para o Sporting Clube de Portugal. Ele e entre outros, Nelsão de Serra, Quim Neves, Rui Pinheiro e até o Adriano Maganha, também já desaparecido, na Académica, o Manuel Lima, um grande basquetebolista no Desportivo de Lourenço Marques. Mas Mário Albuquerque desapareceu. Era a elegância, era de facto um jogador fabuloso, um jogador que era com uma postura física enorme, mas nunca se perdeu nesse chassi, digamos, atlético, porque a elegância era tal, o que ele jogava tão bem de basquete era tão bom, que naturalmente deixa saudades. Porque Portugal tem tido coisas boas. Uma nota de pesar. É pena que não se fale mais deles.
Temos de acelerar. Pedro Henriques, notas e campeões.
Olha, para mim vai ser para fugir aqui um pouquinho do esquema. Já falámos dos novos elementos da Premier League, onde a mão vai ser muito pesada contra aquilo que é a discriminação, sobretudo para os elementos, jogadores, treinadores, etc. E reparem, não é contra o racismo, é contra a discriminação. E agora sim, concordo com isto, a origem ética, a cor, a raça, a nacionalidade, a religião, o sexo, o género, orientação sexual, tudo, porque tudo deve ser metido no mesmo saco. Ou seja, estes maus comportamentos devem ser todos penalizados e não especificamente apenas a questão que muitas vezes levamos, e bem, só de ser do racismo. Portanto, os ingleses uma vez mais na linha da frente para sancionarem e de que maneira, 10 jogos afastados. Portanto, nota 20 para esta nova regulamentação da Liga Inglesa.
João Pinto, telegráfico, por favor.
Nota 20 para a decisão do Como em não deixar os seus miúdos jogar à bola de cabeça. Tantas alterações e a introdução de uma proteção da cabeça tarda e tarda.
Luís Pinto Coelho, telegraficamente também, por favor.
17 para Vítor Bruno, que seguiu em frente na Liga Europa e boa sorte neste novo projeto que é o Anderlecht.
Muito obrigado ao Gabriel Alves, ao Luís Pinto Coelho, ao João Pinto e também ao Pedro Henriques. Fica por aqui. E o Campeão É de hoje.