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O Sporting volta a ganhar. Vitória por 3 x 0 frente ao Tondela no campeonato, na jornada nove. O Sporting Braga voltou da Europa também com uma goleada, 4 x 0 ao Casa Pia, e o Futebol Clube do Porto joga hoje em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense, às 20h15. São temas para analisar nesta edição de "E o Campeão É", juntamente, claro, com as eleições no Sport Lisboa e Benfica. Eu sou o Miguel Cordeiro, vou estar à conversa com o Augusto Inácio, o Pedro Henriques e o Luís Pinto Coelho. Augusto, começo por ti. Esta vitória do Sporting, um exemplo da força leonina. Sem dúvida alguma, este resultado conquistado pelo Sporting, uma exibição segura por parte da equipe de Alvalade.
Boa tarde a todos. É verdade, foi uma excelente exibição do Sporting, um Sporting demolidor, que não deu qualquer hipótese ao Tondela, ao ponto do guarda-redes do Tondela ter feito uma exibição fantástica, espetacular, senão o resultado podia ser muito mais dilatado. Mas foi um Sporting muito confiante, muito desenvolvido no sentido de não deixar o adversário pensar o jogo e assim tinha a bola, só tinha a baliza nos seus olhos. Foi uma exibição individual e coletivamente muito boa, que demonstrou realmente que o Sporting, depois da vitória com o Marselha, ganhou índices de confiança bastante grandes e que lhe permitiu, neste momento, igualar na pontuação o Futebol Clube do Porto com o jogamento que joga hoje com o Moreirense, mas que é uma demonstração de que o Sporting está bem, está a começar a ficar uma equipa muito mais personalizada e muito mais confiante. Vamos ver se o Sporting no futuro vai ser assim, mas ontem claramente foi uma exibição extraordinária.
Sim, Pedro Henriques, o que é que te pareceu? Notas que tens para esta exibição do Sporting?
Boa tarde. Em primeiro lugar, os números, que são claramente indesmentíveis e corresponderam à realidade. Nove cantos contra dois, a situação dos remates 29 contra nove, e se formos aos enquadrados, 15 contra dois, e com os 66% de percentagem de posse de bola, percebe-se logo que realmente houve um Sporting mais. Depois, aquilo que também o Inácio destacou, eu acho que o melhor em campo, se é que se pode dizer assim com uma equipa que perdeu o seu melhor em campo, mas foi claramente o Bernardo Fontes, o guarda-redes, que realmente fez uma exibição.
Sim.
Ele está lá para isso, obviamente, mas fez uma exibição que permitiu que se calhar os números não fossem maiores. Depois a questão do Luís Suárez, que parece-me estar em grande momento de forma, não só pelo gol que marca, que é um gol todo ele muito bem trabalhado também individualmente, aquela finta para fora e para dentro e depois o remate. Aquele quase gol que o Bernardo Fontes tirou.
Era um golaço.
Era um golaço e tínhamos aqui um gol daqueles para a história, que os miúdos gostam, como se costuma dizer na escola, de imitar. E depois o próprio Geny Catame cá também apareceu bastante bem, muito vertical, o próprio Pedro Gonçalves, que assistiu no 1 x 0 e marcou o 2 x 0 e continua aqui num bom momento de forma. E foi um Sporting claramente superior. Nós também temos que olhar pro adversário, perante um Tondela que vinha com números maus e continua com números muito maus, que na altura só tinha uma vitória e empates e derrotas, e que tem que ter algum cuidado, obviamente, para aquilo que resta do campeonato, sendo que estes jogos também fazem parte dos seus campeonatos, mas eles internamente nunca pensam nestes jogos para fazer pontos, pensam noutros. Tem uma equipa que eu acho bastante curta e acho que se calhar é daquelas equipas que assim haja dinheiro, que em janeiro vai ter que fazer acertos. E estou a falar do Tondela, claro.
Sim, percebi. Luís Pinto Coelho, hoje joga o Futebol Clube do Porto, joga frente ao Moreirense, uma equipa que não tem sido fácil, apesar de ter sido eliminada na Taça de Portugal. O que esperas para este jogo em Moreira de Cónegos?
Olá, boa tarde. Espero um jogo difícil. O Moreirense em casa tem quatro jogos, quatro vitórias, é muito bem treinado. O Vasco Tadita Costa está a fazer um belo trabalho, é um bom treinador. É uma equipa muito organizada, que defende bem, e será aqui um ciclo de jogos complicados do Porto, que tem agora Moreirense, depois recebe Braga e depois vai a São Mamor, três jogos bastante difíceis, um ciclo complicado. Mas obviamente que o Porto, depois da vitória do Benfica e do Sporting, não tem muita margem de erro se quiser continuar a ter aqui uma almofada interessante de vantagem. Mas acredito que vai ser um jogo difícil e o Porto precisa de responder à primeira derrota da época. É esse também um dos interesses do jogo, ver como é que o Porto reage à primeira derrota da época.
Muito bem. Pedro Henriques, queres arriscar um 11 para este jogo do Futebol Clube do Porto em Moreira de Cónegos?
Sim, eu vou no básico. Pode haver aqui alguma surpresa, até resultante desta derrota, e às vezes os treinadores gostam de fazer algumas coisas diferentes, até para dar o dito safanão, se bem que o Varela assume para ele qualquer coisa como, como é que ele diz: "Ganhamos 92% dos jogos desde que estou aqui". Eu gosto deste tipo de porcentagens, é como os árbitros quando se defendem, em 200 decisões, acertei 198 no jogo. E muitas vezes isso acontecia, só que as duas que eu errava eram dois pênaltis e portanto lá se ia a porcentagem quantitativa para a parte qualitativa e não há que esconder, o Porto perdeu e agora há que dar resposta dentro de campo e penso que para o campeonato interno tem condições para isso, mas nunca se sabe como é que se vem após noites europeias, corram bem ou, neste caso, como não corram bem. Diogo Costa, Alberto Costa, Benedict, Chior, Francisco Moura e depois Fraol, Varela, Gabri Veiga, PP, Samu e Borges Santos. Portanto, eu estou a apostar naquilo que é o mais básico e o mais normal. Não sei se vai haver aqui alguma alteração.
Muito bem. Vamos então às eleições do Sport Lisboa e Benfica. Augusto Inácio, o que te parece deste resultado e a forma também como aconteceram estas eleições?
Em primeiro lugar, dar os parabéns ao Benfica pela forma como as eleições foram andando. Foi realmente uma grande maratona. Mais de 85 mil sócios votaram. Recorde mundial. Diria que tudo correu bem nesse sentido da organização, do respeito. Enfim, há aqueles pequenos problemas dos boletins de votos que não chegaram a tempo, algumas esperas, mas acho que isso é normal perante tanta afluência de sócios do Benfica para essas eleições. E nesse aspecto, o Benfica saiu como grande vencedor e as coisas correram bem nesse sentido. Em relação àquilo que foi a votação dos sócios, eu diria que há uma ala que era de mudança, que é do Cristóvão Carvalho, Martim Mayer e João Diogo Monteiras, claramente, que eram contra a mudança, mas depois há Luís Filipe Vieira, que teve quase 14%, e depois Rui Costa ganha uma vantagem que nas urnas de Lisboa, principalmente na mesa dois, em que houve realmente uma pequena vantagem de João Noronha, em que se aproximou, não muito, mas que se aproximou e diminuiu a vantagem que Rui Costa tinha, está uma espécie de 12% a favor de Rui Costa. E agora no dia 8 de novembro, vamos ver para que lado é que os sócios do Benfica vão se virar. Calculando eu que a ala que quer a mudança vai votar tudo em Noronha, mas a votação dos tais quase 14% de Luís Filipe Vieira vai marcar a diferença para o vencedor. Dizer também que não sei qual é a afluência que agora vai ter, não sei se vai votar tanta gente como votaram agora. Isso pode marcar a diferença, porque aqueles que talvez se deslocassem com uma intenção, talvez agora facilitem mais e talvez não se desloquem. Vamos ver quantos votantes vai haver, mas claramente Rui Costa está em vantagem. Mas atenção, essas segundas voltas, eu acho que aquela ala de quase 14% de Luís Filipe Vieira vai marcar a diferença para saber quem é o vencedor.
Muito bem. Luís Pinto Coelho, o que te pareceu também esta edição do Sport Lisboa e Benfica?
Surpreendeu-me a vantagem de Rui Costa para Noronha. Estava à espera de mais equilíbrio. Dá-lhe aqui alguma margem de conforto para uma segunda volta, mas não está ganho. E em segundas voltas, muitas vezes, perceber qual é o sentido de voto dos apoiantes de Luís Filipe Vieira, de Monteiras, de todos os outros, às vezes não é fácil e pode aqui haver alguma surpresa, embora esta margem dê algum conforto, mas acho que o Benfica vai ficar dividido.
Achas que no final desta eleição é um risco, na verdade, estás a dizer que já há uma garantia que pode acontecer, o Benfica ter uma divisão por causa do que nos mostram já os resultados?
Sim, parece-me que vai haver aqui uma divisão e os primeiros meses de quem ganhar não vão ser fáceis. Qualquer derrota vai ser aproveitada para criticar, para dizer que não há rumo desportivo, que não há projeto. Depois, se as vitórias começarem a aparecer, obviamente que essas críticas vão desaparecendo. Eu vivi isso agora no futebol com o Porto. Esta época as coisas estão mais serenas, mas na época passada foram complicadas e a vantagem foi muito grande, mesmo assim, no Porto. Se for uma vantagem mais curta, as coisas nos primeiros meses não vão ser fáceis e vão aparecer as críticas. É um bocadinho normal isso, mas vão ser tempos agitados no Benfica.
Muito bem. Pedro Henriques, a tua análise.
Sim, ontem também tinha feito uma análise um bocadinho mais profunda até sobre as eleições. Em primeiro lugar, esta questão que eu vou insistir, porque eu acho que é importante para o universo benfiquista, como é para qualquer clube. Estão muito centrados em relação a um recorde mundial que foi batido e isso não deixa de ser uma coisa menor, bem pelo contrário, porque revela a grande dinâmica que clube tem através daquilo que é o mais importante, que são os seus adeptos, seus sócios. Mas depois, passado um bocadinho, ou ontem, aliás, anteontem, quando houve o jogo, estavam os campeões do mundo, que são os adeptos na bancada e dentro de campo não estavam nem sequer campeões nacionais. E isso é que é importante, é que os clubes vivem de vitórias, portanto não interessa ter os melhores adeptos do mundo ou adeptos muito dinâmicos, se depois dentro de campo não houver as vitórias. E o futebol é quem comanda exatamente esse sentimento e esse sentido, independentemente das modalidades, da força desportiva feminina, o que quer que seja que possas ter no clube, o que comanda, o que determina aquilo que é a realidade de um clube é realmente o teu futebol masculino. O ponto número dois é que estes, se não estou em erro, 12% de diferença, que neste momento, obviamente, estar à frente é sempre melhor do que não estar. Há uma questão exatamente nessa. Havia aqui uma grande polarização dos votos, já se sabia, havia seis candidatos, em que quatro foram realmente buscar votos, pelo menos com algum significado. E aqui a questão que se coloca é, a partir de agora, independentemente de Luís Filipe Vieira poder dar a entender um certo apoio ao Rui Costa, e tem os tais 14% ou 15% com que acabou, percebes que o João Diogo Mantega já está claramente associado ao Noronha. E a questão aqui que se coloca é o seguinte: estes 12% são menores do que os mais ou menos 14, 15 que Luís Filipe Vieira tem e 10, 11, se não estou em erro, que tem o João Diogo Mantega. Ou seja, estamos a falar de universo de 20 e tal por cento, que podem fazer toda a diferença. E aqui a questão que se coloca é que agora nas eleições, enquanto agora, ok, eu queria o Luís Filipe Vieira, ou eu queria o Noronha, ou eu queria porque apostava neste candidato como o meu melhor candidato, isto em relação à oposição a Rui Costa, agora não é disso que se trata. Agora trata-se um bocadinho como acontece nas eleições, que é muitas vezes o voto do protesto, que é ou eu quero mudança ou não quero mudança. E entre ter dois candidatos que eu não apoio, por que lado é que eu estou? E penso que muitos desse eleitorado pode ir neste sentido, que é já que não está lá o meu, eu o que não quero é que continue quem lá está. E penso que pode haver aqui algum favorecimento, no bom sentido da palavra, de mais votos, a tender para Noronha Lopes naquela perspectiva de mudança, que foi uma das palavras muito ouvidas. E é aqui que está a grande dúvida, o que vai acontecer relativamente a esse tipo de eleitorado, estes tais 20 e tantos por cento que o terceiro e o quarto classificado têm. E eu acho que isso é que vai ser significativo, porque quem votou em Noronha vai continuar a votar em Noronha, quem votou em Rui Costa vai continuar em Rui Costa. Eu acho que o significado é forte e aquilo que pode determinar as situações são exatamente os apoiantes, vamos dizer assim, de Luís Filipe Vieira e João Diogo Mantega.
Muito bem. Vamos ainda rapidamente para as nossas notas de campeão, para fechar esta edição. Augusto Inácio, campeão do dia?
Tenho algumas notas e vou tentar ser rápido. Nota 18 para o Benfica, para as eleições, já se falou nisso. Queria dar nota 18 também para o Bernardo Fontes, guarda-redes do Tondela, que foi fantástico no jogo de ontem. Quero dar nota 20 ao Hóquei de Barcelos, que ganhou a Taça Continental ao FC Porto 4x3. Queria dar nota zero ao Vinicius pela substituição ontem do Real Madrid-Barcelona, que foi lamentável a forma como ele saiu de dentro do campo. Mas acima de tudo, queria dar a nota 20 para o SAMU. O SAMU, depois de visitar uma instituição social, investiu 3,3 milhões de euros para reabilitar uma casa para jovens sem abrigo no Porto. Acho que isto é sempre de enaltecer e só está aqui há um ano e qualquer coisa no Porto e já teve uma atitude destas. Grande SAMU, nota 20.
Luís Pinto Coelho.
Subscrevo algumas destas notas, principalmente a do SAMU, obviamente, do Agustinás, mas queria dar um 17 ao Braga, que depois de estar muito bem na Europa, continua bem no campeonato e parece-me que está a começar a carburar e o treinador também com opções um pouco mais equilibradas e a equipa a render. A Liga Portuguesa precisa de um Braga forte. E depois queria dar uma nota cinco para Yamal e Vinicius, porque muitas vezes não basta ser muito habilidoso com a bola nos pés, se depois mentalmente são muito fracos, muito débeis e não têm comportamentos de profissionais como deve ser. São dois jogadores que eu acho que poderiam ser muito mais do que são, se tivessem outro acompanhamento e outro profissionalismo.
Pedro Henriques, para fechar.
Nota 15 para Braga e para o Sporting, depois de também terem estado bem na Europa e terem conseguido excelentes resultados com as vitórias, a darem uma resposta que muitas vezes nem sempre se consegue dar passado três ou quatro dias naquilo que é a nossa competição nacional, portanto, uma nota 15. E dentro disso, um destaque também, sobretudo no jogo do Sporting, como já foi aqui dado também para o Bernardo Fontes. Nota 16, o guarda-redes do Tondela que realmente fez uma exibição acima da média e obviamente para o Luís Soares, que não é que faça esquecer o Gyokeres, não é essa a questão, nem é isso que se pretende, mas realmente foi mais uma contratação acertada por parte do Sporting e sabemos que às vezes depois de teres um jogador de top que faz tudo e mais alguma coisa, vir alguém com essa missão de substituir, às vezes requer tempo, adaptação e nem sempre se consegue. E o Sporting claramente que acertou. Portanto, nota 16 também para o Luís Soares.
Está feita esta edição de "E o Campeão É".