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Aqui vamos nós para a edição desta terça-feira de "E o Campeão É". Hoje com o Bruno Roseiro, o Augusto Inácio, João Castro e o Pedro Henriques. A coincidir com a chegada do plantel do Benfica a Madrid, joga amanhã a segunda mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, depois da derrota por 1 x 0 na primeira mão e desse caso que teve repercussão a nível global do alegado insulto racista proferido por Gianluca Prestianni dirigido ao atacante do Real Madrid, Vinicius Júnior. A verdade é que, apesar da UEFA ontem ter determinado a suspensão preventiva de Prestianni por um jogo, o atacante argentino integra a comitiva que seguiu para Madrid. Bruno Roseiro, boa tarde, bem-vindo. Como é que interpretas esta decisão de incluir o jogador, sabendo de antemão que o avançado argentino não vai poder jogar a partida de amanhã?

Quando nós olhamos para a imprensa internacional, aquilo que se percebe é que existe um bocado a percepção que o Benfica está a desafiar a UEFA. Eu não olho tanto nesse sentido. Acho que é uma questão lógica, ou seja, se existe um castigo, mesmo de forma preventiva, se o Benfica apresenta recurso, mesmo percebendo-se através das declarações do Rui Costa que não é esperado um resultado, o simples fato de apresentar um recurso faz com que o jogador ainda esteja numa espécie de standby, mesmo que seja virtual, para poder ir a jogo. Não parece que vá ser uma situação plausível, ou seja, não parece que o recurso vá ser avaliado a tempo, muito menos que Prestianni esteja em condições para ir a jogo. Continua a me parecer que era uma situação evitável do lado do Benfica. Eu penso que nem o Benfica, nem a própria equipe teria muito a ganhar com a presença de Prestianni, que iria ser um foco e tenho algumas dúvidas até que ponto é que poderia acrescentar algo especificamente neste contexto, no atual contexto, no Santiago Bernabéu. Agora, aquilo que eu registro, também das declarações do Rui Costa à partida para Madrid, foi uma semana depois, o presidente do Benfica tomou uma intervenção e tomou a intervenção que devia ter tomado há uma semana, que é, por um lado, manter a confiança no jogador. Não há outra maneira de analisar o caso, até porque o Benfica atravessou-se logo por Prestianni e agora não pode voltar atrás, mas sobretudo colocar o Benfica, a parte clube, de lado. E isso foi aquilo que me parece que faltou sempre, foi o Benfica tomar uma posição a dizer, independentemente de tudo o que se possa dizer em termos de contexto internacional, aquilo que existiu foi um caso. Nós confiamos naquilo que o nosso jogador nos disse, mas o Benfica quer ser um símbolo antirracismo. Uma das bandeiras, a maior bandeira do Benfica, é um jogador africano e, portanto, nós não alinhamos com isso. E parece-me que isso é que peca por tardio. A justificação do Rui Costa é que esperava uma primeira resposta, digamos assim, da UEFA a esse potencial castigo a Prestianni, mas tardou em demasia e esta era a posição que o Benfica devia ter tomado logo desde o início.

Pedro Henriques, esta inclusão de Prestianni na comitiva acautela, em tua opinião, os interesses do jogador?

Bom dia. Bem, eu tenho uma opinião um bocadinho diferente em relação àquilo que tenho ouvido de uma maneira geral, que é, independentemente do castigo, esta suspensão temporária ter sido aplicada ou não, do jogador não ir a jogo. O Benfica só não fez uma coisa bem feita, no meu ponto de vista. Aliás, não fez várias. Uma delas foi ter se demarcado logo do racismo no próprio dia, logo no momento. Dizer: "Se isto existe, nós somos os primeiros a demarcarmos e nunca estaremos com ninguém, mesmo que sirva ao Benfica, que possa estar com esse tipo de comportamentos". Ponto número um. Ponto número dois, se o jogador não disse nada, o próprio jogador deveria ter feito logo a seguir, o mesmo que o Mapê e o Vinicius fez, que era vir aos microfones que todos estavam disponíveis pra dizer: "Eu não fiz, eu não disse, é mentira" e, portanto, não reagir tão tarde e, sobretudo, através de posse. E aqui é que foi falha, porque a partir daqui, obviamente que não ir, a não ser que o jogador ou o treinador dissessem e eu sentisse que ele não estava em condições emocionais, estava muito afetado, aí seria outra questão. Agora, a partir do momento que o jogador se declara inocente, não o levar, partindo do princípio que não tinha havido esta suspensão, era dar a entender, no meu ponto de vista, a todos, que se calhar ele não está assim tão inocente. E, portanto, se estás inocente, vais e não tens medo. Além disso, eu insisto nisto, quem anda lá dentro, quem já lá andou dentro, isto é o mesmo que se passa com os árbitros. Pode cair o mundo, podes ter feito a pior arbitragem de todo o mundo, toda a gente criticar-te por um penalti que não marcaste, o que a gente quer é o jogo a seguir e estar no terreno para corrigir, para melhorar. A não ser que isso corresponda a uma sucessão de casos e de situações que depois, de repente, tu chegas a um ponto e dizes: "Não, eu tenho mesmo que descansar". Porque a resposta tem que ser dada exatamente dentro do terreno de jogo. E neste caso aqui concreto Sabíamos que ia ser um foco, e vai ser, mesmo não estando presente, de tensão, e isso podia ser prejudicial. Aqui a questão é muito simples: se desportivamente o treinador acha que o Prestianni, claro que aqui havendo a suspensão, está arrumado o caso, mas se o Prestianni era indispensável para estar no 11 ou para estar no banco, não podia ser este o caso que iria alterar. Eu aqui penso de maneira contrária em relação às pessoas, que o melhor é evitar o pior, o melhor é não ir, até porque pode contaminar a equipe. Discordo completamente. Esta ida, não vejo como desafio à UEFA, embora eu ache que o recurso não vá ter possibilidades, vejo como, se calhar, dois aspectos. Uma, que era eventualmente até à última hora, caso essa previdência fosse aceita, poder ainda ser utilizado, nem que fosse no banco, e portanto estaria disponível. Mas vejo, sobretudo, no aspecto emocional daquilo que é a ligação com o clube. Eles melhor do que ninguém, porque são balneário, sabem se pro grupo não é melhor estar presente aquele que foi alvo de todas e mais algumas críticas. Eu vejo um bocadinho de forma diferente. Falta-nos aqui alguns dados, que é sobretudo de estarmos por dentro, e não vejo que isto seja um desafio à UEFA, até porque obviamente que a UEFA, neste momento, esse desafio já foi lançado por todas as pessoas. Tu tens um jogador que é suspenso por uma suposição, porque há fortes indícios, e depois tens dois jogadores que não há fortes indícios, que há realidade, que é o caso do Vinicius, que tinha que ver o segundo cartão amarelo. O Carreras não podia estar no jogo, porque teve uma simulação grosseira que dava amarelo e que tirava fora do jogo. E tens o Valverde, que devia ter sido expulso no jogo por uma conduta violenta, e esses não são fortes indícios, são realidades que estão no jogo. E é estas coisas que nos incomodam um bocadinho, embora eu perceba, eu não vou estar aqui a explicar tecnicamente por que eles estão no jogo, mas de qualquer maneira, isto é que choca em termos de perceção.

Sim, sendo que essa questão dos fortes indícios também suscita algumas dúvidas, tendo em conta que não é possível determinar com exatidão, pelo menos através das imagens de televisão, que o insulto tenha mesmo sido proferido. Augusto Inácio, em tua opinião, faz sentido este castigo preventivo, não faz, à luz dos factos conhecidos?

Boa tarde a todos. Pois é isso que me admira, porque onde é que entra aqui a presunção de inocência? Repara numa coisa, ele está castigado um jogo, o Benfica recorreu. Vamos imaginar que a UEFA depois dá razão ao jogador e dá razão ao Benfica. Então, mas o jogador não jogou e depois acabou por ter razão. Eu acho que ele só devia ser castigado no caso de se provar que ele disse realmente aquelas palavras ao Vinicius e nem que levasse 10, 14, 20 jogos, não interessa. Mas agora, eu acho que não devia ser castigado, precisamente, há um inquérito ainda em aberto e não está concluído. Agora, ser castigado preventivamente, eu acho que não é a decisão mais correta, na minha opinião. Agora, claramente que isto vai dar muito que falar, mas eu pergunto, se fosse ao contrário, se fosse um jogador do Real Madrid, se a UEFA realmente dava um jogo de prevenção. Tenho dúvidas.

E tu, João Castro? Bem-vindo.

Boa tarde a todos. Em primeiro lugar, temos que pensar que a UEFA não é como os tribunais, não é preciso a presunção de inocência para castigar suspensivamente os jogadores. Já aconteceu também no passado. Eles têm esta política, mal ou bem, é verdade que é sempre um bocado mais autoritária a UEFA e a FIFA nestes aspectos, e portanto, existe algum indício e eles decidem punir preventivamente. Não é igual aos tribunais e as pessoas têm que ter essa consciência. Agora, obviamente, é sempre uma posição muito autoritária por parte da UEFA e da FIFA nestes casos, quando eles acham que existe um indício, portanto, castigam e não vai haver hipótese de recorrer. O que eu acho que o Benfica fez foi: se o jogador está inocente e estamos a recorrer, isto prova um bocadinho a sua inocência e portanto vai para estágio, vai com a equipe, sabendo de antemão que muito provavelmente não vai jogar. E aqui concordo um bocado com o Pedro Henriques, é uma questão também de gestão do grupo. Ou seja, sente-se muito mais injustiça até pro próprio jogador ficar em Lisboa, porque ele sabe que achando que ele é inocente, obviamente, e tendo dito ao grupo que era inocente, não ir podia aqui admitir um pouco dessa culpa, apesar da suspensão. Ele acha que é inocente, vai com a equipe, gestão de grupo, e se calhar queria ir a jogo, porque se ele acha que é realmente inocente e portanto queria provar em campo e queria ajudar a equipe. É esse sempre o princípio, ajudar a equipe em primeiro lugar. Claro que o jogo ia ter os holofotes todos sobre eles, mas já tivemos também jogadores com grandes holofotes. O Figo quando foi jogar a Barcelona com a camiseta do Real Madrid, etc. Aqueles jogadores que têm mesmo carisma e são realmente grandes jogadores, vão a esses jogos, querem ir a esses jogos, não se escondem. Acho que é muito por aí. E portanto, é agora aguardar, obviamente, o desfecho pra ver as considerações finais da UEFA e da FIFA, mas já estava à espera desta decisão.

Certo, imagino que não vai ser nada fácil para Gianluca Prestianni esta partida em Madrid. Já agora uma dúvida, Bruno Roseiro, Prestianni vai estar no estádio, imagino, se é com a comitiva, estará no estádio a acompanhar o encontro da bancada, presumivelmente.

Diria que sim, discretamente. Não sei, o Pedro Henriques se calhar saberá melhor do que eu. Por exemplo, não sei se Mourinho poderá estar no estádio, ou seja, se está proibido de ir ao estádio ou se está proibido de ir só às zonas técnicas definidas pela UEFA.

Poxa, e se esta suspensão de Prestianni também o impede de estar nas bancadas do Bernabéu. Pedro, tens alguma indicação?

Em relação ao Mourinho, é zonas técnicas. Em relação ao Prestianni, não tenho a certeza, porque aqui não se trata de um amarelo ou de um vermelho, isto é, de uma suspensão por acumulações de amarelos ou vermelhos, porque senão podia também estar no estádio e não estar nas zonas técnicas. Aqui é uma suspensão e embora o artigo que fala um bocadinho dessas coisas, sobretudo das suspensões dos treinadores, conferência imprensa, que é o artigo 79.04 da Liga dos Campeões, não tem lá nada, no meu ponto de vista, relativamente a esta questão específica, porque estamos a suspender alguém por indícios, nem sequer é por condenação. Não tenho a certeza, mas eu deduzo que possa também estar no estádio e não estar em zonas técnicas. Ou seja, acho que esta suspensão não o retira de ser um espectador, vamos dizer assim, como outro qualquer.

Com os holofotes, seguramente, isso sim virá a acontecer, focados precisamente no avançado argentino do Benfica. Vamos então aos vossos campeões. Começo por ti, João Castro, quem é o teu campeão ou os teus campeões?

Hoje vou dar um 18 ao Manchester United. Esta recuperação do Manchester United deve-se numa excelente jogada de contra-ataque com o gol do Sesko. As coisas estão a rolar com o Carrick e já estão em quarto lugar. Acho que o Manchester United está a recuperar, está a jogar de uma forma mais simples, com os jogadores mais nas suas posições e, com isso, a fazer uma excelente recuperação. Acho que merecem, por esta recuperação que têm tido, esta nota.

Pedro Henriques, o teu campeão.

Fugindo um pouco disto, tinha muita vontade de atacar esta questão, que é punirmos pessoas por indícios e depois não punirmos por evidências. Mas já o fiz, há pouco, e portanto vou virar isso para um lado positivo. Vou dar uma nota 20, para quebrar aqui um pouco, porque hoje foi apresentado, como é sabido, o plano estratégico. A Federação Portuguesa de Futebol apresentou, na Cidade do Futebol do Oeiras, o plano estratégico de 2024-2036, sob o lema "O Futuro do Futebol Português", com cerca de 366 medidas, 10 eixos centrais, não dá aqui para explicar. No fundo, uma coisa que eu acho que é muito importante, acontece muito com as nossas instituições, de uma maneira geral, é que muitas vezes andamos a reboque de ideias. Há um plano estratégico, as medidas são apresentadas com cabeça, tronco e membros. Há uma coisa que é muito importante, quem já dá os objetivos do Smart sabe disso, que é, neste caso, a monitorização, perceber se eles são atingíveis e irmos verificando, neste caso de seis em seis meses, para obrigar a que realmente se faça trabalho e não seja só no papel. E acho que a Federação Portuguesa de Futebol está de parabéns, porque quanto mais não seja na intenção de fazer aquilo que todos nós queremos, que é melhorar o futebol português na sua globalidade, este plano estratégico vem realmente ao encontro e são coisas bem pensadas, bem estruturadas. Agora é tirar do papel e pôr na prática. Nota 20 para a FPF e obviamente para o seu presidente, o Pedro Proença.

Nota máxima para a Federação Portuguesa de Futebol. Augusto Inácio, e o teu campeão?

Antes de falar do meu campeão, deixe-me dizer e bater na mesma tecla, no caso do Prestes e Anne ser considerado inocente, como é que ficam as coisas depois? É só isso que ninguém me consegue explicar. No caso do Prestes e Anne ser inocente, o Benfica e o Prestes e Anne ficam com um jogo castigo que não deviam ter cumprido. Mas pronto, seguindo à frente. Diria também que o Manchester United está a fazer uma grande recuperação, grande jogo que fez e está já no terceiro lugar, salvo erro. Mas também queria dar aqui nota 15, porque ontem assistiu-se a um grande jogo de futsal entre o Benfica e o Sporting, os quartos-final da Liga dos Campeões. O Benfica, no último segundo, ganha 4 x 3, ganha uma vantagem de um gol, mas para dizer que foi um jogo em que tiveram duas grandes equipas em campo.

Está tudo em aberto para o jogo da segunda mão, diferença mínima para os encarnados. E só falta escutarmos o campeão do Bruno Rosário.

Sim, já não vou falar no plano estratégico que o Pedro falou em bem, não vou falar em Carrick, que o João e o Augusto também já falaram. Vou falar de Paulo Fonseca, uma nota 20, a entrevista que dá ao L'Equipe e a maneira como trata as coisas como elas devem ser. Dizer que o prêmio que Infantino deu a Trump, Prêmio da Paz, que é uma vergonha, acho que é uma posição forte e que deve ser elogiada. Eu subscrevo por completo exatamente as ideias e os argumentos que utiliza. E uma nota zero para o ponto que continua a estragar aquele que é o melhor derby de futsal do mundo. Grandes equipas, grande ambiente, grandes jogos, mais uma vez, neste caso até decidido no último segundo, mas há sempre pessoas que acham que é uma boa ideia imitar o som do Very Light, nomeadamente o Very Light que acabou por vitimar uma pessoa numa final da Taça de Portugal. Nós andamos a falar muito na questão dos casos de racismo, nos casos de homofobia. Acho que isto aqui também é um assunto que de uma vez por todas tem de acabar, porque de facto estraga aquele que é o melhor derby do mundo e é nosso.

Fica essa nota negativa para este comportamento do Bruno Rosário, que contou também nesta edição de "E o Campeão É", com a presença do Augusto Inácio, Pedro Henriques, o João Castro, foram os campeões desta edição de "E o Campeão É".