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E o campeão é Rádio Observador. Vamos falar do fim da 15ª jornada, que terminou com uma vitória do Sporting em Guimarães. Vitória por 4 x 1, que deixa os Leões novamente a aproximar-se do Futebol Clube do Porto, mas ainda a essa distância de cinco pontos e com distância de três pontos para o Benfica, depois desta vitória em Guimarães. Contamos hoje com a análise do João Castro, adepto do Sporting, João Pinto, adepto do Benfica e também do Pedro Henriques, nosso especialista em arbitragem. Vamos começar pelo homem mais sorridente, João Castro. Vitória confortável dos Leões, um jogo que poderia ser complicado, é um terreno sempre difícil, mas que o Sporting soube facilitar.
Bom dia a todos. Sim, claramente. Uma primeira parte muito forte do Sporting, claramente a merecer a vantagem que tinha, pese embora a boa reação do Vitória após o primeiro gol. Já se sabia que ia ser um jogo difícil. O Sporting tornou mais fácil, boas combinações na frente, troca posicional, muita utilização, apesar da pressão do Guimarães, muita utilização do terceiro homem para sair de trás e depois o Sporting lá na frente. Quanto a mim, e com o melhor 11 nesta altura disponível, com o Giannidis a juntar-se a Suárez, a ser um ataque muito forte, acaba por chegar à vantagem. Boa reação do Vitória, com uma boa oportunidade também para o Samu. Sabiello também bem do lado esquerdo, num pronto com o Fréjnedem alguns momentos, mas era um Sporting realmente mais forte. Nisso a segunda parte e com as alterações, sobretudo com a entrada do Sousa e do Telmo Arcanjo, o Vitória reagiu bem, acabou por chegar ao gol por uma infelicidade do guarda-redes do Sporting e depois o Sporting também acabou por ter a felicidade do outro lado, o guarda-redes também falhar e o 3 x 1 praticamente a sentenciar o jogo. Depois ainda chegou ao 4 x 1, num campo difícil. No ano passado ficou 4 x 4. Sempre muitos gols nesses jogos, mas é uma vitória muito importante para o Sporting, numa deslocação difícil. Depois já saber o resultado dos outros rivais e, portanto, é um Sporting capaz, com a sua veia goleadora, melhor ataque do campeonato, e a provar que está aí para as curvas, pese embora, obviamente, todas as ausências que o Sporting tem nesta altura, quer por lesão, quer pelo Alacan. Mas a verdade é que foi um Sporting muito eficaz e, sobretudo, um bom Sporting. Sobretudo a primeira parte, que gostei bastante. Uma palavra de apreço, obviamente, para o Vitória, que com as armas que tinha, tentou também tudo. Não tinha o Beni no meio-campo, que também estava na CAN e é um jogador fundamental, e acabou por ser um espetáculo bastante agradável.
João Pinto, esperavas mais deste Vitória?
Olá, muito bom dia. Não, porque o Benfica foi há pouco tempo a Guimarães e foi um jogo muito tranquilo ou muito mais tranquilo daquilo que se esperava ser. Tinha visto este Vitória há pouco tempo, não esperava muito mais. Esperava que pudesse acontecer qualquer coisa, como por exemplo, aconteceu ao Rui Silva, que o Sporting pudesse ter um erro ou dois e isso pudesse equilibrar o jogo. Mas realmente o Sporting foi muito autoritário, chegou, viu e venceu. É muito difícil parar o Sporting do ponto de vista ofensivo. Seja quem for que ataque, realmente o Sporting tem entre Francisco Trincão, Maxi Araújo, Kenda, Geny, tem jogadores com imensa velocidade, há metade que não está disponível, mas estes dois chegam e sobram para desmontar as defesas que lhes aparecem pela frente. E é realmente um Sporting que é o melhor ataque, e é o melhor ataque realmente revigorado e sublinhado. Esta dupla ofensiva, que me podia ter valido uma caixa de bolos aqui há umas semanas, em que eu apostei que ia acontecer, não aconteceu na altura, fiquei sem os bolos, aconteceu agora. E é realmente uma dupla que ainda reforça mais esse poderio ofensivo do Sporting. É uma vitória justa, sem espinhas e venha o bacalhau.
Pedro Henriques, voltamos a ter um jogo que tem alguns casos de arbitragem, com decisões que poderiam ter impacto no resultado, acaba por não ser bem assim, dado o desfecho, mas acaba por ser um jogo, mais uma vez, complicado para a arbitragem. Queria perceber a tua análise ao que aconteceu neste jogo. É óbvio que tudo pode ser ouvido também na tua edição do "Sem Falta", em que analisas o que aconteceu neste encontro. E queria também as tuas notas sobre mais uma vitória do Sporting.
Sim, posso começar pela arbitragem. Acaba por ter duas situações de interpretação. Para mim são erros, mas são erros que aceito e admito que outras pessoas possam ter interpretações diferentes. E por serem erros, eventualmente, de interpretação, também criam um grau de dificuldade maior. Mas como disseste, e bem, sem impacto no resultado. E quais são os dois pontos principais para mim? O minuto 30, em que há um penalti que fica por assinalar sobre o Giannidis, na luta com o João Mendes. E por que eu falo aqui em interpretação? Porque o Giannidis, numa primeira fase, estava com o braço direito esticado e depois o João Mendes estava a puxar-lhe o braço e depois o Giannidis estava a puxar também o braço Percebem porque é que os árbitros nestes lances de bola parada, a malta às vezes não gosta e não deixam as bolas rolar e vão lá e chamam a atenção? É porque se ele tem feito isso neste lance, talvez pudesse ter sido proativo e evitar aquilo que depois foi a continuidade dessa luta de braços. E aquilo que para mim é mais evidente é o momento mais final desta ação em que o Ioannidis está a ser agarrado e puxado com o braço direito do João Mendes no braço direito do Ioannidis e com a mão esquerda do João Mendes na camisola, nas costas. Depois, em relação ao outro lance, a questão do pisão. Percebo que hoje esta linha ténue entre a força excessiva e a negligência nem sempre é fácil, mas para mim, pisões de pés que estão no chão, que ainda por cima não é tanto no tornozelo quanto no pé, de forma como ele pisou, de forma rápida, tirou logo o pé. Percebo que é de interpretação, percebo que o VAR nem intervenha, porque há aqui indicações de muitas vezes ir por cima, mas para mim, isto é a situação típica, que não é um pisão ao tornozelo, que não é um pisão ao meio da perna, não é uma entrada de longe, nem em salto. Portanto, para mim, o amarelo era o mais correto, tendo na consciência que há quem interprete também aqui como bom cartão vermelho. Depois, só dizer o seguinte: tivemos tarjas no campo. Vai haver mais multas, com certeza, e as tarjas e os pirotecnismos são resultado daquilo que os dirigentes do futebol, todos em geral, mas em concreto e específico, os três principais clubes, fazem passar em termos de perceção. As tarjas é com a palavra VAR, com roubar do ER, etc. E esta é a perceção que as pessoas estão a passar em torno da arbitragem e em torno deste ambiente, que sim, está a tornar-se insustentável, muito por culpa dos comunicados, que ainda não acabaram os jogos, já estão cá fora. Claro que sim, também pelos erros e pela falta de competência das arbitragens e videoarbitragens, mas sobretudo por este tipo de forma que os dirigentes hoje em dia têm. Para terminar mesmo, o que eu queria destacar? Trincão, vou agarrar num título e uma frase que não é minha, mas achei deliciosa: o pé esquerdo é brilhante e o direito não é mauzinho. Portanto, o Trincão realmente está num patamar acima de todos os outros sob o ponto de vista daquilo que é a qualidade e a magia. Destaque para o Telmo Marcanjo, que merece esse destaque, agitou completamente o jogo com a sua entrada. E depois a eficácia leonina uma vez mais, numa noite em que tanto Rui Silva como Castilho tiveram dois momentos menos bons como guarda-redes, mas isto é a vida de guarda-redes. Falhas uma vez, é como os árbitros, é sobre isso que toda a gente vai falar, mesmo que tenhas feito 10 defesas extraordinárias.
Para além do jogo, depois do jogo, declarações de Frederico Varandas, falou em histeria coletiva, falou em gasolina para o Sporting e recordou períodos passados para apontar o que já aconteceu também ao Sporting, de acordo com Frederico Varandas. João Castro, como é que avalias a atitude do presidente do Sporting e também aquilo que disse?
Olha, eu gostei. Estava na altura do presidente vir também defender o Sporting e sobretudo gostei de dois aspetos fundamentais, mais do que muita coisa que foi dita, e acho que estava na altura, porque realmente há aqui um excesso de comunicação sobre os árbitros. E aqui uma palavra de apreço para os árbitros também. Está cada vez mais difícil arbitrar. Eu lembro que uma vez o Sporting, por causa de protestar, os árbitros fizeram greve, mas nesta altura eu acho que está quase a chegar a esse limite da greve dos árbitros, porque realmente a pressão tem sido muita e não tem sido fácil. Mas a verdade é que, deixa-me dizer, gostei de dois pormenores. Um que eu já referi aqui muitas vezes na Rádio Observador, que foi a questão das multas, dos 100 mil e 200 mil. Até utilizou as mesmas verbas, não sei se o Frederico Varandas esteve atento à Observador, se calhar sim, as mesmas verbas que eu, e que se calhar vamos ter que partir para esse extremo, porque isto está-se a tornar insustentável. Porque depois isto é uma bola de neve, é depois as pressões que todos sofrem, mesmo os jornalistas quando vão aos estádios, atenção. Ainda ontem aconteceu isso. E portanto, acho que é importante pôr regras mais firmes, que se fale menos de arbitragem, obviamente. E depois há uma questão indesmentível. Além de toda a histeria coletiva e depois de tudo o que o presidente falou sobre passados e casos passados, há uma coisa que eu aqui vou ressalvar, que é: na minha vida, a única vez que eu vi um treinador e um presidente assumirem que foram beneficiados, foi o Rui Amorim e o Frederico Varandas. Não vi mais nenhum presidente ou mais nenhum treinador numa conferência de imprensa ou depois de um jogo dizer: "Não, este lance", ou posteriormente, "neste lance nós não fomos beneficiados" e inventam sempre uma desculpa para não falarem de arbitragens. Foi a primeira vez na vida que eu vejo, foi o Rui Amorim, abertamente falou num jogo em que o Sporting foi beneficiado realmente no lance e falou que o Sporting foi beneficiado, e agora foi o Frederico Varandas, que até falou dois lances, falou o lance dos Açores e, neste caso, depois falou do outro lance do último jogo também contra o Santa Clara. E portanto, isso para mim diz tudo. Agora, o que é que vai acontecer, o que a federação e a liga vão fazer? Não sei, mas eu acho que está na altura, e aproveitar esta época natalícia, para pensarem bem o que querem para o futebol português, porque isto torna-se insustentável, já é falado lá fora, não pelas boas razões, e começa a ser difícil. O clima nos estádios também começa a não ser fácil, a pressão para os árbitros arbitrarem, e acho que isto não valoriza o futebol português. Portanto, eu acho que chegou uma altura, ou deve chegar uma altura, que se tem que tomar medidas mais fortes, porque já se viu que não vale a pena reuniões da Liga, reuniões dos três presidentes, podem inventar o que quiserem. Não vai parar, porque as comunicações continuam a emitir comunicados atrás de comunicados, posts, tweets, tudo. E, portanto, acho que é uma altura de realmente as pessoas pensarem o que querem para o futebol português. Se querem continuar na lama, vão todos falar, e aí é sem exceção, Porto, Benfica e Sporting vão continuar a falar e vamos continuar na lama e vamos continuar neste futebolzinho. Portanto, acho que temos que valorizar mais o espetáculo.
João Pinto, o que te pareceu este momento de Frederico Varandas?
É um comunicado. Aquilo que Frederico Varandas faz é um comunicado oral, que temos visto muitas vezes Frederico Varandas fazer, especialmente no aeroporto. Ele tem ali uma queda para fazer comunicados no aeroporto. Mas sim, concordo com o João Castro. Acho que isto tem que se limitar, tem que se tratar, mas faz muito parte da cultura portuguesa, faz muito parte daquilo que nós fazemos bem, que é dizer que o homem do lado trabalha mal. Eu sei que é uma época de Natal e de esperança, mas acho que vai ser muito difícil de se transformar, especialmente num mundo tão emocional como é o do futebol.
Pedro Henriques, como é que vês estas declarações de Frederico Varandas e se achas que pode ter, de facto, algum efeito? Varandas deixa aqui várias críticas e fala até em pouca vontade de mudar.
A minha questão principal, compreendo que neste contexto, e estou a falar em relação aos três grandes, qualquer presidente que se cale, ou que não fale, ou que tente passar uma mensagem através do silêncio, os adeptos não iriam entender. E os adeptos, a dado momento, também querem que o seu presidente, uma vez que a instituição, o seu clube, está a ser atacado pelos rivais, seja qual for, não estou a falar do Frederico Varandas, estou a falar dos três, que se chegue à frente. Agora, de tudo isto que se podia aqui analisar, eu acho que o mais relevante e importante, e o João Castro já falou nisso, que é se ele, presidente do Sporting, até já teve conversa com o presidente da Federação por causa desta questão das multas, se até os árbitros, a APAF já fez uma proposta física, em papel, chamemos assim, com essa mesma alteração, eu acho que de tudo o que se pode tentar fazer para melhorar este clima ou para reduzir a tensão, neste momento, passa pela punição. Não é que eu seja a favor da punição, mas neste momento passa pela punição e só com seja 100 mil ou 200 mil, o que quer que seja, se consegue resolver. E vou tentar dizer mais uma vez, porque as pessoas ficam sempre com esta ideia de que quando um árbitro ou um ex-árbitro fala, diz: "São umas virgens ofendidas, toda a gente é criticada, eles não podem ser criticados". Eu vou repetir: não tem mal absolutamente nenhum que um treinador no final do jogo em que perdeu, em que foi prejudicado por um penalti, diga: "Houve um penalti, foi mal assinalado, o árbitro acabou por ter influência no resultado e nós perdemos em função desse erro". Isto não tem mal nenhum. Ou que digam que o árbitro não é competente, porque falhou em dois penaltis, em três fora de jogo. A questão é que todos estes comunicados, e estamos a falar dos oficiais, são feitos sempre na perspetiva de que há uma intenção de prejudicar o clube e uma intenção clara de beneficiar. E isto entra com os valores mais básicos e normais de qualquer cidadão. Ontem o Rui Silva não quis prejudicar ninguém, falhou. Há alguém que aponte ao Rui Silva ou ao Castilho que fizeram com intenção, que foi para beneficiar? Não, as pessoas aceitam. E é esta normalidade que se cria, que é critiquemos o erro do árbitro, mas não critiquemos na perspetiva de que há uma intenção, porque isso põe em causa os valores mais básicos de qualquer pessoa, inclusivamente os dos árbitros. E é sobre isto que se tem que punir, não é sobre a crítica em relação às prestações das equipas de arbitragem. Pelo menos que esta ideia ganhe força e que realmente se avance para as punições, que neste momento é a única forma de se reduzir este clima de tensão.
Vamos às notas de campeão. João Pinto, começo por ti.
A minha nota de campeão vai-
João Pinto.
O Pinto sou eu.
Ouvi mal, desculpa, João.
Exato. A minha nota de campeão vai para a estatística. Os três grandes têm uma derrota, neste momento. Se compararmos com outros campeonatos, nove em Inglaterra, sete em Espanha, três na Turquia, 12 na Bélgica. E atenção que esta derrota é entre os três grandes. É do Sporting, mas frente ao FC Porto. Se isto não diz nada sobre o nosso campeonato, não sei o que dirá. De resto, bom Natal a todos. Nota 20.
Bom Natal, João. Agora o outro João, João Castro.
Era nota 18 para as declarações de Frederico Varandas. Acho que teve ali uns temas importantes, já falámos disso. Era uma nota também 16 para o Rui Borges. Acho que mesmo com todas as ausências, escolheu o melhor 11 para o jogo do Vitória. E depois uma nota 20 para todos os ouvintes da Rádio Observador e desejar um bom Natal para todos, para a equipa da Rádio Observador e ontem tivemos muitos em Guimarães. Tivemos uma equipa completa, ao contrário do Sporting, mas tivemos uma equipa completa e obviamente para vocês.
Pedro Henriques, as tuas notas.
Nota 20 para o Natal, para esta época festiva e natalícia, para todas as pessoas que nos ouvem, para a Rádio Observador e sobretudo para os nossos ouvintes, que são as pessoas mais relevantes e importantes. Mas que este espírito de Natal, eu sei que muitas vezes perdemos nas palavras, mas que também venha para o futebol. Não é para sermos todos bonzinhos, nem andarmos de mãos dados uns com os outros, não é isto, mas é sobretudo para a questão que tantas vezes nós falamos da tolerância, da capacidade de perceção daquilo que do outro lado está outra pessoa. Eu acho que isso era relevante e importante. E o futebol está a precisar disso, da tal humanização, independentemente das vitórias, da competição, do profissionalismo, precisa sobretudo de mais humanização e de humanismo. Esta quadra nos possa inspirar.
Sim, fica a mensagem de Natal de Pedro Henriques, também do João Pinto e do João Castro. Desejamos a todos bom Natal com a Rádio Observador.