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Nos próximos minutos vamos falar de desporto na Rádio Observador. Começa agora mais uma edição de "E o Campeão É". Hoje com os comentários do Gabriel Alves, do Augusto Inácio e também do Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos à edição de hoje de "E o Campeão É". Meus caros, vamos começar por falar do mal-estar entre Futebol Clube do Porto e Sporting, que é como quem diz, o mal-estar entre os presidentes dos dois clubes. Está para durar a troca de acusações e queixas entre André Villas-Boas, o presidente do Futebol Clube do Porto, e Frederico Varandas, o presidente do Sporting. O cheiro estranho no balneário de andebol, no pavilhão do Futebol Clube do Porto, deu espaço para planos de construção de um spa. Foi uma ideia deixada no ar por André Villas-Boas. Certo é que há um clima quase de guerra aberta entre os dois dirigentes. Gabriel Alves, vou começar por ti, muito bem-vindo. Há alguém que ganhe nesta batalha entre dois presidentes?

Íamos falar de desporto, não era, Rafael?

Vamos sim.

Parece que estamos a falar de uma batalha.

Desportos de combate acabam por ser desporto, Gabriel Alves, e aqui acabam por ser duas figuras de dois dos maiores clubes de futebol de Portugal.

Já reparaste qual é a imagem que Portugal dá com esta cena? Estas cenas consecutivas, a imagem que sai, sendo dois clubes, e de facto são importantes no contexto do futebol português e dentro daquilo que é o contexto do futebol europeu, inclusivamente nesta campanha da Europa, em termos futebolísticos, estão nos quartos de final, quer da Champions, quer da Liga Europa. Isto tudo tem que ser muito bem refletido. Eu acho que tudo isto é um assunto que me parece que ultrapassa todas as raias do senso. E obviamente que os clubes têm que sentar-se, perceber que não é com este tipo de diálogos que vão chegar a metas. E os próprios adeptos têm que começar também, penso eu, mas os adeptos é que sabem, os sócios é que sabem. Essa é a liberdade, mas acho, na minha opinião, têm que começar a medir isto, porque não é assim que os clubes crescem, não é assim que o desporto nos clubes crescem, não é assim que o desporto em Portugal vai crescer. Não. Temos dois clubes a solicitarem uma audiência à senhora Ministra do Desporto. Temos outro presidente a solicitar audiências na Assembleia da República, embora por motivos diversos, não são destes. A verdade é esta. E na matéria desportiva, no contexto desportivo, no conteúdo desportivo, no tecido desportivo, como é que é? Foram ter com a senhora ministra, solicitaram à senhora ministra para implementar mais desporto, para definir mais o desporto. Todos estes assuntos que aqui estão em causa, e que depois passa aqui ao palavreado, todos estes assuntos são assuntos, à partida, de questões da ordem da justiça. Eles estão certos ou não. Agora, que estrutura nós temos? Que estrutura temos ao nível desportivo? E qual é a palavra também do Comité Olímpico de Portugal no meio disto tudo? Qual é a palavra da Federação Portuguesa de Futebol, da Liga de Futebol? Como é que é das federações, e por isso é que eu estou falando do Comité Olímpico de Portugal, como é que é? Ninguém fala, fica aqui tudo reduzido. São duas pessoas que obviamente não estão a ficar muito bem na fotografia. Defendem os seus direitos, obviamente que sim. Mas este espetáculo, os sócios, os adeptos, os portugueses, de facto, devem refletir e devem fazer o seu juízo e atuar.

Ora bem, Augusto Inácio, até onde é que consegues perceber que esta situação vá, tu que conheces bem o mundo do futebol, tens muitos anos neste mundo, seja como treinador, seja como jogador, até onde é que isto pode ir?

Boa tarde a todos. Onde isto pode ir é um escalar, provavelmente, de violência no futuro. E digo isto porque os adeptos muitas vezes colhem informação, bebem a informação, ficam ao lado dos presidentes dos seus clubes e depois a menor coisinha que aconteça num jogo, aí está, os adeptos começam, se calhar, a virar-se para outro tipo de forma de apoio, que não aquela que normalmente vai um adepto ao estádio. Diria que ninguém ganha nada com isto. A Ministra do Desporto não vai resolver nada. São os clubes, a federação e a liga que têm que resolver e dirimir este problema que está a acontecer agora entre o Futebol Clube do Porto e Sporting. Diria também que aos jogadores, isto passa completamente ao lado. Aos treinadores, isto passa completamente ao lado. Eles vão lá para treinar, jogar, tentar ganhar e seguem as suas vidas e depois as coisas acontecem naturalmente no dia a dia.

Não há efeito nenhum, Augusto?

Não, para os jogadores, esquece.

É que vemos os treinadores muitas vezes em conferência de imprensa, depois quando estão a falar com os jornalistas, dizer: "Eu defendo o que disse o meu presidente, a posição do presidente é a nossa posição".

Sim, mas isso é o momento também porque o jornalista pergunta: "O seu presidente disse isto e aquilo". E ele diz: "Sim, senhor, eu concordo". Ia dizer que não concordava? Ia dizer que não comentava? Eu acho que o melhor é dizer que não comente, que isto é a melhor coisa. Mas quando for o Porto-Sporting da meia final da Taça de Portugal, estás a imaginar o caldinho que está ali instalado, não é? O caldinho, porque os adeptos vão estar ali antes do jogo começar, já estão em brasa, e depois à medida que o jogo for decorrendo, à medida que acontecer alguma coisinha, isto vai sobrar para o árbitro, porque o árbitro vai apitar e depois esta ou aquela situação pode gerar mais alguma dúvida. Lá está o árbitro a levar com o pau, quando aquilo foi uma coisa pré-determinada, entre aspas, daquilo que foi o ambiente criado pelos dois clubes Por isso, ninguém ganha nada com isto. Os presidentes, inclusive, baixaram o nível da educação ao ponto das acusações encontrarem palavras que não devem ser ditas publicamente. Isso claramente que nem Porto, nem Sporting ganham com isto e muito menos o futebol português.

Antes de terminarmos, só 10 segundos.

Gabriel, faça.

Só 10 segundos. Portugal tem o Mundial 2030. Isto está sendo registrado e o futebol hoje é globalizado.

Agora, como há pouco Augusto Inácio dizia, acaba sempre depois por se parar para o árbitro. Eu tenho aqui um ex-árbitro que se junta a nós no nosso painel. Pedro Henriques, o que é que tens a acrescentar sobre este tema?

Muito boa tarde. No dia em que comemoramos os 50 anos da Constituição Portuguesa, hoje foi um dia de cerimônias para quem esteve atento. O que significa 50 anos de uma Constituição num país? Progresso, evolução, valores, liberdade, maturidade, respeito, fair play, cultura. Estamos a assistir a um episódio que já passou da esfera desportiva e que envolve o governo, a parte política, o Ministério Público, ou seja, estamos perante um caso de polícia. E agora eu espero uma de duas coisas: ou o Sporting efetivamente está a mentir, e espero que se assim for, sejam severamente punidos, ou efetivamente o Futebol Clube do Porto teve como práticas algumas daquelas que o Sporting o acusa, ou todas, e espero que o Futebol Clube do Porto seja severamente punido. Que isto não fique é naquelas calendas normalmente que já passou. Como isto passou para o Ministério Público e é um caso de polícia, eu estou convicto que alguém vai ter que ser mesmo punido. E termino com isto porque não me apetece dizer absolutamente mais nada sobre este episódio. É que nós, em vez de estarmos perante aquilo que se tanto falou, que foi uma lufada de ar fresco, desconfio, cheira-me, acho que é o termo bonito agora, que estamos perante uma lufada de amônia com lixívia fresca. Vamos ver no que isto vai dar.

Precisamente, veremos até que ponto é que esta situação pode escalar e o que é que está no horizonte nesta batalha entre André Villas-Boas e Frederico Varandas, os presidentes de Futebol Clube do Porto e Sporting, respectivamente. Vamos avançar, meus caros, falar de João Cancelo, que participou num programa do Canal 11, onde proclamou amor a dois clubes, ao Benfica e também ao Barcelona. Gabriel Alves, João Cancelo está a dizer que tem dois amores, como a canção de Marco Paulo, e admite baixar o salário para continuar a jogar no clube do coração. Esta cantiga é para José Mourinho ouvir?

Eu acho que ele baixa o salário, se calhar, para jogar ou no Barcelona ou no Benfica, nos dois. Agora eu pergunto: mas o Benfica, em vez de projetar o seu futebol em termos de futuro, é acolhedor de figuras que, entretanto, saíram, fizeram a sua carreira, tiveram carreiras esplendorosas, ainda hoje são internacionais ao serviço da Seleção Nacional. Mas eu acho que os grandes clubes portugueses têm que gerir isso de uma forma meticulosa, porque não há regressos sempre felizes. E há alguns que têm acontecido e não têm sido. Olha o do Gonçalo Guedes, o do Renato. Os adeptos ficam felizes, porque são grandes jogadores, foram formados. Eu acho é que é mais importante, se calhar, tentar ter o mais possível os jogadores formados e que são de qualidade e de capacidade, do que depois estar a ir buscar. Se calhar, que é um excelente jogador, fantástico, em alta competição. Basta vê-lo jogar, está a jogar no Barcelona, entrou vindo da Arábia, enfim, e agora está a jogar em grande plano. Mas o problema é este, é saber o que os clubes querem. Trazer, portanto, o voltar ou realmente olhar o futuro a partir do momento. É uma questão de gestão e, naturalmente, melhor que ninguém, quem é eleito por sócios para ser presidente dos clubes.

Augusto Inácio, parece-te que João Cancelo está a preparar um regresso a Portugal?

O que me parece é que aquilo foi uma pergunta feita ao João Cancelo em relação ao seu clube do coração e ele respondeu que tinha dois e que para ele é o Benfica e o Barcelona, e estaria disponível a baixar o salário para representar o Benfica. Foi uma posição que ele tomou. Os adeptos do Benfica, claramente, e as pessoas do Benfica gostam desse tipo de discurso, mas agora cabe ao Benfica. Se há realmente alguma coisa que interesse para o futuro, o Benfica tem três laterais direitos, tem o Bah, tem o Gedson, tem o Ndjaki, que agora está a aparecer. Cabe ao Benfica, eu sei que ele pode jogar também defesa esquerda, também sei isso.

E a médio.

Desculpa?

E a médio, eu dizia.

Sim. Mas eu diria que cabe ao Benfica, ao treinador do Benfica, ao presidente do Benfica e à estrutura do futebol do Benfica, planear aquilo que entende que é o melhor para o plantel da próxima temporada. Se o Benfica entender que pode ser uma mais-valia, pode contratá-lo, mas atenção, isso foram palavras que ele disse ontem. Imagina que entretanto, até lá, ele não receba uma proposta milionária e poderá aceitar, em vez de estar à espera do Benfica.

Lembras-te do Semedo o ano passado?

Exato.

Tem o exemplo.

Isso é só o timing. É o timing que foi aquele. Agora, não quer dizer com isso que mais tarde isso se concretize ou não.

Pedro Henriques, o que é que quero também ouvir sobre este tema?

Sim, eu estou um bocadinho curto. Só para dizer o seguinte: qual é o projeto que eu, que estou também no futebol e vejo por fora, obviamente, se calhar com as limitações que tenho por não estar por dentro de um clube, tenho relativamente àquilo que possa ser o tal sucesso de um clube em termos de presente e de futuro, no que diz respeito ao capital mais relevante e importante de uma equipa e de um clube, que são os jogadores. É Gonçalo Guedes, Renato Sanches Ou Frauold, Petrzewski, Soares, Hummels. Claramente que é Soares, Hummels, Frauold, Petrzewski, e não Gonçalo Reis e Renato Sanches. Eu percebo que haja essa questão do acolhimento, no bom sentido da palavra, dos jogadores que foram criados num determinado clube e que ficará sempre esse carinho, esse amor e esse respeito, mas a partir do momento que as vidas se separam por razões diversas e óbvias, desportivas e financeiras, e que é o mercado a funcionar e é a vida desportiva a funcionar, eu acho que esta coisa dos regressos, para mim, não faz muito sentido. Como projeto, não faz muito sentido. Pontualmente, pode ser que sim. A questão é que nós sistematicamente no Benfica estamos sempre a ser bombardeados, no bom sentido da palavra, para a situação, é o João Félix que quer regressar, é o Renato Sanches. E isso não sei se é bom para o próprio Benfica naquilo que é o projeto. Pelo menos desportivamente não tem sido, porque o Benfica tem estado um bocadinho mais fora do sucesso em termos desportivos, estamos a falar de futebol, do que em relação ao Sporting e o Porto. Portanto, eu acho que projetos de jogadores de Ligas 2, como aconteceu com o Gyökeres ou com o Suárez, ou jogadores que muitas vezes não são conhecidos e são bastante jovens, como é o caso do Petrzewski, do Frauold, o próprio Hummels, eu acho que faz mais sentido. E o Benfica, em tempos idos, fazia muito isso, ia buscar aqueles loiros, espadaúdes e calmeirões a países que a gente julgava que não sabiam jogar a bola.

E o Benfica fica no ar.

Não, e o Benfica foi buscar grandes jogadores a esses campeonatos nórdicos que tiveram grande sucesso, que eram ilustres desconhecidos, eram jovens na altura. Eu acho que essa é a aposta que o Benfica deve fazer, não é só nesse mercado, mas nesse tipo de contratação e não muito nesses regressos.

Ora bem, temos ainda tempo, meus caros, para falar sobre o Campeonato do Mundo, mas ele não para, ele corre e é quem mais manda. Temos ainda muita indefinição sobre o que pode acontecer na prova que se vai jogar nos Estados Unidos, no México e também no Canadá. Esta indefinição é sobretudo nos jogos nos Estados Unidos. Há um problema da venda dos bilhetes, muitas críticas em relação aos preços que estão a ser praticados, sendo que aumentaram recentemente ainda mais após as eliminatórias que deram origem a mais equipas a assegurar uma vaga no Campeonato do Mundo. Gabriel Alves, este Campeonato do Mundo, pergunto muito diretamente, cheira a esturro?

Este Campeonato do Mundo cheira a tudo, sei lá o que é que cheira. Isto é um Campeonato do Mundo, obviamente, vamos ver. Já faltam menos de 100 dias. Não sei o que é que se vai passar nisto tudo. Isto é, de facto, uma situação onde chegou. E eu vou dar a minha nota já, já vou trazer aqui também. É que não é só história FIFA, é a UEFA. Há aqui uma notícia das últimas horas que eu acho que é extremamente grave. Eu já lá vou, mas este Campeonato do Mundo, estamos cá para ver, para contar como foi, mas a verdade é que quem gosta de futebol está a olhar para isto, está a olhar para isto e está a olhar para isto.

Augusto Inácio, como é que te parece que está a ser gerida toda a preparação do Campeonato do Mundo?

Da nossa seleção, da seleção portuguesa ou do Campeonato Mundial em si?

Estava a falar da organização no geral, do Campeonato do Mundo em si.

Da organização. Isto está muito assim, um ponto de interrogação em relação ao futuro, porque não podemos esquecer a situação do Irão. O Irão diz que nos Estados Unidos não jogava. Vamos ver se vai jogar nos Estados Unidos ou se vai jogar no Canadá ou no México, não sei, mas isso está em aberto, porque a política entra aqui de uma forma estrondosa, diria eu. Há mais seleções, são quanto a 18 seleções. Enfim, há coisas políticas para se tratar. Eu, sinceramente, acho que isto tem tudo para não dar certo, no sentido de correr tudo normalmente. Tem tudo para não dar certo. Mas vamos ver e acreditar. Eu sou uma pessoa esperançosa, que acredita que as coisas correm sempre bem, mas tenho algumas dúvidas e fico com aquele olhar distante de tentar perceber que as coisas podem não ter um final como eu esperava ou que desejava que fosse.

Pedro Henriques, em dois minutos, o que é que tens para acrescentar sobre este Campeonato do Mundo que está a menos de 100 dias de começar?

Sim, não se trata só de uma situação, às vezes, de bastidores políticos de Guerra Fria. Neste momento, trata-se de guerra na sua plenitude, com existência, com mísseis, com destruição, com morte, que é o que está a acontecer em várias partes do mundo. E esta é a problemática que é a interferência que esta situação social, política, que depois também é econômica e é tudo mais, pode ou não ter interferência na parte desportiva, nomeadamente na sua organização. Isso deixa-nos a todos preocupados, porque nesta altura, as seleções o que deviam estar preocupadas é na parte técnico-tática, nos jogadores, enfim, na parte do jogo propriamente dito e não nesses aspetos que deixam muitas dúvidas e que paira no ar para aquilo que pode vir a ser a organização e a realização de alguns jogos, a começar como disseste, e bem, pela questão do Irão ir ou não ir, porque como disse também o presidente da FIFA, não há aqui plano B nem plano C no sentido de substituição. Costumo dizer que falta sempre um adulto na sala para resolver, às vezes, muitas situações, e é uma figura de estilo que eu utilizo. Neste caso, o problema é que temos uma figura na sala que é um adulto, só que é um adulto que está com problemas, muitos problemas ao nível psicomotor da coisa. E nós todos sabemos quem é. Este senhor Trump deixa muitas dúvidas no mundo naquilo que diz hoje, naquilo que contradiz amanhã, e nós ficamos preocupados em relação ao mundo, que é a coisa mais importante, mas também, neste caso, em relação àquilo que possa ser a parte do desporto, até de adeptos que possam ser barrados para ir acompanhar as suas seleções e o que mais virá a seguir.

E resta saber se é se o senhor Infantino vai conversar com o senhor Trump para depois atuar, o presidente da FIFA.

Meus caros, tenho três minutos para ficar a conhecer as vossas notas e os vossos campeões do dia. Vou começar pelo Augusto Inácio, um minuto para, Augusto, nos dares a conhecer as tuas notas e os teus campeões do dia de hoje.

Olha, para mim basta 20 segundos. É dar nota zero àquilo que se está a passar entre Sporting e Futebol Clube do Porto, que é uma imagem muito Muito débil, muito frágil, muitas vezes pessoal. Já não é instituições, também já ultrapassa o pessoal. Diria que isto não valida ninguém e o futebol português chega muito a perder. Por isso, nota zero para esta situação.

Pedro Henriques, usando o tempo do Augustinho Inácio, tens um minuto e 20.

Não, é também muito rápido, tem a ver com isto. Também vou dar uma nota negativa, uma nota zero, porque no dia, conforme eu comecei, vou acabar, em que comemoramos os 50 anos da Constituição Portuguesa, e que significa um conjunto de valores, inclusivamente na sociedade, mas também no desporto, não faz sentido nenhum o ponto a que nós chegamos. Não se trata de rivalidades, nem quem joga melhor, nem de um penálti que foi marcado ou não foi marcado. Trata-se muito mais do que isso. Se calhar, situações de casos de polícia, se calhar situações de acusações que são graves e de falta de respeito, inclusivamente institucional, nas pessoas dos seus presidentes. Isto não faz sentido nenhum, que o Sporting e o Foco do Porto possam fazer essa reflexão. Em vez de andarem com bocas e com recados, que realmente resolvam de outra maneira este momento, que não pode ser resolvido assim. E se a parte desportiva não o consegue resolver, federação, liga, etc., porque já percebemos que tem dificuldades, que se faça como a Inglaterra fez há uns anos para acabar com o hooliganismo, intervenção do governo, e aqui tem que ser a mesma coisa, porque senão nós não vamos resolver isto.

Gabriel Alves, um minuto e meio com o tempo que sobrou aqui do Augustinho Inácio e do Pedro Henriques.

Palavras do senhor Ceferin, presidente da UEFA: "Políticos são os mais culpados de que Gravina", vice-presidente da Federação Italiana, isto em relação à não ida da Itália ao Mundial, "vocês têm uma das piores estruturas do futebol da Europa". Diz isto o senhor presidente da UEFA, dando cobertura ao seu vice-presidente, que diz de quem é grande amigo, vice-presidente da UEFA, o senhor Gabriel Gravina, e faz um ultimato ao poder político de retirar o Euro 2032, que vai ser projetado com a Itália e com a Turquia, mas retirá-lo à Itália. Eu gostava de ouvir a senhora Meloni e vou estar muito atento ao que a senhora Meloni vai dizer a este senhor. Porque aqui os políticos querem tanto o futebol ao nível geral na Europa, tirando ali o caso da Inglaterra, que é um pouquinho diferente, e a Alemanha, claro. Os senhores querem tanto, que as duas portarias estão na mão destes senhores. O senhor Ceferin foi recebido em Portugal aqui há meia dúzia de anos como chefe de Estado no Palácio de Belém. Uma coisa é o país, uma coisa é o futebol. Agora, misturar isto tudo, depois vai dar aqui nesta situação. Hoje é um dia D para a Itália, onde o senhor Gabriel Gravina poderá sair. Eu tenho estado a ler a imprensa italiana, a comunicação, em que há aqui muitas críticas, mas vem um tal senhor fazer um ultimato com quem diz ou fica o Gravina ou sais do Euro. Não sei. Vou estar atento à senhora Meloni. Há duas. Não esquecer que a Itália foi o único país que mandou clubes de primeiríssimo plano para a segunda divisão por irregularidades graves.

Para concluir, Gabriel?

E não ficou nem uma extinta. Para concluir, só com um sorriso, por que não?, fala-se a Itália que Pep Guardiola poderá vir a ser um dos convidados para ser o futuro selecionador da Itália.

Ora bem, muito obrigado Gabriel Alves, Augustinho Inácio e Pedro Henriques. Está feita mais uma edição de "E o Campeão É". Está de regresso amanhã à antena da Rádio Observador.