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"E o Vencedor É", na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite França, o Sandro Borges e a Raquel Abecasis. Vamos falar sobre uma espécie de duelo entre o ex e o atual governador do Banco de Portugal, Mário Centeno e Álvaro Santos Pereira, que vão trocando argumentos em praça pública sobre a nova sede do Banco de Portugal, que vai ficar onde era a antiga Feira Popular, em Entrecampos, em Lisboa, e ainda do primeiro-ministro, que anda entre jogos de futebol e festivais. Raquel Abecasis, Luís Montenegro, ninguém para Luís Montenegro. Essa semana falámos muito sobre a associação entre futebol e política.
Sim, andamos. Por acaso não falámos muito, eu acho que não falámos muito. E a razão pela qual não falámos muito é porque de facto nós entretemo-nos muito com futebol e nesse sentido, se calhar vou chocar aqui alguns dos presentes e muitos dos que nos estão a ouvir, mas ainda bem que Portugal já saiu do Mundial.
Menos uma defesa.
Porque enquanto estávamos entretidos a ver futebol, ninguém ligou a mais coisa nenhuma, como se nada de grave se estivesse a passar no país.
Desculpa, só lhe interromper para te dizer, não me chocas, não podia concordar mais e já aqui oralmente e por escrito critiquei, falei do delírio nacional com a seleção, acho uma coisa política. E para te dizer isto, o mal é que já estamos a falar do mundial 2030.
Sim, exatamente.
Este ainda não acabou, já temos novos selecionadores, já vamos ser campeões do mundo outra vez.
Exatamente. Mas, de facto, eu acho inadmissível que o primeiro-ministro, ainda por cima, ao contrário do que tinha sido anunciado, tenha ido a três jogos da nossa seleção. Se fosse aqui ao lado em Espanha, ia num instantinho, mas é do outro lado do Atlântico.
E foi a Toronto também.
E foi a Toronto também, exato. Ainda foi mais longe. A três jogos da seleção, ao que sei, nem dentro do seu próprio partido e governo a coisa foi vista de forma muito simpática. Mas como é futebol e as pessoas estavam todas muito crentes que o milagre iria acontecer, que não aconteceu, porque os milagres é preciso trabalhar-se um bocadinho pra eles acontecerem. E não aconteceu. Isso passou entre os pingos da chuva, numa altura em que o país estava em riscos de ter uma situação mais trágica do que graças a Deus aconteceu, mas em plena onda de calor, com fogos a acontecer por todo o país e sobretudo com uma situação que não é de somenos importância, que não está ainda resolvida, e que tem a ver com as famílias do país inteiro, que tem a ver com a história dos exames do 12º ano. E ontem a minha alma ficou parva quando vejo, eu até pensei assim: "Mas ele está onde?" Parecia que estava naquelas feiras dos carroçais, feiras das terras, que têm uns carroçais e o algodão doce ali atrás e tal. Depois lá percebi que estava no festival mais recente que se realiza aqui em Lisboa, ironicamente com o anúncio da Solverde atrás. Era uma coisa de facto...
Achaste que era inteligência artificial?
Achei. Quase que parecia. É que é tão absurdo que nós podemos achar: "Não, isto é uma maldade que lhe estão a fazer." Mas apareceu assim em todos os canais de televisão. E portanto ele escolheu mesmo o stand da Solverde, o standard da Solverde, para fazer declarações ligeirinhas, uma coisa muito genérica.
Para os mais distraídos, a Solverde era um dos clientes da Spinovita.
Exatamente. Eu acho que já não há distraídos sobre esse assunto, por isso é que eu nem sequer contextualizei. Mas sobre esse problema levezinho, que é a correção dos exames do 12º ano, que já tem um anúncio de que vão sair atrasados, vamos ver se cumprem as metas, e a desvalorizar completamente os avisos do Presidente da República. No fundo, ele está tão preocupado como a presidente, e isto tudo se fará, e aquilo que não correu bem, vamos corrigir para o ano. E isto para um chefe de governo que não tem maioria absoluta e a quem as coisas não estão a correr propriamente maravilhosamente, pareceu-me uma atitude muito irresponsável e até injusta com os seus ministros, que estão no terreno, esses sim, a dar o corpo ao manifesto, melhor ou pior, mas a assumir as suas responsabilidades. E de repente parece que cada ministro funciona em autoestão neste governo, porque o primeiro-ministro tem que ir ver o futebol e assistir aos concertos.
Eu aqui tenho que citar o Hugo Soares: "Tu estás a ser uma queca que não gosta de ver futebol."
Pois, eu se calhar sou queca, há muita gente que me chama isso. Não sei se isso era uma piadinha.
Era um bocadinho.
Mas a questão aqui...
Mas ele disse isso.
Sim, mas isso só mostra o nível de falta de noção das responsabilidades que se ocupam, dos lugares que ocupam. Porque ser primeiro-ministro de um país ou ser líder parlamentar do maior partido que constitui o governo, não é um lugar pra piadas, sobretudo Como eu digo, se estivéssemos todos de férias, o país estivesse a correr às mil maravilhas, não houvesse problemas à vista, não houvesse urgências do Serviço Nacional de Saúde que são capazes de não ter capacidade de resposta, houvesse água em Almada e noutros pontos do país. Se isto estivesse tudo a andar sobre rodas, eu acho que isto até podia passar. Agora, francamente, com os problemas que existem, esse tipo de resposta só demonstra ainda mais que estas pessoas não têm bem consciência dos lugares que ocupam e da responsabilidade que têm perante os portugueses.
Sim, concordo com a Raquel em tudo. E sobre a questão do futebol, gostava de comparar, porque já tinha referido isto aqui, a questão de quando eram para ir todos os líderes parlamentares e todos os líderes dos partidos e que depois um a um, quando perceberam que a coisa estava a cair mal, disseram que afinal obrigadinho, não posso.
Deixa-me só interromper. Como se as idas dos políticos a estes campeonatos de futebol não tivessem já trazido ao país problemas que cheguem e suspeições que cheguem.
E com os mesmos titulares.
Exatamente.
E com os mesmos titulares, exatamente, é isto mesmo. Vale a pena lembrar que, por exemplo, o professor doutor Vítor Escária foi uma das pessoas afastada na sequência de um dos casos, do caso Galp, não, ficou Galp Gate, uma coisa gravíssima, três secretários de Estado derrubados, porque tinham ido à bola a convite de um patrocinador. Se o convite é feito, era ou do patrocinador ou da federação. É uma questão de ou mandar de outra conta de e-mail.
E já agora, eu peço desculpa de estar só a interromper, mas é que já agora, eu esqueci-me aqui de referir uma coisa. Para estar no jogo de futebol, o primeiro-ministro chegou atrasado à cimeira da NATO.
E chegou atrasado a um Conselho de Ministros em Guimarães.
Esse facto é ótimo. E juntava isto, que é também um outro tema em que já aqui tocamos, que são os 900 anos, esta coisa das comemorações dos 900 anos precoces de Portugal, em que para a comissão estão convidados os líderes dos três maiores partidos. Vai haver representantes dos três maiores partidos. Notem isto. Para comemorar os 900 anos de Portugal e refletir sobre a nação, basta um representante do PSD, um do PS e um do Chega. Mas para acompanhar, para ver na bancada e gritar gol, eram precisos de todos, porque senão não estava representada a nação. Há isto.
Também aqui explicamos que o convite foi dirigido ao cargo e não à pessoa, de forma a dar uma volta à lei.
Exatamente. E depois com aquele pormenor também maravilhoso, que dizia: "O convite é pessoal e intransmissível". Isto não é pessoal, é para o cargo, mas é pessoal e intransmissível, você não pode passar a outra pessoa. Portanto, sim, sobre o futebol é isto. Acho absurdo, sendo eu pessoalmente um adepto de futebol, mas que não fosse, mas gostando de futebol, é de há 20 anos para cá que isto acontece. E vale a pena dizer, por que é que é de há 20 anos para cá que isto acontece?
Ó Alexandre.
Ricardo, é. Isto não era assim, não havia sempre esta atenção tão grande com a seleção. Eu digo-te só qual é a diferença. Com a seleção, não é a paixão pelo futebol nacional, isso sempre tivemos. Agora, esta coisa da Federação Nacional, parece que é o SNS e carrega a bandeira do país atrás, e somos todos nós, é de há 20 anos para cá, é quando a seleção começou a ganhar alguma coisa.
E para responder à questão dos queques, isto é uma parulice. Porque a gente olha para aquelas bancadas e não vê lá mais nenhuns primeiros-ministros nesta fase dos jogos da seleção.
Até pensei que ia dizer outra coisa, que a gente não via lá quase mais nenhum português.
Os bilhetes eram muito caros.
Eram muito caros, de facto. Além deste contexto do festival e dos jogos de futebol, isto lembrou-me a Festa do Pontal, em que já o país, em 2025, várias aldeias do interior enfrentavam incêndios gravíssimos e o primeiro-ministro achou que devia ir à festa de rentrée do PSD. Na altura, houve vários comentários sobre os copos de gim que andavam a circular e que se viram nas fotografias. E eu acho que pode-se aprender de umas vezes para as outras. Aprender de umas vezes para as outras parece-me interessante. E na altura era pleno agosto, foi altamente criticado, sobretudo por causa da questão dos incêndios. Tivemos de novo a questão dos incêndios, agora com os jogos de futebol, com o ministro da Administração Interna a dizer: "Ninguém tira férias, temos que lutar contra os incêndios", e o primeiro-ministro é o primeiro a apanhar um avião e ir ver um jogo de futebol. E agora esta questão dos exames nacionais, que temos, de facto, Fernando Alexandre sozinho, não há um primeiro-ministro que fale e que o ajude nesta empreitada em que se meteu. E quando fala, fala no nossa live, umas declarações, como dizias, levezinhas. Umas declarações levezinhas, num festival, estava num festival de música.
À frente do Casino de Salvié.
Pronto, à frente de um centro que também, enfim.
Desculpa só juntar isto dito, que é: pondo simpatias ou antipatias com a questão do futebol à parte, até posso encaixar do ponto de vista da comunicação, acho que o Luís Montenegro faz isso, que é ele acha que há ali um lado popular dele que funciona. E admito que sim. Admito que às vezes ele tem um lado muito espontâneo na conversa e particularmente nestas coisas do desporto, lembram-se de vê-lo jogar vôlei de praia na campanha, em Espinho. Acho que há ali coisas que lhe correm bem, ao contrário, às vezes, de outros políticos mais duros de rins. Até posso achar que isso é uma estratégia passar como o oposto do queque lá está. Se o Gustavo a seguir vem dizer isso, eu percebo o que é isto. Agora, deixar-se enquadrar com o letreiro da Solverde atrás.
O queque apontou para mim.
Desculpa, referindo-me ao queque.
Eu estou a ser vítima de bullying.
Tu és o representante dos queques neste painel.
Por isso eu pus o meu estilo era: o conceito de queque que tivemos abordado há pouco. Agora, deixar-se enquadrar com o letreiro da Solverde atrás é só-
É belíssima comunicação
...é só um desastre de comunicação.
Isto é mesmo uma tentativa de ser povo? Há uma tentativa deliberada aqui de comunicação dizer: "O Luís é do povo."
Eu não sei. Quer dizer, o Luís é mesmo do povo.
Raquel, isto foi muito bom. Este foi o momento queque do "BSP".
Foi o momento queque, não é?
Portanto, ele achou que se Portugal ganhasse, ele estar lá ia ser maravilhoso. Só que correu-lhe mal, mas se ele gosta de futebol, já devia ter percebido que Portugal não ia ganhar. E depois, o resto, eu acho que é mesmo incapacidade. Eu já disse isto muitas vezes a propósito de outros assuntos, que dizem respeito aos governos de direita. Eu acho que a direita tem um problema com a gestão da comunicação. Apesar de ser constantemente acusada de ter máquinas de comunicação, não tem máquinas nenhumas, corre-lhes tudo pessimamente, fazem sempre o contrário do que deviam fazer. Aquilo que a Judite lembrava há bocado era a imagem do Luís Montenegro no Pontal a fazer uma grande festa, não sei se tinha o copo de gin ali ou se já tinha tido uns minutos antes, e no outro quadradinho, a imagem dos fogos. Quer dizer, nós brincámos com isso, mas fazer umas declarações, é a primeira vez que aparece a falar dos exames à frente da barraquinha da Solverde. Não está lá ninguém a dizer assim: "Não pode estar aí." Isto é uma coisa que nós todos, que andamos na rua com políticos, sabemos que isto no PS jamais aconteceria.
Sim, nunca.
Jamais aconteceria, por todos os motivos e mais alguns.
Vamos às notas?
Acho que é a mesma irresponsabilidade.
Queres dar a nota, Raquel?
Eu dou um quatro ao primeiro-ministro pela falta de noção.
Olha, acompanho o teu quatro, Raquel.
Alexandre.
Pronto, não vou tão longe. Fica com o número da ponta de lança, fica com o nove.
Nove. E agora vamos falar de um duelo, não é duelo ao entardecer, mas é uma espécie de duelo entre o ex e o atual governador do Banco de Portugal, Mário Centeno e Álvaro Santos Pereira. Vês aqui ingredientes para um bom argumento, Alexandre?
Vejo absolutamente. E já é uma saga, porque isto já não é o primeiro volume, já não é o primeiro tomo. É só mais um, mas isto são os dois papas. Estávamos aqui a pensar analogias para isto e a que me tinha ocorrido era os dois papas. Se bem que quando tu recordaste que isto tem a ver com os terrenos da Feira Popular, eu percebi que está aqui uma grande atração de feira. Voltou a haver animação, de facto, naquele terreno, mas isto são os dois papas e parece que estamos aqui a falar da nova basílica de São Pedro.
Do Banco de Portugal.
Exatamente. Voltaram ontem a falar do assunto, ouvidos no Parlamento, na Comissão de Economia e Finanças, e Álvaro Santos Pereira, o atual governador, trouxe a notícia de que conseguiu reduzir os custos da construção do novo quartel-general, digamos, da nova sede do Banco de Portugal. Estavam estimados em 192 milhões de euros. Agora serão apenas 165 milhões, mas depois há mais. Isto para quem não está a par. Eu não estava. Há aqui alguma nomenclatura nova das empreitadas que eu desconhecia. Portanto, isto tem a ver com uma parte que é o fit-out. Exatamente, é o core and shell. Cento e noventa e dois milhões de euros eram para o core and shell, isto é, para a parte tosca.
Paredes.
As paredes, exatamente, obrigado. Mas na altura foi em 2025, quando Mário Centeno apresentou o projeto, só falou nisto. Depois há uma outra parte chamada core and shell, vulgo acabamentos.
Não, fit-out.
Imensa desculpa, fit-out. Está-se mesmo a ver que eu faço imensas obras. Qual era a expressão que tu usavas na semana passada? Era a coisa que tu compraste com a telha.
A talocha.
Talocha, exatamente. Eu nem da talocha, nem destes nomes mais sofisticados consigo acompanhar. Portanto, os acabamentos estavam por determinar. Na altura, Mário Centeno referiu-se a esta questão com uma frase que ficou célebre, que foi: "O custo final a Deus pertence." Logo se verá. E agora, Santos Pereira colocou um valor mais ou menos estimado para esta parte.
Até porque reduziu, eram dois edifícios e passou a um.
Passou a um, portanto, eram os edifícios A2 e A3 desta zona do complexo da antiga Feira Popular em Lisboa, e ele decidiu ficar só com o edifício A1, que é maior, embora não maior do que a soma dos outros dois, e consegue esta redução e também consegue, considerando esta parte dos acabamentos, diz ele que o Banco de Portugal vai poupar 35 a 40 milhões de euros. Não perdeu o ensejo de deixar alguns recados ao antigo governador, e disse que isto era uma gestão prudente, portanto, por oposição, calculamos a uma que não foi prudente. Lembrou e criticou o facto desta assinatura do contrato de promessa de compra e venda do projeto original ter sido feito por Mário Centeno dois meses antes de deixar o lugar. E disse que o projeto como ele estava, com essa parte não calculada por Mário Centeno, podia chegar aos 217, 227 milhões de euros. O Observador, na peça que fazia ontem à noite, recordava que, na verdade, com os especialistas contactados sobre esta matéria, se dizia que o nível de acabamentos que um cliente como o Banco de Portugal pode suscitar poderia elevar o custo final até os 280 milhões de euros. Este edifício é suposto reunir toda a gente que trabalha no Banco de Portugal e que atualmente está dividido em quatro edifícios, há muitos anos que está dividido em quatro edifícios. Só um deles é que é realmente do Banco de Portugal, que é a sede, todos os outros são alugados, portanto, têm esses custos, também se vão poupar esses custos. Este projeto, em 2022, ou um projeto muito parecido com este, basicamente, foi chumbado pelos relatórios pedidos pelo Banco de Portugal, com pelo menos 16 avisos graves ou muito graves, particularmente relacionados com as questões da segurança.
Já agora, que digas como deve ser, que são red flags.
Red flags.
Se vocês soubessem.
O Banco de Portugal tinha disso.
O que me incaneta.
A expressão a ti também, a mim também.
Não, estas vou abusar, são em inglês.
Absolutamente. É isso mesmo.
Mas o mundo económico e financeiro está cheio.
Deixa-me crazy.
Deixa-te crazy. E as red flags aplicadas às relações, que é onde hoje em dia são muito usadas, que é louco. As pessoas conhecem alguém e dizem: "Aquilo parece-me logo uma red flag." Pronto, ok. Portanto, 16 red flags particularmente relacionadas com os temas de hoje.
Aversa pro core, Alexandre.
Pro core. Então, aqui vamos. Portanto, Santos Pereira deixou estas bicadas ao seu antecessor. Centeno foi ouvido a seguir, na mesma comissão, ouvido logo a seguir. Mário Centeno, não sei se lembram quando Mário Centeno apareceu aí em 2014, 2015 a liderar o programa econômico do PS, daquilo que viria a ser o governo, e era uma personagem saída, de fato, do Banco de Portugal. Que se engasgava, que se ria dos seus erros, que tentava fazer uma piadinha, mas a sala não se ria. Tinha um lado engraçado de figura que de fato ainda nada habituado ao mediatismo. Atualmente é vê-lo falar como um Jedi da coisa. Falou com uma atitude muito bazé.
Como se transforma o Banco de Portugal num filme de suspense.
Num filme, exatamente.
Agora estou a ver o Centeno vestido de Jedi.
E agora separaste isso. Disse que o seu sucessor tinha cometido um erro claro, uma coisa de palmatória, que é que quando ele disse, Mário Centeno, que o preço final a Deus pertencia, era pra não estar a entregar justamente um valor, a dizer no fundo até onde é que podia chegar, porque então agora a decisão ficava do lado do empreiteiro, e que o mercado é que passava a ser Deus. Ironizou com a passagem, dizendo: "Nós estudamos na altura o edifício A1, aquilo é mais pequeno, não sei como é que vão fazer, mas se puserem lá secretárias de 80 centímetros, até cabem dois Bancos de Portugal." E também falou da poupança milagrosa que ia acontecer. Ele disse: "Eu já tinha dito que com os edifícios que vamos deixar, íamos poupar 10 milhões por ano, agora parece que já são 11 milhões."
Então já vamos à tua conclusão. Deixa-me ouvir também o que dizes sobre isto.
Depois disto, o que eu tenho a dizer? Eu tenho a dizer, basicamente, deixando a parte de fora, a parte da Shell de fora.
Vocês estão muito fortes nisto. Ou sou eu que estou cansado nesta Friday. I'm in love.
Do glacê.
Deixando a parte de fora, eu acho que Mário Centeno não resiste a duas coisas: primeiro, a criticar o seu sucessor e por outro, a defender o seu legado. A parte do defender o seu legado, eu ainda entendo, mas a verdade é que o mandato terminou, e o mandato terminou e veio o outro governador. Por muito que isso custe a Mário Centeno.
Move on.
É isso.
Segue em frente.
Só acrescentar tudo o que disseste, que vai se manter a sede na baixa com a tesouraria e com o museu. Também mau era, aquilo ficou caríssimo.
O museu do dinheiro.
O museu do dinheiro, tudo aquilo ficou caríssimo e ficou bastante bonito, portanto convém não desperdiçar. Agora, eu acho que Mário Centeno, que está de fora, demonstra um bocado de mau perder. E sabemos que não queria sair do lugar de governador. A verdade é que saiu e portanto agora este pingue-pongue entre os dois não faz grande sentido. Eu acho que essa questão de quantos é que cabem dentro agora do novo edifício do Banco de Portugal, até fez a piada dos Minis. Quantas pessoas cabem dentro do Mini, que era um anúncio antigo. E eu acho que isto é uma espécie de combate entre o ex-governador e o atual, e não é justo para Santos Pereira. Acho que não é justo pra ele, acho que tem o direito de cumprir o seu mandato com tranquilidade. E portanto, acho que Mário Centeno devia acabar com as picardias e deixar de estar a defender tudo aquilo que fez pra trás, porque é inevitável que o que vem a seguir faça diferente.
Raquel.
Olha, eu muito rapidamente já percebi que estás a ficar enervado.
Não, estou bem.
Está enervado, só que com as coisas em inglês.
Ainda vamos concluir com o Alexandre.
Eu acho que isto é um padrão de Mário Centeno e do meu ponto de vista é um problema de caráter. E portanto, nem me vou fixar muito neste bate-boca do ex-governador com o atual governador, porque Mário Centeno já faz isto desde que nós o conhecemos. Mário Centeno chega a ministro das Finanças e não descansa enquanto não acaba com o prestígio do seu arquiemigo, o então governador do Banco de Portugal, recorda-me o nome que não me lembro agora. Carlos Costa. Sempre neste estilo, sempre com críticas enviesadas, com acusações que não se percebia muito bem qual era o fundamento. E no fundo, a razão de ser disso tudo era uma antiga guerra que ele teve com o então governador do Banco de Portugal, quando estava no gabinete de estudos, porque o então governador do Banco de Portugal não o nomeou presidente do gabinete de estudos. Depois chega a governador do Banco de Portugal e não descansa. Primeiro, começa a fazer uma espécie de uns relatórios que nunca até então tinham existido e que deixaram de existir depois dele sair A querer fazer a sua própria narrativa sobre a consequência das suas próprias políticas enquanto ministro das Finanças e nessa altura ainda era um ministro socialista das Finanças que ocupava o lugar, mas quando mudou o partido, passou a fazer críticas diretas ao atual ministro das Finanças, Miranda Sarmento, o que levantou justificadamente dúvidas sobre a credibilidade dos documentos que o Banco de Portugal, com Mário Centeno como governador, punha cá fora. E agora é mais do mesmo. Foi substituído, não queria sair do Banco de Portugal, foi substituído por alguém que ele acha que não é tão bom como ele, porque ele acha que é a última Coca-Cola do deserto ou a última bolacha do pacote, e portanto vai se entreter nos próximos tempos, ainda por cima agora não ocupa cargo nenhum de responsabilidade, em tentar descredibilizar o atual governador do Banco de Portugal. Portanto, do meu ponto de vista, é mais do mesmo.
Queres concluir, Alexandre?
Sim, porque há um episódio desta comissão, ainda por cima, juntando a isto, em que o Paulo Núncio, do CDS, levantou uma suspeita e pediu a investigação do Ministério Público e disse que achava que este negócio todo tinha que ser investigado, porque na altura a Fidelidade, que comprou os terrenos em hasta pública à Câmara de Lisboa, que é o promotor do negócio, comprou-os por 275 milhões de euros, 45% acima do valor de licitação do leilão. E o que o Paulo Núncio insinuou, com as letras todas, é que isto concorreu diretamente para que o governo tivesse apresentado o primeiro superávit da sua história, com Centeno, com o 0,1 em 2019, e que depois teria havido uma espécie de devolução desse favor, quando Centeno depois vai fazer esta compra e faz este negócio. Isto pode ser perfeitamente descabido. Atenção, é lá o que Paulo Núncio entendeu dizer. O que me preocupa foram as respostas de Mário Centeno. Mário Centeno claro que disse que aquilo era ridículo, e então disse o seguinte: "O excedente orçamental de 2019 foi conseguido em quase 100 mil milhões de euros de despesa pública. É ridículo do ponto de vista aritmético ver qualquer ligação." Diz que o negócio foi com o Estado. As câmaras não são Estado. "Não sabe a estrutura do Estado." Disse isto Mário Centeno. Ponto um: é claro que as câmaras são Estado. É preciso dizer isto a um ex-ministro das Finanças. E foi lembrado pelos deputados do PSD e que nas contas do Eurostat, esses valores entram para o-
Para o déficit
...para o déficit, exatamente, obrigado. E ponto dois: 100 mil milhões de euros? Seria o nosso superávit, está tudo louco, quem nos dera, devíamos ser para os Estados Unidos. O superávit foi de 400 milhões de euros, portanto, onde é que foi buscar este valor? E depois há uma outra coisa ridícula, eu acho isto ridículo, que Mário Centeno disse, não a propósito deste ponto, mas algures na audição, que é: para defender a sua escolha, disse: ele assinou um CPCV lá está, dois meses antes de sair do cargo. Foi fazer uma cerimónia do lançamento da primeira pedra, onde não havia obra nenhuma, uma coisa filmada pela equipa de audiovisual do BDP para ficar para a história. Ele deixou lá uma placa quando a obra nem tinha começado. Exatamente. E assinou um CPCV, um contrato promessa de compra e venda, pelo qual pagou 57 milhões de euros, o Banco de Portugal. Passou um ano, é claro que o imobiliário valorizou imenso, então ele diz assim: "Bem, isto valorizou já, segundo as contas, estes edifícios já valorizaram 10 milhões de euros." Não sei se acham que 10 milhões de euros é pouco na valorização do investimento para o qual se gastou 57 milhões de euros. Que contas são estas do ministro das Finanças? Então ele deu um sinal e acha que ficou dono dos imóveis, que se os vendesse um ano depois, tinha 10 milhões de euros em 57 que investiu? A gente fica com um imóvel pra vender quando pagou tudo, não quando deu um sinal. Enfim, estas contas todas me levantam mais suspeitas sobre a razoabilidade destas argumentações de Mário Centeno.
Vamos à tua nota.
A minha nota é um oito.
E amanhã há mais, "E o Vencedor É?", nas manhãs 360. Amanhã, com o Nuno Gonçalves Poças e com a Raquel Bacasis. Até amanhã.
Até amanhã.