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Está na hora da análise aos protagonistas da atualidade para avaliar e pontuar. Hoje estão conosco, além do José Manuel Fernandes, Miguel Pinheiro e também Rui Pedro Antunes e Carla Jorge Carvalho. Bom dia. A semana começa com negociações para o orçamento do Estado. Os partidos tentam arrumar a casa, mas houve uma outra casa que também se tentou arrumar este fim de semana: as Lojas do Cidadão. José Manuel Fernandes, tens algum vencedor para a casa aberta que se instalou nestes últimos dois dias?

Não, infelizmente, não tenho.

Não correu bem.

Não correu bem, não correu mesmo nada bem. Aquilo que se passou e que nós tivemos a oportunidade de ver foi que, de facto, intitulou-se Casa Aberta, um mecanismo em que as pessoas podiam dirigir-se às Lojas do Cidadão sem terem marcação, como podiam fazer nos postos de vacinação organizados pelo vice-almirante. Só que não acontecia o mesmo. Nos postos de vacinação, quem chegava era mesmo atendido, porque a logística estava montada para que toda a gente fosse atendida. Nas Lojas do Cidadão, quem chegava tinha que chegar muito cedo para ter direito a uma senha e quem chegasse à hora do pequeno-almoço já não tinha senha. E o resultado de já não ter senha era que ficava novamente sem a possibilidade de renovar o cartão de cidadão, tirar o passaporte e todas essas coisas para as quais haveria a Casa Aberta. E a secretária de Estado, confrontada com esta situação, disse candidamente: "Pois, é natural, há falta de pessoas, os serviços estão esgotados, não há mais gente." Mas qual é o papel da senhora secretária de Estado? A senhora secretária de Estado está lá para saber que se há falta de recursos humanos, é necessário colocar mais recursos humanos pra ter a Casa Aberta, porque foi isso que foi feito quando se criou essa figura de Casa Aberta nos postos de vacinação por todo o país. Foi colocar os recursos humanos necessários pra que todas as pessoas que chegassem fossem atendidas. Não é criar a ilusão de que todas as pessoas vão ser atendidas, ter pessoas a programar o seu fim de semana de forma a tentar resolver um problema que já não está a ser resolvido, porque tudo está acumulado em todo lado. Há pessoas, sobretudo de Lisboa e do Porto, que é onde a situação é mais complicada, que vão tirar o passaporte a Évora, à Guarda, a Viseu, a lugares assim, ou a Bragança, porque não conseguem tirar em Lisboa. Ou então esperam, se calhar é mais fácil e mais barato do que ir a Évora, Viseu ou Guarda, comprar um bilhete o mais barato possível para Londres, sei lá, porque agora é preciso passaporte pra Londres. Talvez se arranje um bilhete por 100 € e com o bilhete até o aeroporto e por outros 100 € tirar o passaporte no aeroporto e depois voltar pra casa sem usar o bilhete, porque assim talvez consiga ficar com isso do que gastar o que custa ir a Bragança, que é capaz de custar mais do que esses 200 € se for de automóvel até Bragança. E o tempo que isso exige. De facto, a situação é intolerável.

Não bastava mudar o nome da coisa pra Casa Aberta?

Casa Aberta.

Eu pensei que bastava mudar o nome, dar-lhe um nome fofinho e a coisa ficava resolvida.

Depois Porta Aberta.

Casa Aberta. Criou-se o-

Dantes chamava-se Tira Senha e Guarda a Vez. Agora chama-se Casa Aberta. Eu pensei que bastava mudar o nome e fazer uma campanha publicitária.

Eu acho que devia mudar o nome para Volta Amanhã.

Miguel Pinheiro.

Volta amanhã que é domingo.

Miguel Pinheiro, isto não correu bem.

Não correu bem, mas antes que se comece aqui a formar uma onda de: "Isto está a acontecer porque os serviços estão atafolhados de trabalho, porque houve uma pandemia durante um ano e meio", só relembrar que isto sempre foi assim. Qualquer pessoa que tenha tido que ir a uma Loja do Cidadão e que tenha chegado a uma hora que lhe tenha parecido normal, imaginemos, uma hora antes daquilo abrir, terá visto filas e filas de pessoas que estavam, muitas vezes à chuva e ao frio, desde as primeiras horas da madrugada, à espera que a Loja do Cidadão abrisse pra conseguir uma senha. Isto sempre aconteceu. E depois aqueles que tinham a felicidade de conseguir uma senha, ficavam horas intermináveis à espera. Não era uma hora, nem duas, nem três. Eram seis horas, sete horas à espera de ser atendidos. Portanto, isto sempre foi assim e por isso não venham agora com a conversa de que isto é porque durante a pandemia se acumulou muito trabalho e portanto os serviços estão no limite. Não, sempre estiveram assim, as Lojas do Cidadão sempre funcionaram assim. As poucas experiências, felizmente, que tive que ter com a Loja do Cidadão, porque tento interagir o menos possível com o Estado, mas as poucas experiências que tive foram todas assim. Por isso existe um problema estrutural com o atendimento que o Estado faz aos cidadãos. É sempre visto como um favor O Estado faz-nos sentir sempre que nos está a fazer um enorme favor. Nós é que estamos em falta. Nós é que precisamos de ir às 05:00, à chuva e ao frio, pra porta de uma loja do cidadão. Aliás, ontem via-se nas imagens, os portugueses já sabem o que é que a Casa Aberta gasta, porque eu vi nas imagens pessoas com aqueles banquinhos portáteis. As pessoas já sabiam, obviamente, o que as ia esperar. Já sabiam que iam para ali e iam ficar horas infinitas sem terem onde se sentar, sem condições decentes para ficar à espera. Por isso, acima de tudo, que a senhora secretária de Estado da Modernização não venha com estas conversas de que isto é por causa da pandemia. Não é por causa da pandemia.

A pandemia vai ter as costas largas para muitos temas durante muito tempo.

Então não vai. Por isso, vai o clássico quatro da minha parte pra secretária de Estado da Modernização. Antes que o José Manuel dê a nota dele.

Antes de Bastos, já. Chegou mais cedo o Miguel Pinheiro. O Miguel Pinheiro tirou a sanha e dá um quatro à secretária de Estado da Modernização. José Manuel Fernandes, que nota é que preparaste e para quem? José Manuel? Nós ouvimos os cães do José Manuel Fernandes.

Desculpa lá, faço coro.

Outro quatro. Muito bem. Dois chumbos diretos a abrir este e o vencedor é... Será que ao nível das lideranças partidárias, Júlio Magalhães, estás mais generoso?

Mais ou menos. Nem por isso. Ia dar até 15 às eleições autárquicas, porque vieram baralhar os partidos todos e agora até estava a ouvir-vos e a achar que o que se devia fazer mesmo era uma casa aberta nos partidos, porque está aberta a corrida às lideranças, ainda que encapotadas, sem serem claras e sem serem óbvias. Ontem, no Público, a Ana Sá Lopes tem um título que eu acho que é feliz: "Todos os partidos estão infelizes à sua maneira", é o título da sua crônica. E na verdade é, o PCP e o Bloco de Esquerda ainda não sabem como justificar este desaire eleitoral e agarram-se agora ao orçamento para limpar um bocadinho a imagem. Os partidos mais pequenos também julgaram que iam ter momentos de glória nestas eleições, não o tiveram. O CDS acha que ganhou mantendo as seis câmaras, mas a verdade é que neste fim de semana só se fala da corrida à liderança do CDS, com muitos a porem em causa o líder do CDS e até um título a dizer que os aficionados de Paulo Portas, os portistas, estão a preparar uma debandada do partido e Nuno Melo está ali à porta. No PS, enfim, é aquilo que a gente sabe, nem o PS nem o PSD, pelos vistos, conseguiram prever aquilo que ia acontecer. Andam tanto em estratégias políticas e depois não conseguem prever o que acontece. A verdade é que no PS esperava-se uma vitória rotunda e, portanto, Pedro Nuno Santos andava a fazer a sua campanha pra 2022 e afinal parece que as suas ambições a estas eleições podem apressar as suas ambições, enquanto Costa tenta lançar uma mulher para a liderança. E no PSD andavam a fazer campanha à espera de uma estrondosa derrota de Rui Rio e afinal essa derrota não aconteceu. E agora anda-se aqui num impasse e esta falta de previsibilidade e de clareza está a dar azo a jogos políticos, que o Rui vai falar a seguir com toda a certeza sobre as declarações que foram feitas este fim de semana por três membros do PSD, pra além de outros de outros partidos. E é só pra dar nota, de facto, às eleições autárquicas, que vieram trazer um bocadinho da pouca qualidade que a política portuguesa tem e que se perde nestas estratégias, nesta falta final de previsibilidade e depois nesta falta de clareza. Por que Nuno Melo, apesar de tudo, não há de dizer que é já candidato? Por que Paulo Rangel não pode dizer que é candidato e que vai ao congresso? Ontem Marques Mendes até dizia que era bom pro partido ter candidatos, que se discutam as ideias do partido. Por que que mesmo Pedro Nuno Santos ou algum outro apoiante de Costa, ou que esteja na linha ideológica de Costa, não pode dizer: "Eu em 2022 quero ser candidato ou quero ir à liderança do partido para concorrer a um congresso." É esta falta de clareza, esta falta de qualidade da política, que depois vai afastando as pessoas da política. E quando se fala em remodelação do governo, de facto, o problema não é remodelar, se calhar, o governo e tirar de lá ministros que não estão a cumprir o seu papel. O problema mesmo é arranjar quem entre para o governo ou quem queira ir para o governo ou mesmo para a política. Portanto, uma nota 15 para as eleições autárquicas, que vieram dizer que os partidos estão muito metidos em si e com muita pouca capacidade para planearem, preverem e estruturarem-se para o futuro e sobretudo para fazerem mobilização dos portugueses e por isso a abstenção não é nada, mas mesmo nada de espantar em Portugal.

Rui Pedro, tu tens acompanhado, de facto, estas movimentações em quase todos os partidos. Queres centrar-te no PSD? Tens um vencedor?

Sim, mais ou menos. Já agora, e só pra fechar o assunto anterior do programa Volto Já ou Casa Aberta, como é que se chama?

Ou Volta Amanhã.

Volta Amanhã, exatamente. Com base nessa questão, eu acho que o vice-almirante Gouveia e Melo agora tá um bocadinho livre, já que não vai pra chefe da Armada, pelo menos pra já. Podíamos metê-lo a organizar a coisa. Ele agora já ganhou um Globo de Ouro e tudo, já tá lançada a candidatura dele a Belém pra daqui a quatro anos.

Até lá tem tempo.

Tem tempo. Tem que estar ocupado com alguma coisa. Vamos imaginar o vice-almirante a dar um cartão de cidadão a cada português e fica tudo bem.

Aquilo a funcionar.

Nem sequer é preciso uma PPP para gerir os cartões de cidadão nem nada. Fica aqui a minha sugestão do vice-almirante Côva Mello liderar essa grande operação nacional para que toda a gente tenha um cartão de cidadão a tempo e horas.

Depois desta proposta de desburocratização, Rui Pedro Antunes.

Como já vos disse, estava a ver os Globos de Ouro. Lamento, mas o meu vencedor não é ninguém com ligações à SIC, como acontece nessa gala.

Não é Marques Mendes, portanto.

Não. Mas também podemos falar dele. Começando pela nota, vou dar um oito a Rui Rio. Às vezes as pessoas têm uma nota negativa sem terem uma ação direta e sem terem propriamente uma culpa própria, mas a culpa é das circunstâncias. E este fim de semana, de facto, houve vários sinais para Rui Rio, ao contrário do fim de semana anterior, em que ele foi um claro vencedor, porque embora tenha perdido as eleições de uma forma genérica, teve um resultado que foi positivo e é impossível não o dizer. Este fim de semana as coisas correram um bocadinho ao contrário. Na sexta-feira à noite, no início do fim de semana, tivemos Nuno Morais Sarmento, permitam-me aqui o trocadilho, a abrir uma caixa de Pandora e disse no Expresso da meia-noite que a candidatura de Rui Rio não é certa, que não dá como certa a recandidatura de Rui Rio. E disse também que a eventual candidatura ou as movimentações de Paulo Rangel não são uma deslealdade. Isto contraria o que disse David Justino durante a semana no Público e por isso isso também é um ponto, de certa forma, negativo para Rui Rio, porque tem dois vice-presidentes a dizer duas coisas. Um diz que o adversário é desleal, o outro diz que não é deslealdade nenhuma. Depois tivemos Luís Montenegro a dizer que não avança, também numa entrevista ao JN e à TSF, que não avança, mas que é preciso mudar Rui Rio. A dizer que por ele não avança, o que à partida também não é bom para Rui Rio, porque um avanço de Luís Montenegro e de Paulo Rangel significaria sempre uma divisão do espaço não Rio no PSD e a probabilidade de Rui Rio poder ganhar à primeira volta poderia ser superior, em caso de avançar, naturalmente. E depois, quem ganha a primeira volta no PSD, quando isso aconteceu, e é raro, ganha um élan para a segunda e não aconteceu aquela coisa que nós sabemos das presidenciais de 86 entre Freitas do Amaral e Mário Soares. E depois, por fim, apoiantes de Rui Rio dirão que o apoio de Miguel Relvas a Paulo Rangel, ou uma sugestão de apoio, é bom para Rui Rio. Mas de facto, Miguel Relvas veio dizer que Paulo Rangel é o que está melhor colocado. Este fim de semana também na TVI. E eu acho que neste aspeto, Paulo Rangel recebeu aqui uma série de sugestões de apoio que podem ser importantes e por isso Rui Rio perde aqui um bocadinho aquele élan que trazia do fim de semana anterior e a juntar a isto, o Júlio falava disso há minutos, Marques Mendes, que também não podemos esquecer, que também foi líder do partido, diz que vão avançar os dois, portanto Rui Rio e Paulo Rangel vão avançar, e diz que Paulo Rangel avançar é positivo e saudável, e diz que embora Rui Rio tenha ganho, Paulo Rangel presta um bom serviço. E por quê? Ele diz que o partido, apesar de ter tido uma vitória política, é preciso questionar algumas coisas. E que coisas são essas, diz Marques Mendes. Será que quer continuar a ter uma oposição frouxa? Vai continuar a deixar o PS à solta? Sem tomar partido, Marques Mendes claramente critica de forma clara aquilo que é a liderança de Rui Rio e também aí, mais uma vez, um ponto mais para Paulo Rangel e menos para Rui Rio. Vamos ver como é que ele se sai. Tem um debate daqueles não quinzenais, por ele próprio, ele próprio ajudou a acabar com os debates quinzenais em que podia atacar António Costa, mas vamos ter esta semana esse debate e Rui Rio pode usar o palco de líder do partido para tentar ter ali algum destaque. Vai ser importante antes do Conselho Nacional da próxima semana.

E para já, porque ainda não vimos essa prestação, resolves dar um oito a Rui Rio. A questão, Paulo Ferreira, ouvimos também a ti, é se os partidos da oposição estão tão ocupados com a questão das lideranças, se o governo vai passando entre as gotas da chuva quando se está a discutir um orçamento de Estado.

Sem dúvida. Aliás, os partidos da oposição, os da direita, têm uma tendência um bocadinho autofágica e passam a vida, às vezes, a dar tiros nos pés. E eu queria falar, de facto, de tiros e de armas, para assinalar a abertura oficial da época da caça ao leão, que foi na semana passada. O tiro de partida também desta época de caça foi dado por Pedro Nuno Santos, de forma muito visível, muito vocal. E o Expresso desta semana também já nos informava que aquelas críticas do ministro das Infraestruturas não eram isoladas e que crescia a contestação ao ministro das Finanças no PS e no governo. O Expresso fala-nos que em áreas como a da Defesa, Administração Pública, passando pelo Ambiente e pela Saúde, isto é, quase todas. Ou mesmo de autarcas, há muitas queixas sobre João Leão, ministro das Finanças, e até citava um anônimo socialista que dizia: "Não podemos estar a anunciar quatro hospitais há seis anos e não haver nenhum tijolo". Isto são socialistas que dizem. E para outro socialista, também em off, dizia que vai ser mesmo preciso mostrar obra feita e para isso é preciso ter um ministro das Finanças alinhado com o governo. Isto é um clássico nalguns governos, neste caso alinhado com o governo. Lá esse é o ministro das Finanças que vai distribuindo dinheiro de forma abundante para se fazer a tal obra, que permita não só satisfazer clientelas, aqui clientelas políticas, não há aqui nenhuma suspeita de De malfeitorias, mas também para permitir ir cortando umas fitas de vez em quando, fazer umas inaugurações, que é aquilo que os políticos, deputados e autarcas gostam de fazer. Isto é um clássico. De facto, quando há ministros das Finanças que têm mão firme no controle da despesa, que não deixam gastar tudo aquilo que as áreas setoriais querem, e é legítimo. Atenção, este braço de ferro é legítimo. Obviamente que o ministro da Educação quer sempre mais dinheiro para a sua área, o ministro da Administração Interna e da ESPAS, e por aí fora. Depois há um ministro das Finanças que tem que fazer as contas àquilo tudo, não pode andar a distribuir cheques por aí, porque as contas depois no final têm que bater certas. E nós habituámo-nos durante muitos anos a que as contas não batessem certo. E parece que há pessoas, neste caso no PS, dentro do governo e fora dele, que se esquecem disso. Quem faz o controle da despesa, ministros das Finanças fortes acabam sempre por ser odiados dentro dos governos, dos países e dos partidos que estão no governo. O que se passa aqui? Com João Leão, como já anteriormente a Mário Centeno, a contestação é essa, sendo que João Leão não criou ainda um estatuto dentro do governo e do partido que Mário Centeno criou logo no início. E Mário Centeno criou, de alguma forma, porque o ciclo político também assim levava. O PS parece começar a esquecer-se agora que a última vez que governou o país, deixou o país à beira da bancarrota, chamou a troika, entregou as chaves e disse: "Agora tomem lá." Desculpem, o PSD com o CDS, para gerir essa situação. Entre esse momento e agora 2020 ou 2021, o PS deu alguma volta, conseguiu pôr as contas na ordem. Tivemos um brilharete com a excedente em 2019 e isto permitiu que António Costa, há pouco tempo, há um mês, no Congresso do PS, um mês e meio, dois meses, tanto, tivesse afirmado o seguinte: os famosos mercados confiam no PS e na nossa política. Isso disse António Costa no Congresso do PS. Os mesmos que aplaudiram de pé esta frase são os mesmos que agora querem correr com João Leão. Há uma história antiga que Miguel Lemos contava quando era ministro das Finanças. Miguel Lemos foi ministro das Finanças de Cavaco Silva no virar da década de 80 para 90, e ele contava uma história em privado, dizia ele com algum plebeísmo que eu vou aqui traduzir. Ele dizia que quando estava no governo, era ministro das Finanças, tinha as idas à casa de banho mais caras do mundo. Era uma anedota, uma piada. Mas por quê? Porque cada vez que eu saía, ausentava-me cinco minutos da sala do Conselho de Ministros, quando regressava, já tinham distribuído mais uns milhões de contos. Na altura era o conto, que era a segunda moeda que nós tínhamos depois do escudo. E é um pouco isto, o papel do ministro das Finanças muitas vezes é dizer que não. Portanto, eu queria dar aqui uma nota positiva a João Leão, queria dar um 14, porque basicamente se ele está a incomodar é porque está a trabalhar e está a fazer o seu papel. Pode-se depois discutir se ele devia ser mais ligeiro aqui, mais apertado ali, as opções que se tomam, mas o PS devia aprender com o passado, devia olhar para 2010 a 2011 e devia perceber que isto do bar aberto, por oposição, se quiser, à casa aberta. De bar aberto nas finanças e no orçamento é sempre uma má ideia e vamos criar problemas para o futuro. Portanto, João Leão, que se mantenha, que vá controlando, que vá cativando.

É um ministro cativante, Paulo.

É muito cativante. É preferível ter um ministro das Finanças cativante e que seja um leão do que ser um daqueles gatinhos fofinhos das redes sociais e do Facebook.

Então fica este incentivo ao ministro das Finanças, um 14 do Paulo Ferreira. José Manuel Fernandes, estamos com dois minutos antes do final de E o Vencedor É e queres ainda fazer uma referência, não sei se com nota, já que vais falar de professores, queres fazer uma referência à greve dos professores que está a acontecer hoje?

Sim, queria fazer uma breve referência, porque eu acho que fazer uma greve dos professores numa ponte é mesmo um sinal de que está tudo errado. Estamos no início do ano letivo. Já tivemos o início desse ano letivo marcado pelas greves do sindicato STOP. Agora temos uma série de sindicatos que nós nem conhecíamos. Eu já perdi a conta. Sinceramente, já perdi a conta. Um dia destes tenho que tentar ver, nem sei como é que consigo saber quantos sindicatos existem. Eu sei que há uns anos havia sindicatos de professores que eram literalmente meia dúzia e que só existiam para irem buscar dinheiro ao antigo Fundo Social Europeu, portanto, dinheiros para formação. Não existiam sequer com funções sindicais, quer dizer, eram literalmente criações de pessoas com fins que não tinham nada a ver com sindicalismo. Agora existem sindicatos que procuram complementar de uma forma, às vezes quase com radicalismo, sem estratégia nenhuma, aquilo que já é o radicalismo do Mário Nogueira, o tal STOP, e agora esse que já nem sei qual é o nome dele.

Sindicato Independente dos Professores e Educadores.

Professores e Educadores, STIPE, algo assim do gênero. E fazer uma greve a uma segunda-feira, permitindo que os senhores professores façam ponte, vão para fora, ainda aproveitando uns dias que prometiam que eram de chuva, mas que afinal não tiveram tanta chuva como isso, é o pior sinal que pode ser enviado a toda a gente, sobretudo depois de dois anos tão maus que o sistema educativo teve, em que há tanto a fazer para recuperar a educação das crianças, em que há imenso trabalho deixado para trás, em que é preciso, de facto, olhar para o que se está a passar nas escolas e com os nossos filhos. E de repente, tivemos greves do STOP em setembro, temos agora esta greve deste sindicato novo numa ponte. E depois os professores, se calhar, aqueles que faltam, vão dizer que tiveram uma adesão muito grande, mas isto às vezes nem é adesão, porque como se sabe, muitas vezes os números de adesão às greves são feitos com truques, porque há muitos truques para fingir não comparecer na escola sem dizer que se fez greve.

Mas há essa perturbação no funcionamento das escolas.

Mas há uma perturbação enorme. Acho isto uma crueldade para com os alunos, de todos os graus de ensino. Quem faz isto não merecia ser sequer professor.

José Manuel Fernandes.

Portanto, vai um zero para este sindicato e para este espírito que dá cabo do prestígio dos próprios professores.

E fica feita então a ronda pelos vencedores desta segunda-feira. Amanhã é feriado. Estamos de regresso na quarta-feira. Até lá.