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Yuven Storé na Rádio Observador, com Judite França, Anselmo Crespo e Raquel Lacassis. E nesta edição temos dois grandes temas: a flotilha e a sondagem sobre as autárquicas em Lisboa, sondagem da SIC e do Expresso. E vamos ter tempo ainda para falar do apelo que ouvimos esta tarde lançado por Vasco Lourenço para uma unidade de esquerda no apoio a António José Seguro. Arrancamos pela sondagem do Iskep para o Expresso e para a SIC. Carlos Moedas e Alexandre Leitão estão empatados nas intenções de voto com 28%, 11% de indecisos, que depois de distribuídos dá uma ligeira vantagem a Moedas, 36% contra 35% de Alexandre Leitão. Em julho, Moedas estava à frente por cerca de cinco pontos percentuais neste mesmo barómetro. Os candidatos do Chega e da CDU também sobem nas intenções de voto, quando comparado com julho. A avaliar por estes resultados, Raquel Lacassis, está, como nós costumamos dizer, tudo em aberto, mas parece que Alexandre Leitão está a beneficiar de um incumbente que parece com pouca força, pouco empenho nesta campanha.
É, eu vou começar por uma piada de algibeira.
Uhum. É para isso que cá estamos.
Tinha vontade de chegar a notas nestas eleições.
Uau, ficamos por aqui. Um abraço a todos.
E corre o risco de ficar moedinhas, como lhe chamaram logo a seguir de ser eleito.
Ainda juntaste a algibeira.
Na imprensa nacional. Porque a tendência que estas sondagens mostram, esta que saiu hoje e duas que estão para sair nas próximas horas, é que a vantagem com que Carlos Moedas partiu para estas eleições está a reduzir-se até um ponto que não sabemos se não corre mesmo o risco de não ganhar estas eleições. É evidente que pelo meio, antes destas sondagens, houve de facto o acidente no Elevador da Glória. E eu acredito que estas sondagens reflitam já essa situação.
Sim, já foi depois.
Sim, foram tudo trabalhos-
A recolha foi entre 13 e 23 de setembro.
Mas as anteriores que saíam a dar uma grande vantagem a Carlos Moedas foram antes do verão e, portanto, antes desse acidente. É óbvio que isso haveria de ter algum impacto nas opções dos eleitores. A questão é se o impacto que tiveram reflete o acidente ou reflete a reação ao acidente. E eu acho que essa é uma questão sobre a qual o atual presidente da Câmara de Lisboa deveria refletir, deveria pensar como é que deve adaptar a sua campanha às atuais circunstâncias e deve pensar ou deve recordar a última campanha eleitoral que fez, onde também ele, tal como agora Alexandre Leitão, partiu para uma corrida com uma derrota praticamente certa. E depois acabou por vencer as eleições, até segundo o próprio, de forma completamente inesperada, não estava preparado para isso. E aquilo que se verificou é que Fernando Medina deu a vitória por garantida. Parece-me que independentemente da questão do Elevador da Glória, e se calhar também na reação que Carlos Moedas teve a esse acidente e à forma como foi respondendo às perguntas da oposição na Câmara de Lisboa, como decidiu marcar uma reunião já para depois das eleições, que lhe tinha sido pedida pelo Partido Socialista para analisar os novos dados que foram entretanto saindo. Parece-me que tudo isso é uma repetição de erros que há quatro anos Fernando Medina também fez e que lhe correram muito mal. Nós não vemos praticamente, aliás, estava há bocado a ouvir, penso que aqui na Rádio Observador, alguém comentar sobre a campanha de Lisboa, em que praticamente não se veem cartazes de Carlos Moedas, não se vê campanha na rua. Exatamente. Não se vê campanha na rua e eu acho que isto pode correr muito mal a Carlos Moedas e eu diria quase que o pior que lhe pode acontecer, mais do que perder, é ganhar da mesma maneira que ganhou há quatro anos.
Por poucos, como aconteceu agora.
Por poucos, com poucas condições para fazer alguma coisa na cidade.
Anselmo.
Olha, eu há quatro anos aprendi uma lição precisamente nas autárquicas de Lisboa, que foi nunca mais fazer prognósticos.
Nem ir à praça.
Nem ir à praça. Porque eu há quatro anos passei toda a campanha a dizer que Carlos Moedas não ia ser eleito presidente da Câmara e Carlos Moedas foi eleito presidente da Câmara. E eu tinha boas razões para ter aquela análise na altura. Como eu acho que agora também há boas razões pra achar que tudo está a jogar contra Carlos Moedas. E eu admito que esse possa ser um cenário que a Raquel colocava, que é ele provar do próprio veneno que deu a provar a Fernando Medina há quatro anos. E mais até do que as causas que estiveram na origem do acidente do Elevador da Glória, a gestão que Carlos Moedas faz, a gestão política, mas sobretudo, que é uma componente muito importante quando estás em campanha eleitoral, a gestão de comunicação que Carlos Moedas fez, acho que virou um bocadinho o jogo que Alexandra Leitão era a radical e Carlos Moedas era o moderado e toda a forma como Carlos Moedas geriu este episódio do Elevador da Glória, de repente, fez de Carlos Moedas um radical e de Alexandra Leitão a moderada. Ela é que não quer a demissão e Carlos Moedas é que está num pick up fight permanente com a oposição de marcar reuniões para depois das eleições e de não querer responder, enfim Tudo aquilo foi desastroso. Não tenho muitas certezas sobre qual é o verdadeiro impacto que isto tem do ponto de vista eleitoral. Nós sabemos que as dinâmicas são diferentes de município para município. O tipo de pessoas, o tipo de eleitor que não falha o dia das eleições em Lisboa é muito específico. Lisboa é composta por vários estratos sociais, por vários tipos de eleitores. Durante muitos anos, o PS tinha uma implantação muito grande em Lisboa, muito à conta de pessoas que viviam com muitos apoios da câmara, ou porque tinham habitação social, ou porque tinham apoios camarários. E havia uma rede do Partido Socialista, uma rede não no mau sentido, naturalmente. Mas o Partido Socialista estava muito bem implantado em Lisboa e isso garantiu-lhe vitórias sucessivas durante anos e anos. Isso quebrou-se com Fernando Medina. E eu tenho muita dificuldade, neste momento, em perceber exatamente qual é a realidade do eleitorado em Lisboa. Agora, a realidade, neste momento, da campanha de Carlos Moedas é que de facto as coisas não estão a correr bem, que Carlos Moedas trouxe a Ayuso a Lisboa, quis fazer um megaevento esta semana e nem sequer uma sala conseguiu encher.
Teve meia sala.
E repara, nós estamos a falar de um candidato que tem uma coligação atrás dele, não é o PSD.
É que tem as máquinas todas de Lisboa.
As máquinas partidárias do PSD, do CDS, da Iniciativa Liberal com o Carlos Moedas, e mesmo assim não consegue sequer encher uma sala naquele que devia ser o grande momento da campanha. Mais uma vez, isto vale o que vale. Nós sabemos que estas salas são cheias de pessoas já doutrinadas. Não são propriamente eleitores indecisos.
Mas um evento com a Ayuso também era para isso mesmo. Era já para os doutrinados.
Tu lembras-te quando Carlos Moedas foi ajudar a Ayuso a Madrid?
Sim.
Ele faz um discurso, aliás, épico, muito melhor a discursar em castelhano do que em português, é preciso dizer. Mas Carlos Moedas faz um discurso muito bom na campanha da Ayuso, mas era uma praça cheia de gente. E agora a Ayuso deve ter chegado aqui, deve ter ficado meio chocada com aquilo que encontrou em Lisboa quando vem para ajudar Carlos Moedas. Portanto, a ideia geral é de que a campanha a Carlos Moedas não está a correr bem para além do episódio do Elevador da Glória. E eu não sei muito bem o que é que Carlos Moedas tem ainda para apresentar daqui até ao fim da campanha, porque ele, no momento em que se prepara para dar o salto para pedir maioria absoluta, eu acho que ele neste momento tem que recuar e tentar ganhar. Quer dizer, já nem é um tema de maioria absoluta.
Ele já está, aliás, a fazer constantes apelos à mobilização para as pessoas irem votar. Eu acho que ele próprio já tem, mesmo antes desta sondagem, aliás, nesse comício com a Ayuso, em que ele deve ter olhado para a sala e deve ter percebido, a grande mensagem que sai de Carlos Moedas é: mobilizem-se, têm que ir votar.
Mobilizem-se os seus. Mesmo os próprios, mesmo a máquina partidária.
Claro.
Judite, a tua avaliação também sobre esta.
Eu acho que José Luís Carneiro hoje apareceu contente e acho que tem algumas razões para aparecer assim.
E não tem tido muitas ultimamente.
E não tem tido muitas. É evidente que se olharmos para as sondagens que vão sair hoje, não há nada de espetacular, mas temos uma sondagem que inverte o sentido e isso é o suficiente. É o suficiente para sentir que há uma mudança nestes últimos meses, ou seja, há três ou há seis meses, ninguém diria que o PS podia estar aqui porque as sondagens eram muito mais favoráveis a Carlos Moedas. E, portanto, eu acho que neste momento há uma hipótese de o PS ganhar a Câmara Municipal e isso é de facto diferente daquilo que há uns meses poderia dizer. E, portanto, percebo que de facto José Luís Carneiro tenha razões para sorrir e hoje de facto está muito contente com esta hipótese. Acho que também Alexandra Leitão tem feito uma campanha inteligente e ela tem-se dado a conhecer.
Mas não tem estado bem, por exemplo, nos debates.
Não tem estado tão bem nos debates, mas é o suficiente para se dar a conhecer. E eu acho que ela precisava disso.
E o estar bem ou não estar bem, uma coisa é a avaliação da bolha, somos nós, outra coisa é a avaliação das pessoas, porque também há quatro anos toda a gente deu sempre o Carlos Moedas como derrotado nos debates. Todos.
Sim, e a nossa avaliação também é sempre muito fina. Andamos ali à procura das entrelinhas e eu acho que Alexandra Leitão tem de facto que se dar a conhecer.
Tinha um rótulo e ela, como dizia a Orselina, tem estado em campanha a retirar esse rótulo de cima de si. Mesmo na reação que teve a esta sondagem. Ela é muito prudente, ela não canta vitória, ela nem sequer dá a vitória como provável e usa a estratégia de dizer que isto é o resultado da má gestão de Carlos Moedas e não tenta puxar os louros para si, o que é inteligente.
E João Ferreira ganha um bocadinho nesta sondagem, o candidato da CDU. Raquel, João Ferreira poderá ajudar Alexandra Leitão a ganhar ou a perder?
Não, eu acho que João Ferreira pode ajudar Alexandra Leitão a perder, não a ganhar. A questão que eu acho que se começa a tornar um carma para a CDU ou para o PCP, é que apesar da qualidade dos candidatos, e eu acho que ninguém tem dúvidas que João Ferreira é talvez o melhor candidato no conhecimento dos dossiês, na forma como debate, como tem ideias claras para cada um dos temas da cidade. Ninguém tem dúvidas das qualidades que ele tem. Agora, se isso depois se reverte em votos ou não, essa é a grande questão. Ultimamente não tem acontecido com o Partido Comunista.
E vais ver um apelo ao voto útil.
É porque João Ferreira recupera um bocado nesta sondagem em relação a sondagens anteriores, mas este resultado é um mau resultado para o PCP. O PCP neste momento tem dois vereadores na Câmara de Lisboa e com este resultado apenas elege um.
Para o PCP nunca é um mau resultado.
Também já são águas passadas.
Até aí, eu acho que Carlos Moedas tem uma vantagem em relação à Alexandra Leitão, é porque de facto Alexandra Leitão Pode não ser presidente da Câmara por causa do PCP ou da CDU, coisa que eu acho que não se aplicará em relação ao candidato do CHEGA.
O CHEGA não vai contar para este-
Acho que não vai contar nunca tanto como contará João Ferreira. Nesse sentido, não estou a dizer que o CHEGA aparece na sondagem até com a possibilidade de eleger. Mas enfim, acho que apesar de tudo, é mais importante à esquerda a candidatura de João Ferreira e não por acaso João Ferreira e Alexandra Leitão passam os dias deles a falar um para o outro, mais do que a falar para Carlos Moedas. E também desse ponto de vista, se Carlos Moedas não conseguir reconquistar a Câmara, não só é uma grande derrota para Carlos Moedas, mas é uma grande derrota para Luís Montenegro e para o PSD.
Por isso é que estamos aqui a falar disso.
Esta questão da mobilização ou da falta dela, eu não sei muito bem, porque Luís Montenegro e o PSD ganharem a Associação Nacional de Municípios nunca foi uma bitola que eles tenham colocado. Portanto, se não ganharem Lisboa, e ganhar Lisboa significa manter a Câmara, não significa ganhar ou reconquistar.
E tens o Porto.
Se não ganhar o Porto e sobretudo, que é onde eu acho que estas eleições vão ser muito interessantes de analisar, que é os concelhos limítrofes da área metropolitana de Lisboa e da área metropolitana do Porto. Se não for aí, isso significa uma mensagem, uma leitura política nacional muito mais dramática para o PSD. E também desse ponto de vista, eu não percebo muito bem o que o PSD está a fazer em Lisboa, porque se há coisa que neste momento devia estar a fazer era apoiar Carlos Moedas e não me parece que isso esteja a acontecer.
Neste momento era a carne toda no assador, era todos os dias na rua.
O Rui Pedro Paco Escolho vai estar na Amadora com a Susana Garcia. Não consta que vai estar com Carlos Moedas, pelo menos até ao momento.
Não estará, seguramente.
Mas percebem onde eu quero chegar? Nós não temos visto propriamente.
Mas Montenegro? Está agora na Dinamarca, mas devia voltar.
Não temos visto propriamente uma grande mobilização à volta de Carlos Moedas.
Eu acho que há quatro anos, apesar do ótimo resultado que o Partido Socialista teve, a derrota em Lisboa significou uma leitura para o país todo de uma derrota do Partido Socialista.
E foi por muito pouco.
E foi por muito pouco, mas quer dizer, Rui Rio era um homem vitorioso naquela noite porque conquistou a Câmara de Lisboa.
E Lisboa tem esse peso político.
Tem esse peso político como tem o Porto.
E é muito curioso que temos aqui claramente os três blocos, neste caso dois blocos, representados por Alexandra Leitão e Carlos Moedas, a disputar a mesma área. A mesma área, quer dizer, a mesma Câmara.
E se tu olhares para a questão de Lisboa e olhares para a questão do Porto, em que está renhido nos dois, mas muito renhido, isto pode dar para os dois lados. E pode ser a derrota de Luís Montenegro, ou pode ser uma grande vitória de José Luís Carneiro. Portanto, o dia 13 vai ser um dia absolutamente espetacular do ponto de vista da análise.
E no dia 12, cá estaremos à noite a contar horas e votos. Já estamos a ver que a noite vai ser longa, a noite eleitoral aqui na Rádio Observador. Às 18h30 vamos atualizar as notícias. A segunda parte do "E o Vencedor É?", ainda vamos falar da flotilha e do apelo de um capitão de Abril. Segunda parte de "E o Vencedor É?", na Rádio Observador, hoje com Judite França, Anselmo Crespo e Raquel Abecasis. E vamos a uma das notícias que marcaram as últimas 24 horas: a detenção de quatro portugueses que seguiam na flotilha em direção à Faixa de Gaza. Israel acabou com esta caravana marítima. Agora os portugueses estão detidos e devem ser repatriados. Ainda não sabemos bem quando isso irá ocorrer. Anselmo Crespo, há algum vencedor nisto? Alguém sai a ganhar nisto?
Eu estava à espera que tu me perguntasses isso. Eu vinha no caminho a pensar: "Mas Rei, para quem é que eu vou?"
Eu já estou previsível nesta nossa relação. É isso que estás a dizer.
Desde logo, porque isto chama-se "O Vencedor É?", tem que haver um vencedor. Eu vou já arrumar o vencedor. Eu acho que o governo português lidou bem com o assunto, genericamente e não só. Eu não vi nada, acho que o ministro dos Negócios Estrangeiros, o primeiro-ministro, estiveram bem, estão a fazer aparentemente tudo aquilo que é possível fazer para dar apoio aos portugueses que estavam embarcados nesta flotilha. Eu espero que eles regressem sãos e salvos, que não lhes tenha acontecido nada.
Mas não estão bem detidos, estão mais retidos.
Sim. O meu ponto aqui é-
Sim, quer dizer, mas estão obviamente em liberdade.
Foram recolhidos e vão ser devolvidos à procedência.
Tal como já tinha acontecido na flotilha anterior lá da Greta. O meu ponto aqui é: são ativistas, querem chamar a atenção por uma causa que eu em parte até considero nobre e em parte tem a ver com o povo palestiniano, não com o Hamas. Eu gostava muito de ter ouvido estes ativistas demarcarem-se objetivamente do Hamas e do terrorismo do Hamas, e não ouvi. É um facto. Mas enfim, são ativistas, acharam que esta era a melhor forma, citando Luís Montenegro: "Eu não teria feito as coisas desta forma, mas respeito quem acha que esta é a melhor forma de o fazer." Qual é o meu ponto? O principal objetivo, que não era, como toda a gente sabe, levar mantimentos e comida para a Palestina e para Gaza.
40 toneladas não chega.
O principal ponto nunca foi esse. Isso era só o pretexto para fazer esta viagem até lá, era sensibilizar o mundo para a causa palestiniana. Esse era o grande objetivo. Era pôr o mundo a falar da causa palestiniana e eventualmente até fazer pressão política. Por isso é que estavam lá eurodeputados e a nossa deputada Mariana Mortágua. Em que isso resultou? Agora que a viagem chegou ao fim, em que isso resultou? Nós estamos todos a falar da causa palestiniana por causa da flotilha? Não, nós estamos todos a falar da segurança dos portugueses que a bordo. É disso que nós estamos a falar há dois dias. Qual é a cobertura mediática que está a ser feita disso, a começar pelos próprios passageiros da flotilha, que tinham câmeras, que se filmaram e que fizeram vídeos? Era sobre a segurança deles, era sobre a vida deles, era sobre eles. Tudo isto foi sobre eles. Não foi sobre os palestinianos, não foi sobre as crianças que estão a morrer à fome na Palestina. Isto foi sobre eles e sobre usar esta flotilha e esta ação como uma forma de fazer combate político lá e cá, porque os responsáveis do Bloco de Esquerda que eu vejo na comunicação social nos últimos dois dias têm se entretido a fazer o quê? Criticar o Governo português porque devia ter feito e não fez. Criticar o Governo português devia ter reunido e não reuniu. Portanto, onde é que estão os palestinianos no meio desta causa toda? Onde é que eles estão? Porque esse era o grande propósito. Se o grande propósito era alertar para o que se está a passar na Palestina, então não é estarmos todos aqui preocupados com se a flotilha chegou ou não chegou, se foram presos, não foram detidos, se vêm, como é que vêm, quando é que não vêm. E agora dizemos assim: mas isto é muito surpreendente. Não, antes de eles arrancarem já nós sabíamos que isto ia acabar assim. Primeiro, porque já tinha acontecido. E eles também. Já tinha acontecido. E eles tanto sabiam que ia acabar assim, que tiveram o cuidado de gravar vídeos antes sequer de serem detidos ou de serem levados para onde quer que tenham sido levados. Portanto, eu acho que isto foi um ato falhado naquela que era a causa principal, a não ser que a causa principal fosse sempre uma cortina de fumo.
E tens alguma nota?
Tenho. Para o Governo português eu dou um 15, porque eu acho que genericamente lidou bem com a situação, fez o que tinha a fazer, quando tinha que o fazer, não fez mais porque eu também acho que não tinha que fazer mais e portanto acho que genericamente o Governo lidou bem com esta situação e não partilho nada daquelas leituras que dizem que isto vai estragar os planos de paz para o Médio Oriente. Está tudo louco. Eu ouvi pessoas a dissertar sobre o impacto que isto podia ter. Agora Israel já não vai aceitar um acordo de paz para o Médio Oriente. Está tudo maluco.
Judite.
Eu concordo com o Anselmo. Acho, de facto, que o objetivo era mostrar o que um determinado Estado faz em Gaza, mas o que um determinado Estado faz a ativistas nesta circunstância. E queria mostrar que é um Estado violento, nem houve violência, foi tudo mais ou menos pacífico. Eles sabiam o que ia acontecer, sabiam como iam reagir. Ninguém quer reagir de outra forma. As imagens da Greta foram-
Já foram repetidas, porque ela já tinha ido na outra.
Já, ela já sabe como é. Não há comportamento diferente ali e, portanto, eu acho que aquilo que nós estávamos à espera que acontecesse, aconteceu e podemos passar para a próxima.
Tens alguma nota?
Eu vou aproveitar aquilo que o Anselmo fez e vou dar nota ao governo português, que acho que se comportou como devia.
Raquel.
Olha, eu, para não estar a repetir o que os meus colegas de painel disseram.
Brilhantemente disseram.
Vou dissertar sobre
Já está a avisar.
Vou dissertar sobre o que aquilo foi. Nós já tivemos a nossa flotilha aqui em Portugal, tivemos o Mauritânia Express numa causa que toda a gente partilhava, que não ia carregaradinha de ideologia.
E que já era conhecida cá.
E na qual todos se reconheceram e que até teve o seu efeito.
Foi uma forma de chamar a atenção do mundo para aquilo.
Internacional, essa sim funcionou bem. Por que esta não podia funcionar bem nunca? Porque aquilo ia carregaradinho de ideologia. Qualquer um de nós que esteja de acordo que a situação em Gaza é impossível, que Israel está a abusar do poder militar que tem, que não pode fazer aquilo, qualquer um de nós, acho eu, nenhum de nós entrava naqueles barcos. E não entrava porque não se revia na companhia, porque aquilo eram não sei quantos barcos carregaradinhos de extrema-esquerda, que nos seus países está a perder a olhos vistos e que encontrou ali uma forma de tentar ressuscitar. Se aconteceu a todos o que aconteceu ao Bloco de Esquerda e à Mariana Mortágua, não resultou. Do ponto de vista de dinamizar a sociedade civil para uma causa, também não resultou. E portanto, eu acho que aquilo foi um passeio ideológico aos mares, às proximidades da Faixa de Gaza, para ver se conseguiam ganhar algum impacto internacional.
Vamos à tua nota, Raquel, porque eu sei que ainda temos que ir falar do apelo.
A minha nota é um três para a flotilha.
Um três. Então vamos agora ao apelo lançado esta tarde pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, que no fundo pede a António Filipe, o candidato presidencial apoiado pelo PCP, e a Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, que por favor desistam, apoiem António José Seguro. Judite de França, há aqui um sentido muito prático de Vasco Lourenço e esta até pode ser uma boa ideia para a esquerda?
É melhor do que a dispersão de candidatos e de votos. Porque a alternativa que existe é essa. Eu acho piada porque a dada altura, Vasco Lourenço diz mesmo, e eu vou ler: "Nem que seja preciso tapar a cara." Portanto, já usando a tática que foi usada em 86, e foi Álvaro Cunhal que disse: "Votem em Mário Soares, nem que seja preciso tapar a cara." E foi preciso na altura. Aqui eu acho piada à comparação, porque objetivamente a dispersão de votos à esquerda é prejudicial. Ver Vasco Lourenço a defender António José Seguro e a dizer ao António Filipe e à Catarina Martins para desistir, acho que prova bem a visão de alguma esquerda sobre aquilo que pode passar no dia das eleições, sobretudo sobre quem é que pode ou não ir à segunda volta.
Tens uma nota?
Tenho uma nota para Vasco Lourenço. Acho que Vasco Lourenço faz um papel importante aqui e vou lhe dar um 15.
Fica um 15. Anselmo Crespo.
Eu, que não costumo estar de acordo com Vasco Lourenço, desta vez percebo o racional que Vasco Lourenço está a aplicar. Estas eleições são completamente atípicas, diferentes de todas as outras que tivemos nos últimos anos e, portanto, o que ele está no fundo a dizer é: vamos antecipar a segunda volta para a primeira, vamos já resolver isto. Não é resolver isto à primeira volta, mas se queremos que o nosso candidato, ou pelo menos o candidato mais próximo da esquerda, vá à segunda volta, nós vamos ter que nos unir todos ainda na primeira e não apenas na segunda, correndo o risco de na segunda já não estar lá nenhum candidato que represente a esquerda. Portanto, eu acho que do ponto de vista da aritmética, Vasco Lourenço está a fazer bem as contas. Agora, não vejo como muito provável. O PCP, houve uma vez, ajuda-me lá, em 86, eu acho que o PCP desiste ainda na primeira volta, uns dias antes.
A resposta a essa pergunta está no novo podcast.
Já agora que está incrível para political junkies, aquilo é para ver como as séries da Netflix ou neste caso para ouvir. Estava a dizer, há um histórico disso. O PCP já desistiu uma vez antes da primeira volta em 86. Eu não sei se há grande margem para isso acontecer desta vez, ainda para mais o LIVRE ainda estava a pensar também apresentar um candidato. Portanto, eu acho que Vasco Lourenço desta vez está certo na leitura que está a fazer.
Dás uma nota para o coronel?
Eu dou um 12 a Vasco Lourenço pela sugestão.
Raquel.
Olha, eu rapidamente e na linha da Flutilha, acho que Vasco Lourenço, ao que nós chegamos, é a esquerda de bom senso.
Aí está a frase que pode fazer o título deste episódio.
Exatamente. E viu e está a ver aquilo em que a esquerda se está a tornar. A esquerda fazia bem em ouvir Vasco Lourenço. Ia também recomendar, de facto, que oiçam o brilhante podcast que está a passar na Rádio Observador.
A eleição mais louca de sempre.
Porque apesar de haver muitas décadas de distância, há muitas lições que dali se podem tirar e muitos erros que não se devem repetir.
Então vais dar uma positiva a Vasco Lourenço?
Vou dar um 18 a Vasco Lourenço, vê lá tu.
Raquel Pissis dá um 18 ao coronel Vasco Lourenço.
E eu dou um 20 ao podcast do Observador.
"A Eleição Mais Louca de Sempre", já está disponível o primeiro episódio. Os assinantes do Observador têm acesso a toda a série desde já. É o podcast que conta a história das eleições presidenciais de 1986, as únicas presidenciais até hoje decididas numa segunda volta. Na altura, Mário Soares e Freitas do Amaral foram os protagonistas dessa segunda volta dessas presidenciais, que dividiu praticamente o país ao meio e até se notava, pela forma de vestir, quem apoiava quem nessas presidenciais.
Deixa-me só dizer que na fase que estamos agora dessas eleições, também havia paletes de candidatos.
Exatamente. Está feito o "E o Vencedor É?", amanhã há mais, a partir das 08h30 nas manhãs 360 da Rádio Observador.