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Primeiro o programa eleitoral apresentado pelo AD, depois PSD e PS vão estar em debate. Aliás, já estiveram. Foram Mariana Vieira da Silva e Alexandre Poço. Edição especial de Youven Sorê com a Raquel Lopexiz e a Judite França, que se junta hoje à investigadora em Ciência Política Mafalda Pratas, que está aqui connosco. Bem-vinda, Mafalda Pratas. Começava precisamente por ti. Luís Montenegro esteve durante uma hora a passar em revista e a congratular-se com algumas das medidas que foram adotadas pelo governo ao longo do último ano, com críticas pelo meio a Pedro Nuno Santos, a dramatizar com o contexto internacional e a pôr a tónica na responsabilidade, no realismo e na ambição. Foi a apresentação de um programa eleitoral ou mais pareceu um comício, Mafalda?
Sim, acho que é sempre um comício também. É preciso aproveitar estes eventos para fazer campanha eleitoral e, no fundo, é para isso que o programa eleitoral serve também. Mas eu acho que esse tipo de dramatizações, quer de um lado, quer do outro, são um bocadinho excessivas e até artificiais, porque não é por razões internacionais nenhumas que cabe grande diferença entre o programa do PS e do PSD. E também me parece, eu obviamente não fiz as contas, o programa foi apresentado há menos de uma hora, mas do ponto de vista orçamental, não me parece que haja uma enorme diferença no programa do PS e do PSD, porque no que toca ao salário mínimo e aos complementos para os idosos, são relativamente semelhantes. E depois o que acontece é que o PS, se calhar, enfatiza mais outras áreas de despesa pública, enquanto o PSD prefere reduzir o IRC para 17% no geral e para 15% para as PME. Portanto, eu acho que no final das contas, não estou a ver uma grande diferença orçamental entre o PS e o PSD. Também achei curioso este recuo ligeiro do IRC relativamente ao que foi o ano passado e talvez indique que Montenegro está já a pensar que vai ter que negociar com o PS a seguir às eleições e que, portanto, não vai haver grande alteração do quadro parlamentar. E até o próprio programa, em geral, acho que é um programa relativamente centrista. Tem algumas medidas mais à direita, como a do IRC, mas fora isso, é um programa bastante próximo dos programas que, por exemplo, António Costa ou Pedro Nuno Santos têm apresentado também e que Rui Rio apresentou também. Portanto, acho que é um programa na linha de tudo isso. Eu não sou obviamente economista, mas eu queria fazer aqui uma referência que é a questão do IVA, que aparentemente agora está na moda fazer política através do IVA. O PS diz que temos que acabar com o IVA num cabaz essencial, agora o PSD acha que a solução para a habitação é fazer com que o IVA da construção passe a ser 6% e criam-se enormes exceções para isto e para aquilo e imensos produtos e serviços que têm taxas diferentes e as pessoas acham que estão a fazer política através do IVA. Eu não sei se esta é a forma mais inteligente de lidar com os diversos assuntos, que são os assuntos fundamentais, de um lado a habitação, do outro lado, talvez o rendimento das pessoas mais pobres, não sei. Acho que os partidos ficaram um bocadinho viciados nisto de fazer política através do IVA e eu não sou propriamente fã disso. E depois há a questão dos telemóveis, que de facto, como falaste, é uma questão que me parece haver alguma convergência também entre PS e PSD. Mas de certa maneira também me pareceu inteligente, do ponto de vista do Montenegro, salientar isso para o programa eleitoral e salientar isso na comunicação social hoje de manhã, já desde manhã, porque é uma medida que muita gente, muitos pais querem e que não associam aos políticos. Não é uma medida que está politizada e, portanto, pode ajudar a atrair algum eleitorado menos partidário e que não decide por razões partidárias, mas sim por outro tipo de medidas. Neste caso, uma medida que parece ser consensual.
E assim acabamos por escancarar as portas das 19h, a altura em que devíamos estar aqui a fazer uma atualização de notícias, mas ainda queria ouvir a Judite França e a Raquel Lopexiz aqui em dois minutos muito rápidos. Judite, que tema é que traz esta edição de Youven Sorê?
Eu trago o choque com a realidade orçamental, que não foi nada suave esta semana. Nós vivemos uma espécie de milagre econômico e orçamental durante algum tempo. Parecia que tínhamos descoberto petróleo em São Bento, porque tínhamos uma boa inflação, taxa de desemprego baixa, as receitas fiscais estavam a subir e com esta folga toda veio o alívio no IRS, o aumento nas pensões, a melhoria nos rendimentos dos funcionários públicos. A maré mudou e isto parece aquela altura em que no meio da festa um amigo te puxa de lado e diz: "Aproveita que isto vai acabar já a seguir". E de facto, o estado orçamental, que no ano passado era positivo, poderá chegar a zero já este ano e entrar em déficit em 2026. Foi aquilo que nós ouvimos do Conselho de Finanças Públicas. E depois podemos perguntar o que é que está a empurrar o país para o vermelho, mas como nós já estamos a chegar ao vermelho na nossa hora, eu deixo isso para segunda-feira.
Haveremos de explorar então na próxima edição de Youven Sorê, aqui na tarde política. Raquel Lopexiz, em 30 segundos.
Em 30 segundos, só dizer e até remeto, se calhar cometendo aqui um pecado noutro órgão de comunicação social, mas remeto as pessoas que nos estão a ouvir para lerem o editorial hoje do David Diniz no jornal Expresso, em que ele dá nota de uma coisa a que acabamos de assistir. Eu não sei que consequências é que a tempestade internacional vai ter, é que vão chegar aqui a Portugal e quando. E também não duvido, conforme se prometem os atuais governantes e eventualmente os próximos, de que farão tudo para que Portugal não entre outra vez em desequilíbrio. Mas há aqui uma coisa que ninguém está a dizer: é que provavelmente muitas destas coisas que se estão a prometer, se for preciso, não vão ser cumpridas. E, portanto, só dar aqui nota de que não percebo como é que um primeiro-ministro responsável consegue garantir que nos próximos quatro anos não vai haver déficit, a menos que esteja disponível para não cumprir nada do que hoje acabou de prometer.
Fica aí essa nota da Raquel Lopexiz. É um tema que seguramente haveremos de explorar em outras edições de Youven Sorê e também nos nossos espaços de entrevista. Fica por aqui esta edição, hoje mais reduzida, de Youven Sorê.