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"E o Vencedor É..." na Rádio Observador avalia e pontua os protagonistas da atualidade. Pode acompanhar "E o Vencedor É..." também com transmissão em vídeo nas nossas redes sociais. José Manuel Fernandes, Paulo Ferreira, Bruno Vieira Amaral e Ana San-Les escolhem e pontuam os protagonistas de hoje, moderação de Carla Jorge Carvalho. Bom dia, Carla.
Bom dia. Com a pergunta: estará o CHEGA preparado para eleições antecipadas? Vamos ainda falar da Santa Casa, mas também do Ministro da Educação, que ontem esteve praticamente em todo o lado a assinalar o início do ano letivo. Ana San-Les, é por ele que queres começar, pontuando Fernando Alexandre.
Sim, Fernando Alexandre ontem esteve em todo lado. Não ao mesmo tempo, felizmente. Este não é um tema de que eu falo habitualmente, mas acho que o ministro até merece, e vou guardar questões como orçamento e temas orçamentais para as próximas semanas, também para as pessoas não enjoarem. Acho que é um péssimo sinal estarmos na primeira semana de setembro ou estarmos ainda em agosto e já estar toda a gente farta de ouvir falar de orçamento. Eu acho que a importância que se dá ao orçamento em Portugal é de facto fascinante e sendo da economia, contra mim falam, mas isso é outro tema. Vamos ter tempo daqui pra frente. Hoje era Fernando Alexandre. Não vou alongar-me imenso, até porque não quero cometer nenhuma argolada saindo por fora do pé, não quero dizer nenhuma asneira. Queria só, no fundo, fazer um elogio público. Perdemos a ligação quando Ana lembrava. Este programa chama-se "O Vencedor É..." Tivemos aqui só uma falha curtinha quando recordavas o nome. Sim, eu estava a dizer, o nome do programa é "O Vencedor É..." e eu tenho a certeza de que se fizesse a média das notas que dei desde o início, ela seria muito negativa. Portanto, hoje trago mesmo um vencedor, que se chama Fernando Alexandre. Ontem, assinalado o primeiro dia do ano letivo, houve realmente muita presença do ministro da Educação em muitas entrevistas, inclusive à Rádio Observador. E ao final da noite, Fernando Alexandre deu uma longa entrevista à CNN Portugal no formato town hall, e foi bastante refrescante ouvi-lo. Fernando Alexandre não é um político e se calhar ainda bem que não é. Não tem aquela arrogância de muitos políticos. Acho que quem ouve muitos políticos depois se calhar baixa a fasquia quando surge alguém de fora, só com um discurso normal. Mas creio que não é isso. Acho que Fernando Alexandre é muito claro nas ideias que transmite, é honesto a reconhecer que os problemas existem e que vai ser difícil resolvê-los. A questão dos alunos sem aulas no início do ano letivo, que era um problema para resolver este ano e que afinal só poderá ser resolvido no final da legislatura, eu não acho que resulte da incompetência do ministro, resulta se calhar de uma avaliação ou de uma comunicação apressada que foi feita há uns meses ou de uma avaliação precoce do problema. O ministro acaba a entrevista mesmo a dizer que é esse o seu grande objetivo, terminar o mandato sem que haja alunos sem aulas. E pode parecer um objetivo pouco ambicioso tendo em conta o que já tinha sido dito, mas há sempre tantos objetivos ambiciosos por parte dos governos e andamos há décadas com grandes objetivos que não vão a lado nenhum, que se calhar traçar uma meta alcançável não é má ideia. Mas no geral pareceu-me haver ali ideias muito coerentes, ajustadas e integradas sobre todos os níveis de ensino. Fernando Alexandre fala com conhecimento de causa. Achei muito interessante o comentário dos alunos estrangeiros nas escolas portuguesas, sobre como isso é um problema bom, sendo uma coisa boa à carregada de perigos, porque ele deu o exemplo, pode haver miúdos ótimos a matemática, mas depois se não percebem português não têm um bom desempenho, e como estão a ser preparadas medidas para facilitar essa integração, que é importante para que Portugal não perca talentos. Enfim, não vou resumir aqui a entrevista toda, porque foi bastante longa, mas queria apenas então fazer esse elogio público. Acho que Fernando Alexandre terá sido das escolhas mais acertadas de Luís Montenegro neste governo. Não anda nas suas intervenções à pesca do elogio nem do autoelogio. Deixou até elogios ao governo anterior em algumas matérias, em termos de postura e de conhecimento dos temas, concordando-se ou não com as abordagens. Acho que Fernando Alexandre tem condições para deixar um legado muito mais positivo do que muitos dos seus mais recentes antecessores. Portanto, eu não dou um 20, porque eu sou daquelas a avaliar professor, mas dou uma boa nota, dou um 16 ao ministro da Educação.
Passa com distinção, Fernando Alexandre, aqui pela Ana San-Les. José Manuel, mantém-se esta avaliação positiva e a quase esta, como dizia a Ana, quase frescura de um não político no cargo de ministro da Educação?
Olha, Carla, eu já ontem elogiei aqui o ministro e dei-lhe uma nota positiva e hoje vou reincidir, porque eu acho que boa parte do resto deste governo, dos outros ministros, deviam pôr os olhos em Fernando Alexandre. E eu acho que há várias coisas nas entrevistas que ele deu, que foram várias, que são muito refrescantes. Primeiro, quando não sabia, dizia que não sabia.
Quando defendia as suas ideias sem procurar escondê-las com palavreado redondo, era claro. E depois, há uma coisa que eu acho que também é muito importante e muito interessante, é que com o Fernando Alexandre, de alguma forma foram desminados os problemas que havia nesta área, designadamente aqueles que atrapalhavam toda a relação com os professores. E nós em vez de estarmos a discutir salários, em vez de estarmos a discutir professores, estamos a discutir educação, estamos a discutir os alunos estrangeiros, se são bons, se são maus, estamos a discutir a importância das creches, estamos a discutir a importância de não haver alunos sem aulas, estamos a discutir o papel da escola pública. Há tanto tempo que isso não acontecia.
Telemóveis, sim ou não na escola.
Sim, claro, isso falei disso ontem. Há tanto tempo que isto não acontecia. Portanto, eu acho que desse ponto de vista é realmente refrescante ouvir Fernando Alexandre e perceber que a política não tem que ser feita de máscaras, de mentirinhas, de disfarces e de os políticos se apresentarem como super-homens. Porque Fernando Alexandre não se apresentou como super-homem, não disse que sabia tudo, não disse que tinha todas as soluções para amanhã. Disse que as coisas eram difíceis, disse que as coisas levam tempo, mas mostrou que tinha ideias e não as escondeu, também não as disfarçou. Por exemplo, quando ele fala da autonomia das escolas, quando ele fala do concurso de escolas, está a tocar num tema que é muito controverso, mas ele não fingiu que não tinha aquelas ideias. Portanto, eu acho que isso é refrescante. Há muitos outros ministros que deviam fazer o mesmo. Há alguns que andam aqui a gerir o seu ministério, que são ministérios difíceis, alguns deles, de uma forma muito pouco clara. Há mais ministros que não são políticos no governo. O único ponto em que eu não estou muito de acordo com o Ana é saber se são políticos ou não políticos. Para todos os efeitos, Fernando Alexandre, de facto, é um professor, é um académico, esteve lá. Ele a certa altura até contou um pouco a sua história de vida, de como ele esteve em Coimbra, teve dificuldades para estudar, tinha uma bolsa, teve que trabalhar a estudar. Não é o percurso da maior parte das pessoas, sobretudo não é o percurso da maior parte dos professores como ele era na Universidade do Minho, com grandes responsabilidades. Portanto, eu acho que foi positivo, vamos no bom caminho. Alguém que não se esconde e que apresenta os projetos que tem e não esconde as dificuldades. Portanto, eu ontem dei 14 por causa dos telemóveis e vou acompanhar a Ana Salés, vou também dar um 16.
Um 16 então, já aqui a nota repetida, uma boa nota para o ministro da Educação. Paulo, indo à Santa Casa da Misericórdia, é para apontares algum vencedor também, seguindo a linha desta manhã do "e o vencedor é?"
Não é fácil apontar vencedores nesta altura, quando se fala de Santa Casa, a não ser os vencedores dos prêmios que a Santa Casa
Dos jackpots.
Dos jackpots dos Euromilhões e por aí fora. Hoje há novidades no público sobre o plano de reestruturação da Santa Casa, vai dispensar mais de 200 trabalhadores até o próximo ano. E no fundo, isto só para sublinhar que as faturas acabam sempre por chegar. Não há desequilíbrios, nem na Santa Casa, que muita gente pensa que aquilo é um poço sem fundo de dinheiro, nem na Santa Casa os desequilíbrios financeiros e os disparates que se vão cometendo, mais tarde ou mais cedo aparecem uma fatura. Já se sabia que a Santa Casa vai vender patrimônio, vai substituir as nomeações políticas, basicamente, por recrutamento interno, também para reduzir pessoal, isto é, deixar de meter mais pessoas, porque eu acho que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é daquelas instituições públicas que se nós fizéssemos um corte transversal na instituição, íamos encontrando por camadas nas pessoas ali os vários governos, se calhar, dos últimos 20 ou 30 anos.
Não tenhas qualquer dúvida.
Como se faz para perceber a idade das matérias geológicas, sabem aqueles cortes que nós aprendemos na escola, ou das árvores, para saber a idade das árvores. Nós víamos: "Olha, este é do governo do Bloco Central, este é do governo do PSD, este é do governo do PS" e por aí fora. E portanto, eu acho que a Santa Casa é isso. E depois há aquela ideia, que é falsa, obviamente, mas que demora tempo muitas vezes a ser interiorizada, de que por ser a Santa Casa, por estar na área social, não precisa de ser gerida ou bem gerida, o que é um absoluto erro, porque assim, qualquer entidade, mesmo na área social, se não for bem gerida, não cumpre a sua função, que é libertar dinheiro, libertar fundos, libertar meios para fazer o seu trabalho social, para ajudar os que mais precisam de uma forma ou de outra. A Santa Casa tem uma fantástica concessão do Estado, que é o jogo, inclui a raspadinha, que é viciante e devia ser repensado. Mas isto dá-lhe a partida ou devia dar-lhe responsabilidades de transparência e de gestão, porque há aqui um bem público que a Santa Casa gere, de alguma maneira, e devia lhe dar cuidados especiais. As receitas da Santa Casa chegam à razão de € 1 que fica dentro de casa para outro euro que é apostado. Ou seja, os prémios que a Santa Casa vai distribuindo, seja no Totoloto, Totobola, Euromilhões, raspadinha, e por aí fora, distribui cerca de metade, em cada concurso, da receita desse concurso. O que significa que por cada milhão que é investido, a Santa Casa fica com outro milhão. Eu diria que melhor do que isto só mesmo a Casa da Moeda ou a central de notas do Carregado do Banco de Portugal, que as fabrica. Porque, de facto, isto é impressão de dinheiro quase ilimitado. Outra lição que nós devíamos tirar disso tudo é que quando a tutela política é difusa, nunca se sabe muito bem onde é que começa, onde é que acaba, quem é que é responsável por quê. Isso viu-se muito nos últimos tempos, naquela discussão já com Ana Jorge à frente da instituição, quando se discutia o processo de internacionalização, que foi feito no mandato de Edmundo Martinho e com a ministra Ana Mendes Godinho. Nunca se percebeu muito bem até onde é que a ministra ou o governo, no caso, aprovou, não aprovou, conhecia, não conhecia aquela aventura do Brasil e do Peru, se não me engano, onde foram derretidas algumas dezenas de milhões. E quando as coisas não são claras em termos de regras de governança, de governação, como é o caso, sobra espaço, de facto, para a asneira. E depois ninguém é responsabilizado ou responsabilizável no fim. Fica tudo assim numas fantásticas águas de bacalhau. Portanto, a boa notícia no meio disso tudo é que parece que vamos começar a corrigir os disparates e os erros. Isso agora vai custar. Para já, custa 200 e tal postos de trabalho, e vamos ver o que é que vai custar mais, mas tem custado já nos últimos anos, certamente, àquilo que é o público-alvo da Santa Casa, que são as pessoas que precisam de ajuda social e que provavelmente não têm a ajuda que deviam ter, nem com a intensidade que têm, porque a Santa Casa não está apta a isso. Vamos ver se as coisas se compõem agora.
Vamos ver. Sendo que, José Manuel, para a semana começa uma comissão parlamentar de inquérito à gestão da Santa Casa, precisamente.
Bem, eu espero que essa comissão parlamentar de inquérito não seja apenas uma chicana, porque aquilo que a gente vai percebendo dos primeiros sinais dos planos da nova gestão é que a grande diferença entre esta gestão e as várias administrações anteriores, que metem os dois principais partidos, como todos sabemos, é que temos ali profissionais. Temos ali pessoas que vêm do setor financeiro e que sabem fazer contas. Uma das coisas que mais me fazia impressão nos planos de restauração da Santa Casa, infelizmente, devo dizer isto, que é uma empresa que estava com aquele nível de prejuízo, não ter planos de redução de pessoal, quando todos sabíamos que aquilo seguramente tinha pessoal a mais. E agora já tem. Fazia-me impressão não haver planos para acabar com aquele cancro que é o Hospital da Cruz Vermelha, e agora já há essa intenção. Portanto, eu diria que parece que vamos num sentido mais positivo, mas temos que esperar pra ver. E eu espero que tudo isto não fique no meio daquela confusão que às vezes se transformam as comissões parlamentares, onde se faz mais chicana do que se olha objetivamente pra algo que em muitos aspectos são problemas de gestão.
Queres dar nota aqui ou ficas pelo 16 ao ministro?
Fico pelo 16 ao ministro, que a nota ainda é mais indefinida, digamos assim, ainda é preciso ir ao oral pra saber o que se vai passar.
Paulo, arriscas uma nota para o que está a acontecer na Santa Casa?
Arrisco. Vamos pela positiva, apesar de ser sexta-feira 13. Eu vou dar um 12 ao Paulo Duarte de Sousa, que é o provedor da Santa Casa, que apresentou este plano, porque de facto parece estar aqui identificado um caminho e sem medo e com alguma coragem para tomar medidas, por mais duras que sejam. Agora vamos ver como é que é a execução de tudo isto.
Agora, pelo menos, e com o público a revelar 207 despedimentos até o próximo ano. Bruno, e se houver eleições antecipadas?
Deixa eu só dar uma nota ao Carla. São 207 despedimentos, mas provavelmente a maioria são por via das reformas, porque olhando para o quadro de pessoal e o número de pessoas que têm mais de 60 anos ou mais de 65 anos, é tão elevado que não deve ser particularmente complicado fazer aquelas reduções.
Não é um problema social, isto. Pela forma como vai ser feito. Aliás, o plano é esse, é reformas antecipadas e estamos a falar, atenção, 207 num universo atual superior a 6 mil trabalhadores. Portanto, isto é inferior a 3%.
Não haverá aquela dor do desemprego, porque a estas pessoas vai ser lhes apresentada essa solução. Vamos ao Chega agora, Bruno, a posição do Chega sobre as negociações do orçamento e as consequências de um eventual chumbo.
Pois, eu cada vez que olho para estas negociações, fico um pouquinho mais confuso. Tento perceber qual é que será a intenção aqui dos diferentes partidos, do PS, do Chega, do governo, dos partidos que estão no governo, e é tudo um pouco nebuloso, porque não se percebe muito bem as intenções.
Será que já sabem como é que vão votar?
Estão a ver oportunidades. Acho que estão aqui a ver oportunidades. O Chega vê aqui uma excelente oportunidade de se afirmar como líder da oposição sem pagar o preço de ser responsável por uma crise. Se o PS eventualmente aprovar o orçamento, até por via da abstenção, o Chega afirma-se como líder da oposição. Se o PS não viabilizar o orçamento, o Chega também não pode ser responsabilizado por não aprovar o orçamento. E se for para aprovar, isso de certeza que vai vender caro. Ao contrário do que disse Pedro Pinto, que depois vamos ouvir na BIXI Suave, eu não acredito que o Chega não se venda. Acho que é uma questão de preço É como os clubes que dizem que o jogador é inegociável ou que só sai pela cláusula de rescisão. Isso é para aumentarem a sua vantagem na mesa de negociações. É aquela frase inglesa "not free available". E o Chega está disponível, parece-me, não quer é que seja de borla, quer vender caro essa aprovação. Isso liga ao que disse também Pedro Pinto, que o Chega não poderá votar a favor de um orçamento que não é o orçamento do Chega. Há uma coisa que é certa, independentemente de como o Chega venha a votar este orçamento, este nunca será o orçamento do Chega. Não se pode esperar que seja o orçamento do Chega. O Chega não está no governo, não tem um entendimento com os partidos do governo, o orçamento não pode ser o do Chega. Mas se os partidos da oposição justificarem o voto com este argumento, então nem sequer vale a pena iniciar negociações e então sim, deve-se partir logo para a discussão das eleições. E aqui o Chega sobe a parada, diz que não tem medo de ir às eleições. E deixem-me aqui lembrar uma história que me contaram quando eu estava a fazer a biografia do José Cardoso Pires, que um dia ele se envolveu numa discussão de rua, acho que foi numa fila para qualquer coisa, e que houve um senhor que se virou para ele e disse-lhe: "Olhe que eu não tenho medo de si". E que o Cardoso Pires perguntou: "Então, se não tem medo, por que diz?". O Chega algum medo, é aquela frase portuguesa: "Não é medo, é receio". Algum receio deve ter, mas também vê aqui, de facto, uma oportunidade para ser líder da oposição e não pagar o preço de ser responsável por uma crise, porque isso não há dúvida. Quem abrir uma crise ou quem for percepcionado como responsável pela crise, vai pagar por isso nas urnas. Isso não há a mínima dúvida. Agora, o que o Chega vê aqui é que tem a oportunidade de, não aprovando, não colaborando com o governo, não ser ao mesmo tempo responsabilizado pela crise, porque essa responsabilidade seria, à partida, ou os portugueses entenderiam assim, como sendo do PS. E por isso a estratégia do Chega é empurrar o PSD para o PS, criar a ideia de que há um acordo, estabelecer aqui uma linha vermelha. Qualquer entendimento, qualquer negociação, qualquer conversa entre o PS e o PSD exclui à partida o Chega, o Chega não pode pactuar com isso.
E o PS está a fazer a mesma coisa com o Chega.
O PS está a fazer, porque também não quer ser responsabilizado por uma crise. Ao mesmo tempo, não quer aprovar de olhos fechados o orçamento, porque uma abstenção, como lembrava a Ana Sá Lopes numa newsletter, lembrava uma declaração de António Costa, qualquer abstenção é uma abstenção fraca, é um sintoma de fraqueza. Não há abstenções fortes, tal abstenção violenta. É sempre uma fraqueza e Pedro Nuno Santos também sabe disso. Portanto, quer não ser responsabilizado por uma crise e ao mesmo tempo mostrar uma posição de força. E isto é um dilema, também é um dilema para o Chega. Eu acho que há uma contradição no Chega nesta questão de se o PSD e o PS negociarem. O Chega está fora, não pode aceitar isso. O Chega já votou medidas propostas do PS. Não pode também dizer que o PS é que é o grande responsável porque esteve no governo não sei quantos anos, e depois dizer que o Chega vota a favor das propostas que beneficiem os portugueses. Ora, essas propostas incluem, creio eu, propostas do PS, a favor das quais já votou, e propostas do governo. A minha nota para esta série de contradições, e que eu de alguma forma percebo que é uma oportunidade de ouro para o Chega, é uma nota negativa, é um oito para o Chega. Eu acredito que o Chega se pode vender, se quisermos pôr as coisas neste termo, sim, o preço por essa venda será sempre elevado, politicamente elevado. Não acredito que esteja tendencialmente virado para aprovar o orçamento. Preferirá o Chega que haja um entendimento.
E não ter que assumir uma responsabilidade. Então a nota?
É um oito para o Chega.
Um oito para o Chega. E o Vencedor é regressa amanhã na versão de fim de semana, logo depois das notícias das 10h30. Nós regressamos segunda-feira. Bom fim de semana.