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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "E o Vencedor É", das manhãs 360, hoje com notas atribuídas pelo Paulo, pelo Bruno e pelo José Manuel Fernandes Carla. Hoje é o último dia da campanha eleitoral. Ainda faltam algumas horas, boas horas, mas estamos cada vez mais perto do momento em que é possível fazer um balanço definitivo. Bruno, começo por ti, o que retiras desta campanha para já?
Eu acho que foi uma campanha esclarecedora, neste sentido, que mudou as coisas. Ou seja, nós partimos para a campanha com um determinado cenário em que, por exemplo, Marques Mendes aparecia quase como certo na segunda volta e neste momento seria uma grande surpresa se no domingo Marques Mendes conseguisse esse apuramento para a segunda volta. E o contrário aconteceu com António José Seguro, que partiu para a campanha com poucas hipóteses, a avaliar pelas sondagens, de passar à segunda volta, mas conseguiu um ímpeto que muitas pessoas provavelmente não estariam à espera e acho que teve uma campanha bastante sólida, boa. Aliás, como é timbre de António José Seguro. Ou seja, não cometeu erros e António José Seguro, se se destaca por alguma coisa, é por essa previsibilidade, já que há uns tempos tínhamos falado das características dos candidatos e daquilo que poderia apelar a um eleitorado que não o seu eleitorado natural, ou seja, um eleitorado mais próximo do Partido Socialista, e essas características de previsibilidade, de segurança, não fazendo aqui nenhum jogo de palavras com o nome, apelam também a um outro tipo de eleitorado, mais ao centro, um bocadinho ali até à direita. E António José Seguro não cometeu nenhum erro, ao contrário de outros adversários, nomeadamente de Marques Mendes. A altura de balanços é sempre aquela altura em que nós dizemos: "Ah, mas a campanha foi fraquinha, nunca se discutem os temas verdadeiramente importantes". Isto parece aquele discurso que Paulo Raimundo teve nos primeiros debates em que participou para as legislativas, em que ele dizia assim: "Não, mas a questão central não é essa". Parece que há sempre uma questão central que nunca é aquela que se discute. Mas a verdade é que mesmo que alguns aspetos tenham sido esclarecedores pela negativa, ou seja, por exemplo, Marques Mendes fez uma má campanha, a verdade é que foram esclarecedores. Ajudaram a ver os candidatos ou ajudaram a perceber ao eleitorado que candidatos estão ali.
Dizes que Marques Mendes fez uma má campanha. Fez uma campanha clássica.
Pois, mas para os tempos de hoje é uma campanha que não funciona.
Esse é o problema, não é?
Foi esse o problema. Foi uma campanha que poderia funcionar noutra altura.
E até poderia funcionar. E acredito, poderemos ter aqui algumas surpresas no dia das eleições, porque poderá haver um eleitorado mais velho, que às vezes não é detetado nas sondagens, e que vá votar e que contribua aqui para alguns candidatos que neste momento nas sondagens aparecem mais atrás, como é o caso de Governo e Melo e do próprio Marques Mendes, e depois no dia das eleições subam um bocadinho em relação a essas sondagens. Mas aqui Marques Mendes eu digo que fez uma má campanha, porque provavelmente apelaria a esse eleitorado mais velho, que neste momento é um eleitorado mais virado para o Partido Socialista em legislativas, só que a boa campanha de António José Seguro é capaz de ter levado esse eleitorado para António José Seguro e retirado de Marques Mendes, porque Marques Mendes nunca mostrou capacidade de disputar o eleitorado jovem, como por exemplo André Ventura ou Cotrim de Figueiredo. Poderia ter hipóteses se conseguisse fidelizar esse eleitorado mais conservador, e não de direita ou de esquerda, mas um eleitorado que gosta mais da previsibilidade, gosta mais dos nomes que conhece, arrisca menos, e não conseguiu, porque apareceu António José Seguro com uma campanha muito sólida a entrar bem nesse eleitorado. E acho que a surpresa negativa da campanha é Marques Mendes, de facto, porque é aquele que perde mais. Governo e Melo já vinha numa trajetória descendente, em certa medida natural, porque também partia de uma base, ou pelo menos dos primeiros indicadores, muito elevados, provavelmente sobredimensionados, mas Marques Mendes parecia estar a fixar ali o eleitorado da AD e a campanha foi conduzida de uma forma que o levou a perder, ao que tudo indica pelas sondagens, esse eleitorado. E é a surpresa negativa para mim desta campanha. E pelo contrário, António José Seguro teve uma campanha em crescendo, muito se falou do efeito do PS, que costuma conduzir este tipo de campanhas, também da importância.
E aquela hesitação ou não de ter o PS com ele. Pode ter beneficiado.
Eu acho que sim. Mesmo aquele apoio de figuras do PS que num primeiro momento não estavam claramente com a candidatura de António José Seguro. Eu não sei se terá contribuído para desfazer algumas dúvidas junto do eleitorado socialista. A verdade é que não prejudicaram António José Seguro. Ele conseguiu manter aquele discurso de ser um candidato transversal, de conseguir apelar a diversos eleitorados. Não foi prejudicado por isso e não cometeu erros Acho que numa campanha eleitoral é muito importante sempre, em qualquer circunstância, não cometer erros. Marques Mendes cometeu erros. Acho que a campanha em si, o design da campanha, foi um erro. João Cotrim de Figueiredo nesta última semana foi péssimo. Não quer dizer que esteja já posta de parte a possibilidade de passar à segunda volta, mas com estes dados que temos, seria também uma surpresa. E por isso eu acho que António José Seguro acaba por ser o vencedor, porque foi aquele que fez um trajeto ascendente. André Ventura manteve-se mais ou menos, também não cometeu erros, mas António José Seguro conseguiu a campanha mais eficaz.
Vais distribuir as tuas notas para Seguro e Marques Mendes?
Sim, para Seguro e Marques Mendes, para dar um como vencedor. António José Seguro não é um vencedor das eleições, mas é um vencedor da campanha. E podemos ter uma surpresa no domingo. Seria surpreendente, verdadeiramente, se António José Seguro, com os dados que temos atualmente, não passasse à segunda volta. Acho que foi o vencedor desta campanha, dou-lhe um 16 e a Marques Mendes, por outro lado, acho que foi o grande derrotado desta campanha, independentemente, claro, daquilo que vier a acontecer, podemos ser surpreendidos pelos resultados, mas acho que teve uma má campanha, por isso dou-lhe um oito.
Um oito. Marques Mendes insiste que a campanha das ruas lhe está a ser revelada.
É o que dizem todos.
É o que dizem todos. José Manuel, como é que a esquerda sai desta campanha?
Eu ontem falei aqui, tendo contra-corrente bastante sobre a direita, sobre Marques Mendes, sobre Cotrim, sobre Ventura, sobre o que pode acontecer. Também tenho um contra-corrente sobre isso, portanto tem que ter um ângulo um pouco diferente, até porque há algumas coisas que não estou totalmente de acordo. Veremos o que acontece e qual é o efeito desta última semana sobretudo na campanha de Cotrim, porque os primeiros indicadores das sondagens contrariam um pouco a percepção de que isto é negativo, de que terá sido fatal. Pelo contrário, pode não ter sido, mas enfim, logo veremos. Vai ser um case study, como se costuma dizer, um caso de estudo. Eu queria chamar a atenção, no entanto, para algo que eu acho muito significativo. Eu vou usar os dados do nosso radar de sondagens, que no fundo agregam as sondagens todas, dando peso diferente a cada uma delas, de acordo com os métodos e com as amostras. E esse radar dá-nos uma indicação que não deixa de ser reveladora do estado em que se encontra a esquerda portuguesa, que é assim: nós temos um candidato que provavelmente vai passar à segunda volta, que neste momento eu até diria que se me perguntassem qual era o favorito, eu diria que é o favorito para ser o próximo presidente da República, que é António José Seguro, um candidato que muitos viam como nem sendo bem de esquerda, pelo menos sobretudo na esquerda tradicional. E quando no nosso radar de sondagens somamos a votação em Seguro, a intenção de voto em Seguro, com a intenção de voto em Catarina Martins, com a intenção de voto em António Filipe, com a intenção de voto em Jorge Pinto, quanto é que dá? 26%, pouco mais de 26%, um em cada quatro eleitores. Estamos a falar de uma rarefação à esquerda que nunca aconteceu. Nunca houve nada de parecido na nossa história democrática. Há sempre o argumento de que uma parte disso está no Almirante. É possível que esteja no Almirante. No Almirante, no entanto, praticamente todos os rostos da campanha do Almirante são figuras que se situam mais à direita ainda do que aquilo que a gente possa situar António José Seguro. Há muito pouca gente da área do Partido Socialista assumidamente ao lado do Almirante. Portanto, a campanha foi um pouco diferente. Mas há aqui duas coisas que não deixam de ser extraordinárias, que é, por um lado, uma esquerda que provavelmente vai ter a sua pior prestação de sempre numa primeira volta nas eleições.
Presidenciais.
Sejam elas quais forem. E a seguir pode eleger o presidente. Portanto, isto é um indicador sobre algumas questões e sobre o estado do país e sobre o nó cego em que de alguma forma o país está neste momento.
E sobre o ciclo político, já agora, José Manuel. E sobre o ciclo político, eu acho que esta eleição presidencial marca o fim de um ciclo de presidenciais que durou 40 anos. Estou a tirar aqui até Ramalho Eanes, porque foi o primeiro presidente eleito e no contexto logo pós-revolucionário. Enfim, digamos que a democracia estava em instalação ainda. Mas se nós repararmos até agora, todos os presidentes e os principais candidatos, mesmo alguns dos que perderam, eram os melhores representantes do seu campo ideológico.
Claro, e não estou a dizer... Atenção.
E agora não temos isso.
Não temos isso, mas também não é seguro que houvesse uma melhor situação. Nós falamos sempre de um ou dois nomes que poderiam surgir. Além disso, há aqui outra coisa que é, em princípio, um quadro destes deveria, e depois da experiência da geringonça e do muro que caiu, como dizia António Costa, quando fez o governo da geringonça, o muro que caiu, deveria haver aqui capacidade de união Logo na primeira volta, sobretudo com a indefinição que há, porque apesar de parecer claro, não digo garantido, mas as indicações apontarem para que António José Seguro consegue passar à segunda volta, isso não é garantido. E no entanto, ninguém naqueles pequenos partidos foi capaz de dizer: "Eu saio da corrida porque há valores mais altos que se levantam." Atenção, o PCP já fez isto há alguns meses no passado. Não era morte de artista, digamos assim. Fazia a campanha, afirmava as suas posições, usava os tempos de antena, não os antigos, mas os novos, que são as passagens nos telejornais. Usava isso tudo e depois dizia: "Olha, há aqui um valor mais alto." Nada disso aconteceu. Pelo contrário, o que tivemos foi algo de muito patético, que foi a prestação ontem de Jorge Pinto, que é uma coisa que eu nem sei bem o que pensar daquilo. E é muito revelador, na minha perspectiva, do estado em que se encontra este espaço político. E Jorge Pinto também é um símbolo disso, porque Jorge Pinto está agora no LIVRE, mas começou por militar no Partido Socialista. Enfim, há muita gente que não tem partidos de sempre, os partidos não são como os clubes de futebol. O eleitorado do LIVRE é claramente um eleitorado, enquanto o eleitorado dos outros dois partidos é quase fixado, o eleitorado que tiver nas legislativas, pouco mais que isso ou pouco menos que isso, o LIVRE é diferente, porque o LIVRE é um partido que pra crescer precisa de ir buscar eleitores que estão hesitantes entre o LIVRE, Partido Socialista e a Iniciativa Liberal. A gente que hesita. Porque é um eleitorado urbano, sem fidelidades partidárias e onde a ideologia é muito difusa. Os valores mais importantes não são exatamente os valores que marcaram as ideologias do século XX, que são valores mais econômicos, digamos assim, são outro tipo de valores. E para isso, Jorge Pinto acaba por fazer uma confusão final, nem sei como é que eu lhe dizer, porque de manhã diz: "Votem em Seguro, mas eu não apelo a votem em Seguro, não fiquei zangado convosco." Também era melhor que ficasse. Isto é um sinal deste deslaçar, deste espaço.
É a pior forma de fazer as coisas.
É a pior forma de fazer as coisas.
Perde certamente alguns votos com isto e vai ter uma votação pior do que aquela que teria se não tivesse feito. Não tem sequer um bom resultado pra apresentar, certamente, mas ao mesmo tempo também não capitaliza, não há eficiência de voto em Seguro, que no fundo era o objetivo também. Fica ali meio morto, não é?
Exatamente. Eu acho que isto não serve muito. E depois isto tem ainda um outro tema, que é o seguinte: enquanto, sobretudo o PCP, fez esta campanha em torno daquilo que são as bandeiras do partido, enquanto Catarina Martins fez a campanha muito em torno daquilo que é a sua imagem de proximidade, digamos assim, até por contraste com o que foi a imagem de Mariana Mortágua e ainda não é a imagem da nova liderança, que acabou de chegar, do Bloco de Esquerda, Jorge Pinto fez uma campanha que parecia ter algumas ideias centrais sobre o que devia ser o papel de um presidente e que poderiam ter sido ideias do espaço político à esquerda, que tinham a ver com os dois terços majoritários na Assembleia, a revisão constitucional, enfim, que era um tema. Ninguém agarrou naquilo, praticamente ninguém agarrou naquilo. Aliás, porque há aqui um problema, António José Seguro, alguém ontem comentava que é: alguém se consegue lembrar de uma frase marcante de António José Seguro nas entrevistas todas e nos debates todos e na campanha toda? É um pouco ganhar por erros dos adversários, que é uma forma correta. Costuma-se dizer, uma frase que se dizia ao Napoleão: "Nunca se interrompe um adversário quando ele está a cometer erros." E no fundo, foi um pouco a estratégia de António José Seguro, deixa-os cometer erros.
E de André Ventura também.
E de André Ventura também. André Ventura fez uma campanha totalmente diferente das anteriores. Começou de uma maneira agressiva e rapidamente foi pra um registro que ontem teve até uma espécie de vela em cima do bolo, que foi a teses anos.
Literalmente.
A campanha foi uma festa. Isto é muito revelador. Eu acho que há aqui muitos indicadores que nós vamos ter que pensar durante bastante tempo pra ver o que é que acontece na segunda volta. A segunda volta, com as indicações de voto de quem não passar, também vai ser interessante. Também terá leituras, não é? Também terá leituras. Pra já eu vou dar notas aos três candidatos mais à esquerda, que acho que ficaram muito aquém daquilo que poderia ser o seu objetivo nesta campanha, que era recuperar do que foi o desastre eleitoral da esquerda nas legislativas de há uns meses, maio do ano passado, e que pelo contrário, deram sinais de divisão, incapacidade de união, discursos contraditórios e nada que fosse particularmente mobilizador e vão acabar provavelmente com a votação agregada ainda pior daquela que tiveram em maio, na primeira volta. Quanto é que achas? Foi um quatro para todos. Não os distinguiu. Podia distinguir Jorge Pinto ainda mais pela negativa, mas, em contrapartida, foi alguém que se tornou uma figura pública conhecida e que pode vir a tornar o LIVRE um partido menos unipessoal.
E daí uma vez o quatro para os três candidatos. O Paulo traz um ângulo diferente aqui ao "O Vencedor É" e que tem a ver com o financiamento.
Claro, já lá vou. Queria só duas ou três notas também muito rápidas. Eu acho que, de facto, estas são as primeiras eleições presidenciais de uma nova era, que reflete, no fundo, aquilo que se passou também no sistema partidário nos últimos seis anos, que está um pouco irreconhecível em relação àquilo que nos habituámos a ter, com dois partidos, o PSD e o PS, que eram hegemónicos e que também nas presidenciais, atenção, eram hegemónicos. Os seus candidatos ganhavam sempre com margem folgada. E nós agora olhamos, por exemplo, também aqui no radar de sondagens do Observador, e se somarmos o candidato apoiado pelo PS e o candidato apoiado pelo PSD, portanto, Seguro e Marques Mendes, não vão além dos 35%. Isto é, o somatório de ambos, o que significa, de facto, que os dois grandes partidos da democracia e da fundação perderam a mão também já aqui, no fundo, às suas indicações de voto aos seus candidatos nas presidenciais e também daí esta rarefação de votos, sobretudo ou mais visível à direita, se quisermos, em termos de grandes fatias, em que se intromete um outsider, Gouveia e Melo, e consegue facilmente, pelo menos durante algum tempo, ser presidenciável, e depois facilidade com que Cotrim Figueiredo também vai muito além, estava ali pelas sondagens, como é evidente, vai muito além daquilo que tem sido o score da IL e Ventura aqui a fixar aquilo que é o seu eleitorado neste momento. Aliás, não é por acaso que ele depois tem aquele teto ali na casa dos 20 e pouco, 25%, e não passa daí, independentemente do adversário da segunda volta, isto mais uma vez de acordo com as sondagens. E portanto, eu acho que estamos a entrar também num caminho diferente agora em termos de regime nas presidenciais. Sobre o tal ângulo, eu queria aqui deixar votos também, estamos a falar de votos, não é? Não vamos revelar os nossos votos. Votos de bom ano para todos, ainda estamos no dia 15. Já é 16.
Já é 16, já não dá.
Mas olhem, votos de mais transparência. Eu li no Eco, de facto, que a lista de financiadores das campanhas é segredo, destas campanhas, da campanha presidencial. E eu pasmo porque numa campanha eleitoral em que tanto se falou de transparência e de interesse, disto e daquilo, o mais básico em qualquer eleição, em qualquer parte do mundo, é saber quem financia candidaturas, partidos, pessoas e por aí fora, no momento da campanha. Isto é, quem ajuda aquela pessoa ou aquele partido a ser eleito. E então, a Entidade de Contas e Financiamentos Políticos, que é a entidade que funciona junto ao Tribunal Constitucional e que tem como missão, de facto, fiscalizar o financiamento da política e das campanhas eleitorais, diz que viola o RGPD, o Regimento Geral de Proteção de Dados, e portanto, a lista nominal de financiadores particulares não pode ser divulgada porque tem nomes e os nomes não podem ser divulgados. Perceberam a lógica, não é? E portanto, assim ficamos. Não vamos conseguir saber quem financiou esta campanha, mesmo quando chegarem os prazos legais de entrega de contas e de fontes de financiamento dos vários candidatos. Portanto, começo com votos de mais transparência. E depois, porque estamos numa eleição que previsivelmente vai ser muito apertada, vai haver muitos nervos à flor da pele, não só nestas últimas horas como depois no domingo, eu faço votos para que corra tudo bem dentro do nosso habitual improviso. Já tivemos o improviso nos boletins de voto, com 14 candidatos, quando só 11 são formalmente candidatos. Já sabemos também que esses boletins de voto com 14 candidatos vão ser usados nalguns casos na segunda volta, independentemente, obviamente, dos candidatos que vierem a passar à segunda volta.
Nalguns casos, emigração é voto antecipado, é uma coisa extraordinária.
Exato. E não é pouco. Sabemos que a emigração pode ter um papel importante, isto é, todos os votos são iguais, como é evidente, mas como os da emigração chegam depois, muitas vezes há aquele compasso de espera para se fechar a contagem. E sabemos que os votos da emigração são dados também, exílio sempre na contagem e em todo o processo. Esperemos que, de facto, estas questões que nós temos, basicamente é um sistema eleitoral que vai dando sinais de obsolescência aqui e ali, quer nos prazos que as leis preveem, quer nos mecanismos físicos, se quisermos, logísticos do processo, mas continuamos depois todos muito firmes naqueles tempos de antena que já ninguém vê. E no dia de reflexão, no tempo das redes sociais, ainda vejo agora passar nos rodapés das televisões a CNE já a alertar: "Atenção, amanhã, a partir da meia-noite, não se podem fazer declarações. Silêncio vital." Portanto, continuamos presos a esta tralha burocrática do passado, sem olhar para o futuro e para aquilo que são os processos eleitorais.
A primeira capa dos jornais de amanhã e aquilo que vai acontecer ao nosso home page a partir da meia-noite é surreal. É um dia de reflexão onde se esconde a informação da reflexão.
O tema mais importante do dia e de muitas semanas é surreal.
Olha, sabe o que eu tenho saudades?
Eu também acho, ó José Manuel.
Tenho saudades do tempo em que eu trabalhava, não havia internet, trabalhava no jornal em papel e portanto, este último dia, sexta-feira, era um dia de folga ótimo, que a gente continuava na campanha só a olhar, sem trabalho para fazer, porque já não havia jornal no dia seguinte.
Eu tenho mais saudades.
Só tenho uma coisa de pena.
Eu também tenho saudades dos tempos em que o Expresso saía ao sábado, como habitualmente, mas com a data de sexta no cabeçalho, para enganar os burocratas, por regra.
E tinha que ser impresso mais cedo. Era impresso umas horas mais cedo, mas na prática só era distribuído ao sábado.
Olha, só falta a tua nota, Paulo.
A minha nota, olha.
Agora que estávamos tão nostálgicos.
Tão nostálgicos. Bom, espero que no domingo não haja coisas que nós nunca tivemos, que é pôr em causa, de alguma forma, um ou outro procedimento eleitoral. Mas era bom que os legisladores, já agora, olhassem para isso. Passam a vida a dizer que vão olhar, mas depois não olham. Eu vou dar uma nota antes ao eleitor, que quanto mais renhido é o processo, mais central é o seu papel. Aplaudindo também que no domingo, pelo menos que haja uma maior correria às urnas ou voto, porque isto está muito apertado e todos os votos contam.
Está mesmo apertado. Votos de bom fim de semana. E "O Vencedor É" regressa mais logo na Tarde Política. Uma versão alargada que começa, como sempre, a seguir ao jornal das 18h. Esta tarde dão notas a Judite França, o António Costa e o Gonçalo Crespo.