Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Five, four, engine ignition, two, one, zero.
E lá vai o foguetão, sem problemas, aparentemente.
As we count down to Mars continues. The perseverance of humanity launching the next generation of robotic explorers to the Red Planet.
E com discurso ensaiado, Miguel Vieira.
Sim, aparentemente.
Da descrição do lançamento.
Sem qualquer problema com este lançamento do foguetão Atlas 5, que transporta o robô que há de pousar em solo de Marte apenas em fevereiro do próximo ano. Já foi supleado que esta viagem deverá demorar sete meses e aparentemente um sucesso.
47 segundos depois do lançamento, o Atlas 5 vai já a 1700 km de velocidade. Aliás, mentira, 1700 milhas por hora de velocidade. E vai já a 31 milhas de altitude. O que se vê agora nas imagens que nos chegam através da Agência Espacial Norte-Americana, a agência NASA, é uma imagem típica do lançamento de um foguetão para o espaço, um rasto branco de fumo rompendo o céu azul. Portanto, confirmaram-se as melhores expectativas. Bom tempo na Flórida para o lançamento deste foguetão, que há de chegar a Marte daqui a sensivelmente sete meses.
Havia esse risco de que as condições meteorológicas não o permitissem. Se não o permitissem hoje, seria feita nova tentativa amanhã e até julgo que em meados de agosto. Todos os dias haveria uma tentativa por parte da NASA. De acordo com as informações que chegam por parte do centro de controle, que está a coordenar o lançamento desta missão espacial da Agência Espacial Norte-Americana, está tudo a correr bem. Todos os indicadores que têm sido referidos, aparentemente está tudo a correr conforme o planeado e dois minutos depois do lançamento do foguetão, o Atlas continua a dirigir-se em direção ao planeta vermelho. Retomo a conversa com o professor Pedro Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que minutos, segundos antes deste lançamento, nos explicava por que é que as amostras que serão recolhidas da superfície de Marte só deverão chegar à Terra em 2031. Este é um dos objetivos, a recolha de amostras e tentar perceber se, de facto, há sinais de vida microbiana, mas há outros objetivos desta missão, por exemplo, estudar o planeta, o clima e as características geológicas do planeta. Ainda não há informações suficientes, senhor professor, sobre estes dois temas?
De forma alguma. Por exemplo, a dinâmica da atmosfera de Marte é difícil de seguir, porque não há muitas nuvens. Por acaso, nós estamos a viver um momento bizarro neste momento, porque podem-se observar hoje nuvens alongadas na atmosfera de Marte, que mesmo um astrónomo amador pode apontar hoje à noite ou nos próximos dias para Marte e vai ver o que eu estou a dizer. Pode seguir com o tempo estas nuvens e estudar melhor a dinâmica. Mas em geral não há nuvens, é muito raro, são muito dispersas e muito diáfanas as nuvens na atmosfera de Marte, ela própria é muito pouco densa e difícil de estudar. Claro que já outras missões prévias têm feito estudos sobre isso e também estudos a partir da Terra, nos quais inclusive nós também estamos envolvidos, mas ainda há muito para fazer. Eu diria que esta missão tem uma ligação óbvia hoje, que é a ligação do passado com o futuro. Por um lado, tem essa ligação com os objetivos base da astrobiologia, de estudar essa grande questão, se houve vida em Marte, se poderá ainda haver vida em Marte, mas também estudar a habitabilidade de Marte. Ou seja, temos que começar a pensar se um dia podemos ter astronautas com segurança a pousar em Marte, e se um dia, mais tarde, nós podemos ter uma colônia humana em Marte.
É uma imagem de um futuro ainda distante ou pessoas como eu e o João, na casa dos 40 anos, ainda podemos ambicionar um dia visitar o planeta vermelho?
Vou ser muito otimista. Eu acho que sim, mas pelo menos um companheiro nosso de existência, um astronauta que nós possamos ver colocar a sua bota de astronauta sobre a superfície de Marte. Eu acho que sim. Aliás, há duas experiências a bordo deste novo rover, do Perseverance, que são extraordinárias. A primeira é obter oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera de Marte, que é a base. A atmosfera de Marte é feita essencialmente à volta de 96% de dióxido de carbono, à volta de 3% de azoto e depois componentes minoritários. Isso significa que se essa experiência no Perseverance funcionar bem, que é conseguir obter oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera de Marte, isto é superinteressante para o futuro e abre uma janela de habitabilidade incrível. A outra, que é mais da tecnologia, mais da engenharia, que eu acho impressionante, que é o facto de haver um pequeno helicóptero que vai testar poder voar na atmosfera de Marte. Reparem, isso é muito difícil.
Tem um nome engraçado, chama-se Ingenuidade
Ingenuidade. É um nome muito bem aplicado, porque repare: a densidade da atmosfera de Marte é menos de 1% da densidade da atmosfera da Terra. Isto significa que a força de sustentação para o helicóptero é muito baixa. Portanto, se for possível, se for um sucesso este pequeno drone conseguir voar, este pequeno helicóptero conseguir voar em Marte, isto vai criar também uma janela de possibilidade de comunicação, de exploração, a partir do solo, que é realmente fora de série. Ou seja, esta missão tem vertentes que são ligar o passado com o futuro, mas de uma forma que eu diria, muito prática, muito pragmática, à americana, neste caso, entre aspas, e que pode ser de utilidade enorme em termos científicos, no caso que já referimos do estudo da geologia, do regolito de Marte e da eventual presença de indícios de vida passada.
Professor, esta é a terceira missão a Marte no espaço de uma semana, depois das sondas enviadas pela China e pelos Emirados Árabes Unidos. Cada país corre por si nesta exploração do planeta vermelho? Não há uma colaboração entre terráqueos?
Isto é uma grande questão que está a levantar e, na minha opinião, deveria haver mais, porque a questão até legal sobre a exploração. Vamos imaginar que há uma componente industrial dentro de alguns anos. Se nós não prepararmos agora o futuro, pode vir a haver problemas. Portanto, eu acho que é essencial que haja uma carta, uma moratória internacional sobre esse entendimento dos terráqueos, como bem disse, porque por enquanto ainda é tudo muito fácil, mas pode vir a haver problemas grandes num futuro próximo, quando houver um retorno financeiro.
Professor Pedro Machado, o foguetão Atlas V leva já 470 milhas de altitude. Segundo as imagens que nós recebemos da Agência Espacial Norte-Americana, já não há imagens da nave, há apenas uma animação videográfica. Esse lançamento aconteceu há oito minutos. Ficou arrepiado?
Sim, porque isto é sempre um momento em que há um grande perigo no lançamento, porque basicamente a sonda está assentada em cima de um foguetão e uma bomba com algum controle, mas eu diria algum controle sublinhado. E já houve vários casos de missões em que houve grandes problemas no lançamento. Felizmente, hoje as condições meteorológicas eram ótimas, as condições orbitais relativas estão na janela perfeita para o lançamento, para diminuir os riscos e para poupar no combustível, no tempo, etc., para a missão. Mas até atingir 11 km/s, que é a velocidade de escape na Terra. Nós temos que conseguir fornecer energia ao foguetão, o Atlas, para ele conseguir ultrapassar 11 km/s, que é a tal velocidade em que consegue romper a sua ligação gravitacional com a Terra e poder então dirigir-se ao planeta vermelho. Portanto, a quantidade de energia é brutal. E repare, é sempre um problema muito primordial.
Diria que conclui isso, por favor.
Nas missões espaciais, que é a relação entre o peso que tem o foguetão Ariane, que são cerca de 500 toneladas, em relação àquilo que vai depositar e que é carga útil em Marte, que é uma tonelada.
Professor Pedro Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e também professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Muito obrigado por se ter juntado a mim e ao Miguel Videira nesta emissão especial para acompanhar o lançamento rumo a Marte da Atlas V.
Five, four. Engine ignition. Two, one, zero. And lift off. As the countdown to Mars continues, the perseverance of humanity launching the next generation of robotic explorers to the Red Planet.
Aconteça o que acontecer. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador Online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.