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De um lado, Rui Gomes da Silva, apoiante de André Ventura, do outro, Vitalino Canas, apoiante de António José Seguro. Juntos acompanharam o frente a frente entre os dois candidatos e foram precisos poucos minutos para o socialista deixar uma primeira previsão.
A campanha do António José Seguro é muito fácil, porque ele pode repetir na segunda volta exatamente aquilo que já dizia na primeira volta, ou seja, não teve que mudar de discurso.
O tema do apoio de várias figuras à direita a António José Seguro foi um dos primeiros a surgir.
Cavaco Silva, que foi primeiro-ministro de Portugal durante muitos anos, disse que António José Seguro era o melhor candidato nestas circunstâncias. Porém, o mesmo Cavaco Silva disse de António José Seguro, estou a citar Cavaco Silva: "Um líder partidário simpático, correto, mas perante problemas, quaisquer problemas, revela-se inseguro."
E logo aí, o primeiro desentendimento entre os dois apoiantes.
Esses apoios são presentes envenenados, porque não acrescentam nada, porque se tivessem acrescentado, Marques Mendes teria estado na segunda volta.
Eu acho que se esta linha de intervenção é a linha de intervenção do André Ventura, o António José Seguro ficará muito tranquilo, porque na verdade o que o André Ventura está a atacar é o Paulo Portas e o Cavaco Silva. André Ventura acusou Seguro de querer agradar a todos. Rui Gomes da Silva concorda.
O doutor António José Seguro fez uma campanha toda baseada em só dizer generalidades.
É isso, o problema é esse.
Não tem uma única proposta sobre saúde.
E quando o líder do Chega desvalorizou o currículo do socialista, nova troca de ideias entre apoiantes.
Liderou a JS.
Foi líder das juventudes socialistas.
Sim.
Foi líder do Conselho Nacional de Juventudes.
Um homem que não tem opinião sobre nada.
Estamos a falar de política séria. O doutor tem um currículo um bocadinho melhor que o do André Ventura, que só liderou o Chega.
Conseguiu sozinho passar de um deputado ou zero deputados para 60 em cinco anos. Mas a única experiência de liderança é de um partido político. António José Seguro quis mostrar ser garante de estabilidade, palavras vazias para Rui Gomes da Silva.
Quando a estabilidade não defende as condições de vida. Olha, pronto, eu a falar e ele está eu. Pronto, são três ou quatro coisas e ele volta sempre à mesma: estabilidade, garantia, Constituição. Pronto.
As pessoas querem estabilidade.
Não querem nada. As pessoas querem é viver bem, querem lá saber da estabilidade.
É garantir essa estabilidade.
Pronto.
Eu serei um fator de estabilidade e de garante dessa estabilidade.
Olhe, eu a falar e ele aqui.
No tema da Justiça, Ventura defendeu mudanças na forma de nomear o Procurador-Geral da República.
Qual é a alternativa para a nomeação do Procurador-Geral da República?
Podia ser, por exemplo, dentro da corporação do Ministério Público, ser escolhido por eles.
Não, uma corporação.
E Vitalino Canas aproveitou para provocar Rui Gomes da Silva.
Está aqui um bocadinho atrapalhado o André Ventura. Por quê? Você que é um homem da Justiça, que é advogado, acha que isso é uma proposta adequada?
No final, Rui Gomes da Silva encontra numa frase de André Ventura a chave para resumir o debate.
Se é para não fazer nada, vota no António José Seguro. Eu acho que os portugueses têm que perceber isso.
E entendo por que Seguro não quis mais nenhum frente a frente.
Este é o debate em que as pessoas ficaram esclarecidas. E eu percebo que António José Seguro não queira mais nenhum debate. Não pode querer.
Já Vitalino Canas considera que o debate chega para marcar diferenças.
Outro debate que houvesse, ia que debater que temas? Outros temas além destes, parece-me que não há outros temas para serem debatidos para além destes.
E sublinha que apenas um dos candidatos tem perfil para ser chefe de Estado.
António José Seguro está a candidatar-se a presidente da República, enquanto que André Ventura está a candidatar-se a primeiro-ministro, eventualmente, no futuro, a um cargo executivo.
Vitalino Canas e Rui Gomes da Silva colados à televisão a acompanhar o debate entre António José Seguro e André Ventura, tal como os candidatos que apoiam, discordam em quase tudo