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Temos a lamentar a perda de mais sete vidas para esta doença, pelo que transmitimos as mais sinceras condolências às famílias enlutadas. Com este número, temos agora um total de 1504 óbitos, a que corresponde uma taxa de letalidade de 4,2% e de doentes com mais de 70 anos de 17,5%. Os números confirmam a tendência das últimas semanas, em que cerca de 90% dos números de hoje pertencem à região de Lisboa e Vale do Tejo e estão localizados predominantemente em cinco conselhos da área metropolitana de Lisboa. Isto significa, como temos dito, que se encontra plenamente justificada a intervenção especial adotada relativamente a esta região e nomeadamente a estes conselhos, que sucessivamente temos vindo a explicar nestas conferências diárias dos últimos dias. A este propósito, queremos deixar, por um lado, uma nota de apreço e de valorização do esforço e empenho que as autoridades locais estão a colocar na concretização do plano em curso, no acompanhamento e monitorização das situações junto das comunidades e na mobilização dos recursos. Nunca é demais frisar e enaltecer o papel das autoridades de saúde pública, bem como o papel decisivo dos autarcas e do poder local, seja das câmaras municipais ou das juntas de freguesia, também nesta dimensão, em todo o país, o que nos permite, nesta como em qualquer circunstância, garantir a intervenção de proximidade na implementação das medidas e da sua plena efetividade. Foi assim nas medidas de contenção e está também a ser assim em cada uma das desafiantes etapas de desconfinamento e regresso a este novo normal. Os resultados que alcançamos no país nos últimos meses, nesta resposta à pandemia, também a eles se devem. E estamos confiantes que, também nas situações particulares que ainda são assinaladas na área metropolitana de Lisboa, seremos capazes, com a articulação que já temos no terreno e que todos os dias vimos a reforçar, de debelar os focos de preocupação ainda existentes. Por outro lado, quero reforçar uma vez mais o apelo que temos feito a todas as pessoas que respeitem as indicações das autoridades de saúde pública, seja no respeito pelas medidas de prevenção e proteção, seja no respeito estrito pelas regras de isolamento. O sucesso da resposta do nosso país a esta crise passa também por este compromisso que todos devemos ter uns para com os outros. Provámos desde a primeira hora que fomos capazes de o fazer dentro e fora do estado de emergência, e os dados do país estão aí para o comprovar. A todos os que usufruem destes feriados para viajar e gozar alguns dias de merecido descanso com a família, podemos dizer: aproveitem. Mas dizemos também que cabe a cada um de nós continuar a assumir nas nossas vidas esse mesmo sentido de responsabilidade cívica que tivemos em momentos anteriores e continuarmos agora em todos os momentos e contextos, mantê-lo. Com disciplina e no cumprimento das regras de distanciamento, proteção individual e higienização, solidariedade no trabalho por resposta social em rede e assertividade nas ações de detenção e contenção. Assim, seremos capazes de dar ao país a confiança e a tranquilidade possível que ambicionamos para enfrentar aquilo que sabemos que é uma exigente retoma econômica que temos pela frente. Para tal confiança, sobretudo depois dos últimos meses, posso sublinhar uma vez mais que todos temos consciência da centralidade que um SNS cada vez mais forte tem de ter. Isso muito devemos aos profissionais de saúde que honram com brio, na linha da frente, o serviço público de saúde, mas também a todos os portugueses que encontram no nosso SNS um fundamental instrumento de igualdade e proteção. Na linha do que temos vindo a fazer nos últimos anos, podemos hoje sublinhar que no Orçamento Estado para 2020 foi feito, e vale a pena reforçar essa mensagem agora, no quadro do orçamento suplementar. Novamente temos mais instrumentos para prosseguir o investimento na área da saúde, com o reforço de mais 504,4 milhões de euros, prevendo-se assim a contratação de mais profissionais de saúde até dezembro, bem como a integração dos profissionais que foram contratados na fase de emergência. Ou seja, teremos um acréscimo de 4,5% face ao orçamento aprovado para 2020. Conforme anunciado pelo Plano de Estabilização Económica e Social, este investimento permitirá dar corpo aos objetivos prioritários que assumimos neste contexto de emergência de saúde pública, de recuperação da atividade assistencial, de reforço da resposta de medicina intensiva, de resposta da rede laboratorial, de valorização dos profissionais do SNS e de saúde pública e de reforço nas redes de sistemas de informação em saúde. Com o esforço de todos, o SNS tem cumprido a sua missão na resposta à pandemia, mas com isto assumimos também que queremos ir mais longe. Estamos assim a construir, pedra a pedra, empenhando os recursos do país e de todos nós, neste que é um dos pilares da nossa democracia, o SNS mais robusto, cada vez mais resiliente e apto a continuar a transmitir a confiança e segurança que os portugueses precisam e merecem para encarar o futuro com uma perspectiva positiva. Muito obrigada. Estamos então disponíveis às vossas questões.

Bom dia, Francisca Genésio, CMTV, ao serviço também da SIC e da TVI. Ontem a ministra da Saúde revelou que há 13 freguesias na Grande Lisboa com vigilância apertada devido à existência de surtos nesses locais. Acontece que temos recebido denúncias de muitos autarcas que se dizem surpreendidos com estes surtos. Dizem que não têm conhecimento e criticam a falta de comunicação por parte das autoridades de saúde. Por outro lado, hoje a presidente da Junta de Freguesia de Arroios denuncia um lapso e diz que afinal Arroios não consta desta lista que ontem foi divulgada. Portanto, eu pergunto como é que reage, quer o ministério, quer a Direção Geral de Saúde, às críticas dos autarcas e também a esta falha. Também ontem a ministra da Saúde disse que 10% dos casos positivos em Lisboa nas últimas semanas são de trabalhadores da construção civil. Eu perguntava à diretora geral da Saúde se já é possível fazer aqui uma caracterização dos outros casos, portanto, construção civil, o que é que temos mais? Obrigada

Obrigada pela questão. Naturalmente, aquilo que é possível concretizar é que nós temos alguns surtos em alguns pontos que têm uma correspondência com um código postal, se é que podemos dizer. Houve, no caso de Arroios, um lapso que já foi identificado e naturalmente pedimos desculpa pelo facto. Relativamente a outras situações que nos foram sinalizadas, esses surtos ou esses clusters foram sinalizados em algumas instituições, muito em particular instituições de idosos, e naturalmente a expectativa é que a articulação que existe ao nível das autoridades locais, que está em curso, esteja a cumprir com os procedimentos que são habituais e de articulação com todas as entidades locais, de maneira que todos os procedimentos cumpram o normativo que está estabelecido.

Obrigada. Relativamente aos testes e aos rastreios, de facto, aquele grupo que foi testado e que mais positivou, 10% das pessoas que foram testadas tiveram teste positivo, foi o grupo dos trabalhadores da construção civil. Outros grupos de pessoas que foram testadas, nomeadamente trabalhadores temporários, lares, que nós continuamos a ter lares para pessoas idosas ainda com surtos ativos, até agregados familiares, porque nós também temos surtos em grandes agregados familiares, deram uma percentagem de testes positivos inferior, na ordem dos 4% a 5%. Portanto, de facto, o grupo que tinha mais pessoas assintomáticas e positivas foi o dos trabalhadores da construção civil. Os outros grupos tiveram percentagens de positivos ligeiramente inferiores. Como vos digo, entre os 4% a 5%.

Boa tarde, Carla Diogo da RTP. A minha primeira pergunta diz respeito à norma publicada pela DGS em relação à retoma da atividade das cirurgias não urgentes, que devem ter em conta a consideração da gravidade clínica e também o tempo de espera. Eu pergunto-lhe se tudo isto não vai aumentar ainda mais as listas de espera. A outra pergunta diz respeito também ao guia de recomendações, também hoje publicado, por tema e por setores de atividade. Eu perguntava-lhe o que é que isto acrescenta em relação àquilo que já é conhecido, que tem sido publicado também. Muito obrigada.

Relativamente à norma da retoma da atividade clínica, o objetivo é exatamente o oposto. É que fiquem definidos os parâmetros para que essa retoma se faça de forma ordenada, com regras, e que todos os estabelecimentos de saúde conheçam essas regras e ajam em conformidade. Portanto, o objetivo da norma é exatamente o contrário, é uniformizar os procedimentos, todos façam da mesma forma, que os doentes que tiverem indicação para ser testados serão, que a ordem como serão chamados será a mesma. Portanto, é uma regra que facilitará e tornará mais equitativo a nível nacional esta retoma. Esse é o objetivo, é também um objetivo de equidade a nível nacional. Relativamente ao guia, ainda bem que perguntou. Nós não conseguimos fazer orientações e normas para todos os setores de atividade. Aquele guia é um guia de equivalências, portanto, uma pessoa que tenha um determinado tipo de estabelecimento para o qual não há uma orientação específica, consegue saber quais são as orientações que se adaptam ao seu setor de atividade e, portanto, ir ver essas orientações, aquilo que pode alimentar o seu plano de contingência. Obviamente, se ainda subsistir alguma dúvida, poderão colocar sempre essa dúvida específica à Direção-Geral da Saúde, que responderá. Mas é para permitir a todas as pessoas retomarem a sua atividade com planos de contingência bem elaborados, tendo um quadro conceitual, que são as orientações da Direção-Geral da Saúde, sendo que é impossível nós fazermos orientações para todos os setores. É uma espécie de tabela de equivalências. Portanto, os setores ali terão uma base para se inspirarem a fazerem os seus planos de contingência, sabendo que depois estamos sempre à disposição para dúvidas concretas e específicas.

Primeiras questões por videoconferência, Agência Lusa.

Bom dia, Sofia Maia da Agência Lusa. Eu gostaria de saber se era possível fazerem um novo ponto da situação sobre o número de crianças que estão internadas e quantas crianças é que estão em cuidados intensivos. Outra das questões que gostaríamos de voltar a abordar tem a ver com a questão dos profissionais de saúde, também saber o número de infetados e quantos é que estão internados. Obrigada.

Sobre os profissionais de saúde, nós hoje não temos os números disponíveis, mas amanhã reportar-mos-emos. Sobre as crianças, passaria para a Dra.

Sobre as crianças, temos uma notícia muito boa para dar. Desde praticamente que começamos a ter internamentos pediátricos, e isto reporta-se ao sul todo do país e não temos nenhuma informação em contrário da região Norte, portanto, tomamos como bons os resultados do Hospital Dona Estefânia, que neste momento tem duas crianças internadas e nenhuma está em unidade de cuidados intensivos. Uma notícia que nos apraz muito dar é este pequeno número de crianças que neste momento está internada e nenhuma está em cuidados intensivos.

Rádio Renascença.

Bom dia, Eunice Mendes da Rádio Renascença Eu queria pedir alguns esclarecimentos sobre dois assuntos da conferência de imprensa de ontem. Em primeiro lugar, foi ontem anunciado que os arraiais, tanto formais como informais, estão proibidos, mas queria perguntar se nas noites de Santo António e de São João, e à volta desses dias, os restaurantes podem vender para a rua e podem ter esplanadas com música e com grelhadores. Depois, em relação aos aeroportos, a senhora Ministra da Saúde ontem disse que estarão a ser pedidos cartões de localização de passageiros e, na segunda-feira, no fim da reunião da Infarmed, quase todos os partidos pediram medidas para os aeroportos. Eu queria perguntar se esses cartões já estão, de facto, a ser pedidos, porque há quem diga que não, como o deputado do PSD, Ricardo Baptista Leite, e se são a única medida e se será uma medida suficiente. E queria ainda perguntar se há alguma perspectiva para retomar o desembarque de passageiros de cruzeiros em Portugal e que medidas podem vir a ser tomadas para controlar os passageiros de cruzeiros. Obrigada.

Antes de passar à doutora Graça para as questões mais concretas, sobre a questão da abertura das fronteiras, porque na prática todas essas medidas, quer a dos cruzeiros, quer a dos aeroportos, têm que ver com a abertura das fronteiras e com a articulação que é necessário fazer nesse contexto. Portugal articula com os seus parceiros europeus toda a dinâmica que vai colocar nessa matéria. A Direção-Geral de Saúde está a operacionalizar com os seus pares, também a estudar todas as medidas no sentido de que toda essa abertura seja feita com o máximo de segurança e eficácia no procedimento. E portanto, é nesse sentido que, enquanto Ministério da Saúde, estamos a acompanhar. Não sei se a doutora Graça tem mais questões para adiantar.

É exatamente isso. Uma das prioridades em que estamos agora a trabalhar é na questão das viagens, nomeadamente no que diz respeito não só aos transportes aéreos, mas também aos navios de cruzeiros, porque para que existam medidas de segurança, é preciso uma logística complexa, que nos permita identificar rapidamente um passageiro e, obviamente, fazer aquilo que temos que fazer, que é à volta desse passageiro encontrar os seus contactos. E para isso é preciso sabermos exatamente esse passageiro quem é, onde viajou, onde está, e é nisso que estamos a trabalhar neste momento. Se me permitem, em relação à questão dos arraiais. Temos dito isso sempre. Nada impede que haja uma esplanada, que essa esplanada tenha música, que essa música seja acompanhada de um grelhador e de umas belas sardinhas, desde que se cumpram as regras de distanciamento. É uma nova normalidade, de facto, e as coisas podem fazer-se, mas podem fazer-se com regras. Cabe a cada um de nós cumprir essas regras e nós todos observamos no nosso dia a dia que há realidades diferentes. Há esplanadas ótimas que estão com muitas pessoas, em que tudo está ordenado, tudo está cumprido e o risco é mínimo. E depois há outras situações em que as pessoas se juntam demasiado. Ontem foi aqui mencionado pela senhora ministra e creio que é uma chamada de atenção muito importante. Nós preocupamo-nos muito com esta questão dos passageiros, onde é que eles viajam, quem é que esteve ao seu lado, para conseguir localizar, para conseguir encontrar as pessoas. E nestes sítios públicos, nas esplanadas, nos ajuntamentos de pessoas ou em situações de convívio ou não, muitas vezes estamos a conviver com perfeitos desconhecidos. E temos que ter aqui também a reserva de pensar que não conhecendo aquelas pessoas, não conhecemos o seu risco, não conhecemos o seu estado infeccioso e temos que tomar cuidado, mesmo agora para os santos populares. A resposta é: um café pode ter uma esplanada, uma esplanada pode ter um grelhador. O grelhador pode ter sardinhas, isso não impede as pessoas todas que observem regras para esse arraial, que será um arraial diferente do arraial do ano passado.

Últimas questões, Observador.

Muito boa tarde, Sara Antunes Oliveira, da rádio e do jornal Observador. Eu tinha aqui duas perguntas, a primeira, voltaríamos aqui aos casos em Lisboa e Vale do Tejo. Eles não têm sido atribuídos ao desconfinamento, tem sido explicado que afetam até pessoas e atividades que não confinaram e que não é propriamente o desconfinamento que está na origem destes casos. Mas se é assim, por que agora e não antes? Se estas são pessoas que já estavam desconfinadas, por que esta incidência agora e não antes? E já agora, por que em Lisboa e não noutros sítios do país onde estas atividades também existem, como por exemplo, a construção civil e nunca pararam. E a segunda pergunta tem a ver com os testes, também um pouquinho a ver com isto. Uma das explicações é que está a ser feita uma testagem muito agressiva nesta região e quanto mais se procura, mais se encontra. A minha pergunta é se, por outra, houve um abrandamento nos testes feitos no Norte e no Centro.

Olha, eu iria começar, se me permitem, então antes da última questão sobre como é que se desenvolveu esta epidemia agora em Lisboa, sobre a testagem agressiva. A política de testagem deve ser uma política dirigida. Dirigida para determinados momentos, para determinados contextos e para determinadas situações de risco. Deve ser orientada por alguma coisa. E neste momento, não se pararam os rastreios em nenhuma região do país. Temos que convir que há regiões do país que praticamente não têm atividade epidémica, nem têm a circulação do vírus. Nessas, não se justifica fazer rastreios indiscriminados. Agora, numa dessas regiões em que se verifique, por exemplo, um foco numa residência universitária, num lar, numa obra, num sítio qualquer, sim, justifica-se fazer um rastreio dirigido. É para vos dizer que a intensidade dos rastreios varia com a avaliação do risco num determinado contexto e num determinado tempo. Mesmo aqui em Lisboa, nósNós tomamos esta medida de fazer mais de 14 mil testes de rastreio num contexto específico para encontrar positivos rapidamente, isolar esses positivos e agora a estratégia é outra, é acompanhar esses casos positivos e fazer com que se confinem e não continuem a transmitir. Relativamente às epidemias e às dinâmicas, habitualmente em todo o mundo é assim, não ocorrem de forma uniformizada num país, nem a gripe assim, ocorrem por regiões conforme dinâmicas populacionais dessas regiões. E muitas vezes o que dá início a uma epidemia numa região não se chega a conhecer em profundidade. Portanto, os primeiros casos que aparecem é como a dinâmica dos fogos, dos incêndios no verão. Acabam por dar origem a outros. E eu recordo aqui, falamos sempre disso, que o norte iniciou uma dinâmica epidémica completamente diferente do centro e completamente diferente da LVT. Eu não falo nas outras regiões porque não são muito densamente povoadas, como sabem, o Alentejo, o Algarve e mesmo as regiões autónomas tiveram dinâmicas muito mais ligeiras. Estou a falar das três grandes. O padrão do norte começou com casos importados, casos esses que transmitiram a muitas pessoas, porque eram pessoas que tinham uma atividade social e laboral bastante diversificada, e portanto houve aquele grande aumento no norte que não foi acompanhado dos correspondentes aumentos nas outras regiões. Depois tivemos o fenómeno da zona centro, lembrar-se-ão todos de Ovar, em que houve uns casos iniciais circunscritos muito naquela região e que deram origem até, como sabem, a uma cerca sanitária, medidas excepcionais para Ovar, e a região centro teve a sua própria dinâmica. E depois, num outro tempo, Lisboa e Vale do Tejo teve sempre casos, teve sempre atividade epidémica, mas não foi tão evidente em determinadas alturas como a do centro, neste caso específico, e como a do norte. Até que em Lisboa começaram a surgir vários focos ligados, como sabem, a trabalhadores de empresas de trabalho temporário, que começaram no polo da Azambuja já há bastante tempo, há semanas, e que a partir desses focos, depois originaram-se focos secundários nas habitações, focos de transmissão nos transportes. Nós sabemos que o transporte destes trabalhadores, por isso é que agora há regras que até se alastraram a todo o país para minimizar o contágio dentro de uma carrinha de transporte, que não só ia com a lotação toda, como ainda podia ter mais lotação do que aquela que devia. E portanto, isto é fácil de se perceber que a partir de um determinado foco, sobretudo se as pessoas não viverem naquele sítio, viverem noutros sítios, forem transportadas e trabalharem em mais do que um local, é fácil fazer como se fosse uma sementeira de casos que vão originando outros focos. E portanto, as dinâmicas das epidemias são mesmo assim. Tentar perceber como é que elas começam e donde vão, muitas vezes é difícil em tempo real. Muitas vezes estes estudos das grandes epidemias, a SARS, por exemplo, ou outro coronavírus, só depois de ter acabado é que nós conseguimos perceber onde é que cada foco tinha começado, quantas pessoas é que se originaram numa única, como é que aquilo passou de um local para o outro. Porque nesta altura o nosso objetivo é ter os números, é perceber que eles existem, saber a incidência, saber a prevalência e atacar o problema, pôr as pessoas confinadas, tratá-las, controlá-las, encontrar os seus contactos, confinar, tratar, controlar. E portanto, neste momento estamos muito preocupados com esta dinâmica, sem deixar de tentar perceber os fenómenos que levaram ao seu aparecimento. E grosso modo serão estes, quando se estudar isto mais aprofundadamente, perceber-se-á melhor as cadeias de transmissão e donde foi, de que lado e como é que se transportaram estas cadeias de umas pessoas para as outras. Mas basicamente as epidemias são assim, têm dinâmicas diferentes, têm timings diferentes, têm velocidades diferentes e atingem pessoas diferentes, porque as populações também não são iguais, nem em densidade, nem em demografia, em idade, por exemplo. Eu recordo aqui, já que tenho a oportunidade de dizer isto, que a população da região centro era uma população extremamente envelhecida. A letalidade na região centro foi maior porque as pessoas eram mais velhas, de facto, na região centro, teve essa característica. Este surto agora de Lisboa, como sabem, tem outras características. Apesar de tudo, também temos pessoas idosas, porque ainda temos polos e surtos em lares. Mas a maioria dos casos de Lisboa são trabalhadores jovens, adultos, com doença pouco grave, felizmente.

Muito obrigado.

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