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Sérgio Aires é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara do Porto.
Sim?
Estou sim, boa noite. Rita Penela, do Jornal Observador.
Boa noite.
Já a preparar o final de dia ou ainda mais alguma...
Estou a terminar aqui agora uma conferência que foi online da ILGA Portugal.
A conversa começa com um balanço.
Estamos já na reta final da campanha. Como é que tem corrido esta campanha ao Bloco de Esquerda que quer muito conseguir entrar na vereação da autarquia?
Na nossa opinião, tem corrido bem, com todas as dificuldades que ainda são inerentes àquilo que é uma saída da pandemia. Tem entrada nalguns sítios, quando íamos entrar, as pessoas pediam: "Por favor, não entrem mais duas pessoas". Enfim, é normal. E foi por isso mesmo que também começamos a ter mais cuidado do que até imaginávamos.
Sérgio Aires ainda acredita que o Bloco de Esquerda vai mesmo conseguir um vereador.
Ainda continua a acreditar, é daqueles que não liga muito a sondagens ou tem algum peso e desmoraliza para estes últimos dias?
Não, desmoralizar, não desmoraliza, de certeza. Haverá para todos os gostos. São um indicador, naturalmente. Não desvalorizo sondagens. Mau era, sou sociólogo. Não poderia nunca fazer uma coisa dessas. Mas há muita incerteza ainda e continuamos a acreditar. Temos sentido que há muitas pessoas descontentes. Há um certo contentamento, no sentido em que se sentem orgulhosos de algumas coisas que se passam na cidade ou que eles pensam que se passam na cidade, do ponto de vista da visibilidade da cidade externamente e da parte do turismo, mas depois um descontentamento muito grande com aquilo que é a sua vida e que não muda. Estamos confiantes que na hora do voto as pessoas percebam que há a possibilidade de haver uma alternativa e que a entrada de um vereador do Bloco de Esquerda poderia precisamente fazer essa diferença e também fazer a oposição, que na nossa opinião não foi suficientemente forte ao longo destes mandatos de Rui Moreira.
Essa falta de oposição traduz-se no último mandato de Rui Moreira como se tivesse conseguido uma maioria absoluta, aquilo que agora temem?
Sim, Rui Moreira não podia ser mais transparente. Disse que queria a maioria absoluta, que estava muito satisfeito que a sondagem assim o apontasse, porque considera que a pouquíssima oposição que houve, seja na Assembleia Municipal, seja no Executivo, mesmo assim estorvou aquilo que seria a sua ação, o que a nós nos preocupa ainda mais.
E o que é que falta fazer na campanha eleitoral do Bloco de Esquerda?
Não falta nada, falta só continuar a fazermos aquilo que estamos a fazer, que é conversar com as pessoas. Nós estamos a sentir muita desinformação, encontramos muitas pessoas que não sabem que vai haver eleições, que nem sabiam que já é este domingo, que nem sequer sabem que eleições são. Faz temer muita abstenção, o que não seria bom para nada.
Deixe-me perguntar-lhe a que horas é que tocará o despertador amanhã do candidato à Câmara Municipal.
Já estou na fase em que não preciso de despertador. Aos 52 anos a gente já não precisa de despertador. Acordo automaticamente, mais ou menos às 7 da manhã.
Sérgio Aires, candidato Bloco de Esquerda ao Porto, entrevistado por Rita Penela.
Vou deixá-lo então descansar, já que amanhã acordará naturalmente sem despertador, disse-me. Uma boa noite e um bom descanso.
Muito obrigado, Rita Penela. Boa noite, obrigado.
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