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É evidente, aliás, os especialistas concordaram também na reunião que são necessárias medidas concretas, específicas, para lidar com determinados surtos. Estamos de acordo com isso. Por exemplo, hoje de manhã o Parlamento decidiu voltar a incluir as pessoas com diabetes e as pessoas com hipertensão no regime excecional de proteção, por proposta e iniciativa do Bloco de Esquerda, que chamou o decreto de lei do Governo à Assembleia da República e propôs alterações ao mesmo. E é neste sentido que devem ser dados passos, ou seja, devem existir medidas concretas, não só para proteger aqueles que são mais vulneráveis à doença e que, sendo infetados, podem desenvolver uma forma mais grave desta doença. Daí a importância de voltar a incluir pessoas com diabetes e com hipertensão no regime excecional de proteção, mas também é necessário ter medidas concretas que ataquem as causas que estão por trás de surtos e de contágios que continuam a existir. Como foi possível perceber, tem havido um aumento do número de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo. Como foi possível perceber, esse aumento não se explica unicamente pelo aumento da testagem, portanto existem outras explicações. Existe mesmo um aumento de contágio. Mas também como tem sido possível perceber, existem causas por trás dessas situações. Não será por acaso que as 19 freguesias que estão ainda sob estado de calamidade são freguesias da Amadora, de Loures, de Sintra, de Odivelas e que muito mimetizam, por exemplo, aquilo que são os transportes pendulares que é preciso fazer entre esses concelhos e Lisboa e que é preciso fazer do trabalho para casa. E certamente que situações como transportes sobrelotados, situações de falta de condições de trabalho nos sítios onde as pessoas trabalham e de falta de condições de habitação não podem ser desligadas da situação de desenvolvimento da epidemia na situação de Lisboa. E, por isso, para o Bloco de Esquerda, parece evidente que se reconheça que as causas laborais, que as causas de transporte, que as causas de falta de habitação e dignidade dessa mesma habitação devem ser áreas onde o Governo e o país devem atuar decididamente. Não basta limitar alguns ajuntamentos em via pública se nós não atacarmos estas verdadeiras causas. Aliás, os próprios especialistas em saúde pública da região de Lisboa e Vale do Tejo dizem-nos, e parece lógico, que a principal causa de contágio é a coabitação, a segunda principal causa de contágio é o contexto laboral e só depois vem o contexto social. Portanto, é preciso, efetivamente, que hajam medidas concretas para atacar as primeiras causas. Ou seja, por que as pessoas que coabitam se infetam? Porque provavelmente partilham habitações onde não é possível fazer o distanciamento social, porque provavelmente são trabalhadores com salários tão baixos que têm que partilhar 10 a mesma casa e, portanto, é preciso políticas de alojamento e de realojamento quando é necessário. Por que as pessoas levam o vírus para casa? O facto de muitas vezes partilharem meios de transporte públicos sobrelotados, correm, obviamente, maior risco de contrair e de disseminar esse contágio. Por que a segunda causa é o contexto laboral? Provavelmente, novamente a ver com o transporte para o trabalho, mas também faltas de condição ou de segurança no próprio local de trabalho. Portanto, é preciso também haver medidas concretas para estas áreas. Como foi dito nesta reunião, neste momento é muito mais eficaz identificar as causas, identificar o que em cada freguesia pode estar a justificar o desenvolvimento de um surto e ter respostas muito concretas para estas situações e não apenas respostas gerais. Aliás, é isso que o Bloco de Esquerda tem defendido no final de cada uma destas reuniões, desde há muitas semanas a esta parte, é que ninguém se esqueça que qualquer doença tem determinantes sociais e económicos e que é preciso mudar esses determinantes se nós queremos conter a doença.
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