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Sabemos que para conseguir atingir o objetivo de vacinar 70% da população até ao final do verão, é necessário triplicar a atual capacidade. E se é verdade que está a ser preparada a abertura de novos centros de vacinação, também é verdade que muitas autarquias declararam já que se os recursos materiais e humanos não forem reforçados, não será possível cumprir esse objetivo. Em suma, precisamos de enfermeiros para cumprir o plano de vacinação, recuperar a atividade programada, assegurar o tão necessário descanso destes profissionais e para melhorar a qualidade dos serviços. É por isso com surpresa, que recebemos notícias de que existem enfermeiros a serem dispensados. Sim, sabemos que o governo anunciou que não faltariam enfermeiros e identificou a falta de 2500 destes profissionais. Esperamos que este processo de recrutamento não decorra como o relativo à contratação de 40 psicólogos para o SNS, que se iniciou em 2018 e não tem fim à vista. A um plano de vacinação eficiente, dever-se-ia ajuntar um plano de testagem massiva. De outra forma, não conseguiremos voltar à normalidade tão cedo, com todas as implicações sociais e económicas que isso terá para as pessoas. Veja-se o setor da cultura, que encerrou as suas portas em março de 2020, com a agravante da maioria dos profissionais do setor ainda não ter recebido um euro. Pelos vistos, o programa Garantir Cultura ainda não garantiu nada. No fundo, devemos fazer tudo para que o processo de desconfinamento seja bem-sucedido e possamos acabar o quanto antes com a declaração do estado de emergência, até porque esta não é necessária para continuarem a existir determinadas medidas restritas. Se é verdade que temos que sobreviver à crise pandémica, também é verdade que não podemos continuar a desconsiderar a crise económica e social.

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