Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Diz-se que nas crises se vê o pior e o melhor das pessoas, também das sociedades. E nesta crise sanitária já se viu que há pelo menos duas coisas na sociedade, não só na portuguesa, particularmente más, que estão a acontecer. São uma espécie de vírus que podem não só minar aquilo que são as bases do nosso desenvolvimento futuro, mas até as bases da própria democracia liberal que gostaríamos de manter. O primeiro desses vírus é o medo. É o medo que bloqueia a vida e as decisões das pessoas e que até se vê na facilidade com que muitas delas trocam a liberdade pela segurança, até pela segurança ilusória. E esse bloqueio que as pessoas sentem por medo, a perpetuar-se e a manter-se, vai causar desespero, em particular nas camadas mais desfavorecidas da população e nas camadas mais dinâmicas da população. Umas porque precisam de apoios e outros que precisam de horizontes e não os estão a encontrar. E não os estão a encontrar também porque veem demasiados casos de atrasos, de burocracias, de incompetências, de compadrios, nalgumas das medidas que têm sido tomadas para sair da crise. E veem também duplicidade e confusão nas regras sanitárias, nos casos dos eventos de partidos e de não partidos, de amigos e de não amigos, e sentem também nas nomeações de paraministros. Aproveito para dizer que chamámos com caráter de urgência a este Parlamento o professor António Costa Silva para esclarecer essa situação. O segundo vírus é o extremismo. O extremismo que aproveita o fato de estar boa parte do mundo virado para o Covid e tenta, por todas as vias, à esquerda e à direita, os extremistas, aumentar o papel do Estado em tudo o que é economia, em tudo o que é prestação de serviços públicos, em tudo o que é intromissão na vida privada das pessoas. Esses extremistas que tentam aumentar a repressão daqueles que amam verdadeiramente a liberdade, que ameaçam com censura-

Deputado, quer terminar, se faz favor?

Vou terminar, senhor presidente. E que exacerbam comportamentos discriminatórios, racistas e violentos um pouco por todo o mundo. E pior que tudo, condicionam os democratas a uma espécie de unanimismo forçado, em que todos aqueles que discordam-

Deputado, quer terminar, se faz favor?

Vou terminar, senhor presidente, e é mesmo com esta última frase. A pergunta muito concreta, senhor Primeiro-Ministro, é: o que é que o seu Governo e o senhor, em particular, vai fazer para que Portugal não sucumba ao medo que nos está a bloquear e não sucumba ao extremismo que pode minar as bases da democracia liberal?

Senhor Deputado Cotrim Figueiredo. Acho que, francamente, fico um pouco perplexo que depois de o país ter vivido uma situação dramática como a que temos vivido ao longo destes meses, temos mesmo tido a necessidade de decretar e renovar um estado de emergência, de vivermos em estado de calamidade, num amplo consenso político, sem nunca ter suspendido a vida democrática, sem nunca ter restringido a liberdade da imprensa ou da comunicação, ou das redes sociais ou disto ou daquilo, com enorme autodisciplina por parte dos cidadãos, sem ter necessidade de pôr as Forças Armadas na rua, a não ser para apoio humanitário, forças de segurança, a não ser para apoio pedagógico. Considerar que a nossa democracia liberal está em perigo? Ó senhor deputado, por amor de Deus, se há coisa que Portugal deu provas ao mundo é que foi capaz de viver este mundo numa enorme tranquilidade da democracia liberal. Claro, como é sabido, com crise ou sem crise, há sempre gente que acha que o discurso populista dá votinhos e, portanto, exploram. Olha o caso do senhor deputado André Ventura. Agora, é por causa da crise? Não, é assim. Sr. Deputado, como é que se responde a isto? Como se responde a isto é devolvendo confiança.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto