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Emissão especial da Rádio Observador a partir do Porto. Estamos no WOW, World of Wine. É um novo espaço com mais de 55 mil metros quadrados, aqui bem perto do rio, na marginal de Gaia. E conosco a esta hora está a Ana Lourenço, que é responsável de comunicação deste belíssimo espaço. Ana, primeiro, obrigado por receberes a Rádio Observador aqui para estas emissões especiais e obrigado também por estares conosco para percebermos que sítio é este, que é um quarteirão cultural, de entretenimento, comercial, turístico. Tem aqui tantas valências. Já conhecemos há pouco com o José Sá também essa parte do Wine Experience e da Escola do Vinho, mas são muitos mais os espaços que tem o WOW ao dispor. Primeiro de tudo, como é que isto nasce e qual é a missão deste espaço com tantas destas valências misturadas e tão próximas?
Certo. Antes de mais, eu gostava de tirar aqui um elefante da sala que eu estou a ver, porque eu vou dizer "Uau!" na maioria das vezes.
Então vamos dizer todos. A Ana Lourenço devia ter vindo mais cedo.
Exato. Não, é que não está errado, desde que vocês venham. Eu digo sempre WOW, desde que as pessoas venham está tudo certo.
Sabe por quê? Porque eu digo em inglês como é World of Wine, os ingleses dizem "Uou!", não dizem "Wow". O uau é em português.
Nós normalmente dizemos "wow", porque é muito fator wow.
Ok, a surpresa.
E passo já, então. É mais do que a surpresa, é o elemento de ficar encantado, é o deslumbramento. E isto vai já de encontro com a resposta que me pedem, que é: isto começou e o fio condutor era sem dúvida o vinho, e portanto este nome World of Wine acabou por surgir daí. Mas a verdade é que depois começamos a acrescentar: "Há o museu do vinho, que giro. Mas espera lá, nós também somos bons na cortiça, somos líderes mundiais a fazer cortiça. Então se calhar também contávamos esta história, está ligado com o vinho". E depois começamos a juntar os têxteis, que o norte de Portugal também é ótimo e criamos o Museu dos Têxteis e da Moda. "Espera lá, mas dentro do vinho temos o rosé. Há muitos mitos à volta do rosé. Então vamos criar também um museu à volta do vinho rosé." E criamos mais outro. Mas depois encontramos o nosso mestre de chocolate, o Pedro Araújo. E espera lá, e esta história também é gira para contar e vamos fazer aqui a história do cacau e juntamos. Depois criamos também o Museu da História da Região, porque ainda não havia aqui nada que contasse realmente por que as pessoas começaram a viver nesta tão bela região. Portanto, começou a aglomerar um conjunto de museus com valor acrescentado para esta região e, a certa altura, acreditamos que mais do que World of Wine, um nome tão bonito que começava a ser redutor. E depois tínhamos esta feliz coincidência do World of Wine ter um nome mais curto de WOW.
Sim, ótimo.
E é curioso, porque eu faço muitas visitas guiadas e quando as pessoas chegam à nossa praça e quando começam a visitar os museus, passam constantemente a dizer: "Ah, wow, wow".
Os estrangeiros.
Não, e eu não tenho que lhes pagar para fazer isto. Eles fazem mesmo. Sim, genuinamente, eles fazem. E eu: "É isso, já estás no espírito". Então acaba por ser este fator wow. Define-nos muito bem.
Os museus têm todos nomes estrangeiros, estão todos virados mais para o público estrangeiro que, em princípio, terá a possibilidade de gastar mais. Acha que é possível atrair o público português também?
Sim, sem dúvida. Aliás, eu acho que não vale a pena fazer nenhum produto turístico só a pensar nas pessoas que vêm de fora, até porque ninguém gosta de ir a algum sítio e não haver locais. Portanto, nós estamos obviamente dependentes e a trabalhar também para as pessoas que são de cá. Para além disso, nós temos uma programação que é muito dirigida às pessoas que estão cá diariamente. E há vários exemplos. Ou seja, nós temos os sete museus. Depois temos uma quantidade enorme de restaurantes, de bares e de cafés e, portanto, as pessoas podem vir livremente. Não se paga a entrada para entrar cá. Quando a pessoa vai visitar o museu, paga. Mas para vir cá ver a vista, beber um copo de vinho ou algo assim, é totalmente livre. Apreciar o que nós temos de melhor é totalmente livre. E por isso é que também chamamos muito este quarteirão, porque as pessoas podem circular livremente através dele. Depois temos também uma série de festivais e de eventos que criamos, em que, por exemplo, agora na quinta-feira vamos começar já um novo festival, o Mixit, em que as pessoas podem vir, a entrada é gratuita.
O que é o Mixit? Estou curioso.
O Mixit é giro. É um festival de vinhos do Porto, vodkas, gim e outras bebidas licorosas. Então as pessoas não pagam para entrar, vêm.
Não custa efeito mistura?
Sim, porque depois mistura-se com tônica, nesta lógica de todas as bebidas que se possam misturar com tônica e agitar a vida.
Ok. Adoro este conceito. A Ana Lourenço é ótima para estas coisas.
Nós trabalhamos. Não andamos sempre a beber vinho.
Muito bem. Estou impressionado. Há aqui também uma componente mais cultural, artística, que me interessa particularmente. Nos próximos dias vamos ter aqui também um especial na Rádio Observador sobre uma exposição de um fotógrafo norte-americano que está agora aqui patente. É importante também este lado cultural e também um bocadinho à música. Temos mais do que uma praça exterior no WOW que, com vista para o Porto, me parecia sempre muito aprazível para um sunset ou um concerto de início de noite.
Na verdade, nós temos planos muito ambiciosos para essa praça. Não começamos logo com eles, porque infelizmente abrimos durante uma pandemia e, portanto, fomos começando devagarinho. Mas bem que podem esperar coisas, obviamente, à medida daquela praça. O que temos vindo a fazer agora? Nós vamos fazendo aos fins de semana, muitas vezes, concertos ao vivo lá para aproveitar e, uma vez mais, a praça é livre, portanto, é de aproveitar. Agora no São João fizemos um bailarico, portanto também podemos aproveitar, ainda por cima, a vista para o fogo de artifício daqui.
Sim, é privilegiada, claramente. Eu acho que isto é um dos sítios mais instagramáveis Que eu conheço aqui na região.
Sim.
Qualquer espaço.
A vista do Porto é sempre linda.
Quer indoor, quer outdoor, são muitos os espaços amigos do Instagram neste WOW. Queria perceber também uma coisa, porque gostei que a Ana tivesse dito, ficou-me essa ideia, que é o público mais estrangeiro, o turista estrangeiro, tem que ver locais, tem que haver aqui uma relação e uma proximidade com a envolvência que temos. Como é que o WOW se interliga também precisamente com esta zona que é de caves de vinho do Porto, que é uma zona com muita história e com muitas marcas diferentes, com muitos restaurantes, tascas e tasquinhas. Qual é que é a envolvência que este espaço tem também com a comunidade local?
Antes de mais, dizer que todo o quarteirão cultural é feito e nasceu a partir de antigas caves de vinho do Porto, que estavam vazias e inutilizadas e que foram requalificadas para agora estar aqui com este quarteirão que conta conteúdo e que tem museus a falar sobre a região. E depois, há outra coisa que é péssima pra comunicação, mas que nos orgulha imenso, que é quem vem do Porto, quem olha para o centro histórico de Gaia, não reconhece imediatamente o grande espaço que aqui está, não se vê.
Um bocadinho escondidito está. Da marginal pra aqui.
Claro, porque nós respeitamos a traça do centro histórico, portanto, não fizemos nada que desse nas vistas, nós enquadramo-nos perfeitamente e houve esse grande respeito por aquele que é o património de coração histórico.
Para as pessoas perceberem, é feito em camadas, é feito em socalcos.
É, totalmente. Foram aproveitadas mesmo. Ou seja, os telhados que vocês veem agora já eram os telhados das antigas caves. As telhas são novas e já é provável que ainda se nota, daqui a dois anos se calhar já não se nota nada. E depois tudo que é de dimensão, que é verdade, os nossos museus são grandes, foi construído para baixo. Ou seja, foi um trabalho em profundidade, que era precisamente para não criar aqui nenhum, como se diz aqui na norte, não sei se dizem em Lisboa, uma marracho.
Uma marracho.
Uma marracho, acho que sim, se pode usar na mesma. Neste momento, consegue dar uma ideia de números de visitantes? É possível ter essa ideia?
Não, e além de mais, é super ingrato, porque só a partir, mais ou menos, de março é que nós realmente estivemos a trabalhar sem restrições e condicionamentos.
Tiveram azar o período de abertura, não é?
Sim, mas a verdade é que isto é tão grande e tão incrível, sou supersuspeita, mas não interessa nada, eu posso. Que nós estivemos três anos em construção. Quer as obras foram delicadas e aventureiras, como todo o processo, tudo o que se virem nos museus, foi conteúdo feito por nós. Três anos de construção. Ou seja, quando apanhamos uma pandemia pelo meio, não podíamos dizer: "Espera lá, trava este comboio a alta velocidade". Nós fomos. E fomos com tudo e estamos cá para durar. Agora, números eu acho que ainda não fazem jus. Porque fomos ao trabalhar com fim de semanas fechados, era só à semana ou com horário. Mas agora já estamos. O que interessa mesmo e o ponto positivo.
Estão a full speed, não é? Estão a 100%.
Agora estamos e já se nota, e realmente cada vez mais temos pessoas que nos visitam, que regressam, e há sempre muitos motivos para regressar. E portanto, daqui em diante, eu acho que vai ser sempre a fazer realmente justos ao que merecemos.
Ana, só mesmo para fecharmos esta nova conversa. Deixe-nos aqui uma ou duas sugestões para quem quer visitar o WOW durante os próximos tempos. Já falamos aqui um bocadinho desse festival, o Mixit, que gostei muito do conceito. Outras coisas que vão acontecer agora nestas primeiras semanas de verão e que mereçam aqui uma visita a este quarteirão.
Vamos ter, por exemplo, o Dia Internacional do Chocolate e temos no Museu do Chocolate, vamos ter uma série de workshops.
Nesse dia vou tentar não vir.
Incrível.
Sou viciado.
É assim, nós temos com alguma regularidade vários workshops de chocolate, inclusive de harmonizações, algumas mais disruptivas do que outras. E também organizamos festas para crianças. Imaginem quando nós éramos novos haver um museu de chocolate pra nós fazermos festas de anos.
Seria incrível.
São muito mais sortudos os mais novos de agora.
Cuidado os dos pais.
Vou me disfarçar de miúdo e tentar vir.
Acho que também dá. E, portanto, o Dia Internacional do Chocolate pode ser uma boa dica, mas eu sugiro sempre o Dia Internacional do Chocolate.
Posso confirmar.
Falha-me a memória.
Eu já te vou confirmar isso.
Obrigada.
Mais coisas.
Preciso de ajuda, porque realmente nós temos esta programação toda sempre por aqui a rolar. Mas o que eu sugiro mesmo é que as pessoas venham um dia, nós abrimos às 10h00, e que visitem dois museus.
7 de julho, o Dia do Chocolate.
Obrigada.
Esta semana, então. É quinta-feira.
Ana, na quinta-feira temos uma conversa com o responsável aqui.
Podem fazer um workshop.
Fazemos em direto. Não era espetacular? Eu adorava.
É assim, eu não acredito que ele venha de mãos a abanar. Isso é certo.
Eu sei que vamos ter esse destaque, vamos conhecer seguramente melhor esse espaço do chocolate também aqui no WOW, nas emissões da Rádio Observador. E vamos ter essa comemoração então a 7 de julho. Mais alguma coisa, Ana, só para terminar?
Sim, a minha sugestão, lá está, é que passassem cá um dia, escolhessem dois museus à escolha. É possível comprar um pack de dois museus sem escolher e depois pensam, têm seis meses para usar.
Mas comprar dois museus é mais barato do que comprar um?
Do que comprar separadamente pra um e pra outro. E mais, tem duração de seis meses. Ou seja, uma pessoa: isto é pensar muito nos locais. Eu venho hoje com a minha tia visitar o Museu da Região do Porto, mas daqui a dois meses, porque está a chover, venho de novo com o meu namorado visitar o Museu do Vinho. Isto é totalmente possível.
Por que deixaste o namorado para o vinho e a tia para o outro? Não percebi esta distinção que tu fizeste.
Porque não conheces a minha tia.
Ah, OK, está bem. Ana Lourenço é a responsável de comunicação do WOW. É o espaço onde estamos, em Vila Nova de Gaia. É um novo quarteirão cultural, é um quarteirão de muitas experiências que vale a pena conhecer e que acolhe a Rádio Observador até quinta-feira ao final da tarde. Ana, muito obrigado pelas tuas explicações.
Foi um gosto. Obrigada.
Ainda nos vamos encontrar aqui durante os próximos dias.
Sim, claro.