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Caro Carlos César, caro Pedro Nuno, camaradas. O grande vencedor deste congresso é o próprio Partido Socialista pelo sentido de responsabilidade com que o iniciou e por esta grande manifestação de unidade e força, pela maneira como se está a retirar. Também pelo sentido cívico com que decorreu e até de boa educação, que faz falta, infelizmente, a muita gente . Fomos interrompidos contra nossa vontade, mas pode dissolver-se a Assembleia da República, o Partido Socialista não está dissolvido . Viu-se, e está-se a ver pela maneira como decorre o congresso, e viu-se no discurso empolgante de ontem do nosso camarada António Costa, que não foi a de um homem vencido, foi um discurso de um homem que está de pé, um discurso de um homem que fez uma inspiração de resistência a todos os socialistas, a um Partido Socialista que não se rende, nem se renderá . Segundo o jornal Expresso, parece que já se fala numa nova dissolução da Assembleia da República. Volto a repetir, isso pode fazer-se uma, duas vezes, não sei quantas daqui até o fim, mas ninguém dissolverá o Partido Socialista . Ninguém dissolverá a capacidade de resposta e o espírito de resistência do Partido Socialista, que tem mais de cinquenta anos e nunca virou a cara à luta. Mas não contem conosco para manobras de branquear ou tentar integrar no sistema os inimigos do sistema. Com Pedro Nuno Santos, com o Partido Socialista, com todos vós, o Chega não passará. O Chega não passará! E este é um recado que estou a dar: o Chega não passará! Com Pedro Nuno, com todos vós congressistas, com todos os socialistas, seus amigos e eleitores, o PS está pronto para a luta, o PS está pronto para a vitória . Na sua réplica de Natal, o Presidente da República lembrou a importância das eleições que vão disputar-se em 2024, desde as regionais dos Açores. Saúdo com grande abraço o nosso amigo Craveiro, futuro presidente da região nacional dos Açores . Mas dizia eu que o presidente destacou a importância das várias eleições, desde as regionais dos Açores até às legislativas nacionais, passando pelas autárquicas, pelas eleições europeias e as americanas marcadas pela incerteza e por uma certa aflição, uma grande aflição mesmo. Mas é preciso lembrar também, ou pelo menos não esquecer, que não estamos numa época eufórica da democracia, quando o americano Samuel Huntington disse que o 25 de abril tinha inaugurado uma nova era democrática e por todo lado se via a construção da democracia em Espanha, na Grécia e no Brasil, devido em grande parte ao combate que os socialistas e Mário Soares travaram para mostrar ao mundo que era possível passar de uma ditadura pra democracia sem cair numa nova ditadura de sinal contrário. É preciso lembrar que vivemos um período conturbado para a democracia. Não já na construção, mas na desconstrução da democracia por dentro. Forças populistas, forças iliberais, assim como a extrema-direita e até mesmo certos poderes de fato, senão das próprias instituições, minam a democracia no seu próprio interior. Esta é a ameaça maior. Já o disse o presidente Joe Biden em devida altura, é a ameaça maior para a democracia. A ameaça que vem de dentro da própria democracia. É preciso lembrar, portanto, que a ameaça está dentro da própria democracia e que o objetivo é passar de mais democracia a menos democracia, senão à sua subversão e até mesmo à sua extinção. É preciso lembrar também esta realidade para saber o que no atual contexto se espera das eleições, nomeadamente no nosso atual contexto, onde parece que há muita gente interessada em reintegrar aqueles cujo primeiro ato seria o de abrir o caminho à própria extinção das eleições e do sistema democrático . Para nós, socialistas portugueses, sobre cuja vida democrática pesam também idênticas ameaças, o objetivo não é só ganhar eleições, não é só formar o governo O objetivo essencial é salvar a democracia, libertar a democracia aqui na Europa e no mundo, daqueles que só falam nela para acabar com o seu conteúdo. O que se espera de ti, meu caro Pedro Nuno, é que tragas as tuas convicções, uma nova energia e um novo ciclo político para o combate que é necessário travar pela democracia e contra aqueles que dentro dela a vão corroendo. Não basta dizer que é o povo quem mais ordena. É preciso saber que o conteúdo dar a esta expressão por os populistas, para os racistas, para a extrema-direita, não é com certeza o sentido que lhe deram o Zé Caetano e os que fizeram o 25 de Abril. O que se espera de ti, meu caro Pedro Nuno, é que contigo seja sempre o povo quem mais ordena e que sejas fiel à tua palavra dada e que contigo as promessas feitas sejam sempre para ser cumpridas, porque isso é essencial para renovar a democracia, para a defender, para tirar terreno àqueles que dentro dela tudo fazem para a minar. Que, para além das questões normais, sabes dar passos decisivos para a discussão e solução dos problemas concretos dos portugueses. O emprego, onde já obtivemos grande vitória, os salários, a segurança social, a saúde, a habitação, a educação, os serviços públicos, as pensões. Como disse o grande pensador português António Sérgio: "O socialismo é a resolução concreta dos problemas concretos da sociedade." Espero que seja esse o espírito que continua a prevalecer e a renovar-se dentro do Partido Socialista. Que sejas sonhador, sem deixar de ser pragmático. Na solução dos problemas urgentes do Serviço Nacional de Saúde, conquista maior da democracia. Não por acaso, as reportagens falam sobre as horas de espera nas urgências, mas apenas dos hospitais públicos. É que, apesar dos seus problemas, o povo sabe que o único sítio onde pode ir quando precisa, quando não tem mais nenhum outro onde se dirigir, é o seu Serviço Nacional de Saúde. O que se espera de ti, secretário-geral, é que cuides da escola pública, fator maior de igualdade de oportunidades. E que não esqueças que a realidade das empresas com sentido de responsabilidade social e que escolheram para progredir e avançar na qualidade, e não numa economia baseada em baixos salários. O que se espera de ti é que reacendas a alma da democracia, porque os povos precisam de sonho e de esperança, e precisam de políticos nos quais a sua própria alma e a sua própria esperança se reconheçam. Temos conosco o legado de Mário Soares e não permitiremos que nos roubem agora o legado de António Costa. Menos de um ano depois de ter obtido a maioria absoluta, já quase toda a direita pedia a sua demissão. Tanta manigância acabou por dar os seus frutos, trocando o certo pelo incerto e a estabilidade pela instabilidade. A dissolução da Assembleia da República foi um erro de precipitação gerador de incerteza, que trocou o certo pelo incerto, a estabilidade por aquilo que nós não sabemos que vai sair. O que se espera de ti é que nós e o PS continue a ser o partido da estabilidade. Esta é uma batalha de todos os socialistas, mas também de todos os democratas que não querem a degradação da democracia. O que se espera de ti é que não deixes de lutar contra o oportunismo e o carreirismo que tanto mal fazem aos partidos, como à própria democracia, servindo os seus detratores e os seus inimigos. O que se espera de ti é que prossigas na Europa a política de responsabilidade e do rigor seguida exemplarmente por António Costa. O que se espera de nós todos, como costumava dizer Mário Soares, é um novo salto cívico que traga mais esperança a Portugal e à democracia. Com o PS, repito, os inimigos da democracia não passarão. Força, camaradas! Vamos para a luta! Vamos para a luta para vencer, sem complexos, sem medo, sem nunca nos deixarmos render. A nossa bandeira não está no chão. A nossa bandeira está de pé, na mão de cada um de vocês, na mão de todos vós. A bandeira do Partido Socialista para ir à luta, para ir às eleições e para ganhar as eleições. Viva o Partido Socialista! Viva Portugal!

Viva!