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O Partido Social Democrata fez-se representar nesta reunião através do presidente Rui Rio, que esteve sob videoconferência como conselheiro de Estado, por mim próprio e pelo presidente da distrital do PSD de Lisboa, Torrado Lopreira. O que verificamos nesta reunião é que, de acordo com os técnicos do grupo de epidemiologia da Direção Geral de Saúde, a situação que estamos a viver, particularmente na região de Lisboa e Vale do Tejo, é, nas palavras deles, a representação de uma segunda onda da Covid-19 e não é resultado do aumento do número que estamos a verificar apenas e só do aumento da testagem, que foi uma teoria veiculada nos últimos dias. Há, de facto, uma situação que carece de intervenção e é uma situação na região de Lisboa e Vale do Tejo que tem focos particularmente conhecidos, nomeadamente nos concelhos de Sintra, Amadora, Odivelas e Loures. Isto está a traduzir-se no aumento do número de internamentos. Nos últimos dias houve uma estabilização dos internamentos e um aumento contínuo do número de doentes em cuidados intensivos. Portanto, não se pode objetivamente baixar a guarda. É preciso intervir. As mensagens muito claras desta reunião foram que precisamos de ter uma ação mais dirigida, como aliás o senhor Presidente da República aqui disse. Isso passa por identificar todos os potenciais pontos de entrada e disseminação do vírus. Neste momento, foi anunciado e aliás é público, dia 1 de julho vão passar a entrar centenas de voos por dia, para além de embarcações pelos portos no nosso país, significando a entrada de centenas de passageiros, ao mesmo tempo que cidadãos residentes em Portugal que queiram viajar para os Estados Unidos ou para o Reino Unido são colocados em quarentena. E neste momento nós não fazemos qualquer obrigatoriedade de testagem sequer antes das pessoas viajarem para este país e portanto temos uma porta de entrada nos aeroportos que carece de resolução se queremos garantir que o turismo continue a funcionar, se queremos garantir que a nossa economia continue a prosperar, se queremos garantir que haja resposta social adequada. Outras medidas passam por uma identificação precoce e isolamento imediato das pessoas infetadas, das pessoas que estiveram em contacto direto com essas pessoas infetadas nos 15 dias anteriores. E por isso a utilização dos dados dos inquéritos epidemiológicos é fundamental. O investimento do ponto de vista de saúde pública é crítico. Foi levantada esta questão. Aquilo que é dito pelos responsáveis pelo Lisboa e Vale do Tejo é que têm os meios necessários e, portanto, aguardemos e esperemos que assim seja. Se forem necessários mais meios, naturalmente o Partido Social Democrata não deixará de garantir esses meios. Também foi dito que nos próximos 15 dias há uma aplicação que está a ser desenvolvida para telemóvel, que a Comissão Nacional de Proteção de Dados já terá dado o aval positivo para a sua utilização e que estará pronta para poder ser disseminada nos próximos 15 dias. Não foi anunciado pelo Governo se o irá fazer ou não, mas será uma ferramenta que ajudará a identificar também casos. Aquilo que também ficou muito claro é que os fenómenos dos super disseminadores, ou seja, pessoas infetadas em locais que possam disseminar rapidamente, leva à criação de novos surtos. Neste momento há 63 surtos a nível nacional, dos quais mais de 50 são na região de Lisboa. Perdão, 65 a nível nacional e 53 na região de Lisboa. O que significa que temos, de facto, vários surtos identificados, mas também foi dito que há 15% a 20% dos casos na região de Lisboa e Vale do Tejo que são de transmissão comunitária, ou seja, em que nós não temos as cadeias de transmissão identificadas. Esta situação, mais a mobilidade das pessoas pelo país, juntando-se aos outros fatores, como a questão que eu já referi dos aeroportos e dos portos, poderá levar, se não houver um controle imediato, rapidamente uma subida exponencial de casos e, portanto, é fundamental intervir. E terminava apelando aos portugueses. Nós aguardamos e esperemos que o Governo faça tudo para garantir o isolamento das pessoas. Isto não é algo que seja fácil e exige muitos meios. Exige garantir o isolamento não apenas dos infetados, mas das pessoas que tiveram em contacto com as pessoas infetadas. Mas independentemente de haver meios e forças de segurança capazes de garantir esse isolamento, deixamos o apelo para que os portugueses façam esse isolamento. Se estiverem infetados, se tiveram um contacto com alguém infetado, fiquem isolados. É a única forma, durante 15 dias, de nós conseguirmos controlar a pandemia Covid-19 no nosso país para garantir que a economia possa continuar a funcionar.

Ricardo Baptista Leite, do PSD.

Concretos e identificados em setores da economia, também algumas faixas etárias. Como é que se leva essa mensagem a estas pessoas que estão muitas vezes em situações de carência económica? Essa carência económica também manifesta-se muitas vezes na forma de perceber a mensagem. Como é que se consegue chegar até essas pessoas?

O que nos parece evidente é que nós não vamos lá apenas e só com as mensagens. Nós precisamos de garantir meios. Há pessoas que ficando em casa 15 dias vão deixar de ter um meio de subsistência. Portanto, nós temos de garantir que essas pessoas tenham as condições mínimas para poderem ficar isoladas. Nós não podemos, neste momento, baixar a guarda. Temos que ter exatamente o nível de rigor e de exigência em relação ao isolamento como tínhamos durante o estado de emergência. Não o fazer comprometerá todo o esforço de um país, irá dar origem a surtos, não apenas em Lisboa, Vale do Tejo, mas também no Alentejo, no Algarve, no Centro e no Norte. E portanto, é fundamental garantir todos os meios, garantir o isolamento destas pessoas. Não o fazendo, poderá prejudicar este esforço. Foi também referido na reunião a possibilidade de utilizar aquilo que os especialistas chamaram de marketing social, ou seja, mensagens mais dirigidas, trabalhando com as associações de moradores, com as coletividades, no fundo, com as associações de base comunitária que estão mais próximas das pessoas. Eu juntaria a isso também o papel das autarquias, das câmaras municipais, das juntas de freguesia que têm tido um papel importante de norte a sul. Podem ter aqui um papel ainda mais ativo, desde que coordenado pela autoridade de saúde. Mas para isso é preciso que a autoridade de saúde também assuma essa liderança de uma forma muito clara. E aquilo que foi dito é que nesta fase não há regras claras para testar todos os contactos secundários. Isso significa que dependemos totalmente do isolamento das pessoas e, portanto, é fundamental que a autoridade de saúde tenha o apoio do Governo para, utilizando todos os meios, garantir esse isolamento. Da parte do Partido Social Democrata, nesta fase terão todo o apoio que precisarem para garantir este isolamento. Este é um momento crítico para manter a nossa economia a funcionar e evitar que o cataclismo social que já estamos a viver, o aumento da pobreza, da fome e das desigualdades, possa ser pelo menos mitigado.

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