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É o regresso do homem à Lua, passados 54 anos desde a última viagem. A Artemis 2 vai partir daqui a poucos minutos do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Três astronautas norte-americanos e um canadiano integram esta missão. Reid Wiseman é o comandante, é veterano dos voos espaciais da Estação Espacial Internacional, neste que é o arranque de 10 dias de missão. Vamos acompanhar em direto aqui na Rádio Observador, nesta emissão especial, em que vamos contar com o astrónomo José Augusto Matos. Fica conosco a acompanhar até ao fim este lançamento. São também nossos convidados André Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa, e Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Espaço da MEMV, empresa de alta tecnologia. Numa emissão que está ao meu lado Rita Camarneiro, entusiasta e conhecedora destes temas. E vamos contar precisamente contigo, Rita, também para abrilhantar esta emissão especial. Temos desde já conosco ao telefone o astrónomo José Augusto Matos e começamos por si. Muito boa noite, seja bem-vindo.
Olá, Diana.
Peço-lhe que comece por explicar-nos por que esta missão, que já tinha sido adiada, é tão importante na preparação de uma próxima etapa daqui a dois anos.
Sim, boa noite para vocês, queria vos cumprimentar. E queria também dizer que de facto esta missão tem uma grande importância dentro do chamado programa Artemis da NASA, que é o programa de regresso à Lua e de novamente vermos astronautas à volta da Lua e no futuro a pisar a Lua. E por que é importante? Porque é a primeira vez que este lançador que nós estamos a ver e também a nave Órion, com os astronautas e que leva os astronautas até à Lua, é a primeira vez, de facto, que este sistema vai funcionar com astronautas dentro da nave, porque tinha sido feito um teste já em 2022, há uns anos atrás, mas nesse teste não levou astronautas humanos dentro da nave. E desta vez é isso que vai acontecer. E portanto, será extremamente importante para ver se todo esse sistema, o próprio lançador e a própria nave, se tudo funciona bem e se a tripulação que lá está, os quatro astronautas, se de facto conseguem ir até à Lua, dar a volta e voltar pra casa. E portanto, é extremamente importante nesta programação que existe neste momento relativamente a este programa.
E pelo esquema que estou aqui a ver do roteiro que vai ser feito, a nave dá uma volta à Terra, depois sai da órbita, contorna o espaço lunar, faz uma espécie de um oito e regressa à base. E regressa em ponto morto, não é? Sem o motor.
É uma trajetória livre. Quer dizer, quando dá a volta à Lua, é um subvoo, ela nem sequer vai estar em órbita. E ela com a gravidade lunar, depois ganha como se fosse uma fisga, dá-lhe impulso e ela depois regressa de facto à Terra.
Ou seja, não para.
Não para, exatamente, aproveitando esse empurrão. Portanto, ela nem sequer vai estar em órbita da Lua, vai apenas dar uma volta e vai logo embora. Portanto, é uma viagem a correr. Digamos que não há paragens pelo caminho.
E quanto demora, mais ou menos, essa volta à Lua?
A volta completa na Lua demora cerca de 24 horas. Mas a passagem mais próxima da Lua, eles vão estar cerca de duas a três horas do lado oculto da Lua, em que fazem a passagem mais próxima. Essa parte onde eles vão estar mais próximos é relativamente rápida. dura cerca de três horas, e eles aí vão estar de facto do lado oculto, dão a volta e regressam novamente em trajetória em direção à Terra. Não vai haver muitas voltas em torno da Lua, nem nada que se pareça. É uma missão mesmo para testar. Ou seja, a ideia é testar o equipamento, ver como é que a nave funciona, se tudo funciona bem e se de facto aquela nave consegue levar quatro astronautas à Lua e trazê-los rapidamente pra Terra. É um pouco essa a ideia.
O José Augusto Matos também deve estar a ver. Nós estamos a receber aqui imagens diretamente da NASA. Vamos acompanhando aqui em fundo estas últimas preparações até que a nave seja lançada. Quando é que a NASA prevê que o homem possa voltar a pisar o solo da Lua e que condições é que precisam de estar reunidas, José Augusto Matos?
Neste momento, o programa Artemis vai ter esta missão, que esperemos que corra bem. Depois, há a previsão de no próximo ano, em 2027, fazer a Artemis 3. A Artemis 3 vai ser uma missão mais complexa, em que mais uma vez a nave irá até à Lua, mas aí já irá realizar operações orbitais em torno da Lua, testando uma série de equipamentos. E depois, finalmente, teremos a Artemis 4, que neste momento está prevista pra 2028, mas eu penso que isso é uma data demasiado otimista, e que na Artemis 4, sim, vamos ter mesmo o pouso na Lua. Agora, neste momento, o calendário que existe aponta que essa Artemis 4 será realizada em 2028, já daqui a dois anos, mas eu penso que isso é demasiado otimista e provavelmente vamos apontar lá pra 2029, 2030 a Artemis 4. E isto se as coisas correrem bem desta vez e da próxima vez. É um pouco essa a ideia. Mas eu acho que sim, eu acho que nós antes de 2030, até o final desta década, vamos ter a possibilidade de ver novamente o homem caminhando na Lua e será, de facto, um grande acontecimento mais uma vez.
José Augusto Matos, e por que o homem nunca mais foi à Lua nas últimas décadas? Isso é uma questão que se levanta muitas vezes, não é?
Sim, é verdade.
Já houve condições para fazê-lo, por que nunca mais aconteceu?
Sim, é verdade, é uma boa questão. Isso aconteceu devido ao seguinte: porque de facto, na altura, quando foram feitas as missões Apollo, já lá vão mais de 50 anos, havia uma corrida à Lua entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética. E de facto, os Estados Unidos ganharam essa corrida, a União Soviética nunca conseguiu pôr nenhum homem na Lua, e a partir do momento em que os Estados Unidos ganharam essa corrida, perderam o interesse na Lua, perderam o interesse político nesse tipo de missões. E de facto, a partir daí, os astronautas voltaram aqui para pertinho da Terra. Nós nos últimos 50 anos, não temos saído das vizinhanças da Terra. O voo tripulado espacial tem andado sempre nessa área. Mas de facto é isso. Na altura foi um grande acontecimento, foi um grande programa de conquista da Lua, mas era um programa que tinha fortes motivações políticas. A partir do momento em que os Estados Unidos provaram que chegavam lá e conseguiam lá pôr astronautas e conseguiam de facto conquistar a Lua, perderam o interesse, até porque também estamos a falar de um programa muito caro na altura, que teve valores muito elevados. O interesse a partir daí desapareceu. E estamos neste limbo desde há 50 e poucos anos.
E esta viagem já estava marcada há muito tempo? Porque parece muito pertinente acontecer numa altura em que a popularidade e a imagem dos Estados Unidos também tem sido manchada negativamente. E é sabido que muitas vezes o governo pressiona a NASA para apressar lançamentos. Poderá ter sido este o caso também? Ou a história mostrou que a pressa não é amiga da razão.
Houve fato, existe pressões e tem havido pressões nos últimos tempos, nomeadamente desde que este presidente é presidente, o presidente Trump. Para que estas missões se desenrolem e venham a acontecer rapidamente. E eu estou convencido que essa pressão tem a ver com o facto de o presidente Trump, antes de sair em 2029, querer ver homens a caminhar na Lua. E no fundo, também tirar proveito político disso. Agora, de facto, estas coisas têm tido atrasos e supostamente esta missão que nós hoje estamos à espera, já podia ter ocorrido, por exemplo, no ano passado. E já teve outros calendários previstos. Tem havido fato atrasos consecutivos e até mesmo este ano, era para ter sido em fevereiro, e neste momento estamos em abril, e estamos aqui à espera da partida.
Estamos ansiosas.
Minhas caras amigas, digamos que os atrasos não é só em Portugal, a América também há muitos atrasos.
E estamos a dois minutos do arranque do lançamento desta nave. Vamos juntar a esta emissão Hugo Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa. Muito boa noite, seja bem-vindo a esta emissão. Estávamos aqui a ouvir o José Augusto Matos falar desta contenda entre Estados Unidos e Rússia. A questão geopolítica também é importante neste tipo de missões?
Olá, muito boa noite a todos. Sim, de facto, a questão geopolítica é uma questão extremamente importante. No passado era este bloco entre os Estados Unidos e a União Soviética. Hoje em dia temos um novo bloco entre os Estados Unidos novamente e a China, e obviamente que o facto destas duas grandes nações quererem atingir novamente um novo objetivo estratégico, acelera estes desenvolvimentos. E por isso é que nós estamos agora a ver este acelerar do regresso à Lua. Vimos já na semana passada o anúncio da NASA de toda a alteração que está a fazer agora na missão Artemis, e de facto esta geopolítica também se joga no espaço e, por um lado, para quem gosta do espaço e quem gosta de ver estes avanços tecnológicos, acelera-se sem dúvida os objetivos espaciais.
Rita, estamos a 30 segundos do lançamento, ainda que a NASA não tenha ainda no ecrã a habitual contagem decrescente.
E vocês reparem que o relógio parou nos 10 minutos. Eles estão aqui a referir que estão a fazer alguns procedimentos finais. Fica a impressão de que poderá haver algum atraso relativamente à hora prevista, que era às 23h24, não é?
Exatamente. Não será com certeza essa hora. Hugo Costa.
Isto, minhas caras, também vos queria dizer que eles deviam ter em consideração que nós estamos aqui à espera deles.
É como o mundial. Deixa-me perguntar aqui ao Hugo Costa, estamos a falar de uma nave que não é propriamente pequena, tem 100 metros de altura.
É o foguetão, é o foguetão, esse é o lançador.
O foguetão, exatamente. Não é uma estrutura propriamente pequena. Estamos a falar de uma coisa bastante pesada, que tipo de equipamento é este? Como é que podemos descrever de forma genérica para quem não percebe muito deste tema?
Para quem não percebe muito deste tema e não tem a imagem à sua frente, isto aqui é um foguetão que tem três componentes essenciais: tem um cilindro central onde nós temos oxigênio e hidrogênio, que dão depois a propulsão para o foguetão, e depois tem ao lado dois propulsores de estado sólido, de combustível sólido, que ajudam durante a primeira fase de lançamento até chegarem ao espaço. Um aspecto interessante da construção deste foguetão é que ele foi construído também com base no conhecimento que as equipas tinham, quer da construção do Space Shuttle, e por isso esta dualidade entre combustíveis sólidos e combustíveis líquidos
E mesmo os próprios motores do foguetão são uma versão, um upgrade dos motores que existiam também no Space Shuttle. Depois, no topo, temos a parte onde estão os astronautas e temos também a cápsula Orion, mas junto à cápsula Orion, aquilo que dá todo o suporte de vida, a propulsão para a nave, a água e tudo isso, é um módulo europeu construído na Europa e portanto, esta é uma missão internacional, não só uma missão americana, mas também uma missão europeia.
E está a andar neste momento o relógio, Rita?
Desculpem interrompermos, eu ia dizer isso. O relógio voltou a contar, está neste momento nos nove minutos e 33 segundos, exatamente, o que significa que havia ali qualquer coisa que eles estavam a verificar e que agora está verificado e, portanto, tudo indica que finalmente vamos ver se ele não para novamente. Mas tudo indica que daqui a nove minutos vamos ter o lançamento. Vamos ver o que vai acontecer até lá.
Parece quase um jogo de futebol.
É verdade, incrível.
E aqui só para tirar uma curiosidade sobre o comandante, o Reid Wiseman, que apesar de ser um piloto e um astronauta já experiente, admitiu ter medo de alturas quando está em terra firme.
Então não devia de ir.
Um medo que ele está a superar, mas acho que é em terra firme, porque provavelmente com grandes alturas e alta velocidade, isso já não o preocupa.
Sim, mas ele é um piloto experimentado, portanto ele não tinha razão para isso.
Mas isto em termos psicológicos, eu acredito que tem a maior preparação de todas. Essa é uma parte muito importante.
Sim, já agora, deixem-me também partilhar com os ouvintes o seguinte: dos quatro que estão na nave, os três são até os americanos, portanto os dois americanos e a astronauta também americana. Todos eles têm experiência espacial, ou seja, todos eles já estiveram os três no espaço anteriormente noutras missões. O único que escapa a isso é o canadiano, de facto, que ali está, que é um piloto, também é piloto de caças na Força Aérea Canadiana, mas que nunca esteve em órbita terrestre, nem nunca esteve no espaço. E portanto, esse dos quatro é aquele que tem menos experiência espacial, vamos assim dizer que não tem nenhuma, no fundo. Mas os outros três, não. Os outros três são de facto pessoas experimentadas. E já agora, queria partilhar convosco que neste momento estamos sete minutos. Há uma ponte de ligação à nave Orion, que está neste momento a ser afastada já, que é a ponte por onde passam os astronautas para dentro da nave Orion. E ela neste momento já está a ser afastada, portanto, é sinal que as coisas estão preparadas para a partida. Tudo indica que vamos ter lançamento dentro de sete minutos e 19 segundos, mais coisa menos coisa.
Ó Costa, as condições climatéricas são muito importantes para a realização destas missões. Ainda hoje, a NASA falava que tinha 80% de probabilidade desta missão ser bem-sucedida. Quais é que são os requisitos que precisam de estar reunidos para que tudo corra bem?
De facto, é necessário termos sempre bom tempo para que isto aconteça. Essencialmente, termos o céu limpo, sem nuvens, até porque podemos ter em algum momento risco de trovoada e tudo mais, e portanto convém ao máximo evitar qualquer tipo de incidente dessa natureza também. Por isso é necessário e esperamos sempre que o tempo esteja em ótimas condições para lançar, o que é o caso hoje. As imagens que vemos, que vêm de cá de Cabo Canaveral, são de um céu fantástico e portanto, tudo aponta para que dentro de seis minutos, aproximadamente, veremos então este lançamento.
E tem ideia de quanto é que pode custar uma missão como esta e a quantidade de equipas envolvidas numa operação deste género?
Uma equipa para fazer um foguetão como este, para fazer uma missão humana à Lua e tudo mais, são milhares de pessoas que estão envolvidas em todos os lados nos Estados Unidos e também aqui na Europa, mais uma vez, envolvidas para realizar esta missão. Esta missão tem ainda este ponto que acrescenta um pouquinho mais aqui o risco também, de certa forma, que é o facto de nós termos equipas em ambos os lados do oceano, do lado dos Estados Unidos, do lado da Europa, a construir com formas diferentes muitas das vezes de trabalharem e construírem, portanto, temos que chegar a acordos, temos que chegar a pontos comuns na construção, tudo tem que estar muito bem definido. E isso já foi testado na missão Artemis I, portanto, no lançamento da primeira missão verificou-se que todos os sistemas funcionaram. Mas é de facto um grande trabalho de equipa para conseguirmos ter esta nave a voar daqui até à Lua. E obviamente, se olharmos para o custo de uma missão destas, é um custo enorme.
Convém ser dividido pelos países.
Sim. Aqui a ESA e os Estados membros da ESA contribuíram substancialmente com o módulo europeu. Aliás, o terceiro módulo para a missão Artemis já está nos Estados Unidos.
Era isso que lhe ia perguntar também, qual é que é o papel da Europa e dos meios europeus nesta missão?
Sim, portanto, quer na Artemis I, na II, na III e também na IV, o módulo que chamam em inglês European Service Module, o Módulo de Serviço Europeu, dará todo o apoio de vida aos astronautas. O oxigênio, a água, o ar, o sistema de propulsão, sistemas de comunicações Sistema elétrico, tudo isso é dado através do sistema europeu. E o habitat onde eles estão a viver durante esta viagem é construído nos Estados Unidos. E, portanto, a Europa tem aqui um grande papel no regresso do homem à Lua e a indústria europeia também tem um grande papel aqui neste contexto.
E qual é o sentimento dentro da Agência Espacial Europeia deste dia, ao ver este lançamento? Está tudo em sua casa ou estão juntos também no trabalho?
Não, aqui o que se pode dizer é que as equipes estão, neste momento, todas repartidas. Há equipes que estão na Alemanha que acompanham parte das operações desta missão, há lá uma equipe. Há equipes também europeias no Cabo Canaveral para o lançamento. Há equipes um pouco também divididas por outros países da Europa, ou porque têm alguma experiência a bordo ou porque recebem algum sinal daquilo que está a acontecer também e, portanto, estão repartidas por alguns países europeus. Temos muita gente aqui na Europa a contribuir e a acompanhar muito de próximo esta missão.
José Augusto Matos, ao longo da noite, tivemos aqui algum receio que esta missão acabasse por ser abortada, adiada, porque há problemas de última hora. Alguns erros em sistemas que até podem não pôr em causa a missão, mas que podem adiá-la. É normal haver esse tipo de problemas nestes últimos testes?
É assim, pode acontecer. Repare que há sempre aqui muitos fatores que podem, às vezes, não correr bem e a NASA tem, enfim, quem diz a NASA, diz outras agências, mas nessa caso a NASA aqui em concreto, tem obviamente critérios de segurança muito elevados, porque estamos a falar de uma tripulação que está aqui envolvida também. E, portanto, há, de fato, sempre um grande cuidado em ter certeza que quando, por exemplo, este lançador está pronto pra ser lançado, que não aconteça depois nenhum problema a seguir ao lançamento.
Mas há testes que têm mesmo de ser feitos na última hora? Ou esse tipo de teste às vezes poderiam ser feitos com outra antecedência?
Não, quer dizer, o lançador, desde que está aqui neste ponto de lançamento, aqui junto à torre de lançamento que nós estamos a ver agora. Desde que o lançador é ali colocado e começa, nomeadamente, a ser cheio de propelente, daquilo que a gente vamos dizer numa linguagem simples para os ouvintes perceberem, vamos dizer combustível. Enfim, uma forma mais simples de dizer isso. A partir do momento que ele começa a ser cheio de combustível, e como há pouco o que referia leva hidrogênio e leva oxigênio a baixas temperaturas, muito baixas temperaturas. A partir desse momento, por exemplo, logo aí pode começar a acontecer às vezes coisas que não correm bem, como aconteceu em fevereiro, em que houve fugas, e que depois não foi possível continuar com esse processo. E se não for isso, pode às vezes ser outra coisa qualquer que os computadores de bordo, por exemplo, digam que alguma coisa está errada.
Falta neste momento um minuto. Deixe-me fazer aqui também este comentário.
Exatamente. Vale a pena nós agora acompanharmos então se calhar já em direto. Estamos neste momento a 40 segundos do lançamento. Portanto, neste momento tudo indica que tudo está pronto. Não há aqui nada que pareça que esteja a funcionar mal. E tudo decorre bem. Por acaso aqui estou a ver com algum delay, mas pelo que eu estou a ouvir, partiu.
Vai descolar.
Vai descolar.
Vamos ouvir.
Vamos ouvir então. Ora bem, vamos lá ver se tudo corre bem então. Já estão os motores ligados, exatamente. Ele tem seis motores, tem quatro no andar principal e mais um motor em cada um dos propulsores auxiliares. Ok, ligou agora, cá estão eles a funcionarem. Portanto, quatro mais dois.
Acaba de ser lançado esta nave.
Exatamente. O SLS acaba de ser lançado, cá está. É de fato um lançamento espetacular. Portanto, cá vai ele. E agora o que é que vai acontecer? Ora bem.
Vamos descrever o que vemos na imagem. Vemos aqui uma chama gigante pelos céus dos Estados Unidos.
Exatamente. Ele agora, nos próximos minutos, vai fazer uma série de operações até atingir o espaço à volta da Terra. A primeira coisa relevante que ele vai fazer, dentro de dois minutos, é largar aqueles dois foguetes de lado que ele tem, aqueles dois propulsores de lado que estão encaixados no corpo principal do foguetão, e que os vai largar quando levar já dois minutos depois do lançamento. E ele nessa altura já estará a 47 mil metros de altitude e estará a cerca de 5 mil km/h já nessa altura, e ele então vai largá-los nessa altura. Bem, neste momento estamos então a vê-lo subir E de fato, tudo está a correr bem neste momento. Vemos perfeitamente ele a ganhar altitude e a ganhar velocidade. É interessante ver as pessoas que estavam a assistir cá embaixo, nas vizinhanças, nas redondezas, a alegria das pessoas verem o lançamento a correr bem. Ok, ele agora está em max Q. Max Q é uma altura em que o foguetão sofre a pressão aerodinâmica máxima, ou seja, a resistência ao seu movimento na atmosfera, neste ponto, é a maior. E ele nesta altura já está a 1600 km/h, já está a 3000 metros de altitude. Nesta altura em que atinge este max Q. Ele leva um minuto e 11 segundos, mais ou menos, depois do lançamento e dentro de um minuto ele vai largar os dois foguetes que ele tem do lado, que vão depois cair no Oceano Atlântico, e ele a partir daí irá só usar os motores do corpo principal. Os quatro motores do primeiro andar dele serão usados durante mais alguns minutos até atingir o espaço à volta da Terra. Portanto, ele neste momento deve estar muito perto dos dois minutos depois do lançamento.
Já conseguimos ver, sim.
Pronto, eles estão aqui referindo dois minutos e nove segundos, que é quando ele vai largar os dois propulsores auxiliares. Cá está, largou agora. Estamos a ver agora, exatamente. Ele já está, neste momento, a 50 mil metros de altitude. E já está também a uma velocidade considerável, já passou os 5 mil km. Estamos agora a ver imagens de uma câmera que está acoplada ao próprio foguetão, em que nós vemos a Terra lá ao fundo. Estamos a ver que ele já passou os 50 mil metros de altitude e ele agora vai continuar, e o próximo procedimento que é relevante é o seguinte: na ponta por cima da nave Orion, tem um sistema de escape e lançamento, que é um sistema de emergência, ou seja, se alguma coisa corre mal, essa pequena torre era ligada, tem uns foguetes associados a ela, era ligada e puxava a nave de cima do foguetão para conseguir livrar os astronautas de qualquer situação imprevista.
Deixe-me chamar também aqui o Hugo Costa. Hugo, de acordo com as imagens que vimos aqui, está tudo a correr como era suposto. Quais é que vão também ser os próximos passos agora no caminho que esta nave vai fazer?
Sim, de fato, este é um lançamento fantástico.
É espetacular, este momento.
Isto aqui às vezes só mesmo no cinema, mas isto superou mesmo o cinema.
Isto ao vivo deve ser qualquer coisa.
Eu, por acaso, tive a oportunidade de estar no míssil launch pad em dezembro, já com a preparação do SLS, e poder agora ver esta imagem fantástica da saída é de fato fantástico o que está a ser feito. Agora, o que vai acontecer? Durante o próximo dia, esta nave vai estar a fazer vários testes ao longo da órbita terrestre, ainda antes de partir para a Lua, digamos assim, da órbita da Terra, porque é necessário verificar que, de fato, a nave está em perfeitas condições para fazer essa viagem. Isto porque caso aconteça algum problema, ainda estão próximos à Terra e podem, portanto, regressar ao planeta. Mas durante os próximos momentos, vai agora separar-se depois do ICPS, que é um dos módulos que está ancorado na cápsula. Depois vai libertar os painéis solares para começar a ganhar também energia. E aproximadamente duas horas depois do lançamento, aqui que nós observamos agora, eles vão então iniciar um novo sistema de propulsão, portanto, vai novamente ativar os seus motores, neste caso já do ICPS, desse último módulo, para entrar numa órbita elíptica, uma órbita muito mais alta, onde vai descrever uma elipse à volta da Terra, ao longo do qual, durante o próximo dia, orbita nessa órbita e vai fazer todos os seus testes que tem de fazer até iniciar a sua órbita de injeção lunar. E será essa a última burn, portanto, a última combustão que vai fazer, a última ativação do motor para iniciar essa viagem até à Lua. Isto deverá ocorrer ao final do segundo dia.
E sempre que existe essa ativação dos motores, se é que se pode dizer assim, é uma fase crítica, não é?
Sim, é uma fase crítica, porque normalmente quando se ativa o motor para ser disparado numa determinada rota.
Pode explodir, basicamente.
Sim. Não é que ele possa explodir, mas de fato a nave tem que estar com uma, falta-me o termo em inglês, em português, accuracy, portanto, o ponto da nave tem que estar extremamente bem orientado para quando este sistema de propulsão é ativado, a órbita vai exatamente correta para o ponto que nós queremos. É quase como quando estamos a jogar bilhar e temos que, com o taco, dar numa bola para ela ir até o outro lado da mesa de bilhar. Basta um pouquinho ao lado e a bola já vai numa direção diferente. Aqui é a mesma coisa, o taco representa o nosso sistema de propulsão e se aquilo for dado no momento em que a nave não está bem orientada, a nave pode ir numa direção errônea. Portanto, é importante este momento.
E quem vai lá dentro, os astronautas, como é que eles estão arrumados, digamos assim, para que tudo corra da melhor forma? Qual é a função de cada um? Qual é o posicionamento de cada um?
É curioso, porque nós estávamos habituados que nas naves russas, que é mesmo nas Apolos, estavam sentados os três lado a lado Aqui eles são quatro e vão dois embaixo e dois em cima. É uma nave bastante maior e permite colocá-los em diferentes alturas, o que torna bastante cômoda também a viagem, pois não vão tão apertados como em outras naves. O principal é o comandante da nave. Temos o comandante e o piloto, são os dois principais atores durante toda esta fase do voo. Os outros dois normalmente são os especialistas da missão, que têm outras funções para além da navegação, que têm os principais, mas todos eles sabem operar a nave, porque um dos aspectos importantes é assegurar que, no caso de alguma emergência, que algum astronauta tenha alguma emergência, qualquer outro tem que conseguir assumir as funções dos seus colegas. Qualquer um deles está apto para conseguir pilotar a nave.
E agora temos imagens a cores. José, como divulgador que passa a vida a explicar o cosmos.
Já agora eu chamo a sua atenção. Nós estamos a ver agora, neste momento, justamente a parte que o Hugo há pouco referia, onde está a nave Orion, mais o andar superior do SLS, que é o tal ASPS, que separou-se o corpo principal do SLS. Para vos dar uma ideia de valores, ele está ali nos 160 mil metros de altitude, portanto 160 km, já está no espaço e está a 28 mil km/h neste momento. Essa outra parte, que era o corpo principal do foguetão, fica separada, vai ficar para trás e depois mais tarde vai cair no oceano também. E agora temos só a nave Orion e a parte superior do SLS, onde também tem o motor e esse motor, como há pouco o Hugo referia, depois vai ser ligado a primeira vez. Ele não foi ligado ainda. A primeira coisa que ele vai fazer é uma estabilização de órbita no chamado perigeu, no ponto mais próximo da Terra. Isto agora já vai demorar mais tempo, daqui a 40 minutos, mas depois vai fazer essa primeira estabilização, vamos assim dizer. E depois, como o Hugo referia, um pouco mais à frente, ele vai ser ligado uma segunda vez, e na segunda vez ele vai ser ligado durante cerca de 15 minutos, em que vai imprimir à nave Orion uma órbita altamente elíptica, em que ela vai até aos 70 mil km de altitude, portanto é uma elipse realmente muito longa, e que vai estar nessa órbita durante 24 horas. Só amanhã é que irá, como o Hugo também referia, haver a separação do resto do foguete, o SLS, e a nave Orion depois vai para a Lua, porque vai ter uma injeção translunar e vai na direção da Lua. Mas até este momento correu tudo bem e só daqui a 40 e poucos minutos é que nós teremos mais novidades nesta parte.
Hugo Costa, a comunicação entre a nave e a base é feita de forma consecutiva. Que tipo de notícias é que podemos esperar nos próximos dias? O que é que é importante saber? Quais é que são os passos essenciais agora nos próximos dias?
Já agora, só para comentar aquilo que eu referi há pouco e também que o José disse agora. Eles nesta fase, eu creio que dentro de três horas, aproximadamente, vão fazer algo extremamente importante, não para esta missão, mas lá está, que esta missão é uma missão teste, mas para a missão Artemis 3 e para a Artemis 4. Eles vão dar a volta à cápsula tal como ela está e vão fazer manobras manuais de proximidade com este ICPS.
Exato.
E isto vai permitir começar já a testar como é que esta nave funciona na operação manual, com os astronautas, para que no futuro, quando nós tivermos o módulo de aterragem lunar, que vai ser também lançado na mesma missão, mas que depois tem que fazer o acoplamento em órbita. Eles vão fazer isso hoje, daqui por três horas, sensivelmente. A comunicação é extremamente importante, eles a qualquer momento estão sempre em contacto com a Terra. Não só a própria nave está constantemente a enviar dados para a Terra, como análise de todos os seus sistemas, mas também os astronautas estarão em constante contacto com os centros de controle na Terra. O único momento em que se perde o contacto com a nave é exatamente quando a nave passa na parte escondida da Lua, digamos assim, passa por trás da Lua, e então aí sim perdemos o contacto. E perdemos o contacto exatamente porque não temos nenhuma estação de relay a orbitar à volta da Lua que possa fazer essa transmissão do sinal.
No fundo, perde a rede. Perde a rede ali depois pelo lado escuro.
Ficam às escuras.
Hugo Costa, despedimo-nos de si, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa. Agradecemos muito o contributo que deu também aqui nesta emissão especial que está prestes a terminar. Termina já daqui a pouco. Muito boa noite e obrigada por ter estado conosco.
Muito obrigado por também me permitirem estar convosco neste momento especial da história do espaço.
O gosto foi nosso. E bom trabalho. Esperamos também aqui a participação portuguesa cada vez mais presente neste tipo de operações. José Augusto Matos, a Rita Camarneiro também tem aqui uma pergunta para lhe fazer relativamente a outros planetas.
Eu estou a ver, eu trato disso.
Isto também, na verdade, é um bocadinho para os dois, para o Hugo e para o José. Se acham que este modelo, embora o Hugo já cá não esteja, de cooperação internacional da Artemis é a receita para conseguirmos daqui a uns anos chegar finalmente a Marte.
Sim, é uma boa ideia. Aliás, repare que aqui neste caso desta missão, essa cooperação, de facto, como foi aqui referido hoje à noite, existe A Agência Espacial Europeia participa neste programa também, o Canadá também está, o Japão também está. Um aspecto interessante que há pouco não falou, mais relativamente ao futuro: nós vamos ter, de certeza absoluta, numa das futuras missões Artemis, um astronauta europeu. É a primeira vez que também teremos um astronauta europeu a ir à Lua. Isso também é uma grande novidade neste programa de cooperação, porque vocês reparem, nos velhos tempos das missões Apollo, as missões eram exclusivamente americanas, não havia outros países envolvidos. O programa Artemis tem, de facto, essa novidade. Há uma envolvência de outros parceiros internacionais que vai permitir que astronautas de outros continentes possam entrar. No caso europeu, nós vamos ter, de certeza absoluta, em futuras missões Artemis à Lua, eu até já vou aqui referir um alemão, um italiano e um francês. Pronto. Eles irão também entrar.
Entrou num sotão.
Exatamente. Vocês estavam a pensar no português, mas é preciso desiludir.
Esse fica em terra, por enquanto.
Não vai haver português nenhum. Vai ser um alemão, um italiano e um francês. De facto, o programa tem essa vertente. E reparem, esse aspecto que referias é importante por quê? Porque nós, num futuro, já um bocadinho mais à frente, daqui a uns anos, há a ideia de tentar estabelecer uma base lunar, em que eles possam permanecer vários meses na Lua. E isso vai ser uma experiência muito importante para Marte. Por quê? Porque vamos aprender, no caso lunar, a viver e a permanecer num mundo que é obviamente hostil, como também é Marte. Mas vamos aprender a viver nessas condições. E isso será uma experiência muito interessante para Marte no futuro. Porque Marte é muito mais complicado, Marte está muito mais distante da Terra do que a Lua. Não são quatro dias de viagem como vão ser aqui. Estamos a falar de missões muito mais complexas, com tempos de permanência no espaço e depois de permanência no planeta elevados. Com esta missão e com este projeto internacional na Lua, nós podemos aprender e podemos tirar experiência para no futuro pensar em ir a Marte. É importante também essa experiência.
E construir essa base lunar, não é? Como faz com o Pica.
Exatamente. Essa base está prevista para a próxima década, a partir de 2030. Será também um programa de cooperação internacional feito dentro da Artemis, de certa forma, também. A NASA, os parceiros europeus, enfim, o Japão, o Canadá. Terá essa cooperação internacional. E digamos que também todos nós que estamos envolvidos no Artemis há uma preocupação que é ter essa envolvência internacional e, ser possível, há outras potências, como é o caso da Europa, há outras potências espaciais também entrar nesta grande aventura que é o regresso à Lua e que é voltar à Lua e permanecer na Lua. Porque nós desta vez também há aqui uma diferença em relação às velhas missões Apollo, que é: no tempo da Apollo, foi ir e vir, não havia permanência. No futuro, a ideia não é essa. No futuro é irmos à Lua e permanecer na Lua. Podemos lá estar meses seguidos na Lua e explorar esse mundo que, embora seja um mundo hostil, é um mundo onde nós podemos aprender muita coisa para um dia, quando formos a Marte, vencer esses desafios, porque os desafios em Marte são maiores.
Vamos juntar também a esta emissão a Teresa Ferreira, diretora do departamento Espaço na GMV, uma empresa de alta tecnologia. Muito boa noite, Teresa, e seja bem-vinda. Obrigada por ter aceitado o nosso convite para se juntar a nós também a esta hora. Teresa, qual foi a participação da GMV nesta fase do programa Artemis?
Boa noite e muito obrigada pelo convite. É um prazer e um entusiasmo poder partilhar esta emoção toda que está acontecendo neste momento. No programa Artemis, a GMV participou essencialmente da nossa equipa na Alemanha, porque a GMV é uma multinacional, está em vários países. E na Alemanha estivemos a fazer algumas ferramentas de apoio, não só de relatórios de anomalia, mas também de apoio às operações no futuro, durante a missão Artemis. Uma das coisas, por exemplo, que fizemos foi dar formação aos astronautas sobre uma das ferramentas que estão a usar, nomeadamente para recolher dados fisiológicos e médicos com os sensores biomédicos que eles têm em cima de si. Mas uma das coisas que eu queria aqui também levantar, e que já foi aqui dita, é que a importância desta missão é que é um passo para o futuro, para podermos permanecer na Lua, não só pisar e sair, mas ficar lá, termos operações na Lua. E é nesse sentido que nós estamos a olhar, a GMV, em termos tecnológicos. Vamos ter muitas entidades, muitos países, muitas missões à Lua, sejam comerciais, sejam institucionais. E o que nós estamos muito a trabalhar em conjunto com a Agência Espacial Europeia é na infraestrutura que vai ser preciso, nomeadamente, por exemplo, na comunicação. Vai ser preciso comunicar na Lua, vai ser preciso uma espécie de internet na Lua, o chamado LunaNet. Neste momento chama-se LunaNet. Estamos muito envolvidos e a apoiar a Agência Espacial Europeia na definição desses protocolos, dessas interfaces. Comunicações é um exemplo. Outro exemplo que me é caro, especialmente, que é a área onde nós trabalhamos aqui mais também na equipa em Portugal, que é na parte de navegação por satélite. Como é que vamos navegar na Lua? Como é que vamos ter precisão na Lua? Não só os robôs, como toda a atividade que se vai desenrolar lá.
E quais são os próximos desafios tecnológicos no futuro da exploração lunar?
Os próximos desafios tecnológicos são às vezes tão simples como, por exemplo, se nós quisermos navegar por posicionamento, navegação e tempo na Lua, qual é a referência temporal? Tudo isto está a ser definido desde 2023. Há um grupo de especialistas que está a tentar definir como é que vai ser a referência temporal na Lua, que horas são na Lua. Porquê? Porque temos de estar sincronizados. Se dois rovers vão se encontrar na Lua, se vai haver operações, vão ter que ter esta definição. E há aqui perguntas importantes que se põem, que é: quem é que vai definir essa referência temporal? Vai ser só uma entidade, vão ser várias? Outra questão: essa referência vai ser definida em relação à da Terra ou vamos fazer uma nova realização temporal na Lua? Isso são perguntas que parecem simples, mas que vão demorar anos a determinar e a fazer.
E se calhar podíamos atrasar um bocadinho o tempo lá e rejuvenescer na Lua.
Por exemplo. O tempo, aliás, devido à gravidade, já também passa de maneira diferente na Lua.
Pois é.
Devido à gravidade. Já temos todas essas questões a ter em conta.
Mas os astronautas chegam sempre muito moídos do espaço. Por isso, não sei se aquilo rejuvenesce.
É verdade.
Dizem que não. Teresa Ferreira, queria agradecer-lhe também o fato de ter estado aqui conosco nesta emissão especial. Imagens espetaculares que temos recebido da NASA neste que é um momento histórico. Desejo-lhe uma boa noite e esperamos voltar a falar em breve sobre outro tipo de operações como esta. Continuamos com esta emissão, que agora está nos minutos finais. A seguir temos o Jornal da Meia-Noite, José Augusto Matos. Últimas conclusões deste lançamento. Deste descolamento espetacular. Deste descolamento que realmente tentámos colorir. Dá medo com o som. Tentámos colorir aqui, estávamos todos aqui a respirar fundo. A certa altura não sabia se estava tudo a correr bem, porque o barulho é mesmo...
É incrível.
E põe respeito. É incrível.
É verdade.
Estávamos aqui todos a respirar fundo, agarrados à cadeira.
Exatamente. Foi um lançamento espetacular, realmente, e ainda bem que tudo correu bem e é o regresso à Lua. Portanto, eu acho que podemos estar otimistas quanto a isso. Claro que a missão vai demorar dias. Enfim, vamos ver se tudo corre bem, mas de facto é o regresso à Lua e portanto, para começar, é um regresso espetacular e temos de estar cá para fazer a festa quando eles voltarem.
Claro, e vamos ver finalmente tudo a cores e com alta definição.
Exatamente.
É uma outra experiência. 53 anos depois.
Caríssima, foi um gosto estar convosco e vamos esperar que eles voltem.
É isso.
Até à próxima.
Fica até à próxima, José Augusto Matos, astrónomo, esteve conosco ao longo desta emissão especial do lançamento da nave espacial Orion. Mais de 50 anos depois da última ida à Lua, quatro astronautas vão entrar em órbita nos próximos 10 dias. É uma operação histórica de preparação para que o homem volte a alunar. Desta feita em 2028. Além do José Augusto Matos, esteve conosco nesta emissão Hugo Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa. Também Teresa Ferreira, que ouvimos aqui há pouco, diretora do Departamento Espaço da GMV. Uma emissão especial que contou com a preciosa produção da Rita Revés. Voltamos já a seguir para o Jornal da Meia-Noite.