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A Shilling é uma sociedade de capital de risco que investe em startups. O Ricardo Jacinto é o manager da Shilling. Viva, Ricardo.
Olá, muito boa tarde.
Bem-vindo.
Muito obrigado pelo convite.
Já conhecia a Fábrica do Unicórnio.
Claro, já vim aqui algumas vezes.
Muito bem. Veio financiar projetos aqui da Fábrica do Unicórnio?
Se forem ambiciosos e tecnológicos, estamos cá para isso.
Muito bem. O Ricardo é manager da Shilling, que é uma sociedade de capital de risco. Qual o valor angariado até agora? O vosso fundo tem que tamanho?
Nós temos, neste momento, dois fundos ativos em investimento, num total de cerca de 100 milhões de euros.
Cem milhões só para projetos de tecnologia.
Só para projetos de tecnologia. Somos um fundo muito inicial em fases de investimento, quase os famosos pre-seed e seed, ou fases muito iniciais em que muitas vezes temos alguns sinais, equipes muito boas, ideias muito boas, ambições muito grandes, mas como nós às vezes dizemos, investimos em PowerPoint, vamos tão cedo quanto isso.
Muito bem, já vamos falar disso, desenvolver essa ideia do risco e onde é que vocês colocam o dinheiro. Estava só de perceber. Portanto, 100 milhões de euros é o valor deste fundo dedicado à tecnologia. É aberto a investidores? Qualquer pessoa pode entrar?
É um fundo regulado na CMVM, um fundo fechado, mas obviamente aberto a investidores interessados nesta classe de ativos de risco ou de âmbito tecnológico, de empresas tecnológicas. Obviamente, não é um fundo que esteja aberto no mercado ou um fundo aberto como se vê das empresas cotadas na bolsa. Não é um fundo desse estilo, é um fundo fechado, mas obviamente aberto a pessoas interessadas em investir dentro da regulação da CMVM.
Muito bem. Quanto é que já investiram em projetos tecnológicos em Portugal?
A história é um bocadinho mais longa do que só este fundo. Nós fomos os pioneiros a investir em Portugal em 2011, 2012. Até 2019 investimos em cerca de 20 empresas, cerca de quatro milhões de euros nessa primeira fase de investimento, numa lógica mais de business angels ou de anjos que investem em fases iniciais das empresas. Depois em 2020 levantamos o primeiro fundo, um primeiro fundo de 52 milhões, e agora sim, este ano levantamos um segundo fundo de mais 50 milhões. Portanto, até temos um bocadinho mais do que 100. Em Portugal, a primeira fase foi totalmente em Portugal. A segunda fase já tem uma componente de Portugal e fora de Portugal. Cerca de 60% é o nosso foco e Portugal é claramente o nosso ponto de partida e queremos continuar a apoiar.
E que projetos é que estão a apoiar?
Em Portugal temos empresas desde muito iniciais, empresas muito grandes ou dentro do âmbito do que é uma startup. Coverflex, Rose, Smartex, Replay, Microforce, Connected. Temos um conjunto de empresas bastante vasto em diferentes fases de vida.
Que desenvolvem que produtos, soluções web?
Nós somos totalmente agnósticos e, portanto, vamos desde-
Isso quer dizer o quê?
Vamos desde o consumer, ou seja, aplicações de consumidor, aplicações de e-commerce, de comércio eletrônico, ou mesmo redes sociais, até ao deep tech ou à tecnologia muito complexa, que demora muito tempo a desenvolver. Se calhar a inteligência artificial pode ser um bom exemplo disso. Como investidores de uma fase muito inicial, com foco Portugal, que tem tido um crescimento muito bom nos últimos 10, 15 anos, mas que continua a ser um mercado que não é Estados Unidos ou Londres. Temos um espectro um pouquinho mais amplo, porque queremos estar a apoiar o ecossistema português desde o seu início.
Muito bem. Quais são as contrapartidas pedidas pela Shilling aos criadores de ideias, aos startupers que recorrem ao vosso capital? Dão-lhes liberdade total ou não? Ou exigem condições?
Nós somos investidores que não somos ativos na gestão, portanto, não somos executivos. Somos investidores passivos, que temos uma perspectiva de longo prazo de criar empresas muito grandes, os famosos unicórnios.
Ou seja, financiam o projeto e dão-lhe total liberdade para executar a ideia em X tempo.
Nós acima de tudo temos que estar convencidos daquela equipe, daquele mercado, daquela oportunidade, e depois temos que confiar neles, acima de tudo. Isto é uma lógica de confiança, de casamento a longo prazo, quase. E portanto, nós temos, sim, regras de funcionamento daquilo que eles quase que não podem fazer. Mas dentro daquilo que é suposto eles fazerem, têm a liberdade de fazer. Obviamente, nós estamos lá para acompanhar, para ajudar, para dar a nossa opinião, para os guiar, para trazer outras pessoas que os possam ajudar, para trazer novos investidores seguintes, mas acima de tudo, são eles que têm que executar e têm a liberdade para tal.
Muito bem. A vossa empresa chama-se Shilling, em português é xelim, a moeda usada historicamente em vários países da Commonwealth. Por quê? Porque o capital vem sobretudo dos países desta comunidade, ou não?
É uma ótima pergunta. Um dos nossos sócios fundadores trabalhou em Londres em capital de risco, em tecnologia, em 2003, 2004, 2005, durante cinco, seis anos. E quando ele teve a ideia, em 2010, de lançar a Shilling, tinha exatamente esse propósito, de ser a primeira pequena moeda que vai dar a primeira ajuda às empresas a darem os seus primeiros passos e a partir daí criar algo maior.
Muito bem. O Ricardo dizia no início da nossa conversa que muitas vezes investem em PowerPoints. É isso que vos chega? Jovens ou não jovens com ideias colocadas numa folha de PowerPoint?
Nós vemos muitas coisas e vemos desde muito inicial até um bocadinho mais avançado. Nós vamos até um estágio relativamente recente ainda, mas empresas já com alguma dimensão, que já têm levantado algum capital. PowerPoint não é assim tão normal fazermos, mas já o fizemos.
Arrependeram-se?
Não, eu acho que faz parte do jogo. Este é um jogo em que sabemos que as estatísticas não ajudam, porque mais de 50 vamos perdê-las, 20 a 30% vão nos dar retornos relativamente pequenos e depois há duas ou três que vão ser estratosféricas. E é normalmente assim que um fundo de capital de risco constrói o seu portfólio e consegue alcançar os retornos que promete aos investidores, na prática.
Os jovens hoje têm uma outra cultura ou uma outra relação com o capital, ou não?
Eu também sou jovem ainda, mas acho que sem dúvida que o ecossistema evoluiu muito nos últimos 10 anos e não é só em Portugal, é em toda a Europa. Este mercado, esta indústria nasceu há muitos anos atrás nos Estados Unidos, mas só nos últimos 20, 25 anos é que se desenvolveu bastante na Europa.
Eu sou da geração do banco.
Se calar na minha geração ainda não havia muito esta lógica de startups e, portanto, nos últimos 10 anos isso aconteceu. Mas acho que a abertura global, acesso à informação global, ver estes fenômenos de empresas tecnológicas que têm sucessos incríveis, traz o apetite e traz a vontade para as pessoas que têm esse perfil. Nem todas as pessoas têm perfil para ser fundador, que é das profissões mais difíceis do mundo.
Muito bem. Tenho uma ideia, quero apresentá-la à Shilling. Como é que eu devo fazer uma apresentação "orelhuda" e que capte a vossa atenção e o vosso dinheiro?
Três coisas muito importantes: por que são vocês, por que é este mercado e o que vocês vão fazer diferente. Acho que numa fase tão inicial como nós investimos, são estas três coisas que nós queremos perceber e ficar convencidos de que o nosso dinheiro nas mãos dos empreendedores, dos fundadores, vão fazer a diferença.
Muito bem. Ricardo Jacinto, agradeço-lhe muito obrigado por ter vindo aqui à Fábrica de Unicórnios no Beato em Lisboa. Depois da síntese das 15h30, Nelson, vamos falar de turbinas.