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A caminho das eleições autárquicas, começa agora mais um debate na Rádio Observador. Eu sou o Diogo Teixeira Pereira e comigo na moderação está o Miguel Viterbo Dias. A nós juntam-se os principais candidatos à Câmara de Oeiras: Isaltino Morais, atual presidente da Câmara e recandidato pelo movimento independente Isaltino Inovar Oeiras, Fernando Curto, do Partido Socialista, e Alexandre Poço, do PSD. A primeira pergunta foi sorteada e começamos precisamente por si, Alexandre Poço. A sua campanha tem feito furor nas redes sociais, mas começou por dizer que vai plantar uma árvore por cada voto que tiver nestas eleições. Quantas planeia plantar no dia 27 de setembro? Mais do que as 7200 do PSD em 2017, ou mais do que as 34 mil que foram os votos que deram a vitória a Isaltino Morais há quatro anos?
Antes de mais, boa tarde. Cumprimentos aos moderadores, cumprimento também Isaltino Morais e Fernando Curto e agradeço a oportunidade de estarmos aqui neste debate. É verdade, a campanha que decidi ter nestas eleições autárquicas é diferente. E talvez seja diferente porque entendo que existe aqui um claro distanciamento entre aquilo que é a classe política e a sociedade, um divórcio entre as pessoas, entre aquilo que é a sua vida e a campanha política que nós vemos. Nesta campanha, nesta candidatura que lancei na semana passada, com o alcance que disse há pouco, há um objetivo claro: eu quero que esta campanha, que esta candidatura que lidero, que esta coligação "A Dar Tudo por Oeiras", tenha a atenção dos eleitores. Ou seja, eu não quero que a política continue a ser o que ela é hoje, mastigando fórmulas do passado que nada dizem às pessoas. E há aqui também uma escolha óbvia entre uma campanha do passado e uma campanha do futuro. Obviamente que eu sei que as pessoas, quando querem fazer as suas escolhas políticas, querem ter em atenção as ideias dos candidatos, querem saber quais são os seus programas. Mas eu também já ando há alguns anos na política e há algo de que eu já começo a ficar farto: de campanhas e de candidaturas que ninguém quer saber, que ninguém quer ouvir, que são mais do mesmo.
Mas estes cartazes sui generis, algo ousados, que tem apresentado, não teme que possam ser vistos como uma brincadeira ou como uma forma de desresponsabilização?
Não, porque há duas coisas que eu não faço: não brinco com o meu concelho, com Oeiras, nem brinco com o país. Algo que eu sei: se eu quero apresentar ideias, eu tenho de ser ouvido. E também pergunto muitas vezes a quem tem falado da credibilidade, eu pergunto onde é que ela está. Onde é que está a credibilidade que faz com que metade dos portugueses não votem? Onde é que está um sistema político que tem a sua credibilidade cada vez mais ameaçada por extremismos e populismos? E portanto, aqui a escolha foi clara: ter uma campanha disruptiva, que chama a atenção, que coloca Oeiras a ser falada. No final da semana passada, Oeiras foi um tópico tendência de todas as redes sociais, para que depois eu possa apresentar as minhas ideias, recusando o cinzentismo, a banalidade, ao mesmo tempo que também recuso a infantilização. E portanto, como não quero ver campanhas que ninguém quer ouvir, que ninguém quer saber, eu acredito que este nosso estilo de comunicação irá colocar mais atenção na campanha eleitoral de Oeiras, irá colocar mais atenção naquilo que é dito nas ideias. E acabou de destacar uma das principais prioridades na sua questão, que é a questão das políticas ambientais, que eu considero que-
Vamos às políticas que propõe então, mais do que chamar a atenção, quais é que são os seus objetivos para Oeiras?
Como eu estava a dizer, mais do que captar a atenção, tendo a atenção, é importante falar das ideias. E nessas ideias, uma das principais, e que já abordou na sua primeira questão, tem a ver necessariamente com a sustentabilidade. Eu penso, e eu estou certo que quer Isaltino Morais, quer Fernando Curto concordam comigo, quando eu ambiciono que Oeiras seja um dos concelhos mais verdes da Europa. De que Oeiras, com os recursos financeiros que dispõe, quer a Câmara Municipal, quer os cidadãos, quer toda a massa empresarial, social e económica do nosso concelho, podemos fazer de Oeiras um concelho de excelência a nível europeu, um concelho que não se compara só com Cascais, com Lisboa, com Sintra ou com Gaia ou com o Porto. Eu quero que Oeiras, por exemplo, ao nível ambiental, esteja a concorrer com Oslo, com Bergen, com Estocolmo, com Copenhaga, com Viena. Há, obviamente, aqui uma área-chave na área da mobilidade, que é a questão do trânsito, que é a questão de nós termos um concelho que reconhece-
Deixe-me só interrompê-lo, porque já vamos à questão da mobilidade. É um dos assuntos que está aqui também e já ficou percetível também essa sua primeira prioridade, ou uma das primeiras prioridades. Deixe-me passar aqui ao Isaltino Morais para lhe perguntar: tem um orçamento de campanha de cerca de 285 mil euros. É, por exemplo, mais do que Fernando Medina, que procura também ser reeleito, e ligeiramente abaixo de Carlos Moedas, que é a maior aposta do PSD. Com tanta notoriedade e sendo atualmente o presidente e recandidato, é preciso investir tanto dinheiro nesta campanha?
Não, não é necessário investir. Em primeiro lugar, cumprimento os restantes candidatos e o público que nos está a ouvir. Naturalmente que não é necessário grande investimento em termos de campanhas eleitorais, mas acontece que o orçamento que as candidaturas apresentam é aquele que a lei obriga a apresentar. E naturalmente, que o orçamento de uma candidatura independente é muito diferente da candidatura de um partido, porque os partidos não dizem a verdade e uma candidatura independente tem que dizer a verdade. Isto é, eu andei no processo de recolha de assinaturas e a entidade de contas já andava a perguntar se as pessoas que estavam a recolher assinaturas eram pagas por Isaltino ou se eram funcionários da Câmara. Portanto, a vigilância apertada que é feita pela entidade de contas Às candidaturas independentes não tem rigorosamente nada a ver com a vigilância que fazem aos partidos políticos. De maneira que eu estou convencido que não vamos utilizar este orçamento, é uma previsão. E quer dizer que de acordo com a minha previsão, nós iremos receber da entidade contas cerca de 150 mil euros. E, portanto, eu espero, provavelmente, não ir muito além dos 200 mil. Mas o orçamento é uma previsão e tenho que contar toda a despesa, porque inclusivamente se eu tiver um almoço com 10 pessoas que estão na campanha, cada uma pagar o seu almoço, a entidade Contas vem dizer que este almoço deve ser pago pela candidatura. Portanto, tudo isto tem que ser contabilizado. Ora, os partidos diluem, repare, a minha candidatura apresenta um orçamento superior ao do Partido Socialista ou do PSD aqui em Oeiras, mas eu já tenho o concelho todo inundado de cartazes. O PS já tem 56 cartazes entre outdoors e buses. O PSD tem 14 outdoors. Eu não tenho nenhum ainda. Ora bem, portanto, isto dá bem uma ideia de como os partidos políticos diluem as contas da candidatura em campanha nacional e em campanhas locais. Mas enfim, eu penso que isso não é relevante para este processo.
Isso também que o fez criticar estas mudanças na lei autárquica, que foram aqui um ponto que também que o Isaltino Morais criticou.
A questão das mudanças da lei autárquica, já não vale a pena, são achados úteis. É óbvio que os partidos do centro, PSD, são contra as candidaturas independentes e portanto tudo fizeram para as inviabilizar. Reparem, os partidos falam nas contas que nós apresentamos, mas os partidos políticos não pagam IVA. Nós pagamos 23% de IVA. As candidaturas independentes pagam 23% de IVA ao Estado, mas os partidos políticos pagam zero. Portanto, não podemos comparar o incomparável. Mas eu gostava de reagir à questão que o candidato do PSD referiu, que tem a ver com os problemas ambientais. Eu quero dizer que estão todos desatualizados. Eu fico surpreendido como é que a juventude, não é por acaso que a minha candidatura chama-se Inovara. Ora bem, isso significa que estamos a inovar há muitos anos. E no que toca ao verde, já em 2017 eu dizia que queria Oeiras ao melhor nível da Europa. E sendo Oeiras o décimo município mais populoso do país, é hoje o segundo com mais verde em Portugal. Portanto, é o município com mais prêmios justamente na área ambiental. De maneira que isto mostra bem que é necessário que os candidatos se preparem para conhecerem bem o território. Porque, na realidade, mesmo em relação ao problema da notoriedade, credibilidade, etc, é verdade que os portugueses estão relativamente afastados da política, porque a abstenção é muito grande. Mas julgo que o Alexandre Poço saberá que Oeiras, por exemplo, teve nos últimos atos eleitorais, a mais baixa taxa de abstenção ao nível da área metropolitana de Lisboa. Portanto, isto mostra que na realidade Oeiras é diferente. Por outro lado, é necessário conhecer a realidade. Todos os indicadores de desenvolvimento econômico-social, ambientais, etc, de Oeiras, o ultrapassam todos os municípios. Sabe que há dados que as pessoas às vezes não conhecem. Oeiras hoje é o segundo município que gera mais riqueza em Portugal. Com 26 mil bilhões de euros de volume de negócios, tendo o Porto com 14 mil, o turismo nacional, veja bem, todo o turismo nacional, o pacote todo com 18 mil milhões e Cascais, que está aqui ao nosso lado, com seis mil milhões, quatro vezes menos que Oeiras. Portanto, isto significa que Oeiras soube gerar riqueza ao longo das últimas décadas.
Isaltino Morais, deixe-me introduzir. Deixe-me só introduzir no debate também, vamos ter mais oportunidade para continuarmos a falar sobre-
Só é debate se nós pudermos responder às questões.
Exatamente, e se todos participarem.
Deixe-me só terminar meio minuto. Oeiras é um município verde, é um município sustentável, é um município que tem políticas de vanguarda justamente na área da sustentabilidade, da adaptação às alterações climáticas. Portanto, todos estes palavrões que os candidatos às vezes utilizam, fazem sem terem a noção do que são os números, os indicadores deste concelho.
Vamos introduzir também no debate o Fernando Curto. Fernando Curto é o candidato do Partido Socialista. O primeiro-ministro tem feito um périplo pelo país para participar na apresentação de vários candidatos autárquicos, mas não esteve na apresentação da sua candidatura, Fernando Curto. Acha que o primeiro-ministro acredita que Oeiras já tem um resultado final definido?
Boa tarde, antes de mais. Queria também cumprimentar os jornalistas da Rádio Observador, já tenho falado para vocês, mas noutra qualidade, e queria cumprimentar também o doutor Isaltino e o doutor Alexandre. Efetivamente, isso não é muito significativo, até porque o doutor António Costa tem comigo uma relação muito próxima desde que foi presidente da Câmara de Lisboa e posso te até dizer que temos um contacto até muito privilegiado naquilo que tem a ver com esta candidatura. Portanto, nada disso impede. Aliás, a agenda do doutor António Costa não permitiu que de facto pudesse estar. Mas deixe-me dizer, tive na minha apresentação a senhora ministra Mariana Vieira da Silva, tive o presidente da FAUL, Eduardo Cordeiro, tive muitos camaradas a apoiar. E gostava também de dizer que está a circular nas redes sociais, o próprio secretário de Estado adjunto mandou uma mensagem na pessoa dele próprio, daí que essa ausência nada belisca a minha candidatura, antes pelo contrário, e eu estou aqui de corpo e alma para abraçar a candidatura a Oeiras e para fazer de Oeiras no futuro algo diferente.
Mas planeia tê-lo durante a campanha, o primeiro-ministro, Fernando Curto?
Sim, vamos lá ver. A agenda do primeiro-ministro é uma agenda que se revelou complicada.
A pergunta é: planeia ter o primeiro-ministro na sua campanha?
São dezenas, para não dizer centenas de concelhos O Partido Socialista está a concorrer a todos os concelhos. Se o Primeiro-Ministro tiver condições e tiver disponibilidade, estará de certeza absoluta nalguma das minhas ações de campanha.
E quais são os objetivos do Partido Socialista para estas eleições? Melhorar o resultado de 2017?
O Partido Socialista está nesta luta autárquica há 30 anos. Eu próprio estou envolvido em Oeiras há 30 anos, tenho participado em toda a atividade cívica, inclusive e exclusiva de Oeiras, e gostava de lhe dizer que a nossa candidatura, a candidatura do Partido Socialista e a minha candidatura, está neste momento virada totalmente para o futuro. Nós queremos fazer de Oeiras uma Oeiras diferente. E nessa perspetiva, fizemos e preparamos um programa eleitoral coordenado pela candidata à Assembleia Municipal, a Dra. Alexandra Tomás Moura, que é também deputada, por muitos camaradas do Partido Socialista, por entidades envolvidas no concelho, no sentido de traçar as linhas mestras para o futuro que nós queremos para Oeiras. Nessa perspetiva, nós elegemos dentro do programa, que é vasto e largo, como calcula, temos cinco vetores, cinco estruturas grandes para Oeiras: a habitação, a mobilidade, o ambiente e as novas tecnologias, o social, a juventude e as novas gerações. Mas gostava de lhe dizer, antes de entrar propriamente nestas questões, que nós temos como análise de Oeiras, duas Oeiras. Temos a Oeiras do sucesso, a Oeiras que é toda falada, mas depois temos a outra Oeiras, que é a Oeiras envelhecida e solidária, a Oeiras envergonhada e esquecida, a Oeiras onde perpetuam os bairros sociais. Ou seja, todas estas situações são situações que nós temos e que são transversais, desde a habitação, como referi, da mobilidade, entre outras, são transversais a tudo isto que é a evolução para Oeiras. Temos uma equipa, a nossa equipa desde as listas à Câmara, à Assembleia Municipal e às Juntas de Freguesia, é constituída por pessoas que vivem e têm uma vida no concelho, quer familiar, quer comercial, quer em termos académicos, vivem no dia no concelho. Eu próprio tenho ao longo dos anos contribuído e valorizado a minha pessoa e a minha vida. Fiz o meu doutoramento, que é focado no financiamento das estruturas dos bombeiros em Portugal. Este doutoramento ensinou-me a gerir orçamentos e quando os fundos são limitados, como em Portugal e também para as autarquias, é preciso estabelecer prioridades. E este doutoramento vai mudar essas condições, não só o doutoramento, mas a experiência que eu tenho em toda a minha atividade aqui no concelho de Oeiras.
Fernando Curto, vamos só aproveitar para começar a focar nessas prioridades e nesses assuntos. Eu ia pegar num dos que referiu, que é a questão da mobilidade, porque está aqui relacionada também com a questão do concelho sustentável, e chamava de novo o Isaltino Morais, porque esta foi também uma preocupação que muitos ouvintes nos enviaram por e-mail. Recentemente inaugurou o novo viaduto junto ao centro comercial de Oeiras. Tem também um projeto para uma nova via rápida no concelho, a Via Longitudinal do Sul. E por outro lado, existem queixas na vertente dos transportes públicos com o serviço Kombos. Eu perguntava-lhe se Oeiras é o município mais virado para a utilização do automóvel e como é que planeia inverter isso.
O município de Oeiras é um município moderno, quer dizer, é o município que no contexto nacional está à frente na generalidade das políticas e, portanto, naturalmente que hoje todas as políticas são transversais. Nós não podemos falar de ambiente de uma forma isolada, ou de educação, ou de habitação, ou de desenvolvimento social, ou de ciência e tecnologia. Eu lembro-lhe que as nossas prioridades para este mandato que aí vem, e eu devo esclarecer que ao longo de todos estes anos, Oeiras teve sempre uma cultura de planeamento muito forte. Eu próprio me considero um homem de planeamento, dou importância ao planeamento e nunca planeio para quatro anos, planeio para 15, 20 anos. E é essa a razão por que os meus adversários, eu nesse aspeto até fico muito satisfeito, porque todos eles, quer o Fernando Curto, quer o Alexandre Poço, dizem que querem o melhor para Oeiras e ao melhor nível da Europa, Oslo, por aí fora. E eu fico encantado por uma razão muito simples, porque na realidade reconhecem o trabalho que foi feito ao longo dos anos neste concelho. Não fora Oeiras o que é e dificilmente a ambição dos candidatos à Câmara seria de colocar Oeiras ao melhor nível da Europa. É isso que todos queremos. E portanto, no futuro, eu não penso outra coisa. Quem fala muito do passado são os meus adversários. Na realidade, eu tenho sempre como foco o futuro. Ora bem, e relativamente à questão colocada da mobilidade, não podemos vê-la isolada da geração de riqueza, da criação de empresas, da criação de emprego, da educação, tudo isso está devidamente ligado. E portanto, há alguns fundamentalistas que vêm no fundo agora dizer que o Isaltino está a fazer estradas ou está a fazer viadutos, portanto, está a apostar no automóvel, ou faz estacionamento, logo está a apostar no automóvel. Não, os carros não vão desaparecer das ruas nos próximos 30, 40 anos. Podem ser carros elétricos, podem ser carros a hidrogénio, mas vai haver carros. E portanto, se queremos libertar os passeios, as ruas dos carros, temos que fazer estacionamento. Se queremos reduzir as emissões de CO₂, nós temos que criar fluidez no tráfego. Por isso são precisas estradas, são precisos viadutos, etc. Bom, mas se queremos realmente reduzir e facilitar a vida das pessoas, dar mais conforto, mais qualidade de vida, há que investir no transporte público. E qual foi o município que há mais de 15 anos investiu no transporte público menos poluente, mais amigo do ambiente? Foi justamente Oeiras com o projeto do SATU. Obviamente que esse projeto não seguiu para diante, está a ser reformulado.
E que estratégia é que tem agora para esse projeto, Isaltino Morais?
Eu digo-lhe já qual é a estratégia. Isto para dizer o quê? Transporte público. Não deixa de ser interessante as pessoas dizerem: "Vamos fazer transporte público em Oeiras", etc. O transporte público em Oeiras não é de Oeiras, é da área metropolitana de Lisboa, porque os fluxos de tráfego
Trabalho, casa, emprego, etc. Por exemplo, de Oeiras para Lisboa, todos os dias cerca de 54 mil pessoas, mas vêm de Lisboa para Oeiras 45 mil. Mas depois Oeiras tem um saldo positivo relativamente a Cascais, a Sintra, Amadora, Loures, Almada, por aí fora. O que significa que o transporte público é realmente pendular. O que isso quer dizer? Nunca as câmaras municipais tiveram responsabilidade. Eu lembro que só o Porto, Lisboa, Coimbra e Barreiro é que tinham transporte público concessionado pelas próprias câmaras municipais. Na área metropolitana de Lisboa, com exceção de Lisboa, nenhum município concessionou alguma vez transportes públicos. A primeira vez que os municípios têm competências é de agora há três anos para cá e por isso mesmo foi criada a Autoridade Metropolitana de Transportes e Oeiras, juntamente com os outros municípios, acabou de ser feita a concessão do novo transporte público para a área metropolitana de Lisboa, em que hoje vai ter um crescimento no atendimento do transporte público, em densidade e em quilómetros, na ordem dos 30%. Isso estará a funcionar, possivelmente, lá para março, abril. Portanto, não adianta haver candidatos e dizer: "Nós vamos fazer transporte público em Oeiras". O transporte público está em curso. Pela primeira vez, os municípios vão ter transporte público que responda às necessidades dos nossos concelhos, independentemente de, a nível interno, nós termos o SATU, termos o Combus, termos o shuttle para os parques empresariais, etc. Ora bem, o SATU terminou, curiosamente, num governo do PSD, no tempo do doutor Passos Coelho, que mandou extinguir a empresa, porque a mesma dava prejuízo. Na realidade, posso vos dizer que o SATU esteve um bocadinho sarilhado, porque em 2003, 2004, a câmara devia ter apresentado uma candidatura a fundos comunitários e não o fez. Quando regressei à câmara em 2005, foi o próprio ministro Mário Lino, na altura ministro das Obras Públicas, que me disse com estranheza que a câmara não tinha apresentado a candidatura. Estava prestes a ser apresentada essa candidatura, aliás, foi escolhida ser apresentada, mas entretanto caiu o governo e voltou novamente o governo do doutor Passos Coelho. Ora bem, o que acontece é que entretanto a tecnologia evoluiu e naturalmente o SATU, como sistema automático de transporte urbano, já não vai acontecer, mas após uma auditoria realizada à infraestrutura existente, vai ser adotado um sistema de transporte com carro elétrico, em sítio próprio, aproveitando a estrutura existente. Neste momento, temos a concordância da Câmara Municipal de Sintra, que é para ir até ao Cacém, a concordância da Área Metropolitana de Lisboa, que já considerou este projeto estratégica para a Área Metropolitana de Lisboa e há todas as indicações que ia haver, pela primeira vez, uma comparticipação comunitária para este projeto. Portanto, é um projeto que não é apenas de Oeiras. É de Oeiras, é de Lisboa, liga a Sintra.
Dá para fazer no próximo mandato.
Liga a Sintra, a Cascais. De acordo com as nossas estimativas, tudo indica que em 2023 pode chegar ao Lagoas Parque e que em 2025 pode estar ao Tagus Parque e, mais tardar, até 2027, pode estar no Cacém. Tudo depende agora de qual é a origem dos fundos comunitários, se é do PRR ou se é do programa comunitário da Área Metropolitana de Lisboa, que vai até 2030. Tudo indica que até 2027 este projeto pode estar concluído. Portanto, o problema da mobilidade são as ciclovias que estão a ser construídas, é o transporte público, é o automóvel próprio, são os parques de estacionamento, são as estradas. Tudo isto tem que ser devidamente integrado. Hoje não podemos olhar para a mobilidade apenas do ponto de vista do transporte individual, do transporte público, do transporte de bicicleta. É tudo integrado, é assim que deve ser. E por isso mesmo, quando se fala em sustentabilidade, o que é a sustentabilidade? A sustentabilidade não é apenas gastar dinheiro. A sustentabilidade é económica, é ambiental e naturalmente tem que ter uma direção social também. Portanto, são esses três eixos que são fundamentais para um conceito de sustentabilidade.
Vamos ficar com essas três ideias e alargar este debate também sobre a mobilidade e os transportes ao Alexandre Poço e ao Fernando Curto. Alexandre Poço, uma das suas apostas é o transporte escolar gratuito e elétrico, a preocupação direcionada ao transporte escolar não é pouco para aquilo que têm sido estas falhas apontadas pelos municípios, essencialmente relacionado com este serviço, com o Combus ou com a criação do serviço de bicicletas partilhadas, à semelhança daquilo que acontece em Lisboa?
Seria pouco se fosse a única proposta. Seria pouco se fosse a única proposta na área da mobilidade. Como é óbvio, há uma priorização de um sistema interno de mobilidade que eu penso que o município tem condições de levar a cabo e por isso temos vindo a defendê-lo e em todas as oportunidades públicas que tenho, apresento essa proposta e volto a referir que essa proposta poderia ser muito importante, mas também entendo que a mobilidade em Oeiras, como é óbvio, não está isolada daquilo que é a realidade da Área Metropolitana de Lisboa, tendo em conta os seus movimentos pendulares. E por isso também defendemos que essa mobilidade, do ponto de vista geral, não considerando esta proposta que estamos a defender para o nosso sistema municipal interno, defendemos que essa mobilidade seja integrada. Olhe, por exemplo, que no caso das bicicletas, que no caso das trotinetes, que no caso de toda a mobilidade suave No caso de toda a mobilidade elétrica, ela possa estar intimamente ligada, através do mesmo sistema, para permitir às pessoas utilizarem o mesmo sistema, por exemplo, em Oeiras, em Lisboa, em Cascais. Aquilo que nós hoje encontramos são sistemas diferentes, a andar a diferentes sistemas neste âmbito da mobilidade elétrica, da mobilidade suave. Uma das áreas que vai estar no nosso programa eleitoral é que essa mobilidade possa ser integrada e que, como é óbvio, no âmbito da mobilidade pendular e no âmbito da Autoridade Metropolitana dos Transportes, que Oeiras beneficie com este novo contrato de concessão e que possa permitir às zonas do Conselho em que essa oferta não é tão suficiente ou não é de tão boa qualidade, que acompanhe as demais zonas do Conselho. Mas eu penso que há áreas em que nós temos de ser muito claros. Eu poderia apenas e só defender princípios genéricos sobre mobilidade. Eu prefiro, é uma escolha política, dizer: a nossa candidatura irá bater-se por mobilidade, nomeadamente para os estudantes, com a criação de um autocarro escolar elétrico e gratuito para que os pais sintam essa segurança. Também nos iremos bater por mobilidade integrada, ecológica, gratuita e que esteja à distância de um clique num telefone e que possa estar ligada aos municípios com os quais essa mobilidade elétrica e mobilidade suave está mais ligada, que é o caso de Lisboa e que é o caso de Cascais. Quando nós estamos a pensar em política, temos que fazer escolhas, temos que olhar pro presente e pensar quais são as nossas prioridades. Estas são as prioridades que tenho defendido, o que não invalida que a nossa candidatura também não defenda, como é óbvio, que quer no âmbito da mobilidade metropolitana, que está a ser pensada e que está a ser agora redesenhada, quer com o sistema do Kombos, quer com as outras alternativas que já existem no Conselho, que essas possam ser melhoradas. Aqui eu penso que nós temos que ter a ambição de olhar pra aquilo que ainda não existe e de apresentar novos caminhos, levá-los ao debate público, e por isso é que tenho reforçado várias vezes esta questão do transporte escolar. Porque entendo que um conselho, como é o caso de Oeiras, e é algo que nós temos muito orgulho, é nos indicadores do Conselho de Oeiras. O pesadelo de qualquer oeirense é de se imaginar a viver na Amadora ou em Sintra. Aquilo que nós queremos sempre é ter a ambição, ou seja, a ambição de ter melhores soluções e por isso é que falei há pouco das cidades europeias. Porque eu penso que assumindo que aquilo que está pra trás tem sido resultado de políticas públicas que levaram, numa primeira fase, ao planeamento, numa segunda fase, à criação de infraestruturas que nos honram a todos e que nos orgulham a todos e, portanto, que seria desonesto da minha parte ou da parte de qualquer adversário político, ter um discurso que não olhe pra realidade e não veja aquilo que há de bom, colocar este patamar de ambição que eu penso que a minha candidatura irá fazer até à data das eleições. Colocar sempre mais ambição ao nível das melhores cidades europeias, colocar mais ambição ao nível das melhores políticas ambientais, algo que nós não queremos. Não queremos olhar pros conselhos vizinhos socialistas e não queremos esse modelo em Oeiras. Nós não queremos o modelo da Amadora em Oeiras, nós não queremos o modelo de Sintra em Oeiras, e eu penso que é algo que os oeirenses sabem muito bem. É que não querem o tipo de políticas socialistas que fizeram com que alguns conselhos na nossa área metropolitana ficassem pra trás, políticas de socialização de miséria, mas aquilo que querem é uma nova geração de políticas. Querem, por exemplo, que as políticas sociais sejam acompanhadas de um novo fôlego. Eu, por exemplo, tenho orgulho que Oeiras tenha centenas de bolsas escolares que dá aos estudantes do nosso Conselho. Eu acredito nesta política 3.0, em que as políticas sociais transformam a vida das pessoas, em que há mobilidade ascendente, em que há elevador social. Cada criança, cada jovem que receba uma bolsa do município de Oeiras tem que ser um campeão, tem que vencer na vida. E por isso é que avanço e avançarei no meu programa com um conjunto de medidas, quer ao nível de mentorias, curadorias, acompanhamento à família, acompanhamento a todas as pessoas que recebem qualquer tipo de apoio social, pra que se cumpra aquele desígnio que é as pessoas conseguirem subir na vida. Agora, aquilo que não irei fazer nunca é um debate desonesto ou dizer que aquilo que não existe é insuficiente quando eu acho que é suficiente ou quando eu não acho que é insuficiente, eu não o dizer. E, portanto, nesta política em que eu penso que Oeiras tem que ter ambição, apresentamos as nossas propostas e não nos comparamos nem com os conselhos socialistas, que não são exemplo pra ninguém, e como já estamos nos rankings nacionais muito elevados, aquilo que eu proponho é que Oeiras tenha aqui uma ambição das melhores cidades a nível europeu.
Deixa eu aproveitar essas críticas que lançou aqui aos conselhos vizinhos governados pelo Partido Socialista, para perguntar ao Fernando Curto qual é a estratégia que o PS tem pra mobilidade em Oeiras e perguntar-lhe também se, por exemplo, revitalizar alguns dos grandes projetos como o SATU está nos planos.
Olha, eu gostava de recordar, quer ao doutor Isaltino, quer ao doutor Alexandre, que a Autoridade Metropolitana de Transportes foi criada e está a ser desenvolvida com o governo do Partido Socialista. Portanto, logo aí é um indicador extremamente importante e tem sido, sem dúvida, reconhecido por todos os habitantes da área metropolitana que usam os transportes. Em relação ao SATU, eu gostava de recordar que eu nem gostaria de falar do SATU, como deve calcular. O SATU foi um projeto onde já foram enterrados milhões de euros. É mais uma promessa, é mais uma proposta que o doutor Isaltino está a fazer no âmbito de rejuvenescer o SATU, mas nós em relação ao SATU, já o dissemos anteriormente, é uma obra inóspita, é uma obra que não serve a Oeiras e como tal, não vamos sequer ligar. Em relação concretamente à questão da mobilidade, o que nós entendemos e queremos que o Conselho de Oeiras tenha, e dentro daquilo que foi dito aí, muito vago pelo doutor Isaltino e pelo doutor Alexandre, é muito vago e é muito insustentável. Eu vou lhe falar aqui em quatro ou cinco situações, que é aquilo que são as preocupações dos oeirenses. Eu queria que Barcarena, Porto Salvo e Caxias, os habitantes, os oeirenses de Caxias, Porto Salvo e Barcarena, tivessem, no que diz respeito aos transportes, as mesmas condições e as mesmas possibilidades que os restantes de Oeiras, de Carnaxide ou de Linda-a-Velha. E isso, infelizmente, neste momento, não está a acontecer. O que nós achamos que era importante criar e reestruturar, respeitando, como também já foi dito, toda a estrutura da área metropolitana, a ligação uns aos outros municípios, que é uma situação muito mais alargada e que não se restringe apenas ao município de Oeiras, é criar plano sustentável pra Oeiras. E esse plano sustentável pra Oeiras é corrigir situações que, infelizmente, nós não temos. Procuro uma mobilidade mais amiga das pessoas, integrando o transporte público na mobilidade pedonal e na mobilidade ciclável. O que isso quer dizer? Quer dizer o seguinte: no que diz respeito à mobilidade local, implementação de 70 bicicletas elétricas. Eu gostava de recordar ao doutor Isaltino, com muita simpatia, deixem-me dizer, que esta foi uma promessa que o doutor Isaltino fez há quatro anos e que nós nunca mais vimos, ainda não vimos durante este município. Chegaram ainda as bicicletas? Depois, essas próprias bicicletas virão a ser utilizadas gratuitamente pelos munícipes dentro da área do município. E acho que isto é extremamente importante, que é um usufruto e uma responsabilidade que cada um tem no sentido de desenvolver e dar vida ao município. Falou-se no Combus. O Combus é, sem dúvida, um meio de transporte bonito, um autocarro muito bonito. Só que não tem horários fixos e muitas das vezes, e eu já vi isso, e é um facto, qualquer cidadão, qualquer munícipe de Oeiras vê, circula muitas das vezes sem ninguém. Ora bem, então temos que rentabilizar o Combus, porque o Combus é um meio de transporte bom, como não podia deixar de ser. Agora, é preciso que o Combus tenha horários fixos. Mas eu gostava de dar uma nota em relação aos transportes públicos de Oeiras. Nós já fizemos essa experiência e eu próprio também já a fiz. É mais difícil nós deslocarmo-nos em Oeiras de um local para o outro, de uma freguesia para outra, com muita mais dificuldade do que nos deslocarmos de Oeiras para a área metropolitana de Lisboa. Isto é um facto e é uma realidade. Depois, em relação ao IndoCombus, é preciso criar o agendamento com as pessoas com mobilidade reduzida. O Combus tem que estar disponível também, calendarizando, tendo um horário devidamente organizado, para que pessoas com mobilidade reduzida possam utilizar o Combus e possam utilizar este transporte. Depois, e também foi, de certo modo, uma crítica, uma queixa que eu recebi quando visitei todas as associações e o conselho, que foi a vinda de crianças à natação, ao desporto, a todas essas associações. Então o Combus pode estar e deve estar disponível para criar uma rota semanal, diária, onde essas crianças podem mais facilmente chegar a essas associações. São estes os problemas que neste momento, para mim e para os oeirenses, são muito importantes. E de facto, a queixa que essas associações têm é que há uma dificuldade muito grande de que as crianças se possam deslocar ou por dificuldade dos pais ou por dificuldade de horário. E de facto, o Combus poderia servir isso. Gostava também de lhes dar uma nota. Muitos dos oeirenses com quem já falei e que também visitei em termos de comércio, diziam-me dois oeirenses, uma senhora e um senhor, um de Linda-a-Velha e outra de Carnaxide: "Olhe, Fernando Curto, sabe qual é o maior problema que eu tenho?" "Então diga lá." "Olhe, eu trabalho em Lisboa, sou uma técnica superior em Lisboa e costumo sair às 17h, 18h. Meia hora antes, estou preocupadíssima." "Sabe por quê?" "Então, mas diga-me lá." "Olhe, estou preocupada porque quando chegar a Oeiras, a Carnaxide, ou quando chegar a Linda-a-Velha, falo de duas horas para estacionar. Dou três voltas ao bairro para estacionar. Não consigo estacionar". Portanto, isto são situações que preocupam os oeirenses e são preocupações que são diretas. Depois, uma questão mais alargada e mais de conjuntura é a ligação à CREL, de Barcarena e Queijas, ou a ligação do Lagoas Park a Sintra. Além de muitas outras, estas são as referências no âmbito da mobilidade.
Muito bem, vamos continuar este debate com Isaltino Morais para falar sobre algumas das obras que têm marcado os últimos anos e que vão marcar os próximos, se for eleito, porque fazem parte dos projetos que tem para o município. E falo, por exemplo, do Fórum Municipal de Oeiras, no Centro de Interpretação da Água, do Obelisco do Parque dos Poetas, que foi também inaugurado recentemente, das esculturas nas rotundas do concelho, o novo edifício da Câmara Municipal. Esta política das grandes obras, dos grandes projetos, não está um bocadinho ligada àqueles primeiros anos em que foi autarca em Oeiras? Não está um bocadinho esgotada?
Oeiras tem um tecido empresarial muito forte, rico, paga impostos, que contribui para o desenvolvimento do país e que naturalmente gera riqueza e emprego. Nós estamos aqui a falar atomizadamente disto e daquilo e ainda não falámos das políticas integradas para o território. Ora bem, acontece que tivemos vários ciclos de desenvolvimento. Tivemos o ciclo de orientação das barracas, da requalificação do território, tivemos o ciclo de desenvolvimento empresarial em que Oeiras conseguiu, mercê do planeamento que fez, atrair as melhores empresas multinacionais de empregos de valor acrescentado e por isso Oeiras é o município com maior rendimento do país. Ao mesmo tempo que entramos num outro ciclo de desenvolvimento social e cultural. Prepare, Oeiras é hoje um município que concede, há pouco o Alexandre Poço falava disso, é o município em Portugal que concede mais bolsas de estudo para o ensino superior. Mas mais, a Câmara Municipal aprovou, e esta era uma promessa minha já de há uns anos atrás, a partir deste ano já, acabaram as bolsas. Isto é, todo o jovem que termine o 12° ano vai haver acesso universal à universidade e, portanto, podem ser concedidas 500, 1000, 2000, 3000 bolsas, as que for necessário. Não haverá nenhum jovem que termine o 12° ano que não entre na universidade. E portanto, isto mostra bem como Oeiras atingiu um patamar de desenvolvimento único em Portugal. Mas quero dizer que estamos a viver uma pandemia e ainda não falámos nem sobre este aspeto.
Mas já lá vamos. De que forma é que essas bolsas de que está a falar e que essa ligação...
Não, mas isto tem muito a ver com a pergunta que me fez. Estamos a viver uma pandemia. O município investiu 12 milhões de euros no combate a esta pandemia. Não faltou nada a ninguém, desde aquecimento em casa, refeições, medicamentos, hotéis para quarentena.
Mas Isaltino Morais, de que forma é que isso está relacionado com o Obelisco do Parque dos Poetas?
Está. Eu explico. Está porque mercê da gestão que fazemos, mercê da política financeira do município, é possível atender às necessidades das pessoas. E as ditas grandes obras são obras que naturalmente têm a ver com necessidades do Conselho, e eu vou explicar
Vamos ao edifício do município. Depois da Câmara construir quartéis de bombeiros praticamente para todas as freguesias, depois de construir todos os centros de saúde deste concelho, que foi a Câmara que os construiu, depois de construir todas as esquadras da Polícia de Oeiras, que são da Câmara Municipal, depois de resolver equipamentos desportivos, etc., quem é que não estava bem servido? Os funcionários da Câmara. Temos funcionários insatisfeitos.
Isso não fica um bocadinho aquela lógica que o Isaltino Morais defende que a Câmara não deve ter dinheiro no banco?
Não se trata disso, trata-se de satisfazer as necessidades das pessoas. E o que é que acontece? O edifício do município, este edifício que está em construção, vai poupar anualmente cerca de 200 a 300 mil euros e ao fim de 10 anos está pago. Os funcionários da Câmara estão divididos em sete edifícios e, portanto, vai ser prestado um serviço muito mais eficaz, mais eficiente, maior produtividade, maior controle da atividade dos funcionários da Câmara. Espalhados por sete edifícios geram realmente algum descontrole e, portanto, uma quebra de produtividade. Naturalmente que este edifício é fundamental para os tempos que aí vêm, em que cada vez são de maior exigência para os funcionários e não se pode só exigir, também tem que se dar condições de conforto, condições de trabalho. Ora bem, relativamente a vias, falou a VLS, falou a VLN, naturalmente que são vias que visam ligar Oeiras a um município. É um município com cerca de 25 ou 26 aglomerados, com alguma importância. É preciso ligá-los uns aos outros e, portanto, por exemplo, agora no âmbito da candidatura à Capital Europeia da Cultura, vamos fazer cinco novas praças. Para quê? Para quando acontece uma atividade numa praça, ela seja repercutida em todas as outras praças. O obelisco. Vamos ao obelisco.
Muito rápido, Isaltino Morais.
O obelisco quer dizer que foi um projeto extraordinário, porque mereciam críticas realmente muito exageradas, o que fez com que lhe fosse dada uma publicidade extraordinária e então de todo o país, e designadamente Oeiras, que é o mais importante. Aliás, eu recomendo aos candidatos à Câmara, quando falam em espaços verdes, que visitem a Fábrica da Pólvora de Barcarena, que visitem a Quinta da Senhora da Conceição ali em Algés, o Parque Urbano de Algés, o Parque dos Poetas, a Quinta da Cartuxa, a Quinta de Cima aqui do Marquês de Pombal, para verem os espaços verdes que há aqui no nosso concelho.
Isaltino Morais, temos que avançar. Não podemos continuar a fazer uma promoção do concelho, não é esse o objetivo.
Para terminar, o obelisco é simbólico. Muita gente vai lá para ver o obelisco e ficamos pasmadas, não é com o obelisco. Sabe com o que é que ficam admiradas? Com o Parque dos Poetas. E dizem: "Que lindo, que beleza". Realmente o Parque dos Poetas é extraordinário. As pessoas ficam surpreendidas porque vão ver o obelisco e depois ficam encantadas com o parque. De maneira que o custo do obelisco já está mais do que pago pela publicidade que realmente gerou. E, portanto, hoje, depois desta polémica, aos fins de semana e mesmo durante a semana, já são milhares de pessoas que usufruem da beleza do Parque dos Poetas. Isso é que é importante. Portanto, eu quero dizer o seguinte: estamos aqui num debate a três candidatos e eu agora estava a pensar nisso e é curioso, porque os três, de alguma forma, representam ou posicionam-se em áreas comuns, coincidentes. É o centro-direita, é o centro, é o centro-esquerda. E eu achava bem que os meus adversários que aqui estão, o Alexandre Poço, se preocupasse com o centro-direita e que conseguisse convencer as pessoas de que vale mais a pena votar nele do que na extrema-direita. E o Fernando Curto, que se preocupe com a extrema-esquerda, porque a extrema-esquerda pode lhe tirar voto. O Partido Socialista pode ir lá buscá-los. Ora bem, isto é fundamental. Não sei se é porque todos nós andamos aqui mais ou menos na mesma área, mas eu não posso dizer à extrema-direita que vote em mim, não posso dizer à extrema-esquerda. Quem está mais próximo é que deve fazer isso. De maneira que o Alexandre Poço deve preocupar-se com a extrema-direita e o Fernando Curto com a extrema-esquerda, porque na realidade não basta dizer que há populismos. É preciso mostrar às pessoas que um concelho como Oeiras, um concelho moderado, um concelho com modo de vida estabilizado, que naturalmente quer mais e melhor, quer mais futuro. Todos nós queremos isso. E eu, naturalmente, me revejo muito nas palavras dos dois candidatos. Portanto, quero dizer que não sinto grandes diferenças. O problema aqui está na capacidade de realizar. Por exemplo, termino já. O problema do transporte escolar do Alexandre Poço. É uma proposta interessante, que nos Estados Unidos da América vinga porque os Estados Unidos da América é o paraíso do automóvel. Não há transporte público. Na Europa não é assim. Na Europa, nenhum país, nenhum município tenta propriamente o transporte escolar, a não ser municípios muito isolados, mais na província, para ir buscar as crianças às aldeias, etc. Ora bem, o Alexandre com certeza nem sequer fez as contas a quantos autocarros era preciso, quanto é que custam esses autocarros e portanto resolve o problema facilmente através da concessão que aí vem dos transportes para o público, aumentando a densidade do transporte público e mais quilómetros, porque tudo isso está no contrato de concessão.
Concentrando aqui a questão, Isaltino Morais, passava agora para o Alexandre Poço para lhe perguntar e pegando aqui na expressão utilizada pelo atual presidente da autarquia, se acha também o obelisco uma beleza e como é que olha para estes grandes projetos em Oeiras, se for eleito, por exemplo, se são todos para levar até ao fim.
Olha, eu desafio o presidente Isaltino Morais a que no Fórum Municipal que está a construir, e tendo esta preocupação com a cultura, como aqui há pouco referiu, que coloque no Fórum Municipal o retrato do Marquês de Pombal, penso que é do século XVIII, que nós conhecemos, que está no palácio, nos Passos do Concelho. Poderia ser aqui um bom exemplo, seguindo até a ótica quase iluminista ou renascentista de sacralização da arte.
Vai para o Palácio do Marquês, para o Salão Nobre, local.
Não, era aqui o desafio, que podia ficar no Fórum Municipal de acesso a todos. De acesso a todos. E era algo que eu penso que poderia sair do gabinete do presidente da Câmara para estar, por exemplo, no novo fórum municipal, acessível a qualquer pessoa que se desloque ao novo fórum municipal. Eu penso que há obviamente áreas que preocupam mesmo a classe média de um concelho como é o de Oeiras. Nós ainda não tivemos a oportunidade de falar aqui, mas há três áreas que preocupam muito as famílias. Por exemplo, uma jovem família que queira colocar um filho numa creche, verá a dificuldade que é encontrar vaga para uma creche. Ou por exemplo, uma jovem família que queira arrendar ou comprar casa, verá que é difícil, apesar do programa de habitação jovem da Câmara, verá que, por exemplo, se calhar temos que pensar, quer ao nível da isenção de IMT, quer ao nível de um novo modelo de apoio ao arrendamento jovem, que possa traduzir-se numa das dificuldades que eu há pouco dizia. Nenhuma família em Oeiras quer ir viver para a Amadora ou quer ir viver para Sintra. E, portanto, querendo ficar em Oeiras, esse é também um dos problemas. Outra preocupação, além destas duas, das creches e da dificuldade em arrendar ou comprar casa no nosso concelho, que também obviamente resultam de um desenvolvimento que o concelho conheceu e que os oeirenses gostam, mas que são angústias e que preocupam, por exemplo, a classe média de Oeiras, é o tema das residências sénior. Nós vimos recentemente com os censos que temos um problema demográfico geral, nacional no nosso país, e que, portanto, quem está a pensar nas políticas de futuro, quem está como eu a pensar nos próximos 10, 20 anos do Conselho de Oeiras, terá obviamente de pensar também como é que nós vamos conseguir aumentar a oferta de residências sénior. E eu aqui penso que a Câmara Municipal pode fazer esse investimento e depois a sua gestão pode ser entregue às IPSS, à Santa Casa, de forma a que se aumente, por exemplo, a rede e que se aumentem as vagas para residências assistidas nos centros de dia. Eu penso que estas são preocupações que dizem muito mais respeito às famílias do que o obelisco ou do que outros monumentos que têm vindo a ficar conhecidos nos últimos tempos. Eu penso que nós aqui temos verdadeiramente de nos preocupar naquilo que são algumas angústias da classe média.
Portanto, não teria feito este tipo de investimentos?
Diga?
Não teria feito este tipo de investimentos.
Sim, isso é uma questão de gosto estético, portanto, provavelmente não. Eu diria que aquilo que me preocupa e que vou falar ao longo desta campanha eleitoral, são estes problemas que eu penso que nós ainda temos de resolver, que caracterizam a classe média de Oeiras. A dificuldade em arranjar uma vaga numa creche, o que nós fazemos aos nossos avós, por exemplo. Eu às vezes penso nisso. Uma pessoa que tenha uma reforma baixa, terá uma dificuldade em conseguir arranjar uma residência para ter um acompanhamento diário, um acompanhamento assistido, a partir de uma determinada idade. Ou da dificuldade que para muitas famílias, nomeadamente jovens famílias, terem arrendamento em Oeiras. Eu penso que essas são as tais políticas 3.0, depois do caminho que o Conselho percorreu, de desenvolvimento infraestrutural, de desenvolvimento económico, de nós conseguirmos ter em Oeiras um modelo agora ambicioso ao nível daquilo que se faz melhor da Europa. E por isso é que eu penso que aqui as propostas, quer do PSD, quer da coligação que lidero, serão muito ambiciosas, serão propostas que em nada nos irão fazer a chegar aos modelos socialistas dos conselhos aqui à volta, que eu penso que não fazem falta e que demonstram aqui uma adesão aos problemas das pessoas. Mais do que discutir os obeliscos, ou mais do que discutir um ou outro detalhe, eu até dei uma sugestão cultural ao presidente da Câmara para que coloque o retrato do Marquês de Pombal no futuro fórum municipal. Importa é nós discutirmos o problema das creches, o problema do arrendamento e da aquisição de casa ou o problema das residências sénior, quando nós vemos o envelhecimento que o país está a ter e que é um problema estrutural, sério e que também afetará o Conselho de Oeiras com uma população que tenderá, obviamente, a caminhar para o envelhecimento, como o país tem vindo todo a caminhar.
E o Fernando Curto, se for eleito presidente, também vai querer retirar o quadro do Marquês do gabinete e colocá-lo onde? E o que acha deste plano de obras? Teria feito estes investimentos também?
A este respeito, as propostas que estão aqui elencadas, mas mais uma vez, quer o doutor Isaltino, quer o doutor Alexandre Poço, comungam do mesmo diapazão, portanto, falam de situações muito comuns entre um e outro. Não é essa a nossa política, não foi nunca essa a nossa política. E quando falam em socialismo, o Partido Socialista é um partido democrático, baluarte do nosso país, baluarte das autarquias e como tal, penso que não vale a pena falar nisso. Como viu, ambos fugiram dos 600 mil € que foram gastos no obelisco. Olhe, eu não gastaria 600 mil € no obelisco, como não gastaria 70 ou 60, já não sei quanto é que foi, ao monumento do Vinho de Carcavelos. O que é que eu fazia? O que é que eu faria e o que é que eu faço quando for presidente da Câmara Municipal de Oeiras? Repare, com o obelisco, porventura, comprava 500, 600 desfibrilhadores e colocava em todas as associações do Conselho, onde diariamente cada uma delas tem 200 crianças e não há um desfibrilhador, não há postos de socorros, não há nada. Isto foi-me dito pelos diretores e responsáveis dessas instituições. Dava condições às crianças da escola de Paço de Arcos que tomam banho em água fria. Bem, nesta altura será sofrível devido ao calor, mas veja esta situação. Fazia obras nas piscinas de Bracara, que estão em mau estado. Depois, o que é que eu faria mais? Faria mais em termos sociais e em relação à questão dos idosos. Criava um plano para acabar com o isolamento dos idosos. Repare, todo este dinheiro e estas obras megalómanas Porventura, como referiu o ministro Duarte, seriam as obras de referência do doutor Isaltino há uns anos. Agora, não são obras de referência. Agora são situações que me parecem mais de despesismo. O que eu faria com todos estes gastos? Criava um programa de apoio a equipamentos para deficientes, por exemplo, um programa de vida ativa para os idosos. Não sei se o doutor Isaltino sabe, ou o doutor Alexandre, mas 50% das pessoas que residem no concelho de Oeiras são idosos que vivem sozinhos ou vivem com outro idoso. Combater o isolamento social, um projeto específico para a reforma ativa dos trabalhadores da autarquia, que muitas das vezes têm sido esquecidos, o enfermeiro solidário, e há muito dinheiro que pode ser canalizado e pode ser reaproveitado em tudo isto, promover a adoção e instituição do idoso. E outra coisa que é muito importante e que para nós, e para mim também, como deve calcular, em termos pessoais e profissionais, me toca muito, tem a ver com a tela de assistência que neste momento existe no Conselho de Oeiras. Não estou a criticá-la, antes pelo contrário, mas essa tela de assistência deveria ser alargada a sete associações do Conselho. Nós temos sete associações de bombeiros voluntários no Conselho, que têm 24 horas um telefonista, uma telefonista de serviço e essa tela de assistência podia muito bem passar por eles, no sentido de dar ainda um apoio muito maior em relação àquilo que é importante falar. Também no âmbito social, e se calhar ainda tirava alguns euros do obelisco e do monumento ao vinho de Carcavelos, e procurava inteirar-me e saber como é que gastaria nos 50 agregados familiares que possuem animais de estimação, animais de companhia. Como é que fariam? Dizia-me a doutora Helena Barros há dias, também em Caldas de Vizelas: "Senhor Fernando Curto, se o senhor for presidente de câmara, faça-me um favor". "Diga, dona Helena." "Tem de criar um cemitério municipal para os animais". Ou seja, o atendimento veterinário alargado para animais abandonados ou de famílias vulneráveis, uma socioeconomia para os idosos com mobilidade no domicílio. E aí espero ainda falar no âmbito das novas tecnologias para os jovens. Ou seja, penso que neste momento o cidadão de Oeiras, eu próprio, nós todos, estamos preocupados com aquilo que nos afeta diariamente, que nos preocupa diariamente. E isso penso que será o futuro de Oeiras, como grande, com todas as tecnologias que vão vir, com todos os grandes edifícios que a câmara tem programados. Mas há uma coisa que é muito importante. No futuro, as pessoas para o Partido Socialista são sempre mais importantes e o município de Oeiras com o Partido Socialista terá sempre uma referência, primeiro nas pessoas, porque efetivamente não basta dizer e criticar aquilo que efetivamente está feito. É preciso ter e apresentar esses projetos e o Partido Socialista tem. Eu elenquei aqui dois ou três, temos dezenas deles que estão efetivamente .
Claro, infelizmente o tempo não estica e temos que encaminhar-nos também para a reta final, porque já estamos também a ultrapassar ligeiramente o tempo planeado, mas há um assunto incontornável que não podemos fugir, que é a pandemia. Isaltino Morais, começava por si a pedir-lhe uma resposta mais sintética, porque está ligeiramente à frente dos outros dois candidatos nos tempos. Deixe-me só colocar esta questão, que é: um trabalho do Observador mostrava que o Centro de Vacinação em Oeiras tinha várias referências à obra que fez, recolheu também assinaturas à entrada. Admite que é uma situação que devia ter evitado, tendo em conta este período eleitoral?
Num debate tem que haver algumas respostas e as últimas intervenções, a propósito do desenvolvimento social, eu quero dizer que Oeiras, por exemplo, no que diz respeito à habitação, é o segundo município em Portugal que já tem, neste momento, protocolado com o governo a construção de 1700 casas. Apenas Lisboa está à nossa frente. O Porto está com 1743 e nós estamos com 1790. Estas casas são para renda acessível, destinadas justamente à classe média. Por outro lado, estão praticamente prontos os projetos para ter residências seniores. E já agora gostaria de lembrar que de oito centros de idosos que existem no Conselho, oito das IPSS, geridas por IPSS, foram todos construídos pela Câmara Municipal de Oeiras. Portanto, se há preocupação que nós temos é justamente com a população sênior. Oeiras foi o primeiro município a atribuir medicamentos aos idosos. Médico 24 horas por dia. De maneira que estas propostas que os dois candidatos estão a apresentar como se fossem grande novidade, já são uma tradição aqui em Oeiras e portanto, obviamente que é preciso fazer mais, com certeza, por isso mesmo não se faz tudo de uma vez, mas estão projetos prontos para arrancarem a construção, os concursos já no primeiro semestre do próximo ano. Mas mais importante do disso é que estão protocolados e são bilhões de euros, o que significa que as "fediver" do obelisco ou de uma escultura numa rotunda, estamos a falar de umas centenas de milhares de euros, que faz parte naturalmente do embelezamento, da qualidade urbana, da imagem do próprio Conselho, naturalmente, que não representa praticamente nada no contexto global do financiamento que Oeiras vai fazer. Ora bem, quanto à pandemia. Na realidade, Oeiras fez tudo e quero lhe dizer, por exemplo, rejeitámos as caixas solidárias que em alguns municípios fomentaram, com o argumento da pobreza envergonhada. E eu sempre achei que era uma indignidade aquela do: "Deixe porque não precisa, leve porque faz falta". E depois andávamos à noite, pela casa das 11:00 da noite, para ninguém ver, a ir lá buscar comida. Em Oeiras, eu rejeitei isso e quero dizer que não houve ninguém, nem há ninguém que passe fome neste Conselho, porque a Câmara Municipal a todos atendeu. A todos. Portanto, quando alguém diz que há dificuldade, só tem que identificar as pessoas nos serviços sociais da Câmara Municipal ou das Juntas de Freguesia. De maneira que Oeiras é um município para as pessoas, exclusivamente. E é por isso que o grau de satisfação das pessoas nesta matéria é extraordinário. Os cidadãos de Oeiras sabem que a Câmara Municipal de Oeiras esteve Em todo lado. Quanto à questão que colocou do centro de vacinação, é engraçado que eu só recebi elogios do centro de vacinação. O Centro de Vacinação de Oeiras foi o primeiro a ser instalado no país, com umas condições extraordinárias. Todos os dias temos transporte gratuito para quem vai à vacina, a pensar, sobretudo, nos idosos. A Câmara Municipal contratou cerca de 30 enfermeiros para poderem estar ali a fazer o seu trabalho e a facilitar a vida às pessoas e aos próprios enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde.
E sendo tantas as vantagens, não era evitável estes pequenos detalhes?
Não, mas achei estranho que depois venham, porque o Bloco de Esquerda fez o protesto junto da Comissão Nacional de Eleições, dizendo que estavam lá vídeos que aparecia o presidente da Câmara. Eram vídeos antigos, que era para o passatempo das pessoas, nem sequer tinha voz, só tinha imagem. Houve esse protesto, foram retirados os vídeos com as imagens e ficaram os vídeos lindíssimos com as paisagens das praias de Oeiras, dos jardins, do Parque dos Poetas, para justamente dar mais tranquilidade às pessoas que ali estão no repouso.
Alexandre Poço, deixe-me só perguntar aqui ao Alexandre Poço o que ele acha desta iniciativa, se acha que é a melhor forma de entreter os vacinados ali na fase do recobro.
Eu não tenho muita apetência para discutir questões laterais. Eu estou em crer que não há de ter sido o presidente da Câmara, Isaltino Morais, que mandou instalar a recolha de assinaturas à porta do centro de vacinação. Não é isso que deve importar. Nós sabemos que os movimentos independentes têm de fazer a sua recolha de assinaturas. Eu penso que são questões laterais. Deixe-me só terminar. Eu penso que são questões laterais, são questões de fé e de ver. Qualquer pessoa que tem ido ao centro de vacinação vacinar, ceux que ainda não foram, deixo aqui também o apelo para que vão e para que se vacinem. Há de ter ficado satisfeito. Ou seja, não é por estar em combate eleitoral que eu vou dizer coisas nas quais não acredito. Eu fui ao centro de vacinação vacinar-me.
Estava a dizer que não acreditava que tivesse sido o presidente a ter essa iniciativa, ele está a dizer que sim.
Sim, não acreditava, fiquei a saber que foi. Não acreditava que tivesse sido. Às vezes há esta dinâmica das campanhas em que as equipas possam ser mais papistas que o Papa. Eu não acredito que não.
Alexandre Poço, mas é mais difícil fazer campanha em pandemia, pelo fato desta ser uma luta conjunta?
Não, como é óbvio, toda a campanha, toda a candidatura, todas as candidaturas têm de respeitar as regras da pandemia, mas graças ao desenvolvimento tecnológico que existe hoje, nós temos formas de chegar às pessoas. Aliás, na semana passada, com o lançamento da minha candidatura, com o arrojo que a marcou, conseguimos chegar a milhares e milhares de pessoas, através da nossa forma de comunicação, sem colocar em causa qualquer tipo de regra ou de colocar qualquer tipo de regra no combate à pandemia, mas como é óbvio, a pandemia coloca esses entraves. Eu gostava aqui de destacar, acima de tudo, que aquilo que preocupa as pessoas, aquilo que são as angústias das pessoas, é aquilo que deve ser o nosso foco. Depois, a adaptação das campanhas e das candidaturas deve vir em segundo lugar, ou seja, a prioridade devem ser os problemas concretos das pessoas. Como eu falava há pouco, o tema das creches, o tema do acesso à habitação, o tema das residências sénior, essas são as preocupações das pessoas, à parte também daquilo que penso eu ser algo que os oeirenses querem. Os oeirenses querem olhar para o seu concelho, ter orgulho nele. Há pouco o Fernando Curto falava das suas políticas, mas não teve a capacidade de defender os concelhos que eu já referi, porque sabe que o modelo socialista de desenvolvimento autárquico não é um modelo benéfico para as populações. E por isso é que ainda não fez nenhuma referência à gestão na Amadora ou à gestão em Sintra, porque aquilo que nos deve preocupar neste momento, e é a isso que eu me disponho, é projetar a Oeiras do futuro, é a Oeiras das políticas 3.0, é a Oeiras das pessoas que querem olhar para o futuro. Eu penso que há uma Oeiras do presente e há uma Oeiras do futuro. E essa Oeiras do futuro é aquela que a minha candidatura está preocupada e por isso perde pouco tempo com essas lateralidades ou com essas questões que não dizem tanto às pessoas. As pessoas não querem saber onde é que estão os locais de recolha das assinaturas. As pessoas querem é ter uma vaga na creche para um filho, querem conseguir pagar uma renda de uma casa, querem saber que se o seu avô ou o seu pai estiver a necessitar de acompanhamento diário, de acompanhamento assistido, têm acesso e têm uma vaga para isso. E são essas as preocupações que a minha candidatura se preocupará, a par de uma ambição europeia de posicionar Oeiras a nível europeu junto das melhores cidades e dando também respostas claras de que é possível, a partir de Oeiras, fazer um modelo de transformação de vidas. Nós assistindo a um declínio e a uma estagnação no nosso país, em que uma pessoa que é pobre não consegue subir na vida, eu penso que há também uma preocupação que Oeiras tem de ter, com os recursos financeiros que tem, com o nosso capital humano, com o nível de desenvolvimento económico e social que existe, que é de nós conseguirmos complementar e acrescentar áreas à nossa resposta social. Por exemplo, na área da saúde, eu acredito que Oeiras terá de ter a capacidade e teremos de conseguir Mobilizar o nosso conselho para que tenha mais valências na resposta de saúde que dá às populações. É óbvio que já há alguma oferta existente, e há pouco o presidente Isaltino já referiu alguns desses serviços. Mas, por exemplo, saúde mental, saúde ocular, saúde auditiva, rastreios anuais, capacidade de Oeiras ser um parceiro num Estado social que tem vindo a falhar e eu acredito no tal modelo que Oeiras pode ser, a nível nacional e a nível europeu, de desenvolvimento económico e social, que possa dar uma oportunidade às pessoas de serem apoiadas para que a vida das pessoas possa ser transformada numa nova geração de políticas, com esta tal preocupação da política 3.0, a política do futuro.
Presidente Curto, nós estamos mesmo a terminar. Nesta questão da pandemia, até porque tem um conhecimento técnico diferente, perguntava-lhe se Oeiras respondeu bem e onde é que a autarquia podia ter ido mais longe. O presidente Isaltino diz que deu toda a resposta, mas perguntava-lhe se poderia ter ido mais longe em algum ponto.
Claro que sim, nem eu sou incoerente em relação àquilo que é feito em Oeiras. Efetivamente, como disse no início do meu debate, nós temos duas Oeiras e essas duas Oeiras são referenciadas. Queria falar antes disso, se me permite, em relação ao protocolo que o doutor Isaltino falou das habitações. Como o doutor Isaltino sabe, esse protocolo é protocolado com o governo. E mais uma vez, se permite, o governo paga as casas e o doutor Isaltino vai entregar as chaves. Mas é da vida, é assim que está organizado e ainda bem que o governo se disponibiliza para isso. Gostava também de recordar ao doutor Isaltino, com toda a simpatia, que o plano de recuperação socioeconômica que o PS apresentou foi rejeitado no dia 7 de maio. Recordar também ao doutor Isaltino que o IMI foi uma das nossas propostas. E muitas dessas propostas que são faladas e que são aqui elencadas por mim, o doutor Isaltino recordar-se-á que foram por ele rejeitadas. Em relação ao doutor Alexandre Poço, gostava de deixar uma nota muito importante. Recordar, em primeiro lugar, que em Sintra o Partido Socialista ganhou ao PSD. Por algum motivo foi. Em segundo lugar, tenho o maior orgulho em ter aqui ao lado a Câmara da Amadora e porventura o doutor Isaltino também terá, porque efetivamente houve aqui sempre um bom trabalho e um bom relacionamento. E depois dizer também ao doutor Alexandre Poço que o país tem a esmagadora maioria das câmaras municipais, que são do Partido Socialista. Logo, há aqui toda uma mais-valia do reconhecimento da população portuguesa, não só do trabalho que o governo faz, que é excelente, mas também daquilo que tem a ver com o poder autárquico. Em relação à pandemia, gostava de, se me permite, duas notas. Falou-se aqui muito de creches e de tudo isso. Nós achamos que a juventude deve ter um papel importante em Oeiras que não tem tido condições para isso. Desde já, em relação aos berçários e às creches, também já foi referido aqui, com acordos pelas IPSS e as empresas do conselho. Criar um conselho que seja mais amigo das crianças, criar programas como o desporto escolar, o ensino na adaptação. Ou seja, tudo isto são situações que me parece que devem ser devidamente elencadas e foi isto que eu ouvi na rua nestes últimos dias e foi isto que eu ouvi ao longo de quatro anos em que faço e intervenho em termos cívicos, em termos políticos, no Conselho de Oeiras. Em relação à pandemia, não posso descurar, efetivamente, que o trabalho que foi feito pela Câmara foi um trabalho bem feito, isto é verdade, sempre o tenho dito, o Partido Social Democrata viu, não tem problema nenhum. Agora, efetivamente, aquele descuido de recolher assinaturas no Pavilhão Carlos Queiroz ou outros do gênero, da responsabilidade do doutor Isaltino, porventura seriam evitados, porque efetivamente nem o Alexandre Poço, nem o Fernando Curto tinham condições para estar lá a fazer isso. É legítimo que isso aconteça, mas de facto são situações que eu faria diferente, como não podia deixar de ser, na qualidade de bombeiro profissional, na qualidade de há 30 anos que estou aqui inserido em todas essas áreas sociais e da pandemia e já vivi de perto e vivo diariamente perto na minha profissão, mas efetivamente penso que o que foi feito em Oeiras pelo doutor Isaltino, não podemos dizer que não, que foi bem feito, mas há outra Oeiras que precisa de ser vista, que precisa de ser caminhada e é preciso que os jovens tenham o poder. Repare, os jovens têm que habitar em Oeiras, que ainda não falámos aqui, a geração das minhas filhas e as minhas filhas não têm condições para ter casa em Oeiras, para comprar casa em Oeiras. São estas questões, para sair da casa dos pais, para serem autónomas, para terem a sua vida. São estes problemas e estas situações que o Partido Socialista quer ter sempre na ordem do dia para resolver os problemas dos oeirenses.
Muito obrigado aos três pela participação neste debate. Já que estamos também largamente no nosso tempo, eu sei, há sempre muito por falar e o tempo não estica em rádio. Muito obrigado, Isaltino Morais, Alexandre Poço e Fernando Curto por este debate sobre as eleições autárquicas em Oeiras.