Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Tom Faria, bem-vindo. Estamos numa fase de pré-campanha eleitoral, já com as listas conhecidas. O Tom Faria é deputado do PSD, foi cabeça de lista por Leiria nas eleições de há um ano. Eu ia começar por aí. Ficou fora das listas de candidatos a deputados devido a divergências nos lugares. Sentiu-se desrespeitado por parte do PSD?
Quando muito, senti-me despromovido. Mas há uma situação de fundo que não é apenas de uma perspectiva pessoal. E que tem a ver com essa ideia do recrutamento dos candidatos. Nós temos que fazer um esforço, uma vez que os partidos estão com o exclusivo de fazer esse recrutamento. Podia ser de outra maneira, podíamos ter um sistema eleitoral que oferecesse a possibilidade também dos eleitores participarem em parte nesse recrutamento. Mas o que temos agora é um recrutamento que é da exclusiva competência das direções partidárias. E aqui tem que haver um esforço para, nesse recrutamento, trazermos gente nova, quadros, realizarmos a experiência pessoal, técnica, porque isso faz falta ao Parlamento e fazendo falta ao Parlamento, faz falta à democracia. E eu quando sou confrontado a viver a minha própria experiência, no caso, umas listas destas, entendi que devia ceder o lugar de cabeça de lista, porque havia um princípio político de dar maior protagonismo aos membros do governo e, portanto, não ofereci, longe de mim, qualquer resistência a esse tipo. Era um princípio político.
Ser o número dois de Margarida Balseiro Lopes não foi o problema aqui.
Não, não tinha problema nenhum. E aliás, também podia ser o número três de alguma novidade ou de alguém cheio de competências técnicas. Mas ser presidente distrital não é propriamente uma competência que eu reconheça como trazendo uma grande vantagem para o partido, para o momento eleitoral e a seguir para o Parlamento. Não concordando com isso, tenho que ser coerente. E ser coerente, neste caso, eu anunciei que iria sair se não houvesse nenhum recuo em relação a essa situação, e acabei por sair.
Ficou desiludido com Luís Montenegro por não ter acedido à sua pretensão?
Ser eleito em número dois, em número três ou número quatro no círculo eleitoral de Leiria, não tenho nenhum problema, porque dá uma eleição e ainda por cima há um ano atrás a AD teve cinco em 10, portanto conseguimos metade dos mandatos, foi um resultado extraordinário. A questão não era do lugar propriamente, em termos da posição, porque todos garantem acesso ao Parlamento. O que está em causa é eu não concordar com aquilo que expliquei há pouco, que é a falta de escrutínio ao nível das competências técnicas que cada um deve comportar. Se tivesse alguém, imagine, que era necessário recrutar alguém que seria uma grande mais-valia para captar e para criar ainda mais confiança no projeto da AD. Pois muito bem, eu teria mais um outro princípio com o qual concordaria e que eu teria facilmente. Mas enfim, as coisas são o que são e há aqui uma certa invasão das distritais do partido e como se diria numa certa gíria de análise destas coisas, é uma vitória, às vezes, de alguns caciques locais sobre aquilo que deve predominar.
E ficou desiludido com Luís Montenegro por não ter imposto outros critérios e não deixar prevalecer os caciques a que fazia referência?
O Luís Montenegro fez esse esforço há um ano e ele veio, de alguma maneira, desassossegar-me, regressar e convenceu-me. Não foi preciso muito, mas eu estava completamente afastado da vida partidária e da vida política em geral e da vida pública. Tinha exercido o cargo de presidente da Câmara durante 12 anos em Óbidos, tinha saído em 2013 e depois construí uma vida empresarial, fui fazendo investimentos no setor da hotelaria, uma empresa familiar. Ele convenceu-me a regressar precisamente tocando nessas teclas. Compreendo que agora esta eleição foi uma eleição em que a cabeça, se calhar dele, está muito mais preocupada em como resolver esta crise política. É uma eleição que nasce da crise e que, de alguma maneira, é uma resposta a uma crise política que tem o epicentro na própria figura do próprio primeiro-ministro e na forma como depois o Parlamento reagiu e acabou por alimentar também essa crise política. Acredito que as suas atenções estivessem muito mais canalizadas para esta ideia de vamos julgar o governo, vamos colocar boa parte dos nossos ministros a cabeças de lista pelo distrito. Mas depois não podemos esquecer deputadas como a Liliana Reis. A deputada Liliana Reis era a única pessoa com formação superior na área da defesa e da política externa do grupo parlamentar. Como é que nós atravessamos o momento que atravessamos, eu diria o momentum, aqui no latim, no sentido de expressar a enorme importância da conjuntura internacional. Não é por acaso que os ingleses chamam a estas políticas high politics, são as grandes políticas públicas que têm a ver com a nossa soberania, e prescindimos de pessoas que são quadros dessa maneira. Nesse sentido, parece-me que podia ter sido feito o esforço para não prescindirmos, neste momento, de um conjunto de pessoas Em que podia ter havido um esforço maior.
Deixe-me focar ainda uma coisa.
Continuar a captar como a AD tinha começado em 2024.
Deixe-me focar ainda uma coisa que disse, que é a questão da estratégia política de colocar muitos ministros como cabeças de lista. Acha que isso pode ser um risco para o PSD? Ou seja, caso tenha um mau resultado, o PSD pode perder experiência no combate político?
Há ministros que têm enorme capacidade política e que até já tinham sido cabeças de lista e outros que podiam ser e outros que deixaram de ser e que também têm grande capacidade política eleitoral, de explicar as mensagens, de se relacionarem com os eleitores e de alguma maneira afirmarem o projeto. O que eu acho é que isso não acontece com todos e, portanto, nem sempre esse princípio de os colocar líderes nos territórios de círculo, nos territórios distritais, possa ser bem-sucedida. Vamos ver, os resultados o dirão. Mas enfim, há sempre riscos. Eu acho que acima de tudo, há aqui uma ideia forte por parte do primeiro-ministro e que tem que se dar o benefício da dúvida, que é a ideia de vamos dar protagonismo aos membros do governo. Eu não estou sozinho, eu não sou um primeiro-ministro sem uma equipa, a minha equipa é esta. Vamos fazer essa avaliação com os eleitores, porque isso permitirá recarregar as energias do próprio governo e do próprio primeiro-ministro como líder desse governo. Eu acho que essa foi a preocupação central e há que respeitar isso.
Falava em risco. A escolha do antigo secretário de Estado Hernani Dias, que se demitiu do governo para encabeçar outra vez a lista por Bragança, comporta alguma dose de risco? E pergunto-lhe simultaneamente se é de alguma forma uma provocação de Luís Montenegro.
Acho que não. Acho que o Luís Montenegro não quer provocar ninguém. Acho que acima de tudo, lhe passam muita mensagem. Ele também é um excelente observador político de que há determinados candidatos que têm grande capacidade de captação eleitoral. E acho que foi a pensar um pouco no papel do doutor Hernani Dias no distrito de Bragança, que ele continuou a ser o cabeça de lista e tendo-se provado que aquela chamada imprudência, afinal de contas, o doutor Hernani Dias não tinha cometido nenhum crime, que se saiba, e portanto não tinha perdido os seus direitos políticos. Agora, o que eu acho é que pode ser mais ou menos cuidado na perceção exterior que se faça, porque depois estamos num nível de escrutínio que também me parece elevadíssimo, para não dizer exageradíssimo, em relação a tudo e a todos. E, portanto, isso acaba por também criar, às vezes, um certo bloqueio à ida para a política por parte dos cidadãos que estão a investir e a fazer coisas muito engraçadas na sociedade civil. É preciso também pensar no cerco, de alguma maneira, que estamos a fazer à classe política e como é que ela depois acaba por ser e por se configurar. A minha grande preocupação é convidar quadros, trazer para o Parlamento gente de qualidade, fazer avaliação desse trabalho, que é uma coisa que muitas vezes não vejo grande sensibilidade para esse tipo de análise. Olha o que é que estavas a fazer, o que é que conseguiste, como é que é o caminho, qual é que é a estratégia. Nesse aspeto, um ano serviu-me nessa medida para ver como é que funciona o Parlamento.
Para perceber o modo de funcionamento.
O modo de funcionamento do Parlamento, a forma como, por exemplo, se discute pouco a relação entre liberdade de voto e disciplina de voto. Há toda uma configuração na atuação dos grupos parlamentares e acho que isso aqui não é apenas exclusivo daquele que eu vi melhor.
Ficou desiludido com esse método de trabalho e de funcionamento?
Não, fiquei mais apreensivo do que desiludido. Desiludido em determinados prismas. O prisma do critério da competência não prevalecer. Há pouco eu falei na deputada Liliana Reis. A deputada Liliana Reis, a única pessoa com formação, como referi, na área da defesa, nunca fez parte de uma delegação da NATO, por exemplo. Por que se recrutam pessoas que não entendem nada da organização do Tratado do Atlântico Norte, que não têm nenhuma especialização na área da defesa e estão a tratar de assuntos de defesa? Esse tipo de exemplo que eu estou a dar são exemplos que a mim me preocupam e que nesse aspeto não vi como uma coisa muito positiva. O que acho que devemos refletir é a nossa democracia parlamentar deve ter níveis de liberdade. Eu acredito até que naquela moção de confiança ao governo, num sistema em que se dá liberdade de votos aos deputados eleitos e que compõem o Parlamento português, possivelmente não teria sido chumbada.
Acha que dentro do PS teriam existido votos diferentes do que aquele voto em bloco?
No PS, no Chega, acho que muita gente não queria eleições, a maioria dessas pessoas não queria eleições. Aquilo que nós conversamos uns com os outros nos corredores muitas das vezes é diferente daquilo que se passa na sessão plenária e nesse aspeto parece-me que não digo que seja eliminada os critérios que hoje prevalecem, mas talvez estejamos a exagerar no uso.
Da disciplina de voto. Mas votou nesta sessão legislativa alguma vez contra a sua consciência?
Sinto que há um certo sequestro do voto dos deputados nas direções parlamentares e, portanto, há um esforço de explicar as medidas mais sensíveis. Houve esse esforço, houve esse debate interno. Eu lembro-me, por exemplo, a propósito da questão da abolição das portagens nas SCUT, daquelas iniciativas de coligação negativa entre Chega e Partido Socialista. O PSD fez muito debate interno sobre isso. Nesse aspecto, parece-me que se podia libertar, nomeadamente quando não estamos dependentes de um ou dois votos, ou três, ou quatro, ou cinco. Quando não estamos dependentes e sabemos que a medida vai perder, devemos libertar aqueles eleitores que vêm dos círculos cuja eleição foi muito marcada por essa dialética de "eu vou defender o fim das portagens", etc. Portanto, acho que isso é ajudar esses mesmos deputados a criarem corredores de confiança com os seus eleitores. E nesse aspecto, por exemplo, há que repensar muitas das vezes as questões da disciplina e versus liberdade de voto, também por este prisma, para construirmos personalidades nos territórios, personalidades políticas que possam ser vistas como coerentes.
Para que haja uma participação maior, então faria como antigo autarca, sabe isso certamente. Deixe-me só ir à questão, porque ontem arrancaram os debates televisivos, que são momentos importantes na campanha. A questão da Spinum Vivo é um problema ultrapassado e que lhe pareceu fácil de justificar pelo líder do PSD ou será ainda um entrave durante a campanha? Isto aferindo pelo primeiro debate.
Eu não vi esse primeiro debate, mas eu acredito que o tema só pode vir a desaparecer e que não terá tanto futuro quanto alguns possam imaginar, porque nós já percebemos o que aconteceu. Acho que o primeiro-ministro Luís Montenegro pode até ter subestimado a questão, não ter dado importância, mas com boa-fé. Acho que o que ele veio explicar e o que já explicou tanta vez, agora acredite que podemos começar a fazer aqui um debate ou outro sobre a Spinum Vivo, mas não podemos andar até o dia 18 de maio a falar disso. O país é muito mais importante do que aquilo que foi as opções mais ou menos pensadas, com ou menos otimismo por parte do doutor Luís Montenegro, que acho que não quis fazer nada de errado. Ele declarou as coisas e não as omitiu, mas talvez tenha subestimado no início, até mesmo no ponto de vista da forma como podia ter apagado aquilo. Mas enfim, muitas das vezes, mesmo havendo muita experiência, não sabemos qual é o tamanho do fogo antes de ele ganhar determinadas proporções. E ele ganhou. Mas parece-me que o doutor Luís Montenegro tem estado suficientemente à altura para garantir aquela imagem de credibilidade e de seriedade que ele tem tido e que tem conseguido construir com os portugueses e que no fundo fizeram dele primeiro-ministro. Era um primeiro-ministro que eu acho que adorou ser primeiro-ministro, que gosta de ser primeiro-ministro. Muitos diziam que ele não tinha experiência nesse cargo. Ele é o grande coordenador do governo, é de fato um pensador da ação política nos ossinhos mais delicados e mais sensíveis de todos os ministros e acho que faz aquilo muito bem e que gosta de o fazer.
Então, deixe-me trazer para esta conversa uma matéria seguramente sensível e que porventura irá acompanhar toda esta campanha eleitoral até às eleições de 18 de maio. A questão da governabilidade. O PSD deve assumir previamente que, em caso de derrota, viabiliza um governo de maioria relativa do Partido Socialista?
Acho que aí o PSD deve responder, é a minha opinião pessoal, à luz daquilo que foi o início do novo ciclo iniciado pelo doutor António Costa em 2015. Ou seja, o que prevalece no sistema devem ser as maiorias parlamentares e a governabilidade deve resultar dessa maioria parlamentar. Até pela experiência que estamos a ter com este último ano de ingovernabilidade, aprovação de medidas para o governo aplicar a partir dos principais partidos da oposição, do estabelecimento de coligações negativas, enfim, toda a base parlamentar. De fato, pensando naquilo que foi a evolução do sistema político até 2015, nós não tínhamos isso, nós respeitávamos governos minoritários. Conseguimos até que alguns durassem legislaturas. Houve uma espécie de comportamento democrático a partir do Parlamento, muito respeitador do partido que vencia a eleição, era ele que governava e portanto houve uma enorme preocupação com a governabilidade. O que aconteceu nos últimos anos é que isso foi posto em causa e ao ser posto em causa, a governabilidade hoje está meramente assente, não em acordos políticos cavalheirescos, se quisermos mais clássicos, mais do passado político, mas mais assente naquilo que é a existência ou não de uma maioria parlamentar. E nesse aspecto, o que o país precisa é de governos que possam ser duradouros e havendo uma maioria parlamentar, eu acho que o PSD deve refletir muito se não deve construir uma solução. Vamos imaginar que temos 60% da direita.
Com o Chega, é isso que se refere.
Temos 60% da direita. Este governo lutou com 80 deputados contra 150. E vemos o que durou, durou um ano. A dificuldade de assegurar a governabilidade está à vista de todos.
Mas só para esclarecer, entende que se houver uma maioria à direita que inclua o Chega, então o PSD deve promover entendimentos para fazer prevalecer essa solução de governabilidade?
O Chega tem que ser posto à prova no sentido de ser chamado a determinadas políticas que nós consideramos, ou que possam ser consideradas por um amplo espectro do sistema partidário, como aceitáveis e eliminar aquelas que são mais radicais e populistas e que ou provocam uma ira social, ou provocam um grande rombo do ponto de vista das políticas orçamentais. Portanto, nesse aspecto, acho que nós não devemos estigmatizar ninguém e que devemos conseguir construir soluções de governabilidade. Acho que essa é a grande questão do futuro do país. Se nós conseguirmos assegurar governabilidade a partir de soluções parlamentares sólidas, que têm que ser devidamente negociadas, nós estaremos a assegurar para Portugal uma capacidade de crescimento muito maior. Estas interrupções creio que não criam nenhum estímulo, nenhum tipo de crescimento, nada de bom para o país. Em vez de estarmos aqui a fazer projetos e estarmos a decidir e a tomar decisões, estamos parados numa campanha eleitoral que os portugueses, se calhar, estão mais preocupados em saber quem é que vai ganhar o campeonato nacional do que propriamente em ligarem-se ao debate político. Portanto, isso é que é muito preocupante. São estas interrupções sucessivas que, de alguma maneira, temos que pensar todos como fazer para que elas não aconteçam com frequência, porque se entramos aqui num ciclo de quedas de governo sucessivas, o país não terá nada a ganhar.
Então, Faria, só para terminar, é ainda presidente da Comissão de Assuntos Europeus na Assembleia da República.
É verdade.
Um reforço do investimento em defesa devia ser alvo de um acordo entre os partidos para lá destes ciclos políticos que ainda agora estava a falar?
Claro que sim. E também do ponto de vista dos assuntos europeus. Vou sair com uma grande notícia, que é de conseguirmos reforçar a nossa capacidade técnica parlamentar ao nível dos assuntos europeus, dotando o nosso staff de especialistas com mais capacidade de resposta e de apoio aos senhores deputados e também com a criação de uma unidade orgânica dentro do Parlamento que possa dar respostas ao nível dos assuntos europeus. Mas os assuntos europeus incluem a defesa europeia. A defesa europeia, entre muitos outros temas, são hoje uma grande prioridade. Não há crescimento, nem ideia de esperança, nem de futuro, se não conseguirmos fazer isto e conseguirmos fazer uma coisa, que é estabelecer uma maior capacidade de diálogo entre os 27, a ponto de fazer aquilo que nunca conseguimos fazer, que é reforçar as nossas políticas de defesa, a nossa capacidade de soberania europeia, termos políticas como o alargamento que no fundo façam uma espécie de limitação geopolítica do que é a Europa e também lançarmos políticas de reforço àquilo que é europeu, que é de produção europeia. Sou muito favorável às questões do tipo de Buy European Act, como resposta ao Buy American Act, porque acho que nós precisamos de estimular a produção europeia e de aumentar a nossa competitividade. A política da defesa não é apenas para alimentar conflitos militares, a política de defesa tem uma capacidade de produzo, tem uma capacidade de resposta muito grande, é muito criadora de emprego, pode ser também uma fonte de receitas na nossa exportação. Eu sou de um distrito que tem uma empresa que já vende cerca de 250 milhões de euros e tornou-se a empresa europeia mais importante na vigilância proposta em drones, é uma empresa de drones e é uma empresa que cria imenso emprego.
E é um exemplo de como este investimento em defesa não é apenas para potenciar a guerra. Então, Faria, nós chegamos ao fim do nosso tempo. Obrigado.
Não é para potenciar a guerra, é para criar desenvolvimento.
Obrigado pela disponibilidade para se juntar a nós.
Muito obrigado também e bom trabalho para vocês. Obrigado