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Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho. E vamos vencer.
Trabalhar em casa, na sala, no quarto, na cozinha, ajudar os filhos na escola, tratar ainda da casa, sem folgas, nem horas de descanso. Este é um retrato desta fase de confinamento de milhares de pais portugueses. Hoje vamos olhar para um inquérito feito pelo Babylab da Universidade de Coimbra sobre a dura vida dos pais trancados em casa com os filhos. Um inquérito que foi coordenado pelo psicólogo Eduardo Sá, com quem vamos conversar mais à frente. Os pais trabalharam mais tempo para o patrão e para os filhos, sentem-se menos felizes e o recurso a brinquedos eletrónicos e à televisão aumentou, e muito. 80% dos pais diz ter tido menos tempo para si próprio e a maior dificuldade foi mesmo acompanhar os filhos na telescola. Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência. "La priorité absolue pour notre nation sera notre santé."
"La victoria depende de cada uno de nosotros." Test, test, test.
"If you are sick or not feeling well, stay home." Foram registados os primeiros dois casos de Covid-19 em prisões portuguesas.
Reclusos que vieram de Precária, são colocados em quarentena e são testados. Esta é, de facto, uma prova de como o sistema funciona e está a funcionar bem. Aproveito para dizer que estes reclusos estão já no Hospital Prisão de São João de Deus.
Os reclusos estão no Hospital Prisão de Caxias. O sistema funcionou, diz o secretário de Estado da Saúde. Importa ainda olhar para os novos casos reportados em 24 horas aqui em Portugal. São 223 casos. Quase metade destas pessoas estão na faixa etária entre os 30 e 50 anos, a idade de pessoas no ativo. E entre os 20 e os 29 anos, há mais 39 casos em apenas 24 horas. E o Brasil já é o terceiro país mais afetado do mundo, com mais de 255 mil casos, um quarto de milhão de casos confirmados e quase 17 mil mortos em todo o país.
O que acontece agora com o nosso país? Com isso, o Brasil passou o Reino Unido no número de casos da doença. Agora apenas Estados Unidos, que tem aí, você está vendo na tela, mais de 1,5 milhão de casos, e a Rússia com quase 300 mil casos. Na sequência, já aparece o Brasil com 254 mil casos.
A CNN Brasil dá conta destas subidas sistemáticas nos últimos dias e a presidência de Jair Bolsonaro está a ser cada vez mais contestada. O Irão pode estar a viver uma segunda vaga. A reabertura começou no final de abril, com transportes públicos apinhados, assim como os mercados cheios de pessoas. Os números voltaram a disparar em maio no Irão e olhando para os gráficos, continuam a subir. Os Estados Unidos ameaçam deixar a Organização Mundial de Saúde, exigem mais empenho da OMS, só não explicam como. Uma posição assumida por Donald Trump, que revelou estar a tomar hidroxicloroquina, um medicamento usado nos casos de malária, lúpus e outras enfermidades, mas sem resultados comprovados no combate a esta pandemia. Já a seguir conversamos com o psicólogo Eduardo Sá sobre um estudo que coordenou e que nos permite perceber como os pais portugueses encaram este período de confinamento, em que foi necessário trabalhar, educar, cuidar da casa, tudo ao mesmo tempo. Bem-vindo, Eduardo Sá.
Olá, Ricardo Conceição, a sua voz não me é estranha.
Acredito que não lhe seja estranha. Este estudo do Babylab da Universidade de Coimbra recolheu a opinião de mais de 4 mil pais. Foram mais mães do que pais, não é? Entre 22 de abril e 3 de maio. São pais com filhos até aos 12 anos. Esta esmagadora maioria dos inquéritos foi então respondida pelas mães. E o cenário, Eduardo, é mais ou menos este: pai e mãe, ou só um dos progenitores, trancados em casa com os miúdos, teletrabalho, telescola, lava-louça cheio, tábua de engomar armada no meio da sala. Eduardo, quão desesperados estão estes pais?
Ricardo, neste momento, desesperados talvez ainda não estejam, porque os pais em circunstância de alarme funcionam em piloto automático de uma forma verdadeiramente irrepreensível. E portanto, os pais fizeram coisas inacreditáveis neste tempo. Responderam a tudo, até à tábua de engomar ao lado do computador aberto, e responderam de uma forma muito eficaz, tão eficaz que, para surpresa das empresas, eles continuaram a ter desempenhos ao nível daquilo que teriam se estivessem no local de trabalho. Agora, é evidente que nós temos que ter a noção de que esta capacidade de resistência tem um tempo limitado e, obviamente, que eles a partir do momento em que começam a desconfinar a paciência e a poder respirar fundo, vão precisar de ter oscilações de humor, ser mais impulsivos, mais birrentos. Os pais fazem umas birras magníficas quando é preciso E vão precisar ter ali todos os alavancas típicos das pessoas que depois respiram fundo e finalmente põem cá para fora aquilo que em determinados momentos só conseguiram engolir até não poderem mais.
E outro fator a acrescentar a este problema, durante o isolamento diminuiu a ajuda de terceiros, por exemplo, dos tios ou dos avós, e em alguns casos de amigos. Mais de metade, 54%, sente ter tido menos apoio durante este período.
Sim, até daquelas pessoas que, em algumas circunstâncias, lhes davam apoio no contexto da casa. Portanto, os pais, além de todo o trabalho que tiveram de fazer, o trabalho de pais, tinham também as lides domésticas a seu cargo, o que fez com que, evidentemente, estes dois meses tenham representado um nível de exaustão que passou tudo aquilo que os pais alguma vez imaginaram ser capazes de tolerar.
Eduardo, vamos aos trabalhos de casa. Os resultados deste inquérito demonstram que os pais consideram que a escola ou foi moderada ou exagerou. Os que consideram que exagerou representam uma fatia de 22,8%. 55% considera que a quantidade foi moderada ou adequada nos trabalhos de casa.
Sim, e este inquérito ainda não apanhou aquilo que se passa neste momento. Ou seja, neste momento aquilo que nós estamos a observar é que as escolas, até porque, no final de contas, nós vamos nos aproximando do final do período, do final do ano letivo, se é que ele, de certa forma, não terminou já. E, portanto, as escolas estão a acentuar cada vez mais o pedido de trabalhos de casa e a fazer coisas que os pais neste momento consideram que passam do razoável. Páginas e páginas de trabalhos de casa em tempo record, o que faz com que muitas vezes os filhos não tenham tempo sequer para coisa nenhuma, muito menos para serem crianças, e os pais sintam que a escola lhes está a exigir coisas que vão muito para além do razoável. E, portanto, como se, no fundo, aquilo que a escola não pode assumir, tivesse de ser assumido pelos pais com todos os custos que isso implica.
Ora, e com várias pessoas trancadas em casa, é de esperar também um aumento no nível de tensão.
Sim. Inevitavelmente. O que se observou num inquérito como este é que os pais, no fundo, tentaram, sobretudo em função das contingências, adequar-se aos filhos, acima de tudo, adequar-se aos filhos, adequar-se a tudo aquilo que implicava entretê-los, sossegá-los, educá-los, ensiná-los e, de alguma forma, corresponderem àquilo que as entidades laborais lhes iam solicitando. Claro que a tensão que tudo isto ia gerando foi sendo varrida para baixo do tapete, mas não vale a pena nós termos a ideia que isto se faz num clima ameno, franco, descontraído, solarengo, porque inevitavelmente o nível de tensão tem tendência a aumentar, como foi aumentando e vai continuar a aumentar. Até por isto, um desconfinamento social não implica que os pais deixem de estar numa espécie de alarme parental. Os pais continuam em alarme parental em relação aos seus filhos e tudo isto faz com que eles sejam mais exigentes, estejam mais em cima dos filhos e, naturalmente, os filhos comecem a dar mostras de ter uma certa greve de zelo em relação às exigências dos pais e, portanto, tanta tensão vai precisar saudavelmente, de desencadear ali circunstâncias de algum fogo de artifício, digo eu com pouca cientificidade, claro.
E quantos mais filhos, pior.
Quantos mais filhos, pior, porque os números dão coisas muito engraçadas. Dão que, no fundo, os pais não sentem muito a conflitualidade quando têm um filho, mas depois quando têm muitas solicitações ao mesmo tempo, acabam por perceber que o nível de conflito dispara de forma mais significativa.
E para tentar amenizar estes conflitos, os pais recorreram a algo que em tempos de pré-pandemia não era aconselhável, era mesmo alvo de manifestos, os ecrãs, mas aqui os resultados são esmagadores. 77% condescendeu no uso de aparelhos eletrônicos.
Muito. Os pais, de uma forma muito clara e transparente, assumiram que para terem os filhos mais entretidos e mais sossegados, de alguma forma também para os pais poderem ter espaço para trabalharem no mesmo sítio onde as crianças estavam a conviver, deitaram mão à televisão e aos brinquedos eletrônicos de uma forma muito significativa. A esmagadora maioria dos pais diz sim, não diz nestas palavras, mas o moral da história acaba por ser este, benditos brinquedos eletrônicos, porque enquanto eles estavam a jogar e ver desenhos animados, no fundo, estavam calados e sossegados. É perfeitamente compreensível. Agora, é importante que os pais também tenham a noção que vai precisar de acontecer um certo desconfinamento em relação a estes vícios de forma de todos os dias, porque as crianças muitas vezes funcionam como uma central sindical em relação a direitos adquiridos. Costumam dizer sempre que em direitos adquiridos não se mexe e, portanto, aquilo que espera os pais agora é de serem persuasivos o suficiente Para inverterem aquilo que, por razões óbvias, foi uma tábua de salvação para muitos pais durante estes dois meses em que as crianças estavam fechadas em casa e os pais também.
Aqui outro dado interessante neste estudo do Babylab da Universidade de Coimbra: o horário de trabalho dos pais esticou, e não foi pouco, nalguns casos. Estamos a falar a nível profissional, mas também a nível doméstico e na tarefa dos pais. Houve uma alteração nos horários, Eduardo?
Sim, começaram a trabalhar um pouquinho mais tarde. Nós chamamos trabalho de pais a tudo aquilo que os pais têm que fazer no que diz respeito à gestão dos filhos. Claro que os pais habitualmente têm que se levantar mais cedo, preparar aquilo que há de preparar e, portanto, os pais puderam começar o trabalho de pais, digamos assim, mais tarde, uma hora mais tarde, mas acabarem o trabalho de pais sempre mais tarde, uma a duas horas mais tarde, durante este período. Ou seja, na verdade, esta necessidade de corresponderem, sobretudo às necessidades das crianças e àquilo que eram os seus próprios compromissos profissionais, fez com que os pais tivessem menos tempo para si. Foi tudo feito à custa do tempo que eles tiraram a si próprios, portanto, tempo que tinham para as suas atividades, para os seus pequenos pormenores, volatilizou-se nestas circunstâncias e fê-los naturalmente ter a noção de que funcionaram, sem dúvida nenhuma, de forma exemplar, volto a repetir, mas a sensação é que isso fez com que eles tivessem cada vez menos satisfação em relação à sua vida.
Sim, e segundo o estudo, 80% reconhece que teve menos tempo para si, no caso destes pais e destas mães. Há aqui outros pontos interessantes neste estudo, mas não temos tempo realmente para ir a todos. Por exemplo, a distribuição de tarefas entre pai e mãe, estamos mais ou menos com mais tendência para o menos, ou seja, mais peso para as mães no trabalho em casa. Mas aqui, e segundo este inquérito, a grande dificuldade destes pais foi mesmo assumir o papel de professores auxiliares, Eduardo Sá.
Sim, foi fundamentalmente essa a divisão de tarefas. Claro que a esmagadora maioria das respostas são respostas de mães, portanto, tem esse enviesamento acerca do qual nós não podemos perder este ponto de vista. Mas de facto, as tarefas de pais, no trabalho de pais. Portanto, tudo aquilo que implica a gestão do dia a dia de uma criança, assumidamente pende, sobretudo para a mãe, acentuou-se mais durante este tempo e acentuou-se ainda mais quando a escola pediu aos pais que fizessem isso tudo, papel de professores auxiliares, de explicadores, de animadores de tempos livres, de gestores de conflitos. E, portanto, sim, as mães saíram daqui, sobretudo elas, ainda mais sobrecarregadas e com a consciência de que são verdadeiras multifunções.
E sobrou algum tempo para aumentar a brincadeira com os filhos ou não?
Por estranho que pareça, ou seja, o compromisso dos pais em relação aos filhos é absolutamente inacreditável, porque ao mesmo tempo que eles se responsabilizaram, como não podia deixar de ser, por tudo aquilo que eram as tarefas que os filhos tinham ao seu cargo, nomeadamente em relação à escola, tiveram isso de compromisso, de alargar, de esticar o tempo em que dedicavam para brincar com eles, mesmo que fosse para estarem diante de jogos eletrônicos, quase como se, no fundo, da parte destes pais todos, que são muitos, houvesse esta consciência de que não podiam deixar de estar a participar em tudo isso e que o brincar podia ser uma espécie de amortecedor para o tempo todo de exigência e de confinamento que estava a ser dedicado às crianças.
Obrigado, Eduardo Sá. Já a seguir vamos ao fact-check. E a história que hoje desmascaramos está relacionada com Portimão e luvas de proteção. No grupo de Facebook Portimão Sempre, foi publicada no início de maio uma mensagem alarmante: "Não há luvas no hospital, faz falta, quem ofereça". A mensagem era acompanhada por uma imagem ainda mais preocupante e que mostra uma falsa SMS, alegadamente enviada por um profissional de saúde daquele hospital e a SMS dizia: "Não temos luvas, deixaram acabar. Esta tarde vai ser um caos, pois os profissionais vão recusar prestar cuidados." A administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve diz ao Observador que isto é tudo falso, é tudo mentira, ainda assim foi notícia. E mais, no dia desta falsa rotura, 7 de maio, chegaram cinquenta e cinco mil pares de luvas ao hospital de Portimão. A administração daquele hospital diz que a gestão do material é muito rigorosa. Por isso, o Observador falou com alguns profissionais de saúde daquele hospital e que nos disseram que gestão rigorosa é, por vezes, sinônimo de racionamento. Foram registadas algumas falhas nos tamanhos. Alguns profissionais de saúde tiveram de comprar as próprias luvas, porque as XL não funcionam para quem tem mãos S ou vice-versa. Mas conclusão, a 7 de maio não faltaram luvas no hospital de Portimão. Este post é falso. Venha por isso, Karim, por favor. E fechamos com duas notas de esperança. Há indicadores positivos de uma vacina que está a ser testada nos Estados Unidos. Foram feitos alguns testes em seres humanos. Oito pessoas saudáveis, entre os dezoito e os cinquenta e cinco anos, conseguiram produzir uma quantidade de anticorpos semelhante àquela que é produzida por doentes de Covid-19. Este é um projeto de vacina da empresa Moderna, em colaboração com o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, liderado por Anthony Fauci. Mas tudo ainda é muito incerto, são necessários muitos mais testes. Outro dado positivo vem da China. Investigadores da Universidade de Pequim dizem ter descoberto uma forma de combater o vírus, mas claro, e repito, estamos numa fase de testes. O Centro de Inovação Avançada de Genômica da Universidade de Pequim identificou vários anticorpos neutralizantes retirados do sangue de sessenta doentes infetados através de testes em ratos. A equipa conseguiu perceber que os anticorpos podem reduzir o tempo de recuperação e também oferecer imunidade a curto prazo contra o vírus, prevenindo o contágio durante várias semanas. Mas sim, ainda faltam mais testes. O fact-check é da Rita Penela, a sonorização é da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
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