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Começa agora o novo explicador das manhãs 360, hoje sobre o lançamento da primeira série de Podcast Plus do Observador, o Sargento na Cela 7. Eu sou a Maria João Simões e para falar sobre este novo projeto, estão comigo o diretor-executivo do Observador, Miguel Pinheiro, João Santos Duarte, editor de podcasts do Observador, David Santos, conhecido pelo nome artístico de Noiserf, que compôs a banda sonora original, e Luís Santos, brand manager da Honda Automóveis, que patrocina os Podcast Plus do Observador. Muito bom dia a todos, obrigada pela vossa presença. O Sargento na Cela 7 marca a estreia dos Podcast Plus do Observador. O primeiro de seis episódios já está disponível desde a meia-noite no nosso site e nas plataformas de podcast. Na rádio vai poder ouvir logo a seguir ao jornal do meio-dia e vai estar também disponível no YouTube mais ao final da tarde. Conta a história de António Lobato, o prisioneiro de guerra português que mais tempo passou em cativeiro na guerra em África. Foram sete anos e meio até que uma operação secreta o resgatou. A forma como é contada é envolvente. Na próxima hora vamos falar sobre isto tudo. Miguel Pinheiro, começo por ti. Na quinta-feira publicámos o trailer, já foi ouvido por cerca de 150 mil pessoas. O primeiro episódio, que estreou à meia-noite, já vai com 10 mil downloads nas plataformas de podcast. Estamos a falar de podcasts narrativos. Este é um enorme salto em frente no mundo dos podcasts em Portugal.

Sim, só mais um número, além desse. Todos os vídeos de promoção à série, que foram colocados nas redes sociais, já foram vistos cerca de 320 mil vezes. São números muito grandes e que mostram que as pessoas podem estar na expectativa de tentar perceber o que isto é. Nós criamos esta nova marca, os Podcast Plus, precisamente para termos uma casa para estes novos podcasts. E a assinatura que nós demos a isto é a frase: "É mais do que um podcast", porque de facto, os podcasts já são uma experiência diferente e nova a que os portugueses se estão a habituar. Há muitos portugueses a consumirem o podcast. Há um estudo recente da Reuters que diz que 41,5% dos portugueses que têm acesso à internet, disseram neste estudo que tinham ouvido um podcast, pelo menos no mês anterior. Mas isto realmente é mais do que um podcast, porque é uma experiência imersiva.

Sim, os trailers são exemplo disso. Nós mergulhamos logo na história, não é?

Para se conseguir chegar aqui foi preciso primeiro, claro, ter matéria-prima, ter uma boa história, ter muitas horas a recolher testemunhos e a recolher sons, depois escrever o guião. O João Santos Duarte e a Tânia Pereirinha passaram muitas horas a transformar isto, a dar uma linguagem narrativa a isto, uma linguagem de série, uma coisa que mistura uma série com um documentário. E depois, claro, todo o trabalho de sonorização que o Diogo Casinha fez, muito realista. Fomos buscar sons reais das coisas que estão a acontecer e que nos transportam para os anos 60. Nós realmente estamos ali, estamos na Guiné nos anos 60. Estamos dentro de uma cela minúscula numa prisão na Guiné Conacri. Estamos na ilha onde foi preparada a operação secreta para ir resgatar estes prisioneiros. E temos António Lobato, que é este tal prisioneiro de guerra, mesmo ao nosso lado, a contar-nos ao ouvido a sua história. E é uma experiência totalmente diferente.

Miguel, foi tudo pensado ao pormenor, desde a escolha da voz que iria narrar este primeiro podcast, até à escolha da agência para tratar da capa.

E da banda sonora.

Da banda sonora. O Noiserf já aqui está connosco.

Sim, nós tivemos uma grande sorte que foi o PP Rapazote aceitou logo.

Que não hesitou.

Não hesitou, felizmente. E ele foi a nossa primeiríssima escolha. Por um lado, porque é um ator incrível, claro, tem experiência de narração, tem experiência em séries internacionais, portanto, é alguém que nos transporta também para este universo das séries e do streaming, o consumir estas histórias em streaming. Esta é uma história que pode e deve ser ouvida hoje, mas também pode ser ouvida daqui a um mês. Haverá pessoas que vão tomar contacto com isto, se calhar, só daqui a umas semanas e que vão poder ouvir os episódios todos para trás. A banda sonora é impressionante.

É mesmo.

E foi incrível.

O David Santos: "Já vamos ouvir um dos primeiros acordes".

Já vai explicar, não sei se foi à primeira, se não foi. Sei que nós quando ouvimos aquilo, ficamos logo: "É mesmo isto". E depois também achamos que era bom olhar para a parte do design, para a parte da arte da capa do podcast, de uma maneira diferente também. E falámos com o gabinete, com a Ofélia, que já fez coisas também para a Netflix, já fez coisas para o New York Times.

O Washington Post, pelo nome.

Exatamente. Não necessariamente por terem feito coisas no estrangeiro, não é isso.

Mas pela qualidade.

Porque têm um trabalho incrível e quem já tiver tomado contacto com a capa deste podcast perceberá isso. Portanto, tudo se conjugou. Ainda não acredito na sorte que nós tivemos. Tudo se conjugou para correr muitíssimo bem. E, de facto, passaram-se pouquíssimas horas

E as horas que passaram, a maior parte delas foi de madrugada quando as pessoas estavam a dormir. E a verdade é que nós, neste momento, temos já, eu vou te dizer o número exato, estou aqui a atualizar. Nós temos já 11.494, portanto mais de 10 mil downloads, e nas redes sociais já temos milhares de pessoas a verem o teaser do primeiro episódio no Instagram.

João Santos Duarte, além de seres o editor de podcasts do Observador, és também o coautor do guião "O Sargento Macela VII", autoria que divides com a Tânia Pereirinha. Como é que chegaram a esta história? Por que esta história?

Olá, bom dia.

Bom dia, João.

Como o Miguel já disse, nós, no âmbito deste novo projeto que temos, os Podcast Plus, queríamos grandes histórias. Queríamos contar grandes histórias bem contadas e, principalmente, também de uma forma que surpreendesse as pessoas. E na verdade, eu e a Tânia Pereirinha chegamos a esta história através da forma mais convencional, que foi através de um livro, que o próprio Miguel nos passou, em que o António Lobato narra a sua história incrível destes sete anos e meio em cativeiro. Eu e a Tânia devoramos o livro muito rapidamente, porque o próprio livro dele está, de facto, muito bem escrito. Contactámos o António Lobato, tivemos uma conversa com ele, prévia, em que quisemos explicar o projeto, explicar que isto era algo que queria ter uma dimensão diferente, que seria algo novo, arrojado, que não seria apenas um artigo, que seria publicado e depois se esqueceria facilmente. E tivemos, de facto, muita sorte que ele aceitou.

Com a voga de altura para isso, não é?

Sim. Quer dizer, ainda tivemos que convencer um bocadinho, mas também não foi assim preciso muito. Mas tivemos uma grande sorte que ele aceitou. E eu acho que nós fomos sendo também surpreendidos com a história ao longo do caminho, porque há muitas coisas que ele não conta no livro, muitas outras dimensões da história que nós fomos descobrindo. Desde logo, para além da história dele, que é, de facto, uma grande história de superação e de resistência pessoal, a história da operação secreta para o resgatar e controversa, que já vamos falar também daqui a pouco. Mas por trás disso, descobrimos depois uma história de amor incrível. E eu que já percebi que sou um pouquinho romântico deste projeto, tive sempre grande entusiasmo também nesta parte da história. Exato, com a Maria dos Anjos. Ou seja, no final, eu e a Tânia percebemos que tínhamos aqui um diamante em bruto para trabalhar.

Ela que também entra neste podcast, não é?

Precisamente.

Vou voltar a ela.

Exatamente, a Tânia fez as entrevistas.

E vai estar aqui no "Contra Corrente" daqui a nada.

Exatamente. Ela fez as entrevistas, fez todo o trabalho de investigação.

Eu falava da Maria dos Anjos, que também entra.

Claro que sim, ela é uma personagem importantíssima desta história. Aliás, como vemos, desde logo, quem ouvir o primeiro episódio. O primeiro episódio centra-se muito na história deles. Não só na história pessoal do António Lobato, mas também na história deles, como eles se conhecem, como eles se apaixonam e como um amor que estava condenado à partida, consegue vencer todas as contrariedades. Isso é preciso ouvir para perceber.

Como falámos há pouco, o PP Rapazote é o narrador deste novo podcast Plus do Observador, "O Sargento Macela VII". O PP não pode estar esta manhã aqui conosco, mas deu uma entrevista à Catarina Miranda e ao Diogo Teixeira Pereira, que vai poder ouvir no domingo, depois do meio-dia, no "Em 40 Minutos" e onde fala sobre como esta história e a forma como é contada o surpreenderam.

É, de facto, muito imersivo. Estamos dentro da história. É a história mais fantástica que eu já alguma vez ouvi sobre a guerra colonial, a todos os níveis, mesmo as meramente políticas, mesmo as operações militares, todas aquelas que já nos apaixonaram e já nos fizeram pensar 500 mil coisas. Mesmo a vida e a morte do Amílcar Cabral, pela qual eu era um obsessivo estudioso quando andava nos meus 20. Esta história, de facto, tem tudo. É uma história de amor maravilhosa. Não é uma história de guerra, não é uma história de amor, é tudo junto. Não é uma história de política, não é uma história militar, é uma história com tudo junto e com tudo na medida certa, na devida proporção, para ser contada e narrada.

Miguel, nesta entrevista, o PP Rapazote falou também do desafio em encontrar o tom certo.

Sim. Não é fácil, porque cada história tem que ter um tom. E aquilo que ele também nos ajudou a perceber é que se querá não vale a pena fazer muitos planos antes, o melhor é experimentar.

E depois ir afinando.

Exato, ir afinando. As gravações foram feitas em três dias e o primeiro dia foi muito acertar o tom. E depois houve ali um momento em que aquilo deu um clique e toda gente percebeu qual é que era o tom certo. É isto. E depois ele esteve a gravar durante muitas horas. É um esforço grande aquilo.

Vamos então ouvir o que diz o próprio PP Rapazote sobre o trabalho que foi necessário fazer para chegar ao tom certo para narrar a história do Sargento Macela VII.

Fizemos várias experiências de voz, porque tentámos ter uma voz com mais pinta, se quisermos, cheia de graves, etc. Mas estava deslocada daquilo que nós tínhamos já das entrevistas e que tínhamos também do desenho de som, os sons de guerra, a passagem, todos os cross fades, digamos assim, entre as vozes, os tiros, o ambiente de guerra, etc. Há partes em que temos comboio, todo este sound design. A forma de contar é tão imersiva que, de facto, tivemos que arranjar um tom de voz diferente para a narração e para parecer que estamos mesmo a contar uma história

Cheio de pinta, como ele diz. João Miguel disse há pouco, o PP Rapazote também, que este podcast Plus do Observador é mais do que um podcast. E é mesmo, é uma história com muitas nuances, a história de guerra que falavas há pouco, de amor, de superação. Ao todo são seis episódios. Não queres revelar um pouco mais do que nos espera nos próximos?

Claro, podemos revelar. Aliás, não há nada como ouvirmos um pouco. Como vos disse há pouco, quem ouvir o primeiro episódio, e já ouvimos aqui também ao longo da manhã alguns excertos, é um episódio que nos transporta para aquela época, para os anos 60. É muito interessante também perceber os contrastes culturais da altura. Vocês vão perceber isso muito também com esta história de amor entre o Lobato e a Maria dos Anjos. E o excerto que eu trago aqui do primeiro episódio talvez não seja o mais óbvio, mas foi um pouco no sentido de também percebermos essa questão da narração do PP Rapazote, de nos narrar uma história e nos transportar para lá. E depois também, por que não, trazer aqui um pouco de rock and roll às manhãs, também para animar um pouco a manhã.

Na primavera de 1961, dois anos antes daquele silêncio opressor de prisão, todos os dias bem cedo, António faz o que faria qualquer rapaz apaixonado, com um avião nas mãos e liberdade a mais. Maria dos Anjos é cinco anos mais nova e ainda está a estudar. Apanha o comboio em Espinho para ir pra escola em Aveiro. Para a impressionar, António transgride todas as regras, mas até acaba a receber um louvor do comandante da base, que o dá como exemplo de trabalhador dedicado e madrugador. Ninguém chega à base mais cedo do que ele. O comandante só não sonha por quê.

Eu não consigo deixar de ficar com um sorriso na cara, porque isto está tão bom.

Para perceberem por quê, têm de ouvir o primeiro episódio. Eu também com a idade do Lobato, se tivesse tido um avião nas mãos, teria tido mais sucesso, certamente.

Já sabemos o que te oferecer. Um aviãozinho.

Eu escolhi aqui também, e isto já é, de facto, revelar um pouco, porque não saiu ainda, mas revelar em exclusivo aos nossos ouvintes, um pouco do segundo episódio para percebermos a importância aqui da sonoplastia e da pós-produção áudio. Foi um trabalho incrível do Diogo Casinha. É um momento decisivo da história, porque é o momento em que o avião do António Lobato se despenha. E aqui percebemos um pouco também essa sonorização e a forma como somos transportados para lá.

E há uma coisa que todo piloto sabe, é que quando se mete debaixo de um avião, há um efeito de sucção do avião de cima dos baixo, a puxar. Ele não teve atenção nisso, saiu por meu avião assim, uma hélice a cortar o avião dele. Dei dois, três gritos, chamo pelo meu irmão. Vivem fiados para o chão dentro. E eu, com a minha parte, fiquei com o meu hélice todo torcido e o motor do avião desequilibrado, ameaçar saltar fora. Só há uma coisa a fazer, é parar imediatamente o motor, porque se o motor saltar fora por qualquer motivo, a gente não sai de lá. Parei o motor, que estabilizou, e agora ou paraquedas, ou por o avião aí no meio do monte em qualquer sítio.

Parece ficção.

Exato, a questão é essa. Parece ficção, mas tudo isto aconteceu e é uma história real incrível.

João, ouvimos há pouco alguns excertos dos próximos episódios deste podcast. O que é que nos podes revelar mais, sem spoilers?

É difícil. Sim, nós temos falado muito no António Lobato e de facto, ele é o personagem principal desta história, mas esta história fala também sobre muitas outras pessoas. Os ouvintes vão perceber a partir do terceiro episódio, vão surgir muitos mais personagens. Nós tratamos também esta questão da guerra de África. Nós falámos com outros prisioneiros de guerra. O Lobato foi o primeiro, mas nos anos seguintes ao Lobato ter sido detido, muitos outros prisioneiros iriam juntar-se a ele naquela prisão, na Guiné Conakry.

E falaram também com o comandante, não foi?

Falámos também, exatamente, com o comandante de uma das lanchas. E as pessoas vão perceber que a história, a partir do terceiro episódio, mais ou menos metade do podcast, vai começar a abrir para muitas outras dimensões. O Lobato vai estar com outros portugueses e a uma altura, e isto é um pouco já do quarto episódio, portanto, já bastante à frente, em que eles vão fazer um plano para fugir.

Não fazia ideia se era libertado hoje, se era daqui a 100 anos. Qualquer preso tem obrigação de pensar em fugir. Tem obrigação, a vida dele está em risco. Não é ficar ali assim a quebrar todos os dias, espero que está bem.

Juntos vão finalmente desenhar o plano que acreditam que os vai libertar. Lobato passou anos e anos com mil ideias na cabeça sobre como poderia fugir. Percebe agora que só seriam precisas duas coisas: uma barra de sabão azul e branco e uma frigideira velha.

Estes pormenores são deliciosos.

Esta é uma das histórias mais incríveis desta história.

João, ao todo foram 17 horas de gravação.

Sim, são muitas horas, muitas entrevistas e um dos desafios foi precisamente esse, ou seja, como condensar e juntar isto tudo nestes seis episódios.

Isso sobretudo quando é tudo interessante. O que é que fica de fora?

Sim, precisamente. Alguns pormenores ficaram de fora, mas acho que conseguimos criar aqui uma narrativa que envolvesse ao máximo as pessoas e que, no fundo, e foi essa também a nossa intenção, espero que os ouvintes sintam isso, que não possamos quase esperar pelo próximo episódio, estejamos ali a ver quando é que chega a terça-feira para chegar o próximo.

Não há podcast narrativo sem uma boa banda sonora e por isso lançámos o desafio ao David Santos, também conhecido por Noiser, porque já aqui está conosco. David, bom dia. Tu este fim de semana estiveste no Festival da Canção com o grupo You Can't Win, Charlie Brown, mas esta não é a primeira vez que compões uma banda sonora. Não é a tua estreia em bandas sonoras, mas sim em podcasts narrativos. Qual foi a principal diferença que tu sentiste?

Eu acho que, neste caso, a grande diferença ou a ideia diferente daquilo que eu estava habituado, é esta ideia de termos uma série, mas que apenas vai ser ouvida. Acho que a música tem uma responsabilidade ainda um pouquinho maior, porque quando estamos a ver um filme, a imagem é o suporte de tudo e a música está a fazer uma cama para aquelas imagens. Aqui só existem as vozes e esta ideia desta história, mas a música tem um papel mais preponderante.

Sim, muito marcante.

Não há tanta cor ou não há imagem nenhuma.

E segundo percebi, aliás, como dizia o Miguel Pinheiro no início, foste rápido a entregar uma primeira proposta para a banda sonora original. Queres dar-nos uma ideia daquilo que foi uma espécie de esboço inicial?

Sim, eu acho que quando o Miguel ouviu, não foi logo a primeira versão de todas, mas se calhar já foi a segunda ou a terceira.

Foi a segunda.

E este processo às vezes demora muito tempo. Este foi mais ou menos rápido, se calhar também porque o João me deu muito bem a ideia do que era suposto ou não. Eu acho que inicialmente, e uma das coisas que me preocupava, é que vivemos numa altura em que parece que não há tempo para ouvir nada. E a ideia aqui é que não se pode perder o espectador antes de ele perceber o que vai acontecer. Então a música, antes de tudo mais, tinha que ser uma coisa ligeiramente hipnótica, não sei se é o melhor adjetivo, mas tinha que ser uma coisa que deixasse a pessoa ficar com vontade de ficar ali quieta a ouvir aquele tempo.

Aquela expectativa envolvente.

E portanto, eu acho que o primeiro bocadinho que eu mandei ao João, que eu trouxe aqui um teclado pequenino só pra mostrar um bocadinho qual é que foi a primeira ideia, era essa ideia de ser uma coisa mais ou menos em repetição, para que a pessoa ao fim de um minuto a ouvir sempre a mesma coisa, ficasse com vontade de não sair do lugar onde está. Depois a partir daí vieram todas as outras ideias, que aquela primeira música devia ter aventura, devia ter algum romance, devia ter medo, não medo. E a parte que o Miguel recebeu já foi depois com essas coisas todas, mas o primeiro bocadinho vai soar assim um bocado .

Vamos ouvir pra depois percebermos como evoluiu.

Mas o primeiro bocadinho que ele recebeu terá sido assim. Mas depois é que temos aí dois minutos.

Isto foi o quê? Mais graves?

Eu conheço estas notas tão bem que eu acho que sem saber tocar piano, se calhar, já sabia tocar isto, que eu passei as minhas viagens do trabalho pra casa e de casa pro trabalho só a ouvir isto.

E depois o que é que disseram, o Miguel e o João?

O David enviou-me isto e salvo erro, tinha só uma outra camada, que era o sintetizador.

Tinha uma camada assim .

Temos que ver que a história começa com um homem que está preso numa cela e precisávamos de algo que nos transportasse para lá e para essa situação de uma pessoa que está a passar por um período muito difícil da vida. E depois eu disse ao David: "Ok, eu acho isto muito bonito e tem muito a ver com a história, mas nós vamos precisar aqui de abrir para outras camadas da história. Esta história vai envolver aventura, vai envolver supressão, vai envolver uma operação secreta, portanto, a dada altura, precisamos", é uma palavra que eu usava muito até nas nossas reuniões, "precisamos de algo com uma certa epicidade também na história". E depois, à segunda, o David enviou uma música, que era uma música tão rica, que tinha já tantas camadas, tantos layers, como costumamos dizer, que do tema principal do genérico, nós depois acabamos por também fazer submúsicas intrínsecas que acompanham vários momentos da história. Por exemplo, David, acho que gostaste muito do início do segundo episódio, com os violinos, que é uma situação de tensão, e os violinos que estão na música. Se as pessoas ouvirem a música bem, tudo aquilo que aparece está lá, abrem esse episódio, e criam aquele momento de impacto na abertura.

Sim, eu acho que a ideia engraçada aqui foi como conseguimos que no tal genérico, como conseguimos incluir mais ou menos todas as emoções que a história depois iria ter, quando separamos os vários elementos, foi possível pegar só nos violinos, que era uma parte mais da aventura, e meter num excerto mais da aventura. Pegar na outra parte mais de suspense e meter esse bocadinho debaixo de uma cena de suspense.

Miguel, como é que foi a tua avaliação, a tua análise desta música e depois chegarem ao resultado final? Mais graves, menos graves? Como é que se constrói isto?

Eu não percebo nada de música.

Pois, precisamente.

Zero.

Como é que se opina?

Eles trataram dessa parte toda, como deveria ser. Agora, simplesmente, ouvindo só o início da música, deu pra perceber que era mesmo aquilo. Porque além de tudo mais, é uma música lindíssima.

É mesmo.

Além de tudo mais.

Vamos ouvir um bocadinho pra termos uma ideia do que estamos a falar.

Se calhar, David, aquela parte em que a música depois vai ter uma mudança.

Falava na versão já final.

Sim.

Eu acho que era como dizia o João, tem aqui várias camadas. Parece que há suspense, há o amor, há aqui a parte mais romântica.

Sim, eu acho que, de fato, o David conseguiu muito bem condensar na música todos esses sentimentos e todas essas tonalidades e variações que nós pretendíamos. E eu acho que desde o início, e nós falamos sempre também com o Miguel e com todos, queríamos que a música fosse Mais um personagem da história. A música tem que ter esse destaque numa história que é contada em áudio para as pessoas ouvirem. Por exemplo, agora neste momento, que é também o trecho que as pessoas ouvem cada episódio, a música tem esse espaço para respirar. Ou seja, ela é usada também para levar a pessoa até à história e também para criar essa relação emocional com a história. Porque a música, David, como também falavas nas promoções e nas conversas que tivemos, ajuda-nos a transferir esses sentimentos da história para nós.

Outra coisa engraçada é que nós queríamos que a música, embora pudesse ter alguma carga mais melancólica ou mais triste, a pessoa que ouvisse a música toda, sem pensar muito nisso, tinha que perceber que, se calhar, no fim, a história correu bem.

E como é que se traduz isso para música?

Eu acho que é ir experimentando e ir sentindo o que se está a sentir. Acho que justamente nesta parte final em que a música abre, a pessoa fica com uma perceção quase inconsciente de que, não sei de que forma, mas eu acho que aquilo deve ter corrido bem.

É um final feliz.

Para além deste tema do genérico, compuseste mais duas músicas originais, também ao piano, inspiradas na história de amor entre o António Lobato e a Maria de Anjos.

Sim. Depois o João me disse que faltava uma parte mais-

Claro, uma história de amor tem que ter música

Tem que ter sempre.

Não sei se é clichê, porque é foleiro dizer que o amor é clichê. Porque temos muito, portanto ainda bem que é assim. Mas era nesta ideia de ser uma coisa que não queríamos ter tristeza e felicidade ao mesmo tempo, queríamos ter apenas uma coisa que unisse aquelas duas pessoas. Percebemos que não dava para fazer com aquelas camadas que a música tinha e que seria necessário fazer uma outra música.

E este processo todo demorou quanto tempo?

Foi mais ou menos rápido, apesar de tudo.

Um mês, talvez? Ou dois.

Sim, talvez dois meses. Principalmente com estas músicas também. E tivemos de fazer alguns ajustes na parte da pós-produção.

Sim, e eu acredito também. Eu acho que a música, e normalmente nos meus discos demoro muito tempo a fazer as coisas, porque acho que é preciso fazer, e depois é preciso esperar um bocadinho e ouvir outra vez.

Distanciar-te um pouco, é isso?

Não sei se é distanciar, mas eu acho que quando se está no momento, a pessoa está a ir por um caminho, que muitas vezes até é o mesmo, que sente dois ou três dias mais tarde, mas é bom deixar as coisas respirarem e perceber. Quando, de repente, aquilo me parecia um genérico de uma série de televisão, aquele início, penso: "Olha, deve ser mais ou menos isto, mas deixa ouvir daqui a dois ou três dias, vê se sente a mesma coisa ou não".

Queres tocar um cadinho dessa música para nós?

Posso tocar um cadinho. Também não é bem igual à que está, porque só trouxe o piano pequeno.

Isto é de duas pessoas que se vão conhecendo e se apaixonam. Vejam lá se conseguem ouvir isso aqui.

Não sei.

Já nos conseguiste envolver a todos. Está tudo a olhar mais apaixonado. David Santos, também conhecido por Noiserv, com mais um tema, este sobre o amor de António Lobato e a mulher, Maria de Anjos. Uma música que faz parte da banda sonora original do novo podcast Plus do Observador, o "Sargento na Cela 7", que já está disponível no nosso site e nas plataformas de podcast. Ficaste satisfeito com o resultado final? O que sentes quando ouves? É uma sensação semelhante às outras músicas que compuseste até aqui?

Como demoro algum tempo a fazer as coisas, como estava a dizer, acho que no final fico sempre satisfeito. É complicado explicar, mas há realmente vezes em que é muito complicado chegar àquilo que eu imagino e àquilo que as pessoas que me pediram imaginam. E há vezes que esse processo é mais difícil. E aqui, como eu e o João tínhamos a mesma perceção daquilo que era suposto acontecer, acho que fica uma ideia plena. Desde a primeira vez que ouvi, então depois com a voz também do Pepe Capa Zote em cima. Sempre que eu ouço aquelas notas iniciais, eu vou para aquele lugar do senhor a falar, da senhora a falar com ele, da narração. Portanto, eu acho que é um sentimento de que ficou mesmo bem. E às vezes há um sentimento de que ficou bem, mas que não ficou tão bem, se calhar. E aqui acho que ficou bem.

Sim, João.

Não, eu acho que nós, como dizia também há pouco o Miguel, tivemos muita sorte, porque os astros alinharam-se todos. Tivemos o Pepe, que foi incrível, e ele adorou participar no projeto. Tivemos o David. Nós demo-nos muito bem, não nos conhecíamos. Eu seguia o trabalho dele há muitos anos e sempre pensei que um dia, se tivesse um projeto assim, gostava de convidá-lo a ele para fazer algo do gênero. Por isso foi um alinhamento incrível dos astros, eu penso também.

Eu lembro-me que estava no Loie Merlin, em Alfragide, quando ele me ligou, à procura de umas placas de madeira.

O toque de romantismo que faltava.

As placas de madeira.

Foi ali que eu senti a primeira inspiração. Mas é verdade, estava nesse sítio.

Quem também está conosco esta manhã é o Luís Santos, brand manager da Honda Portugal Automóveis, patrocina os podcast Plus do Observador. Luís, bem-vindo.

Bom dia.

Obrigada por estar conosco a assinalar o lançamento deste nosso novo projeto. O que motivou a marca a associar-se a nós?

Bom dia. Em primeiro lugar, acho que o projeto mal nos foi apresentado à equipa toda da Honda Automóveis, captou-nos logo o coração, diria mesmo assim. Por isso foi daqueles projetos que foi o início, nem sabemos que nós temos de estar presentes. Obviamente, é uma marca também com história, a Honda Automóveis é uma marca também com muita história, e associada ao Observador, que é um meio de comunicação que nós entendemos como idôneo, inovador, este é um projeto claramente inovador e também transparente, portanto com os seus ouvintes e também com os seus leitores, é um valor que também associamos à marca Honda. E, no nosso caso, em 2022, demos no mercado automóvel um passo que eu diria único, com uma política, com uma estratégia de comunicação que se chama Contas Feitas. Com essa estratégia, nós demos um passo nesta questão de ser transparente, em que nós, no preço que todos que nós comunicamos, o carro tem incluído o preço de transporte e averbamento do carro ao cliente final, o valor da garantia dos cinco anos sem limite de quilómetros, no caso da Honda, e da assistência em viagem, e também, inclusivamente, por exemplo, a pintura metalizada. O que isso quer dizer? O cliente, quando vai a um concessionário no Porto, Lisboa ou em Faro, o preço que nós comunicamos é o preço que efetivamente ele pode adquirir o carro. Portanto, é um passo que nós nos identificamos dentro dos valores que a marca tem.

Do que ouviu do podcast, ficou entusiasmado a aguardar pelo próximo episódio?

Completamente. Temos agora uma legião de fãs dentro da Honda Automóveis e toda a equipa que obviamente também nos dá apoio.

Já eram fãs da Rádio Observador e do Observador. Agora é só um extra, não é?

Agora é mais um extra. Mas é um orgulho estar presente e este projeto estar conosco.

Também ficamos muito contentes de estarem conosco. João, mais um excerto para fechar?

Sim, para fechar.

Se calhar vamos pro episódio seis, não é?

Do último episódio, atenção, superexclusivo, que só vai sair obviamente daqui a muitas semanas, mas é só um excerto. E como dizíamos há pouco, esta é a história também de uma grande operação secreta e muito controversa na altura. E o que vamos ouvir aqui é o início do ataque à prisão onde eles estão antes de serem libertados.

O alvo está à vista. O grupo enviado para atacar a casa-prisão para cerca de 150 metros antes de chegar ao objetivo, mas o terreno é descampado. Numa questão de segundos, são surpreendidos por tiros disparados pelos guardas da prisão. Um militar fica logo ali, gravemente ferido. Os portugueses respondem com tiro de bazuca, que destrói a guarita e mata os guardas que protegiam a cadeia. Na escuridão, não conseguem dar com a entrada. Só mais tarde vão ver que estava mesmo ali ao lado, quando já tinham aberto um buraco no muro. Por essa altura, Lobato e os outros prisioneiros escondem-se debaixo da cama. Quando o segundo tiro de bazuca é disparado, João Netvas chega a pensar que vai morrer.

Eu pensei que morria nessa noite. Estive dois, três minutos sem ar dentro do quarto, debaixo da cama.

É o sexto.

Sim, e é um episódio, obviamente, com muita ação.

Vamos ter que esperar umas semaninhas.

Vamos ter que esperar um bocadinho.

Miguel, estamos a chegar ao fim deste Explicador. Este é só o primeiro. Temos mais quatro projetos deste género para lançar este ano.

É verdade. Já estamos a trabalhar noutras histórias igualmente surpreendentes. Não vou dizer quais são, as pessoas vão ter que esperar, mas já estamos a trabalhar em todas, estão em fases diferentes, umas mais avançadas, outras ainda na fase de conceção, outras nas fases já de entrevistas, outras já de escrita de guião, por isso agora não para. Depois desta série, vamos ter outra e outra e outra.

Miguel Pinheiro, Luís Santos, Nóis Erfe, João Santos Duarte, obrigada a todos por este Explicador, hoje dedicado ao primeiro dos podcast plus do Observador. "O Sargento na Cela 7", o primeiro episódio já está disponível desde a meia-noite no site e nas várias plataformas de podcast. Aqui na rádio vai poder ouvir logo a seguir ao jornal do meio-dia e fica já o convite para ouvir todas as terças-feiras um novo episódio.