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Está no ar o Fact Check das manhãs 360 com o jornalista Aníbal Rebelo. Aníbal, bom dia, boa sexta-feira.
Bom dia.
Hoje vamos falar sobre a pandemia de Covid-19, mais especificamente em três coisas: vacinas, tatuagens e Bill Gates. Espera lá. Vacinas, tatuagens. Vais ter que explicar isto melhor.
É uma mistura explosiva.
Estou a imaginar o Bill Gates todo tatuado. Depois entram as vacinas nisto. Vamos lá.
Lá chegaremos. Vamos falar aqui de uma publicação que partilha um alegado tweet de um antigo ministro brasileiro da Educação do governo de Bolsonaro, que fala em fim de liberdade. Esta publicação partilha também duas notícias que avançam que a Fundação Bill Gates criou uma tatuagem secreta que revela se alguém foi vacinado contra a Covid-19.
Aníbal, não é a primeira vez que vemos o nome de Bill Gates associado a notícias sobre a Covid-19. Normalmente nunca muito bem associado.
É sempre a do Bill Gates, não é?
Agora isto fica um bocadinho difícil de acreditar.
E eu acredito que hão de surgir ainda mais notícias. Mas vamos a esta. A teoria das vacinas com chips de 5G foi agora substituída por vacinas e essas tatuagens secretas. Mas atenção, há até um fundo de verdade nestas informações. É verdade que o fundador da Microsoft até chegou a financiar a investigação que levou a esta Quantum Dot Dye, que é a tatuagem que pode ser administrada a par com as vacinas e que permite que o histórico de vacinação do paciente não seja perdido.
Ora bem, portanto, essa história das tatuagens secretas que revelam se alguém foi vacinado contra a Covid-19 até tem ali um fundinho de verdade.
Como todas as notícias falsas, há sempre qualquer coisa de verdade. Neste caso, fomos investigar e percebemos que um dos responsáveis por este estudo explica que esta tecnologia pode permitir que seja detectado, de forma mais rápida, o histórico de vacinação de cada paciente. Em locais onde, por exemplo, os boletins de vacinas ou os certificados digitais, a exemplo daqueles que temos em Portugal, são de difícil acesso ou mesmo não existem de todo. Ou seja, esta tecnologia iria permitir que os pacientes em localidades mais remotas e menos desenvolvidas tenham sempre a informação sobre que vacinas já tomaram.
Ora, de repente parece que estamos a falar de um filme de ficção científica, mas esta tecnologia já existe e já está a ser aplicada no Brasil.
Não, no Brasil ainda não está e aí entra esta ideia da fake news. De acordo com a Universidade de Massachusetts, esta tecnologia está em fase experimental, não está a ser utilizada e o objetivo desta Quantum Dot Dye é permanecer na pele durante pelo menos cinco anos e aí poder ser detectado durante esse período por, por exemplo, um smartphone. Os cientistas norte-americanos estão nesta altura a trabalhar para que seja possível criar esse registo de informação na pele, sem que haja necessidade de uma base de dados, mas tal ainda não foi possível.
Mas Aníbal, esta publicação do ministro da Educação de Bolsonaro sugere que esta tecnologia limita a liberdade da população.
Ao contrário daquilo que sugere essa publicação, o método que está a ser estudado serve, sobretudo, como garantia de que as vacinas administradas em países com mais dificuldades de registo oficial, de atos clínicos, cumprem as regras de segurança. Uma forma de promover o acesso a cuidados de saúde seguros a todos.
Portanto, depois de tantas vacinas, tatuagens e tecnologia, vamos ao carimbo.
É enganador dizer que o fundador da Microsoft, Bill Gates, quer limitar a liberdade das pessoas através de uma tatuagem secreta que revela se alguém foi vacinado contra a Covid-19. A notícia é, por isso, falsa. No entanto, tem este fundo de verdade. A tecnologia existe mesmo, tem como objetivo permitir o registo de vacinação nas regiões do mundo onde nem sequer existem boletins de vacinação. A tecnologia não está ainda a ser aplicada em nenhum país. O carimbo é, por isso, cor de laranja.
Olha, já cá não tínhamos há muito tempo um laranja. Carimbo laranja no Fact Check da Rádio Observador com o jornalista Aníbal Rebelo. Segunda-feira há mais para ouvir aqui na sua Rádio Observador.