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Está na hora de mais um fact-check das manhãs 360 e é nesta altura que se junta a nós a jornalista da Rádio Observador, Teresa Borges. Olá de novo, Teresa, bom dia. Continuamos a falar de eleições legislativas. Hoje olhamos para o debate entre André Ventura e Francisco Rodrigues dos Santos.
Sim, o debate que teve lugar na passada quarta-feira. Foi um debate tenso, marcado por acusações de parte a parte. A afirmação que vamos tentar tirar a limpo foi feita pelo líder do Chega durante um ataque a Francisco Rodrigues dos Santos, pelo voto contra do CDS a uma proposta do Chega, que pedia, aliás, a descida do IVA. André Ventura afirmou que Portugal tem a quinta eletricidade mais cara da Europa.
Essa proposta feita pelo Chega, se não me falha a memória, foi apresentada no âmbito da discussão do orçamento suplementar para 2020, aquele que respondeu à pandemia, e defendia não só a descida do IVA da eletricidade, mas também a descida do IVA do gás natural.
Exatamente, uma descida para 6%. A proposta acabou por ser chumbada pelo PAN, pelo PS, pelo PSD e lá está, pelo CDS. Mas vamos às contas. Se olharmos para os últimos dados do Eurostat, compilados pela ERSE, percebemos que Portugal aparece no número oito, ou seja, tem a oitava eletricidade da Europa mais cara para os clientes domésticos. Atenção, são números referentes ao primeiro semestre de 2021. Ainda assim, Portugal fica bem abaixo da média europeia e da média da zona Euro.
Ou seja, Portugal é, como dizias, o oitavo país europeu mais caro e não o quinto. Mas Teresa, se falarmos dos consumidores não domésticos, isto mantém-se ou o caso muda de sinal?
Na verdade, o cenário até melhora. Neste caso, quando falamos dos consumidores não domésticos, Portugal surge não no número oito, mas na 11ª posição, também aqui longe do top dos preços mais elevados.
E onde é que André Ventura foi buscar este quinto lugar? Conseguimos perceber.
Mais ou menos. Basta continuar a ouvir André Ventura. Isto porque no seguimento deste ataque a Francisco Rodrigues dos Santos, o líder do Chega acusou também o CDS de se esquecer dos portugueses que percorrem todas as manhãs o IC19 e neste ponto falou do combustível que é pago pelos consumidores.
E que tem um regime fiscal que é diferente do da eletricidade. Teresa, imagino que aqui os números já começam a bater mais certo.
Começam a bater certo, Carla. Se consultarmos novamente os dados da ERSE, da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, e olharmos para o campo dos combustíveis, aí sim percebemos que no terceiro trimestre de 2021, Portugal situava-se na quinta posição dos países que vendem a gasolina 95 simples mais cara na União Europeia. É uma diferença de 0,55 € por litro, isto em relação ao país que pratica os preços mais baixos. Já no que diz respeito ao preço do gasóleo simples, Portugal volta a descer um lugar na lista, situa-se na sexta posição dos mais caros. Importa referir que nestes valores estamos a considerar o preço antes dos impostos.
Vamos então ao carimbo, é só o que falta. Que cor leva André Ventura, Teresa?
Leva um carimbo vermelho, é uma afirmação errada. Portugal não ocupa o quinto lugar no ranking dos países europeus com eletricidade mais cara. Se considerarmos o preço da gasolina simples, aí sim, Portugal aparece no quinto lugar, mas não foi esta a afirmação feita por André Ventura.
Carimbo vermelho neste fact-check com a jornalista Teresa Borges. Segunda-feira há mais. Muito bom dia, está com a Rádio