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O jornalista João Gama já aqui está de novo conosco. Começa agora o Fact Check. Olá, bom dia.

Bom dia.

Hoje vamos falar sobre a Greta Thunberg, mas não sobre alterações climáticas. O que se passa? Nova polémica com a jovem ativista.

É pelo menos uma imagem que mostra Greta alegadamente a segurar um livro antissemita, até porque na capa podemos ler o título "Sobre os judeus e as suas mentiras" e o respectivo autor da obra é Martin Luther ou Martim Lutero, se preferirem.

Ora pois, está visto. Estão aqui todos os ingredientes para provocar uma onda de críticas nas redes sociais.

Particularmente numa altura em que o antissemitismo voltou a marcar a agenda, como bem sabemos, como resultado da guerra no Médio Oriente, desde os ataques do Hamas a Israel e da resposta de Tel Aviv na Faixa de Gaza, foram registadas centenas de episódios de violência antissemita um pouco por toda a Europa. E é neste contexto que é partilhada esta fotografia do livro de Martim Lutero.

Martim Lutero, estamos a falar do teólogo alemão, responsável pela reforma protestante da Igreja Católica.

É verdade, o luteranismo.

Estudamos todos isso em História.

A minha mãe é professora de História e não me deixava não fazer esta menção.

Está especialmente obrigado a entrar a saber destas coisas.

Desde os seis anos, certamente.

Mas é isso mesmo, luteranismo, a religião mais praticada em países como a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca. É esse mesmo o Martim Lutero que estamos a falar, que tem posições se calhar menos conhecidas sobre a população judaica. Eu, pelo menos, desconhecia em absoluto. O seu livro "Sobre os judeus e as suas mentiras" foi escrito em 1543, onde Lutero defendia a perseguição dessa população e a destruição dos seus bens religiosos e financeiros.

Mas por que a Greta Thunberg haveria de promover este livro?

Começam aqui as dúvidas, começa o Paulo a levantar a sobrancelha, e são dúvidas que não são difíceis de desfazer. A imagem original pode ser encontrada na página pessoal de Greta Thunberg, na rede social X. A jovem sueca está exatamente com a mesma roupa, exatamente na mesma posição, mas ao contrário do que consta no post que estamos aqui a analisar, não tem nas mãos um livro antissemita, mas sim um livro sobre o clima, o "The Climate Book", que é escrito pela própria Greta, sobre os temas da mudança e da proteção climáticas. Nesta publicação, onde anuncia o livro, a ativista sueca dá conta de ter reunido o conhecimento de mais de 100 especialistas com o objetivo de chamar a atenção para as diferentes crises climáticas.

Mas a jovem ativista não tem uma posição sobre a situação em Gaza?

Tem sim, Júlio. Já expressou solidariedade para com o povo palestiniano, logo nas primeiras semanas do reacender deste conflito entre Israel e o Hamas. Chegou até a participar numa manifestação pró-Palestina no final de novembro, junto à embaixada israelita, isto em Estocolmo, na Suécia.

Ou seja, João, estamos perante uma imagem alterada e por isso o carimbo só pode ter uma cor.

O carimbo vermelho.

É mesmo.

Na publicação original, Greta Thunberg divulga um livro que ela própria escreveu sobre alterações climáticas e não uma obra antissemita. Posts semelhantes já foram desmentidos por outros fact-checkers e até aqui no Observador, onde já demos carimbo vermelho a uma suposta entrevista onde Greta teria defendido o recurso a granadas vegetarianas.

Carimbo vermelho então no Fact Check das manhãs 360 com o jornalista João Gama. Amanhã há mais para ouvir, é sempre por volta das 7h40 ou então a qualquer hora em podcast.