O Manchester City foi, segundo uma investigação interna da Premier League, considerado culpado de 114 violações financeiras entre 2009 e 2018. Em causa estão, segundo o organismo responsável pela principal competição de futebol no país, tentativas de contornar as regras de fair play financeiro e a sustentabilidade financeira que existem em Inglaterra e servem para garantir a sustentabilidade dos clubes e evitar a concorrência desleal.
Há várias publicações nas redes sociais que alegam que o clube inglês já foi castigado e o título de campeão da Europa, que venceu em 2023 numa final contra o Inter de Milão, foi-lhe retirado e entregue ao clube italiano. Algumas chegam mesmo a partilhar um vídeo do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, onde o mesmo estará a prestar declarações sobre o assunto e a anunciar “oficialmente a retirada do título da UEFA Champions League da temporada 2022/2023 do Manchester City”.
As violações financeiras terão começado quando o proprietário da Abu Dhabi United Group, Sheikh Mansour, adquiriu o clube inglês em 2008. Desde aí e até 2018, o City é acusado de recorrer a patrocínios fictícios com valores adulterados, omitir pagamentos reais realizados a treinadores e jogadores, apresentar Relatórios e Contas que não refletiam a real situação financeira do clube, não colaborar de forma transparente e dificultar toda a investigação da comissão independente da Premier League.
O esquema foi revelado pelo hacker Rui Pinto em 2018, através do Football Leaks. Em setembro deste ano, a Premier League confirmou a maior parte das 115 acusações. O clube terá inflacionado as receitas em mais de mil milhões de euros num período em que venceu quatro vezes a Premier League e a Taça da Liga e duas vezes a Taça de Inglaterra.
Há várias sanções que poderão ser aplicadas ao clube inglês e há muita especulação em torno do tema. Os castigos podem implicar multas ou até mesmo a descida de divisão. No entanto, ainda não é conhecido qualquer tipo de pena aplicada ao clube, incluindo a retirada de um título que foi ganho depois do período em que terão acontecido as violações financeiras.
Nas publicações são dadas certezas: “Com a decisão, o troféu será concedido ao Inter de Milão, que foi a vice-campeã daquela edição. A medida altera o registo histórico da maior competição de clubes da Europa.” O Observador contactou a UEFA que confirmou que o castigo em questão não foi aplicado. Para além disto, à data da publicação deste artigo, o Manchester City ainda aparece como vencedor da competição na época 2022/23 numa lista do site oficial da UEFA.
O vídeo do discurso de Aleksander Čeferin em que se está a dirigir “aos donos de alguns clubes ingleses” é de abril de 2021 e está descontextualizado. À data, o presidente da UEFA criticava a criação da SuperLiga e lançava um apelo aos clubes ingleses envolvidos.
Para além disto, o clube ainda pode recorrer da decisão e negou todas as acusações.
Conclusão
Não é verdade que a UEFA tenha sancionado o Manchester City pelas acusações de violações financeiras ao retirar-lhe o título da Champions League de 2022/23. Ainda não se conhecem os castigos que vão ser aplicados ao clube inglês e no vídeo apresentado o presidente da UEFA não está a falar sobre o escândalo financeiro que afetou o futebol mundial.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.