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Tudo pronto para mais um fact-check da Rádio Observador. Combatemos a desinformação hoje com a ajuda do jornalista Diogo Teixeira Pereira. Olá, Diogo, bom dia.
Olá, bom dia.
E hoje vamos olhar para mais uma informação sobre a pandemia que está a circular nas redes sociais. É verdade que 30% dos coronavírus são causados por constipações? E mais, Diogo, é verdade que a influenza e a tuberculose são mais letais do que o SARS-CoV-2?
Muitas perguntas, Maria João. Vamos tentar responder uma a uma.
Estou um bom acompanhante.
Mas primeiro é preciso dizer que estas duas dúvidas fazem parte de uma publicação que está a circular no Facebook, como tu já disseste, e tem mais uma questão. Não são só essas duas, há mais uma. Diz que as doenças cardiovasculares e o câncer matam quase 30 milhões de pessoas por ano. No final de cada uma das frases onde é apresentada cada uma destas perguntas, o autor desta partilha pergunta sempre quando tomamos medidas parecidas, aqui numa referência às medidas restritivas que foram aplicadas por causa da COVID-19 e nunca foram aplicadas no caso destas doenças. No fundo, este conteúdo defende que não se deviam ter tomado medidas tão restritivas por causa da pandemia.
Diogo, vamos então esclarecer todos estes pontos. Podemos começar pelas constipações. É verdade que são provocadas por 30% dos coronavírus?
É verdade. Acho que não é necessário dizer aqui o nome de todos os coronavírus mais conhecidos, porque são nomes muito confusos. Para terem uma ideia, parecem aqueles códigos que as finanças nos enviam para casa para acedermos ao IRS. Mas o virologista Ricardo Parreira confirma essa informação. De facto, 30% das constipações são provocadas por coronavírus.
Então vamos lá à segunda pergunta, Diogo. A tuberculose e a influenza são mais letais do que a COVID-19?
Neste campo, é preciso ter em conta que os números podem variar muito consoante a idade dos infectados, o país onde vivem e até os anos comparados. O virologista Ricardo Parreira até levanta outra questão. Por exemplo, um vírus de gripe sazonal é muito menos virulento que um vírus da chamada gripe aviária. Ainda assim, nos anos de grande incidência da gripe, os menos virulentos infectam tanta gente que acabam por ser responsáveis por muitas mortes. Mas para termos uma noção mais clara quanto estes valores podem variar, vamos olhar para os números. A letalidade da tuberculose pode variar entre 7% e 35%, uma diferença muito grande. O influenza entre 1% e 10%. Já o SARS-CoV-2 situa-se entre 1% e 19%. Percebemos com estes números que o SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, fica aqui a meio caminho entre o influenza e a tuberculose. Isto apesar de ter havido medidas de contenção muito restritivas. De acordo com o virologista Ricardo Parreira, não fossem as medidas aplicadas pelos governos, estes números seriam muito maiores. Por isso, não é possível dizer de forma justa que o SARS-CoV-2 é mais letal do que a tuberculose ou a influenza.
Mas falta agora verificar o número de doenças cardiovasculares e os cancros, não é?
Aqui neste campo, a publicação diz que são perto de 30 milhões. E sim, os números oficiais não andam muito longe disso, mas também é certo que não é o isolamento da população que vai ajudar a limitar o avanço destes dois tipos de doenças em particular.
Então, Diogo, depois dos dados analisados, esta publicação é enganadora.
Merece um daqueles carimbos alaranjados. Apesar de haver algumas informações corretas, como vimos, elas estão descontextualizadas. As medidas de contenção não permitiram que soubéssemos qual o verdadeiro impacto no número de mortes provocado pelo novo coronavírus.
O Diogo Teixeira Pereira com mais uma verificação de factos. Amanhã voltamos para mais uma edição do Fact Check. Até amanhã, Diogo.
Até amanhã.