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Começa agora o Geração V, teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador, feito em parceria com o EU Voto, que hoje promove um debate com representantes jovens das cinco candidaturas mais bem posicionadas para passar à segunda volta. Temos conosco a Eva Brás Pinho, apoiante de Luís Marques Mendes, que está a caminho de Alvalade, Frederico Tropa, que vem em apoio de André Ventura. Olá, Frederico.

Olá, tudo bem?

Tudo bem. Renato Daniel, mandatário jovem de António José Seguro. Olá, Renato.

Olá, Vasco.

Jorge Miguel Teixeira, apoiante de João Cotrim Figueiredo. Olá, Jorge.

Olá, Vasco.

E a Júlia Araújo, eleitora de Henrique Vieira Melo. Olá, Júlia.

Olá, boa tarde.

Obrigado a todos por terem aceitado o meu convite neste que é o último dia de campanha. Eu sou o Vasco Galharde e não podemos começar por outro tema. Jorge, como viste esta semana o "reviliste" de João Cotrim Figueiredo, achas que perderam a hipótese de passar à segunda volta?

Antes de mais, cumprimento todos os outros, além do Vasco. As campanhas são assim, têm altos e baixos, têm melhores e piores momentos, mas aquilo que acontece numa semana não anula toda uma campanha que foi feita e toda uma mensagem que foi passada aos portugueses, que tem sido uma mensagem de fato diferente e que tem marcado a diferença. Eu quero recordar aquilo que se dizia da candidatura de João Cotrim de Figueiredo em agosto, quando foi lançada: que era uma candidatura de facção, que era pouco representativa, que só vinha dividir, e na realidade só tem vindo a somar. Tem vindo a somar apoios à sua direita e à sua esquerda, e é neste momento a candidatura mais bem posicionada para chegar à terceira volta no espaço reformista. Temos uma candidatura socialista bem posicionada, temos uma populista bem posicionada e há uma outra do espaço reformista, do centro e à direita, que de fato pode chegar à segunda volta. E esse fato não mudou com o que se passou esta semana. E de fato, Cotrim Figueiredo está motivado e está hoje a passar uma mensagem que era necessária na sociedade portuguesa e foi isso que os portugueses foram demonstrando ao longo destes meses.

Muito bem. Renato, tu és um dos mandatários jovens de António José Seguro, por que aceitaste o convite?

Eu antes de mais quero cumprimentar todos os presentes e dar também uma palavra ao Vasco, porque de fato o trabalho que a Geração V e que o EU Voto faz é muito importante e louvável, não só pelo entendimento democrático que se passa no espaço da Assembleia da República com os vários posicionamentos, mas porque também convoca os jovens a participarem como estão a fazer, e muito bem, neste momento, e portanto, também dar a ti, em nome de toda a equipa, os parabéns pelo trabalho que fazem. Relativamente à candidatura do António José Seguro, eu costumo dizer muitas das vezes que é muito rica na sua simplicidade e muito plural na sua generalidade e na sua generosidade. Isto por quê? É muito rica na sua pluralidade porque permite que haja aqui um espaço aberto de pluralidade de opiniões. Fazemos uma candidatura que tem a oportunidade de ter pessoas de várias linhas do espectro político, da esquerda, da direita, bem como o seu movimento jovem, que é composto por jovens da esquerda, jovens da direita, jovens do CDS, jovens do Bloco de Esquerda, jovens do Livre, jovens da JSC, jovens da JS. E, portanto, tem aqui uma pluralidade de opiniões muito importante para construirmos uma verdadeira candidatura à Presidência da República representativa de todos os portugueses. E, por outro lado, nós estamos a falar de uma candidatura que é muito ampla na sua generosidade, porque permite que haja aqui os valores que tanto caracterizam a candidatura de António José Seguro bem vincados. Estamos a falar de uma convocação de todos os democratas, todos os humanistas e todos os progressistas nesta candidatura que é muito abrangente na sua generosidade. E, portanto, esta candidatura, logo desde o primeiro momento, me mobilizou e fez com que eu quisesse participar ativamente neste movimento pelos jovens e espero que assim termine com um bom resultado e que passe à segunda volta, naturalmente.

Obrigado, Renato. Frederico, André Ventura quer mesmo passar à segunda volta e tentar ganhar ou sabe, no fundo, e como dizem todas as sondagens, que não tem a mínima hipótese de recolher mais de 50% dos votos?

Antes de mais, já sabia que ia começar por essa pergunta, mas cumprimento a todos, cumprimento a quem nos ouve, quem nos vai ver.

Também dão para ver no YouTube, sim.

E antes de mais, agradecer o convite, Vasco, e dar os parabéns aqui a este projeto EU Voto.

Muito obrigado.

E cumprimentar também aqui alguém que fazia o programa contigo e com quem eu me dou muito bem e que infelizmente sofreu, o Gonçalo Sousa. Calorosas saudações ao Gonçalo Sousa, como ele gosta de dizer. Mas indo à tua pergunta. Se o André Ventura não quer ganhar e supostamente vai ganhar na primeira volta, imagina se ele quisesse ganhar. Como ele diz, e isso é uma coisa que me enerva um bocadinho essa pergunta, eu acho que mais do que tudo isto, nós temos uma candidatura à esquerda, sendo de esquerda. Temos quatro candidaturas à direita, ou supostamente à direita, e eu acho que isto é um desafio que a direita tem de perceber como é que isto vai ser a segunda volta. Eu sei que nós ainda estamos na primeira volta, muito provavelmente o André Ventura vai passar à segunda volta, não quero estar aqui a fazer futurologia, mas vai passar à segunda volta, muito possivelmente com António José Seguro, e como é que a direita se vai posicionar nisto? Eu aqui vou fazer uma declaração de interesse. Eu sou monárquico, portanto, é meio estranho eu estar aqui a falar nas presidenciais. E é a primeira vez que eu vou votar numa presidencial. Ou seja, votei em 2021, votei em André Ventura, votei como sempre votei, no rei, e desta vez também vou votar no rei, neste caso.

Diga que é assim como o Marcelo votou.

Pois, exatamente.

Mas é a voto em branco ou é abstenção?

Não, vou votar obviamente no rei Ventura, neste caso. É aquilo que eu apelo aos monárquicos neste caso, como em 86, exatamente, à segunda volta.

Mas vais votar ou não vais?

Vou votar, sim, senhor, no André Ventura e vou ganhar a primeira volta.

Como é que foi na segunda volta, estavas a dizer de 86?

Em 86, quando o Cunhal apelou às suas camaradas para tapar os olhos e votar Mário Soares, que é um bocadinho o que eu peço aos monarquistas, é taparem os olhos e votarem no André Ventura. Mas agora falando a sério, acho que é o único candidato que fala de temas que o sistema tem medo. Todos os candidatos são do sistema. Acho que se calhar o João Cotrim Figueiredo é o que se calhar é mais fora do sistema e o almirante também, apesar de acolher muitos apoios que vêm dentro do sistema, e é o único candidato que fala de temas que são hoje muito importantes, como a imigração e a segurança. E toda a gente tem medo de falar desse tema. É o único candidato que tem a capacidade de dizer que quer fazer uma reforma naquilo que se passa hoje em dia sobre a imigração. Jorge, eu sei que vocês

O Parlamento aprovou uma reforma e tu estás a dizer que ninguém fala de imigração

Mas e o que é que tu tiveste em termos de imigração? Nada, zero. Eu sei que o Iniciativa Liberal-

Falou-se de imigração. O João fala de todos os temas necessários e que tocam na vida dos portugueses. Isso sempre aconteceu.

Defendes a questão da remigração?

Sim, lá remigração.

Eu sei onde é que tu queres chegar.

Ah, pronto!

Mas defendes ou não? Achas que isso deve acontecer ou não, a remigração?

Eu preciso que defines remigração, porque o Chega nunca definiu o que é que isso significa.

Estamos a desviar do debate.

Sim.

Podemos então seguir.

Está bem. Não, mas perdi. Queria te perguntar que se focarmos obviamente só nas sondagens, que dizem que é mesmo quase impossível o André Ventura ganhar a segunda volta, como é que se explica-

Mas as sondagens também estão a dar para tudo, atenção.

Sim, mas o que eu digo é, se André Ventura passar à segunda volta, basicamente vamos saber este domingo já quem é que vai ser o nosso próximo presidente da República. O que é que o André Ventura vai fazer em três semanas de campanha?

Não sei se isso é assim tão certo. Teoricamente, eu percebo, a taxa de rejeição é alta.

Achas que consegue agregar mais de 50% dos votos?

Acho que neste caso ainda estamos na primeira volta.

Claro, exatamente.

Vamos chegar à primeira parte e depois logo se vê a segunda parte.

Muito bem.

Mas cautela, que eu não sei como é que vai ser.

Muito bem, vamos esperar para ver. exato. Júlia, o que te fez apoiar o almirante Gouveia Mel? Por que achas que também está a ser difícil para Gouveia Mel convencer a nossa geração a votar nele?

Antes de mais, boa tarde a todos e obrigada pela oportunidade.

Obrigado eu.

No meu caso, foi muito simples e se calhar raro para muitas pessoas. Eu sou de Arco de Valdevez, Viana do Castelo, e na altura fui abordada por uma pessoa que já estava inicialmente envolvida com o início da campanha do almirante e ele ainda não tinha decidido ou dito publicamente que iria ser candidato e já andava pelos concelhos do país ou pelos distritos do país, a tentar falar diretamente com as pessoas. Na altura, o que me foi dito foi: "Olha, o almirante sente que não conhece como quereria o norte do país, então quer falar com pessoas, nada a ver com partidos, para ouvir a realidade, para ouvir as dificuldades, para ouvir na primeira pessoa aquilo que cada um tem a dizer sobre a sua região."

Foi assim que chegaste até ele, então.

Foi assim. Foi um almoço em Ponte de Lima, 20 e tal pessoas.

Mas isto antes de ele anunciar a candidatura?

Antes de anunciar a candidatura, sem jornalistas, sem ninguém. Duas horas. Por acaso, eu na altura sentei-me muito perto dele e pensei: que outra oportunidade é que eu vou ter de poder fazer as perguntas que eu quero fazer? E senti que estava ali uma pessoa com o perfil certo.

Dizes uma coisa, o Gouveia Mel é diferente com câmaras e sem câmaras?

Eu acho que se calhar toda a gente é, até um certo ponto.

Mas pergunto porque o Gouveia Mel é a pessoa mais desconhecida para nós.

Certo. Pessoalmente, a primeira impressão que eu tive foi: ele é muito mais à vontade do que eu estava à espera. E foi muito interessante, porque às vezes podíamos não concordar 100% com alguma coisa em específico, mas havia sempre aquela abertura de meio-termo, onde é que ele quer chegar, onde é que eu quero chegar e compreender o lado um do outro. E depois, simplesmente a facilidade com que ele falava de qualquer tipo de tema. Isto há bocadinho estavam a falar, ou melhor, os outros candidatos atiram muito a parte da experiência, que ele não tem experiência. Que tipo de experiência é que estamos a falar? Partidária não tem, o que eu não acho que é um defeito de todo.

Muita gente acha que é positivo isso.

Certo, e eu acho que os partidos têm um lugar muito importante na nossa democracia, como é óbvio, mas não acho que seja algo que seja exclusivamente necessário para a Presidência da República. Nós precisamos, mais do que nunca, na conjuntura nacional e internacional em que vivemos, de uma pessoa com experiência na área da defesa. Não vamos ignorar isso. Não há nenhum outro candidato que tenha décadas de serviço público na área da defesa e que conheça melhor todos esses temas do que ele, desde os 20 e tal anos que já faz parte de negociações, tomadas de decisão. Porque as pessoas às vezes falam muito da altura do Covid, e claro que isso foi o momento que o definiu.

Mas havia toda uma vida para trás.

Havia toda uma vida para trás de negociações e mesmo de lidar com ministros, de lidar com pessoas do governo.

Presidentes da Câmara.

Não há mais nenhum candidato com estas décadas de serviço público.

Mas eu voltando à minha pergunta, por que achas que está a ser difícil o Gouveia Mel penetrar nos jovens, no eleitorado mais jovem?

Sim.

É a sensação que eu tenho, posso estar enganado.

Pois, exato. Eu acho que isto é muito a nível de sensações, e depois depende para onde é que olhamos. Eu tenho estado na rua já desde o verão, com muitos outros voluntários por todo o país, porque esta é uma candidatura realmente muito dependente de voluntários. E a verdade é que eu sinto que os jovens na rua o reconhecem pela liderança e por aquela presença que ele tem. E não só os jovens, os mais velhos também. Se formos olhar para redes sociais, que é uma parte em que se calhar o João Cotrim de Figueiredo e o André Ventura estão mais fortes.

Não, mas o Almirante tem estado bem também.

Sim.

Mais rafting e tal.

Pois é.

Sim, isso foi giro.

Também foste?

Eu estive lá, mas eu não entrei. Estava muito frio.

Ok. Eu fiquei com uma certa inveja, também gostava de ter feito.

Nós conseguimos levá-lo, o movimento jovem, porque criou-se aqui um movimento jovem para acompanhar a campanha. Conseguimos levá-lo às galerias de Paris, dançar um bocadinho depois de um dia de campanha.

Nós vimos esse vídeo com o Exaltino também?

Sim, eu achei muita piada porque eu estava mais atrás, ou melhor, mais à frente, e vi pessoas: "Deve ser o Cotrim. Deve ser o Cotrim." Sai ali o João Almirante. Eles ficaram tão impressionados.

Mas assumiram que era o João.

Pensaram que era, pois.

Porque ele é que era ser o candidato jovem e tal. E de repente sai o João Almirante e toda a gente ficou agradavelmente surpreendida. As pessoas mesmo a irem ter com ele: "Então, tudo bem?" Foi muito giro. Por acaso acho que foi ótimo.

Por falares Exaltino, não querendo aqui tomar o teu papel, desculpa.

Não, estás à vontade.

A posição do Exaltino não prejudica a candidatura do almirante, ter o Exaltino como apoiante?

Mas por quê? O que é que tem de mal o Exaltino de Moraes?

Não posso dizer aqui certas coisas para não haver nenhum processo, mas acho que a perceção é que ele ganha e é o que é em Oeiras. Para o Almirante, que é tão reto e tão...

Sim. Eu acho que esta candidatura reuniu muitas pessoas que são conhecidas por fazer e não por falar, não pela demagogia. O Isaltino, nestas últimas autárquicas, ganhou com maioria absoluta. Eu acho que isso diz muito mais.

Não, eu percebo o que queres dizer.

É por isso que o almirante é conhecido. Ele é conhecido por apresentar resultados e ter mais uma pessoa na campanha dele, um apoiante que também é conhecido por apresentar resultados, acho que só é benéfico e não tenho muito mais a dizer. Acho que é mesmo um benefício da campanha.

Renato, agora queria te perguntar também como vês as candidaturas mais à esquerda de António José Seguro e se tens algum receio que possam tirar a real hipótese de Seguro passar à segunda volta.

Eu não creio que esse cenário seja uma realidade, até porque o espaço político que António José Seguro ocupa não é apenas o espaço à esquerda, é também o espaço de centro-esquerda e, portanto, o eleitorado acho que está a responder positivamente ao apelo também de voto útil que António José Seguro tem feito, porque é facto, dos candidatos que está em melhor posição para avançar para a segunda volta, o candidato que representa o espaço à esquerda é António José Seguro e este apelo de voto útil deve ser correspondido também por parte dos eleitores e é isso que nós esperamos que aconteça agora no próximo domingo.

Muito bem. E Jorge, o voto útil à direita é nem encontro incerto? Como vocês dizem. O voto útil. Eu vim aqui algumas vezes a esta mesma estação de rádio dizer que as pessoas devem votar a sua consciência e sempre rejeitamos o conceito do voto útil. Quem, de facto, começou com a conversa do voto útil foi a candidatura de Marques Mendes. Agora, realisticamente, os cenários que se estão a colocar neste momento é que a candidatura mais bem posicionada para chegar à segunda volta é a candidatura de João Cotrim de Figueiredo, neste espaço reformista.

Para chegar ou ganhar na segunda volta? Não percebi.

Estamos a falar da primeira volta. Portanto, estamos a falar de decidir quem é que chega à segunda volta. E deste espaço político onde se situa João Cotrim de Figueiredo, a sua candidatura é a mais bem posicionada e se não formos a usar argumentos de sondagens, estou a falar de dinâmica de campanha, mobilização de alcance de uma determinada mensagem. E é isso que temos estado a dizer. É também parcialmente uma provocação à campanha de Marques Mendes, obviamente.

E depende sondagem para sondagem. Já houve sondagens para tudo.

Eu não gosto de olhar para sondagens individuais, mas podemos olhar para tendências. Quando olhamos para tendências e comparamos as sondagens de cada casa individualmente, vemos que há uma tendência de crescimento em Cotrim de Figueiredo e uma decrescente em Marques Mendes. Isso pode ser mais curto.

Também a Ventura ao início não tinha sequer a possibilidade de passar à segunda volta e provavelmente até pode ganhar a primeira volta. António José Seguro também sempre teve 7, 8%.

Mas é verdade. Acho muito mais interessante fazer uma apreciação política do que é que cada campanha representou. E só queria fazer uma pequena crítica à candidatura do Gouveia e Melo. Eu acho que a Júlia foi uma melhor defensora da candidatura de Gouveia e Melo do que o próprio, porque todos esses aspectos da sua carreira de serviço público, do seu papel na defesa, tendo em conta o mundo em que estamos, eu esperaria ver da candidatura do almirante uma afirmação mais convicta de todos esses valores. E sinceramente, eu não vi isso na campanha, não o vi trabalhar bem esses temas, que são temas importantes. O João Cotrim de Figueiredo fez por pegar nesses temas e trabalhá-los bem, falou bastante na instabilidade geopolítica que vivemos e questões de segurança e defesa. Eu não vi isso. Fiquei surpreendido, não vi isso no almirante.

Se me permites.

Claro.

Ele tem imensos artigos lançados e imensas entrevistas que fez. Eu penso que nestas eleições as pessoas focam-se um pouco mais na altura dos debates, porque ninguém consegue acompanhar todo o tipo de entrevistas de todos os candidatos, ainda por cima são tantos. Em relação a isso, por acaso, chegamos a falar sobre isso. Por que não fala mais geopolítica nos debates? A resposta é a seguinte: os debates têm 15 minutos, mais ou menos.

Sempre cada um.

15 minutos interrompidos, onde há diferentes temas que são debatidos. Ele leva esse assunto tão a sério que não acha que os debates são o formato certo para fazer as pessoas realmente compreenderem, com o detalhe que devem, a situação em que nós estamos e como é que ele pode ajudar. Portanto, para quem tiver essa curiosidade, eu aconselho vivamente a lerem os artigos que ele tem publicado, a verem as entrevistas, porque realmente o formato dos debates não permite falar deste assunto com a seriedade que lhe é devida. Mas eu percebo esse comentário porque também já ouvi de outras pessoas. Mas acho que não há dúvidas das provas dadas que ele tem. São 45 anos de serviço.

Só acrescentar uma coisa ao que a Júlia disse, que eu acho que é muito importante e que escasseou um pouco neste debate para as eleições presidenciais, que é o papel do Presidente da República neste contexto geopolítico internacional, nomeadamente nas relações euro-atlânticas, que foi praticamente não abordado em qualquer debate político, seja na televisão, seja até mesmo na comunicação social. E acho que é um tema que preocupa e deve mobilizar não só os jovens, mas também os candidatos. E escasseou bastante.

Júlia, queria também só te perguntar, já que estamos a falar de sondagens, nenhuma sondagem dá Gouveia e Melo com a possibilidade de passar à segunda volta. Diz-nos o que é que tens sentido na rua e se achas que o resultado vai ser diferente.

Sim, eu tenho acompanhado a campanha desde o início e muito antes disso, na recolha das assinaturas, que também serviu para testar um bocadinho as emoções na rua. O que eu tenho sentido, sinceramente, e como jovem do Norte, sei bem que quando há este tipo de campanhas, as pessoas não têm aquela vergonha. Se querem dizer alguma coisa, atiram logo o bitite, entre aspas. E sinceramente, não tenho visto nada disso. Pelo contrário. Ainda hoje estivemos no mercado, foi aqui em Lisboa, no Mercado do Benfica, e vi pessoas a chorar Vi pessoas que lhe agradecem por se estar a candidatar. Vi pessoas que dizem: "Nós precisamos de si para endireitar o país." Por quê?

Endireitar o país é André Ventura que diz.

E ainda bem que diz isso, porque eu acho que as pessoas, nestes últimos anos, têm perdido um bocadinho a confiança nas pessoas que nos têm representado a nível partidário.

Para fechar.

Por isso é que André Ventura ganhou tanta popularidade, porque é uma alternativa àquilo que nós temos vindo a ter nos últimos anos. O Almirante é uma alternativa também, só que é construtiva, enquanto que André Ventura é uma alternativa destrutiva.

Mas por isso é que eu estava a perguntar em relação a Isaltino. Se é uma alternativa e tem o apoio com Isaltino.

Mas o Isaltino é um apoiante. É só isso.

Muito bem. Está feita a primeira parte do Geração V. Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do Geração V. Eva Brás Pinho chegou agora, esteve enfiada no trânsito de Lisboa, por isso vou começar já por ti, Eva. Muito obrigado por teres vindo. E queria te perguntar por que achas que está a ser difícil, segundo as sondagens, Marques Mendes convencer os jovens, a nossa geração, a votar em si.

Boa tarde a todos. Peço imensa desculpa por não ter estado aqui convosco desde o início, mas pronto, último dia de campanha e andamos aqui todos a correr de um lado para o outro. Em primeiro lugar, queria dar-te uma nota relativamente às sondagens. Eu acho que há sondagens para todos os gostos. Há sondagens que dão resultados maus para Marques Mendes, outras que o colocam em segundo lugar. Eu acho mesmo que nós não podemos sobrevalorizar as sondagens. As tracking polls, por exemplo, em 2022 davam a vitória ao Rui Rio e depois uma maioria absoluta a António Costa.

A famosa sondagem.

E a famosa moedas no bolso, a mesma coisa.

Exatamente.

Acho mesmo que temos que ter alguma cautela quando usamos as sondagens como critério de decisão por alguma coisa. Agora, aquilo que eu percebo é que há candidatos que estavam habituados a fazer uma comunicação digital, que diz mais aos jovens ou que chega com mais facilidade aos jovens. A Iniciativa Liberal, não vamos negar o óbvio, tem sido conhecida desde a sua criação por ter uma ousadia na comunicação que chega aos jovens. E eu aliás, acho que isso é de louvar. Agora, eu acho é que embora isso possa influenciar, porque nós sabemos o quanto hoje as campanhas e particularmente nos jovens, acabam por ter impacto nas redes, acho que os candidatos são muito mais do que isso e aquilo que está em causa, obviamente, é muito mais do que a capacidade de falar para reels ou para TikToks, de fazer piadas, de aparecer em momentos de descontração, por muito que isso possa ser importante para humanizar os candidatos, eu acho que o que está em causa aqui é muito mais do que isso. Desde logo, porque esta é uma eleição presidencial e o nosso chefe de Estado é a figura mais institucional do nosso sistema político. É precisamente uma figura que tem que transmitir, não só internamente, mas também no contexto internacional, seriedade, responsabilidade, consistência, experiência, que nos vai representar enquanto país. E eu gostava muito de também passar essa mensagem, porque eu sou jovem e aliás, tenho-me cruzado com vários jovens que apoiam Marques Mendes e que querem votar Marques Mendes, porque também já agora, ser menos vocal nas redes sociais não significa que não exista. E eu acho que é também importante dar esta nota.

Mas hoje em dia é quase obrigatório fazer uma boa campanha nas redes, não é?

É verdade, mas o que eu quero dizer é que muitas vezes, embora haja campanhas que vocalizam, é uma estratégia, acho que boa, aliás, de fazer com que os seus apoiantes sejam muito vocais nas redes, que transmitam, que publiquem, ou seja, que criem esse buzz, isso não significa que todos os outros que não fazem essas publicações não existam e não estejam lá a apoiar outros candidatos, nomeadamente os Marques Mendes, que eu sei que existem.

Convido-vos a interromper se os Marques Mendes, por exemplo-

Eu queria que a Eva terminasse o seu...

Pronto, mas eu vou concluir, até para podermos estar aqui em debate. Concluir só dizendo: a mim não me parece que pelo fato de ser menos expressivo das redes, não significa que esse apoio não exista. E eu, sinceramente, e vou concluir com esta mensagem, acho aliás, que é importante que a nossa geração perceba mesmo o que está em causa. E aqui está em causa um cargo que não tem como objetivo fazer oposição ao governo, que não tem como objetivo governar o nosso país, que não tem como objetivo fazer uma mega reforma no nosso país, porque não tem essas competências. Simplesmente não tem essas competências. Portanto, o Presidente da República tem mesmo que ser uma figura, e acho que para a nossa geração em particular, neste mundo, vão perdoar a expressão, mas estamos aqui em jovens crazy em que vivemos nos últimos tempos, tem mesmo que ser uma figura que saiba como é que se gerem conflitos, por exemplo, que não acuse a pressão. Uma das coisas que se têm visto nos últimos tempos é o Cotrim Figueiredo, por exemplo, a acusar uma pressão enorme que eu acho que mostra, enfim, eu sou humana, eu percebo o homem, mas o Presidente da República não pode acusar essa pressão, tem que ter a frieza para conseguir gerir conflito e crise em todos os momentos. E para mim não há a mesma dúvidas que essa pessoa é Luís Marques Mendes.

Jorge.

Isto já acontece quase desde o início da campanha

Sempre achei interessante esta crítica, que não é uma crítica, que é: Cotrim de Figueiredo é muito bom a comunicar nos meios digitais. Isto é um elogio, é uma coisa objetivamente boa e importante para políticos na era em que estamos, especialmente quando se está sempre a falar de como há certos movimentos mais radicais que estão em muito sucesso nas redes e que há que combater. Combate-se ganhando, combate-se ir às redes, combate-se indo aos sítios onde as pessoas, especialmente os jovens, estão a consumir conteúdo. E foi essa, de facto, uma estratégia desta campanha e parece-me que qualquer político bem-sucedido que queira passar uma mensagem diferente de esperança e de ambição para os mais jovens, tem de fazer este trabalho nas redes. Isso é uma característica fundamental para uma pessoa que queira ser a presidente da República. Agora, sobre o papel do presidente da República. É verdade que o presidente da República não governa, mas o presidente da República é também um co legislador, é alguém que participa no processo legislativo e que tem que tomar decisões importantes sobre que leis é que passam e que não passam. E por isso é que João Cotrim de Figueiredo tem sido tão claro relativamente ao seu posicionamento político, porque é importante para eu saber o que o presidente da República pensa e o que eu posso antecipar que ele vá decidir e qual é o seu pensamento político quando for presidente da República. Não foram poucas as vezes em que vimos decisões e comentários do presidente Marcelo Rebelo de Sousa que estavam substanciados no seu próprio pensamento político. Portanto, é importante saber-se o pensamento político de um presidente.

Eu posso só pegar num ponto? Há uma coisa que eu acho que é muito importante relativamente à comunicação política. Nós hoje nos perdemos um pouco na forma como nos comunicamos e não valorizamos tanto a forma como resolvemos os problemas dos portugueses. E acho que essa é a forma que nós temos de desvirtuar o discurso político muitas das vezes nas candidaturas, e isso tem-se visto neste diálogo democrático agora nestas eleições presidenciais. Os portugueses não querem saber quem é que faz o melhor TikTok. Os portugueses querem saber quem é o presidente que vai resolver os seus problemas. E o presidente vai resolver os problemas, é o presidente conseguir pôr os portugueses a irem ao hospital e não terem filas de espera enormes.

O José Manuel Pureza vai dizer que o presidente não governa.

Não, mas o presidente dá as soluções e abre as portas para que essas soluções sejam aprovadas, tal como António José Seguro defende que efetivamente é necessário que haja um pacto e que os partidos se sentem à mesa para resolver a questão da saúde. Em várias outras matérias também é fundamental isso.

A capacidade de comunicação é uma coisa fundamental no presidente.

Eu acho que a forma como comunicamos é importante, mas mais é a questão de fundo, é a substância política que cada candidato defende. E eu acho que nós perdemos, principalmente a nossa geração, e acho que isto também fragiliza um pouco a democracia, perdemo-nos demasiado como é que vai ser a comunicação, se é TikTok, se é o Reels, e não damos tanto valor à substância política, e é isso que nós devemos valorizar, principalmente neste debate destas presidenciais de 26 tão importantes.

Júlia, querias dizer alguma coisa?

Sim, dizer que concordo com tudo o que foi dito até agora, e principalmente agora com esta última mensagem que estavas a passar. Voltando um bocadinho, trazendo ao perfil daquilo que deve ser o nosso próximo presidente da República. Já ouviram isto muitas vezes. Eu estou aqui a representar um candidato que é independente e, por muito que eu ache que os partidos têm muita importância, como eu já disse, eu acho que mais do que nunca está na hora de darmos a oportunidade a um candidato desses de ser nosso presidente da República. Eu vou dar aqui um exemplo que aconteceu ontem em Gondomar. Não sei se vou dizer quem era, mas se calhar digo.

Contamos tudo.

Nós estávamos a fazer campanha numa feira e apareceram apoiantes do Ventura, do André Ventura, e de António José Seguro, que não estavam com os candidatos, estavam apenas com bandeiras a fazer um bocadinho de campanha. O almirante esteve na feira e depois entrou no carro. As pessoas que estavam lá a fazer campanha pelo António José Seguro foram ter ao carro e disseram o seguinte: "Senhor almirante, força, não desista. Isto é mesmo verídico. Não desista, porque nós na segunda volta votamos em si." E alguém perguntou: "Mas por que não votam agora à primeira?" "Primeiro o partido." Não acham que o nosso país precisa se desfazer um bocadinho deste tipo de comentários? Porque eu já ouvi isto também com pessoas do PSD, quando eu andava a recolher assinaturas. "Olhe, eu não vou assinar, mas eu vou votar nele." Por quê? Porque fazem parte de um partido. E eu acho que os partidos são ótimos, mas esta filosofia que está a ser criada ou que tem vindo a ser criada, não nos serve. E desculpem se isto incomodou, mas é mesmo algo que aconteceu.

Eu só acho que há aqui um grande contrassenso quando a própria candidatura de Henrique Vieira Melo está recheada de ex-políticos com currículo, nomeadamente ainda há pouco tempo saiu agora um manifesto subscrito por 100 figuras do PSD e do CDS. Não é mau, mas a partir do momento em que utilizamos isso como argumento para atacar as outras candidaturas, não podemos executá-lo também na nossa. E acho que esse argumento seria válido se não tivesse a rodear de todas as figuras com currículo político partidário de sempre.

Mas os políticos fazem parte da população, também podem apoiar pessoas. Ainda no outro dia nos saiu aquela cartada, de repente estava eu na sede a trabalhar e com as notícias sem som e vejo o José Sócrates. Fiquei a pensar: "Meu Deus, o que é isso?" Mas é verdade. Isto foi mesmo antes de um debate, já não sei contra quem é que foi. A verdade é que as pessoas são livres de apoiar quem querem, sendo políticos ou não. Há bocadinho falávamos do Isaltino, vamos falar do Riri, vamos falar do Pizarro. São cidadãos portugueses. Não é por serem políticos que o apoio deles é bom ou mau.

Alberto João Jardim acho que é dos candidatos mais...

Sim, mas o candidato em si representa independência, representa a independência dessa obrigatoriedade de primeira volta o partido e depois o candidato que eu quero mesmo. Isto é mesmo saudável para o nosso país?

Eva?

É saudável?

Eu queria só dar duas notas sobre isto. A primeira é: eu tento muito explicar e desconstruir esta ideia de quem está num partido, então está numa caixinha, e tem menos liberdade do que alguém que não está num partido. Eu sou tão livre como qualquer outra pessoa, fiz o exercício de liberdade de militar num partido no qual me revejo nos valores, na forma de estar. Naturalmente, e no caso do meu partido, um partido até bastante abrangente e que alberga pessoas com pensamentos diferentes, uns um bocadinho mais à direita, outros mais ao centro. Eu não sou menos livre. E uma coisa que às vezes me dizem de outras candidaturas e que me incomoda particularmente, e até faço esse desabafo, dizer: "Ah, pois, os jovens do PSD apoiam Marques Mendes por clemência partidária." Mas qual clemência partidária? Então um jovem do PS que apoia António José Seguro também tem clemência partidária? Ou o Jorge da IL também tem clemência partidária que apoia o Cotrim? Isso não faz sentido absolutamente nenhum. O meu candidato representa-me, é natural, que se pertenço ao meu partido, representa os meus valores e aquilo com o qual eu me identifico. Isso não significa, e vou concluir com isso, que não seja independente e que não consiga tomar decisões avaliando aquilo que o país precisa. Aliás, eu até acho que o presidente Marcelo até foi um exemplo disso, até em desfavor do PSD. Várias vezes era muito falada a boa relação que ele tinha com António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa era PSD. Acho que aí está um exemplo de como pertencer a um partido não tem nada a ver com a independência.

Frederico, vamos ouvir.

Percebo um bocadinho a necessidade de estares a justificar isto, Eva. Vou só fazer uma pergunta: qual é a dificuldade de Marques Mendes em fixar? Ele que é apoiado pelo PSD, pelo primeiro-ministro, que teve de entrar em campanha, apesar do Cotrim ter ido lá, mas vou deixar passar isso. Percebo que foi uma semana difícil. Porque é que Marques Mendes não consegue fixar o eleitorado do PSD nele próprio?

Por que achas que isso é, Eva?

Eu acho sempre isto interessante, porque neste caso o Frederico está a falar, representa um candidato que sabemos todos nesta mesa que não vai ser presidente da República, porque é um candidato que sabemos que André Ventura contra todos os candidatos na segunda volta perde. E é capaz de ser o candidato que menos representa o país. O país como um todo não quer André Ventura como presidente da República. E fazer estas declarações e dizer que eu estou a justificar, eu quero deixar isto muito claro.

Eu só estou a fazer uma pergunta: qual é a dificuldade de Marques Mendes em fixar o próprio eleitorado?

Eu não acho que haja dificuldade em fixar o próprio eleitorado. Agora, há aqui uma coisa muito importante.

Mais 30% do PSD vota Marques Mendes, vai para a Iniciativa Liberal.

Há aqui duas coisas muito importantes, a meu ver.

Tem psstistas que vão votar António José Seguro.

Há aqui duas coisas muito importantes, a meu ver. Primeira, são eleições presidenciais, e a Júlia dizia aqui uma coisa, e bem, uma eleição presidencial não é uma eleição de um partido e é natural, dentro do próprio partido, vamos lá ver. Todos estamos, à exceção da Júlia, mas de resto, o Renato acho que também não está em nenhum partido, mas quem está em partido sabe, é natural, é do contexto da vida política, gosta-se mais de umas pessoas, gosta-se menos de outras, fez política de causas. Isso faz parte, é natural, era o que faltava termos no mesmo partido, particularmente num partido como o PSD, que é superabrangente, as pessoas gostarem todas da mesma coisa a cada momento. Isso é natural e é saudável. Da mesma forma que Marques Mendes tem, por exemplo, apoiantes no Partido Socialista. E até da Iniciativa Liberal, e vice-versa. Isso é uma coisa que é natural numa campanha presidencial. Francamente, eu não vejo o que é que há estranho nisto. Claro que eu não confio, por exemplo, dizer isto relativamente ao Chega, ou questionar, porque eu não sei que ideologia tem o Chega, nem sei muito bem o que é que acredita, portanto não consigo responder.

Infelizmente, o nosso tempo é pouco. Para terminar, quero que cada um aproveite este espaço para em 30 segundos convencer quem nos vê e ouve a votar no vosso candidato. Começamos por ti, Renato, por que um jovem deve votar em António José Seguro?

Muito fácil. António José Seguro é o candidato que neste momento consegue agregar mais o país, que tem uma candidatura que permite que não deixe ninguém para trás e que convoque todos para o diálogo democrático português. Nós temos a democracia numa camada muito fina, temos de a preservar e de ter um presidente da República que saiba dar credibilidade novamente às instituições e que acima de tudo resolva o problema dos portugueses. Tal como eu disse, as pessoas estão cansadas de diálogos vazios e precisam de soluções concretas. Eu acredito que com a presidência de António José Seguro, os jovens terão um futuro, ele será sim o presidente para o futuro dos jovens e acredito que naturalmente terá esse resultado, não só agora com a passagem à segunda volta, mas posteriormente no dia de fevereiro.

Eu ouvi-te sim, muito bem. Obrigado, Renato. Júlia, por que a nossa geração deve votar em Henrique Vieira Melo?

Eu acho que é sem dúvida uma oportunidade que não devemos desperdiçar. Temos o candidato com o perfil mais acertado para este cargo, num momento essencial a nível nacional e internacional, como já falámos. A parte da independência eu continuo a achar que é muito importante. Não é o argumento maior que se tem. Ele tem provas dadas, tem décadas de serviço público, que é algo que os outros candidatos não podem dizer. E é uma pessoa que na altura de mostrar provas dadas, apresentou resultados. E é isto. Eu acho que como jovens, que pensam realmente no seu futuro e no seu país, está na hora de darmos esses cargos a pessoas que sabem fazer, que largam as demagogias, que largam os discursos vazios e realmente estão prontos, arregaçam as mangas, conseguem mobilizar a população. E é isso que nós estamos a precisar a nível nacional, é de mobilizar-nos todos como um. Chega de partidos, partidos é nas legislativas, é nas autárquicas. Agora é uma questão de, com todo o respeito que eu tenho pelos outros candidatos, porque tenho mesmo, o melhor perfil é o de Henrique Vieira Melo, sem dúvida.

Obrigado, Júlia. Jorge, por que mesmo com todas as polémicas desta semana, um jovem deve votar em Cotrim Figueiredo?

Todos passam por polêmicas, isso faz parte da vida política. Mas a mensagem mais importante aqui, especialmente no momento em que se fala tanto dos desafios que o país, que a Europa e o mundo enfrentam, de grande instabilidade, grande incerteza, da necessidade que as pessoas sentem de se reformar a maneira de se fazer política e de voltar a dar vigor e energia à nossa política, quando sabemos que há um país político que tem votado consistentemente por mudança, Cotrim de Figueiredo posicionou-se como a candidatura que vem responder a isso, porque a maioria dos jovens estão à procura disso, estão à procura de um sinal político forte de que há um caminho de melhoria do país. E Cotrim de Figueiredo disse desde o início: "Eu sou o candidato que consegue realmente dar apoio político para que o país de fato consiga recuperar e navegar marés tão difíceis."

Muito bem, obrigado, Jorge. Frederico, mesmo sabendo que André Ventura não quer ser presidente da República, por que um jovem deve votar nele?

Exatamente, começando por aí. Se ele não quer ser presidente da República e muito provavelmente vai ganhar a primeira volta, imagina se ele quisesse. Não, mas isto vai voltar a ser um pouquinho paradoxal.

Vai rir.

Um pouco paradoxal.

Provavelmente vai ganhar a primeira volta.

Um anarquista que aqui está a apelar ao voto, mas é um pouco aquilo que eu também já justifiquei.

O que é um anarquista?

Sou um anarquista.

Sim, ele disse na primeira parte. Então, por que devem votar?

Se nós pensarmos bem, todos os candidatos são do sistema, se calhar tirando o almirante Gouveia e Melo e João Cotrim de Figueiredo. André Ventura é aquele que está a falar dos problemas que ninguém quer falar nesta mesa: imigração, segurança. Nós temos um problema de imigração, é o tema neste momento. E André Ventura quer fazer uma reforma constitucional, é a única pessoa que também tem a capacidade de dizer que temos de fazer.

É competência do Parlamento, não é competência do Presidente da República.

Mas o presidente tem essa capacidade também de influenciar.

Mas não faz revisão constitucional nenhuma.

Nós temos mesmo de fechar. Vamos ouvir o Frederico.

E deve ter essa magistratura de influência que tanto falam, mas exercê-la efetivamente. E portanto, também precisamos de uma reforma na justiça. Quem é que fala da reforma da justiça? Marcos Mendes falou, mas o que é que Marcos Mendes quer para a justiça? Também ninguém sabe. E, portanto, é o único candidato que tem capacidade de dizer as coisas de forma politicamente incorreta. E os jovens querem ouvir isso, os jovens estão fartos deste sistema, desta Terceira República, e o André Ventura fala na Quarta República e, portanto, é um pouco por aí.

Obrigado, Frederico. E por fim, Eva, por que um jovem deve votar em Luís Marques Mendes?

Um jovem deve votar em Luís Marques Mendes, em primeiro lugar, porque é, sem dúvida nenhuma, o que tem mais experiência. É objetivamente uma pessoa que teve anos de dedicação ao serviço público. Aliás, já agora, o nosso país, o período em que teve maiores e melhores reformas foi no período do primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva, e que depois veio a ser nosso presidente da República. Marques Mendes foi ministro, pertenceu a esses governos, foi um homem que deixou reformas ao nosso país, é o candidato verdadeiramente reformista, que representa um espaço que defende a livre iniciativa econômica, que não quer que sejamos asfixiados com impostos, mas que ao mesmo tempo não abdica do estado social. E já agora, queria só dar também uma nota. Luís Marques Mendes foi o único candidato que apresentou ideias dentro daquilo que é o âmbito das competências objetivas do presidente da República, que não se perdeu em tentativas de querer ser tudo e mais alguma coisa, porque uns candidatos querem ser eurodeputados, líderes da oposição, outros querem ser primeiro-ministros. Vou concluir. Luís Marques Mendes quer objetivamente ser presidente da República, está para servir o país e não para se servir a si próprio. Foi o único candidato que se comprometeu a colocar um jovem no Conselho de Estado. E quero explicar por que isso é tão relevante. Não apenas porque é importante termos os jovens sentados à mesa de decisão, mas porque também demonstra noções de representatividade democrática. É quando alguns candidatos dizem: "Ah, mas basta ir ouvi-los, não precisamos de os ter à mesa." Bom, eu também gostava de perguntar então se basta ir ouvir as mulheres, se não é preciso tê-las sentadas à mesa. Noções de representatividade democrática são fundamentais no presidente da República.

Obrigado, Eva. O nosso tempo chegou ao fim. Muito obrigado aos meus convidados de hoje, Renato Daniel, Eva Brás Pinho, Jorge Miguel Teixeira, Frederico Tropa e Júlia Araújo. Um bom último dia de campanha e muito boa sorte para todos. O "Geração V" é uma parceria entre o Voto e a Rádio Observador. Eu sou o Vasco Galhardo. Muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.