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Junta-se a nós o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.
Olá, Alberto.
Olá, boa tarde.
Hoje queres falar, ou eu diria que Alberto Gonçalves já está de olhos postos nas eleições de outubro e já estás a passar ao pormenor esses programas eleitorais e hoje queres falar das propostas fiscais do Partido Comunista.
É verdade, Ricardo, mas eu preferia não ter que falar porque as propostas são uma coisa inominável, ou inclassificável, para usar a palavra certa. O PCP pretende, no que toca ao IRS, os comunistas querem que sejam criadas taxas de 65% e 75%, respectivamente, para rendimentos coletáveis superiores a €150 mil, acho que é isso, e €500 mil anuais. No IRC, a proposta é subir a taxa, é sempre subir, para empresas com lucros maiores de 35% para empresas que tenham lucros superiores a €3 milhões anuais. Estamos a falar de super empresas. E não satisfeitos com isto, os comunistas ainda pretendem cobrar um imposto de 0,5% a qualquer depósito bancário acima de €100 mil. E estendendo esta medida a todo o património mobiliário, as ações, obrigações, etc. Portanto, o PCP não está nitidamente satisfeito com a atual voracidade do quadro fiscal e quer ainda aumentá-lo, quer aumentar a respetiva intensidade. E curiosamente o PCP justifica, ou acrescenta que tudo isto permitirá aumentar o salário mínimo nacional para €850. Eu perguntaria por que não para €1500 ou seis mil. E finalmente conseguir nivelar o salário médio português pelo praticado na zona euro em apenas cinco anos. Na prática, o que aconteceria se isto fosse minimamente levado a cabo, é que o que o PCP conseguiria era nivelar os salários, o médio, o mínimo e o máximo portugueses ao salário único praticado, por exemplo, na Venezuela. Ou seja, um nível de vida, um padrão de qualidade de vida que leva as pessoas a andarem na rua a perseguir os animais de estimação para ter o almoço garantido. Quando o hino internacional apelava às vítimas da fome e aos famélicos da Terra, os comunistas não estavam a brincar. Em matéria de escassez alimentar percebem eles. E tudo isto teria uma certa graça, podíamos brincar com estas coisas, se se passasse entre um pequeno grupo, numa coisa muito restrita, um nicho de uns excêntricos, de uns maluquinhos, mas não se passa aí. O problema é que o PCP é um partido representado no Parlamento, é apenas um de dois, ou três, ou se calhar quatro partidos marxistas que temos neste momento no Parlamento, e é um partido que neste momento influencia o governo com alguma capacidade e que de futuro, numa próxima legislatura, como as coisas estão, é provável que consiga determinar alterações por exemplo na Constituição, por essa esquerda e esta extrema esquerda que está a ganhar uma força crescente atingirem os dois terços do Parlamento. Aí já nos devemos começar a preocupar ainda mais do que o que nos preocupamos atualmente.
Obrigado Alberto Gonçalves que todas as tardes aqui por volta desta hora desfaz ideias feitas.
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