Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Gonçalves.

Nova edição do Ideias Feitas, como sempre, com o Alberto Gonçalves. Olá, Alberto.

Olá, Vanessa, boa tarde.

Hoje, aqui na tua crônica, queres falar sobre as declarações de Lula da Silva sobre os treinadores portugueses. Está contra eles, é?

Parece que sim, mas antes que me venham esclarecer, eu sei que essas declarações já têm três ou quatro meses. Sei perfeitamente disso. A questão é que passaram despercebidas. Ou seja, não é um comentador de futebol, não é um sujeito que foi a um programa de televisão dizer um disparate qualquer xenófobo sobre os profissionais, no caso, os treinadores de futebol. Não, é o próprio presidente do país que emite uma opinião, e essa opinião foi clara ao dizer que o Brasil não precisa de portugueses para nada, para treinar equipes brasileiras. O nosso presidente da República diz muitas coisas absolutamente espantosas, mas imagine-se o que seria do presidente da República, o professor Marcelo, dizer que o futebol português não precisava de jogadores brasileiros, ou dizer que a restauração portuguesa não precisava de funcionários brasileiros, a hotelaria, por exemplo, ou outra coisa qualquer. O senhor Lula disse isto e disse-o há meses, repito, para que não haja confusões. Só que eu sei disso, algumas pessoas sabem disso, mas muito pouca gente sabe disso, porque ninguém reparou nisso, porque não se deu destaque a isso. E tudo o que acontece com o senhor Lula, e há coisas mais recentes das quais já vou falar, não tem destaque. O único destaque que se dá ao senhor Lula é à própria figura dele, a uma ideia mais ou menos mítica. Estou me a rir, porque é curioso pensar em incluir a palavra mítico e o senhor Lula na mesma frase. Mas a verdade é essa, é que se fez do senhor Lula uma espécie de aparição a quem se perdoa tudo. Tudo que ele faz, tudo que ele diz, passa absolutamente impune. Conhecemos casos aqui em Portugal um bocadinho assim, mas este vai mais longe do que aquilo a que estamos habituados, por muito habituados que estejamos a casos similares. Mas este caso realmente ultrapassa tudo. O senhor Lula tem várias facetas. Uma delas é o Lula hipócrita, que se revelou agora há dois ou três dias, aí sim, mais recentemente, que veio dizer que os países da Revolução Industrial é que têm que pagar a sua dívida com o planeta, disse ele em Paris agora há muito pouco tempo. Ora bem, para além do caráter discutível de tudo isto, e foi aplaudido por dizer isto. Os países da Revolução Industrial, supostamente a Inglaterra foi o primeiro, depois talvez os Estados Unidos, devem ser esses países que ele tem em mente. Suponho que o senhor Lula não tenha em mente o país que é de longe o maior poluidor do planeta, que é a China, um país amigo, ele simpatiza com o regime chinês, ele visita os representantes do regime chinês, com os quais está muitíssimo bem, e não parece que ele esteja a falar exatamente desses. Portanto, ele está a falar dos países ocidentais, das democracias ocidentais, esses é que são os problemáticos para o senhor Lula. Esta é uma faceta do senhor Lula e as outras facetas que depois decorrem todas mais ou menos da mesma raiz. Há o senhor Lula antidemocrata, que é aquele senhor Lula que se dá muito bem com a China, que se dá muito bem com a Rússia, que acha que o senhor Putin e o senhor Zelensky são apenas faces da mesma moeda, porque no fundo ele não acha que sejam faces da mesma moeda, porque ele no fundo antipatiza com o senhor Zelensky e aprecia imenso o senhor Putin e um regime de força tal como é o russo, tal como o chinês, regimes em que a democracia não é assim propriamente uma prioridade. O fato da democracia não ser uma prioridade e disso ser apreciado pelo senhor Lula nota-se também noutros pontos. Lá está, entronca tudo numa mesma origem comum e depois desagua por aí fora. Nós falamos do Brasil quando há eleições ou quando o Brasil está em risco por causa do genocídio a pretexto da Covid causado pelo senhor Bolsonaro, mas depois o Brasil desaparece das notícias. E no Brasil, por exemplo, muito recentemente também, o senhor Lula acabou de nomear o seu advogado pessoal para o Supremo Tribunal, o que é um ato que não é não caber na cabeça de ninguém, coube na cabeça do senhor Lula, obviamente. Agora, em nenhum país que quiséssemos ser o nome de uma nação soberana e civilizada, isto poderia acontecer. Aconteceu no Brasil, foi uma notícia, mas um rodapé, não é uma coisa que as pessoas deem grande importância, é um pormenor. Outro pormenor ao qual as pessoas não dão importância, é o fato de a censura no Brasil, desde que o senhor Lula tomou posse, estar a atingir um caráter absolutamente galopante. Há uma série que, a pretexto de regulamentar ou de moderar as fake news, o que se chama desinformação hoje em dia, o governo assumiu a vontade e a capacidade de regular o que se passa nos media tradicionais, nas redes sociais em particular, e já têm sido cancelados frequentemente canais de YouTube de pessoas que não sou espectador frequente desses canais, mas sei que eram canais que incluíam pessoas que criticavam o senhor Lula, o PT, o Partido dos Trabalhadores, portanto não eram figuras simpáticas para o atual governo e estão a ser literalmente calados. O que se está a passar no Brasil é um avanço. O senhor Lula é o mesmo, agora este governo do senhor Lula não é exatamente o tipo de governo que ele teve antes da vigência do senhor Bolsonaro, em que apenas o que estava instituído era a corrupção, era o roubo absolutamente desalmado e descarado, mas no resto havia ali um verniz Civilizacional para disfarçar. Agora o verniz foi às malvas e o governo brasileiro do senhor Lula assume aquilo que está na sua natureza, é um governo de extrema-esquerda, um governo comunista, um governo autocrata, é um governo de quem vê na Venezuela um exemplo, de quem vê na China um exemplo, de quem vê na Rússia um exemplo, e está realmente a implantar aquilo que eles chamam de censura, com o supremo cinismo dessa censura se chamar a legislação que está a ser feita no Brasil, ou que está a ser aplicada no Brasil para regulamentar as redes sociais e os mídia tradicionais, vem sob o epíteto de Lei da Liberdade e os memorandos do governo avisam que isto é o contrário da censura. Ou seja, nós estamos a controlar a informação para assegurar a liberdade. É uma maneira de ver as coisas, mas é uma maneira de ver as coisas falsa, mentirosa, absolutamente, e canalha. É típico dos regimes ditatoriais. Ou seja, o Brasil está em ritmo muito acelerado para se tornar uma ditadura de fato, como a generalidade das ditaduras, como muitos países infelizmente da América Latina. E o Brasil está nesse sentido. E de repente o Brasil desapareceu da informação aqui em Portugal. O exemplo que eu dei no início das declarações do senhor Lula antes sobre os treinadores portugueses e não serem necessários pra nada, portanto, o senhor Lula não quer estrangeiros por lá e em particular portugueses. Estas declarações foram feitas, não sei se em fevereiro ou se em março, mas foram feitas antes do senhor Lula ter sido recebido, vale a pena lembrar isto, aqui em Portugal como um herói, para participar, acabou por não participar diretamente, mas acabou por participar nas comemorações do 25 de abril e foi recebido como um herói, como um modelo, como um exemplo, como um grande líder internacional. Ora bem, se o nosso governo vê no senhor Lula, e eu acho que vê, um grande líder internacional, um modelo a seguir, um exemplo, não admira que o nosso governo tome também muitas atitudes das que tem vindo a tomar e que embora com algum decoro motivado pela pretensão à União Europeia, que a obriga a disfarçar um pouquinho mais, com algum decoro, tenta se aproximar mais ou menos, ou tenta seguir o tipo de rumo que o senhor Lula está a aplicar no Brasil. E se o que está a acontecer no Brasil, para além da miséria, que é estrutural, é muito preocupante e convinha que aqui, pelo menos enquanto um país que nos diz algum respeito. É mais próximo o Brasil, em termos sentimentais até, do que se calhar Papua Nova Guiné. Se o que está acontecendo no Brasil nos motiva essa indiferença, também começo a achar relativamente natural que em Portugal sejamos indiferentes ao que acontece aqui. E o que acontece aqui, embora ainda não estejamos numa fase tão avançada rumo a uma ditadura instituída como está o Brasil, os sinais são preocupantes e a devoção do nosso governo e dos nossos governantes a uma figura como o senhor Lula, que devia ser absolutamente uma persona non grata, imagine-se o que seria o senhor Bolsonaro ter dito dos portugueses, o que o senhor Lula disse, por exemplo. Devia ser visto como uma persona non grata, com o qual se teria relações diplomáticas mesmo no limite do mínimo do admissível, nem mais um pouco. E, no entanto, foi recebido como foi, já depois dessas declarações, e continuará sempre que houver hipótese a ser recebido como um grande líder, uma grande figura aqui em Portugal e pelos vistos noutros países, como agora aconteceu em Paris, para dizer estes disparates sobre o ambiente e a revolução industrial. Ora, nós todos imaginamos o que o senhor Lula deverá saber sobre a revolução industrial e a preocupação que o ambiente lhe deve suscitar. Deve ser mesmo a preocupação premente na cabecinha do senhor Lula. Mas enfim, quando o senhor Lula hoje é uma das figuras da governança mundial, um dos grandes líderes em atividade, digamos, isso também diz muito sobre o Brasil, diz muito sobre Portugal e infelizmente diz muito sobre o estado do mundo.

E hoje carregas nas designações e nos adjetivos, no título que escolheste para este "Ideias Feitas", Alberto Gonçalves. Vou aqui ler: "Lula, o ídolo, o autocrata, o burgês, o xenófobo." Portanto, para quem não ouviu desde o início. Alberto, sim.

Vanessa, eu queria só acrescentar uma coisa que eu já me ia esquecendo. Parabéns a todos da Rádio Observador, parabéns à Rádio Observador, parabéns a toda gente que trabalha na Rádio Observador, menos a mim próprio, que me ficaria mal.

Parabéns também a ti, que estás todos os dias na tarde e noite.

Por amor de Deus. Apesar de mim, a Rádio Observador é uma excelente rádio e apesar de eu participar nela, também participo mais tempo como consumidor do que como produtor de conteúdo, acho que é assim que se diz ou qualquer coisa do gênero. Isso é apenas uma coisinha, mas quando ouço rádio, é a rádio que eu ouço.

És um bom ouvinte da nossa rádio. Obrigada, Alberto. Até amanhã. Obrigada.

Até amanhã, Vanessa.