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Seis horas. As notícias com Maria Miguel Marques. Muito bom dia. Começamos com o tema que continua a marcar estas últimas horas. Uma semana depois, exatamente, a PSP voltou a carregar sobre centenas de manifestantes do movimento acampada pelo direito à habitação, tanto em Lisboa, na Praça do Rossio, como na Praça Dom João I, no Porto. A PSP tinha dado três avisos durante a noite e acabou por avançar em direção aos manifestantes, que tinham também já anunciado e acabaram por decidir no momento que iam permanecer com tendas. As tendas acabaram por ser a razão pela qual a polícia acabou por intervir, no entanto, acabou por também avançar para outras ruas. A Unidade Especial de Polícia, da PSP, carregou sobre os manifestantes na Praça Dom João I, no Porto, com recurso a bastões e a cães, empurrando os presentes para a Câmara Municipal. A intervenção policial arrancou pelas 16h30, já depois da unidade cinotécnica ter tirado vários cães de uma carrinho e entrou por um dos flancos, como há uma semana, para chegar às tendas, entretanto destruídas e retiradas com o trabalho também de equipes de limpeza da Câmara do Porto. A ação durou cerca de 20 minutos. Na Câmara do Porto, a polícia voltou a colocar-se numa das laterais, face à autarquia, após escarmuças com dois homens que denunciaram alguns manifestantes e agrediram as pessoas que para ali fugiram. E é precisamente nas ruas da Invicta que está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, aí a situação está mais tensa, comparando com Lisboa. Há pouco vimos precisamente uma carga adicional na zona dos Aliados.

Entretanto, Maria, a manifestação foi subindo as ruas do Porto, esteve, como descrevias, na Praça Dom João I, depois foram sendo arrastados pela polícia ou empurrados pela polícia até à Avenida dos Aliados e estiveram em frente à Câmara Municipal antes de chegarem aqui onde me encontro agora, em frente à Estação de Metro da Trindade. Muitos já foram saindo e foram dirigindo-se, tal como aconteceu na semana passada, para a Terceira Esquadra na Rua do Heroísmo, para onde terão sido levados, segundo o advogado do movimento, sete detidos. A polícia diz que ainda não consegue precisar o número de detidos, que será confirmado entretanto, mas a garantia do advogado é que foram detidos pelo menos sete manifestantes. E como descrevias, foi em frente à Câmara Municipal que se viveu, talvez, o momento mais tenso, mais tenso até do que essa carga policial na Praça Dom João I. Isto porque quando alguns manifestantes faziam grafites, tanto no monumento em homenagem a Almeida Garrett, como também numa das fachadas ou na parte inferior de uma rampa de acesso à Câmara Municipal, em plena Avenida dos Aliados, iam grafitando algumas mensagens contra a polícia e também uma ameaça dizendo: "Isto não acabou". Nessa altura surgiram duas pessoas com bastões extensíveis, pelo menos duas pessoas, foi tudo muito rápido e as pessoas foram se dispersando, mas surgiram essas duas pessoas com bastões extensíveis que os manifestantes identificaram como sendo polícia à paisana. Certo é que, nesse momento de maior tensão, tendo em conta que estes civis com estes bastões estavam em clara minoria face aos manifestantes, e os manifestantes aproximaram-se destes alegados polícias à paisana que estariam a tentar impedir esses grafites. Nesse momento, uma dessas pessoas, vendo-se encurralada, pegou mesmo numa pistola e apontou em direção aos manifestantes, relato que nos foi feito há pouco por Rui Melo, um dos manifestantes presentes durante este momento de maior tensão.

E a dado momento, dois ou três, eu penso que eram polícias mesmo, à paisana, e de repente vi grupo de pessoas a dirigirem-se a ele, a dizer nomes, ele começou a se sentir cercado e a dado momento saca da arma do coldre e começa a apontar à população aqui mesmo aqui em frente e o bastão na mão. Inicialmente foi com o bastão, mas ele sentiu-se cercado, a verdade é esta, houve provocações também, e a dado momento ele sacou da arma e começou a apontar. Depois refugiou-se ali naquela loja.

A polícia para já, e face a este relato e face às fotografias que identificam este homem com uma pistola na mão, a polícia ainda não confirmou que se trataria de um agente à paisana. Certo é que este polícia passou pelo cordão de polícias que se formava mais perto da Praça Dom João I, ou seja, estas pessoas recuaram, mesmo outros homens que seguiam também com esses bastões extensíveis, recuaram até onde estava a polícia. A polícia nada fez perante este homem que estava armado com uma pistola e então alguns destes civis com os bastões identificaram aos restantes polícias onde é que estariam os manifestantes que estavam a grafitar e depois foi nesse momento que se voltou a assistir a uma carga aqui na Avenida dos Aliados. Os polícias foram afastando os manifestantes da Avenida dos Aliados depois deste episódio, e também como é visível em alguns vídeos gravados pelos manifestantes, os manifestantes responderam arremessando pedras em direção a estes civis que, lá está, identificam como sendo polícias à paisana. E entretanto, desde esse episódio, os manifestantes foram recuando até à Estação de Metro da Trindade. Estiveram reunidos aqui pouco tempo e entretanto foram seguindo em direção à Rua do Heroísmo, à Terceira Esquadra da PSP, numa demonstração de solidariedade para com esses detidos. Recordo, o advogado fala em sete detidos, é um número que ainda vamos confirmar com a PSP. A organização falava há pouco também em mais de 30 feridos, pelo menos três hospitalizados. É outro dado que vamos também confirmar nas próximas horas.

A reportagem de Miguel Pinheiro Correia em direto no Porto após uma carga policial que se fez sentir até aos últimos minutos. Isto porque os manifestantes acabaram por ser dispersados para a Câmara Municipal do Porto, onde acabou por haver algum confronto com outros manifestantes, no caso, outras pessoas que estavam no local, que dizem, os manifestantes, que foram polícias à paisana. Do lado de Lisboa, a ação policial foi bastante mais rápida. Aliás, dávamos há pouco conta da ação policial no Porto porque acabou por haver bastante mais resistência comparando com Lisboa. Aliás, também dar conta que em Lisboa esteve presente o Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça e também seis deputados. Seis deputados esses, demos conta que a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, estiveram a acompanhar todo o processo e toda a carga policial até ao fim. E outros deputados estiveram também a falar com a polícia, isto mesmo antes da intervenção policial, deputados como, para além de Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, Paulo Muacho, também do Livre, Fabien Figueiredo, do Bloco de Esquerda, que também na semana passada estava na Praça do Rossio, e também os socialistas Pedro Alves e Eva Cruzeiro. E agora falamos com o repórter David Biléu, que esteve a acompanhar todos estes momentos na Praça do Rossio, que acabaram por dispersar e transbordar para outras ruas da capital. David, neste momento acabávamos de dar conta de mais tensão no Porto, mas a verdade é que na capital o cenário é bastante diferente.

Sim, Maria, o cenário é bastante diferente. A verdade é que os manifestantes já dispersaram e aqui a circulação nas ruas já é permitida. Eu próprio encontro-me agora aqui na Praça do Rossio, onde já estão a ocorrer os trabalhos de limpeza, e nem faz pensar que há menos de duas horas houve esta intervenção policial. Uma intervenção policial que foi, como disseste, marcada por momentos de tensão, onde foram feitos três avisos e onde também deputados estiveram aqui para tentar apelar a que esta intervenção não acontecesse, mas a verdade é que aconteceu. A polícia avançou e ouvimos aqui, nesse momento, o lançamento de vários petardos, inclusivamente aqui alguma espécie de espetáculo de pirotecnia, uma vez que vimos muito fumo, muita fumarada, assim que os polícias chegaram perto dos manifestantes, nomeadamente perto das tendas que os manifestantes tinham colocado à frente para, de certa maneira, se protegerem da atuação das forças de segurança. Estes manifestantes que depois foram empurrados para a Praça da Figueira e que estiveram lá durante pouco tempo porque voltaram a ser empurrados para a Rua da Madalena, e onde foram cercados e subiram em direção à Mouraria. Estiveram lá durante algum tempo, foi ainda possível ver um membro da Provedoria da Justiça na Mouraria, mas a verdade é que passado algum tempo começaram também a dispersar e a debandar do local. Dar conta de que a organização da acampada Lisboa dá conta de 19 feridos e desses 19 feridos, três estão hospitalizados. São os números avançados pela organização da acampada, que reitera, como já tinha reiterado no sábado passado, que foi impedido pelas autoridades o socorro aos feridos, a quem estava ferido. Portanto, estes são os números da organização da acampada, que aponta ainda para menos de 10 detidos, mas ainda nos falta essa confirmação. Ainda falta a confirmação por parte da PSP, que certamente irá ou confirmar estes números ou desmenti-los. Mas portanto, aquilo que vimos aqui na Praça do Rossio há pouco menos de duas horas, foi uma intervenção policial, arrisco-me a dizer, com mais polícias desta vez, neste sábado, do que no sábado anterior. Pelo menos foi essa a sensação que me deu quando se dirigiam aqui para o lado sul da Praça do Rossio e se alinhavam. Quanto aos manifestantes, creio que talvez tivesse um pouco menos do que no sábado anterior, mas também não tenho ainda esses números. Mas neste momento a situação é calma, a situação não faz pensar sequer na intervenção policial que aconteceu aqui há pouco tempo, Maria.

David Biléu, repórter do Observador, que esteve a acompanhar os últimos momentos, aliás, toda a intervenção policial que aconteceu na Praça do Rossio e que acabou por transbordar para as ruas da capital e por isso a polícia esteve bastante vigilante ao longo das últimas horas, ao contrário do Porto, em que nestes últimos minutos vimos bastante intervenção de uma forma mais agitada entre os manifestantes e a polícia. Também vimos mais tensão em Lisboa. As ruas estão mais vazias, as pessoas mais dispersadas. É um cenário que, como dava conta o repórter David Biléu, não faz lembrar que as últimas horas de violência da carga policial. E também recordamos declarações anteriores a esta noite violenta de carga policial. O secretário-geral do PSD disse que os partidos devem deixar os interesses egoísticos sobre os problemas na habitação e procurar soluções para os portugueses. O também líder do grupo parlamentar do PSD falou aos jornalistas em Leiria para apontar à oposição. Diz Hugo Soares que os partidos estão a ficar presos no que considera ser trica partidária. Assegura ainda que o governo está a dar prioridade à crise na habitação.

Eu creio que este é um tempo em que os partidos devem deixar os interesses egoísticos partidários e olharem para aquilo que realmente interessa. E aquilo que realmente interessa é encontrar soluções para os problemas das vidas das pessoas, nas mais diversas áreas e na habitação também.

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, garante que o Executivo está focado em resolver os problemas concretos que afetam a vida dos portugueses. O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, terá ameaçado esmagar e destruir o antigo candidato presidencial e ex-chefe de Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo. A notícia foi avançada pela CNN Portugal, que diz que a denúncia foi feita contra o antigo diretor da PJ pelo investigador e especialista em segurança internacional Paulo Dias. O investigador fala em ódio de estimação de Luís Neves dirigido a Gouveia e Melo. E contactado pela CNN Portugal, Gouveia e Melo assegura que tentou manter sempre uma cooperação institucional entre a Marinha e a Polícia Judiciária. Ora, confrontado com estas acusações pela CNN Portugal, Luís Neves respondeu por escrito e negou categoricamente as acusações. André Ventura foi reeleito presidente do Chega com 98% dos votos, de acordo com um comunicado divulgado pelo partido. Além dos votos em André Ventura, que era um candidato único, foram registados cerca de 1% de votos em branco e também menos de 1% de votos nulos. Não foram indicados os números de votos nem a taxa de participação nestas eleições diretas, mas a reeleição de André Ventura acontece antes da sétima Convenção Nacional do partido, que está marcada para 20, 21 e 22 de novembro, no Entroncamento, no distrito de Santarém. E olhamos ainda, no fim, para o desporto. O Futebol Clube do Porto goleou o Estoril por 4x0 na Primeira Liga. Com este triunfo, o Futebol Clube do Porto mantém o registo 100% vitorioso no campeonato. Após o final do encontro, Francesco Farioli diz que foi um jogo complicado de preparar, mas que o Futebol Clube do Porto entrou forte na partida.

Nós também tínhamos que estar preparados para o desconhecido, pois com uma recente mudança de treinador, não havia muitas coisas para estudar e preparar. Vimos algumas alterações, por isso estávamos bastante curiosos para entender como eles lidariam com as diferentes fases do jogo. A nossa abordagem foi muito positiva. Geramos nos primeiros 15 minutos muitas situações realmente boas e é sempre bom marcarmos gols como fizemos.

Treinador do Futebol Clube do Porto, Francesco Farioli. Futebol Clube do Porto que segue líder isolado da Primeira Liga. Ponto final neste jornal das 6h da manhã. A informação está de regresso aqui às 6h30.