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A proposta é sempre a mesma, o tema varia. O Alberto Gonçalves tenta sempre desfazer ideias feitas. Alberto, olá.
Olá, Vanessa, boa tarde.
Começas a semana com uma ida até à Argentina, às eleições e a Javier Milei.
É verdade, porque ao contrário do que boa parte dos mídia portugueses e dos mídia estrangeiros previa e desejava, o partido de Milei ganhou as eleições legislativas na Argentina e ganhou até que com uma vantagem significativa. Mesmo as sondagens não o previam. Não sei se as sondagens o desejavam. Agora, para quem prefere as políticas liberais de Milei àquela corrupção endêmica do peronismo, esta deveria ser a altura de dizer que o povo argentino escolheu bem, mas isso seria cair na armadilha de todos os que preferem a corrupção endêmica do peronismo às políticas de Milei e seria imitar pela via oposta aqueles que nas últimas horas, depois dos resultados eleitorais, vieram às redes sociais lamentar a escolha dos argentinos, que apesar da inflação, do déficit, da falta de investimento e de credibilidade do próprio país e da miséria em geral, é preciso dizer, pelos vistos estavam muito felizes antes do advento de Milei. Se formos democratas a sério, que é coisa que muitos dos que detestam o Milei obviamente não são, não nos vamos pôr a achar que os cidadãos escolhem bem ou escolhem mal. Os cidadãos escolhem e o ato democrático define-se por isso. Agora, o que pode ser bom ou mau são as consequências das suas escolhas. E nessa matéria, eu sou dos que acham que as consequências das escolhas dos argentinos, ou desta escolha particular dos argentinos, será benéfica para eles. Ou principalmente, eu espero que seja benéfica para eles, como de resto já tem vindo a ser desde que Milei é presidente e com os solavancos pelo meio, ele tem conseguido inverter o rumo do país e o tipo de políticas aplicadas no país. Agora, para além do efeito na vida dos argentinos, claro, a importância de Milei e do caso argentino é mais vasta, sai para fora das fronteiras, transvaza as próprias fronteiras e prende-se com o facto de aquilo ser uma espécie de tubo de ensaio para políticas, eu ia dizer libertárias, mas não gosto muito dessas definições, mas são políticas mais livres do peso do Estado. Pelo menos. Não é uma experiência pura, no sentido de que é praticada de forma ideal e existe num éter qualquer, protegido da realidade, mas é a experiência possível. E nos nossos dias é com certeza a tentativa mais arrojada de reduzir a influência do Estado na vida das pessoas. E esse caráter pioneiro advém, sobretudo, do pormenor de ser o próprio Estado a orientar essa mudança. Se Milei funcionar ou se as políticas dele funcionarem, pelo menos em parte, a Argentina fica a servir de exemplo e ganha-se um precedente de referência para as virtudes da liberdade na condução dos países, sem dúvida. E é por isso que há tanta gente revoltada e tanta gente angustiada com esta vitória de Milei, como já se tinham revoltado e angustiado com a vitória dele nas presidenciais. Porque além de um possível exemplo, o Milei é um perigo, porque cada sucesso dele, cada legitimação popular das políticas dele, é um rombo nas convicções, que às vezes são autênticas, outras vezes são simuladas, mas as convicções dos estatistas, dos coletivistas, de todos os socialistas, de cambiantes diversos. E é por isso que desde a primeira hora retrataram Milei como um maluquinho. E também agora entre parêntesis, há que reconhecer que o folclore que o promove também ajuda. Mas descontado o folclore, promoveram-no como um maluquinho, por um lado, porque havia a hipótese de ele ser realmente um maluquinho e por outro lado, porque eles rezavam para que ele fosse realmente um maluquinho e tinham muito medo de que não fosse. Ora bem, os resultados eleitorais e sobretudo os resultados econômicos têm vindo a provar que Milei não é um maluquinho e que os países não estão condenados a ser subjugados a versões mais ou menos mitigadas, mais ou menos assumidas do socialismo, que as pessoas podem ser mais livres do que têm sido e que, ao contrário do que nos tentam vender, não ficam mais pobres por isso. Pelo contrário, aquilo que Milei está a conseguir mostrar é que quanto maior é a liberdade, maior a probabilidade de as pessoas terem uma vida próspera ou mais próspera. Dito assim, parece uma evidência, mas poucos o dizem assim. E a verdade é que quase ninguém faz assim. E Milei, com estropuições pelo caminho, tem-no feito.
Creio que disseste cinco vezes o diminutivo. Eu não vou dizer o diminutivo, mas vou usar a mesma palavra, mais ou menos, no título do Ideias Feitas que escolheste: Milei não é o maluco que muitos queriam que fosse.
É o maluquinho. Ok.
Alberto, até amanhã.
Até amanhã, Vanessa.
O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.