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Está no ar o Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde. Queres também comentar a intervenção de Luís Neves?

Olá, boa tarde. É mais uma intervenção, está um bocado deprimente estarmos recorrentemente nisto, mas o ministro Luís Neves fez mais uma intervenção em que, apesar de prometer, como em intervenções anteriores, explicar tudo, depois não explicou nada. Por isso, se calhar está na altura, só para variar um bocadinho, de alguém explicar umas coisas ao ministro Luís Neves. Por exemplo, alguém devia explicar ao ministro Luís Neves que não se percebe uma comunicação, uma conferência, ou lá o que aquilo foi, uma intervenção junto dos media e dirigida ao país, naturalmente, em que nada se diz exceto o habitual inventário um bocadinho inadequado ou até alucinado, se quisermos ser desagradáveis, das próprias e alegadas virtudes. Ele já fez isso em ocasiões anteriores, agora voltou a fazê-lo, e acho que não é preciso invocar ou parafrasear o Wittgenstein para lembrar que se uma pessoa não tem nada de jeito para dizer, mais vale estar calada. A frase original obviamente não é esta, mas acho que esta se aplica melhor. Também alguém devia explicar ao ministro Luís Neves que a sua proclamada disponibilidade para o escrutínio, e foi ele que usou a palavra e falou em escrutínio jurídico, político, jornalístico, não é compatível com a atitude de espernear e disparar em todas as direções, ou pelo menos em algumas direções, levantando suspeitas de cabalas e conspirações monstruosas contra a sua impoluta pessoa. Assim, de repente, a impressão que fica é a de que o escrutínio, seja jurídico, político ou jornalístico, é a última coisa que o ministro Luís Neves está disposto a aceitar. E alguém também devia explicar ao ministro Luís Neves que a quantidade de trapalhadas em que o seu nome está envolvido pode não ser o bastante para afetar a sua honra e a sua consciência e essas coisas solenes que ele gosta imenso de invocar, mas é mais do que suficiente para que ele não deva desempenhar cargos de responsabilidade política, em particular o cargo que ele desempenha. Agora, a história do Volkswagen, que surgiu nas últimas semanas, eu não estava a fazer o Ideias Feitas, estava de férias, é apenas mais um episódio entre muitos episódios, entre demasiados episódios que são incompatíveis com o lugar que ele ainda ocupa. E a propósito do Volkswagen confiscado e já descontando as trapalhadas anteriores do tanque e do atrelado e não sei o que mais, por acaso diversos juristas já tentaram em vão explicar ao ministro Luís Neves que a respetiva utilização obedece a condições muito especiais, que pelos vistos não incluem o usufruto e delício por parte de alguém que ainda por cima mudou de emprego e de instituição. Mas isso já começa a ser um pormenor no meio de tantas histórias, tantos episódios, tantas trapalhadas. Alguém devia também explicar ao ministro Luís Neves que o truque de devolver as acusações, uma coisa que ele fez hoje recorrentemente, chamando o nome de André Ventura, em particular, mas o truque de devolver as acusações de que se alva o pretexto do populismo de quem acusa, esse truque além de velho, já não enganará muita gente. Talvez engane alguém, mas acho que não será muita gente enganada por um truque tão básico, porque um titular de um cargo público de responsabilidade, no caso um governante, e para cúmulo titular da administração interna, tem de estar sujeito àquilo que o ministro Luís Neves chama populismo e que, na verdade, é aquilo que nesta conferência ou comunicação, ou lá o que foi, ele chama escrutínio. É possível que o ministro Luís Neves tenha certa dificuldade com o significado das palavras e que ele, além de combater o crime como afirma repetida e cansativamente, ele se calhar também combate o léxico português. Mas a verdade é que aquilo que ele chama populismo é o escrutínio normal, ou o que devia ser normal na vida pública e política. E alguém devia explicar ao ministro Luís Neves também, aproveitando o embalo, que ao contrário do que ele afirma com o habitual vigor e com aquela convicção toda, não é ele a decidir se a sua autoridade está ou não prejudicada ou beliscada, ou não sei qual foi a palavra que ele utilizou. Pelo que já vimos do homem, eu acho que ele consideraria a sua autoridade intacta nem que fosse filmado por três ou quatro câmaras a atirar fogo a uma floresta com um bidão de gasolina. E esse é um crime, faço aqui a ressalva, que nem os maiores conspiracionistas se lembraram de atribuir ao ministro Luís Neves. Disto ele não é suspeito. E por fim, mesmo para acabar, alguém devia explicar ao ministro Luís Neves que também não cabe a ele, e esta é a parte mais importante talvez, decidir se continua ou não continua a ser ministro. Aqui até é fácil de perceber a quem compete tal decisão. Acima de tudo, pensa-se que sim, compete ao primeiro-ministro, que se chama Luís Montenegro e que à semelhança dos líderes fracos, acha que dá uma imagem de força manter no governo um indivíduo que desde a primeira hora e dada a natureza do cargo que ocupava antes, nunca deveria ter sido sequer convocado para o governo. O doutor Montenegro errou quando o convidou, errou quando o manteve após as primeiras notícias ou conspirações populistas, e tudo indica que vai continuar a errar ao teimar na permanência do ministro Luís Neves no governo. Se isto é bom ou mau para o governo e para o PSD, não sei. Sinceramente não me interessa. Mas é péssimo para o país, isso sem dúvida, e alguém devia explicar a diferença entre o que é mau para o governo e para o doutor Montenegro e para o PSD e o que é mau para o país. Alguém devia explicar ao doutor Montenegro esta diferença.

Obrigado, Alberto. Até amanhã.

Até amanhã, Miguel.

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Eu sou o Pedro Benevides e esta é a história do dia. Todos os dias há um tema que domina as notícias, alguma coisa que se passa no país ou no mundo e que precisa mesmo de saber. Eu vou falar com jornalistas do Observador e com especialistas e juntos em menos de 15 minutos descomplicamos a história do dia. Segunda a sexta, às 06h35 na Rádio Observador e sempre em podcast.

A história do dia tem o apoio de Casino Online Bacana Play. Vichy Suave, a melhor sopa da política nacional e servida na Rádio Observador.

Deixo uma palavra para Fernando Ruas, mas na verdade o que acabou por fazer foi dizer Fernando Rua, com uma vírgula pelo meio, não é?

Não.

Os bastidores da semana no Parlamento contados pela secção de política do Observador com um convidado especial na segunda parte.

Só pode escolher uma das duas opções.

Isso é que fica muito mal, porque eu ouço o vosso programa e acho que isso é sempre um momento catastrófico para o convidado.

Vichy Suave na Rádio Observador, todas as quintas-feiras depois do jornal das 19h e sempre em podcast.

Rádio Observador, são 16h50.