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"Ideias Feitas". "Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo, boa tarde.

E hoje queres regressar a Gaza e à propaganda do Hamas e à forma como o jornalismo também trata este tema.

É, porque estão a decorrer ou aconteceram dois episódios recentes, um deles ainda está a decorrer, o outro aconteceu há dois dias, já vou ser mais explícito, que provavelmente não abriram os telejornais, mas que acho que tem alguma relevância e que por isso trago aqui um dos episódios. É uma ação judicial intentada nos Estados Unidos, cujos queixosos são familiares de dezenas de vítimas americanas do 7 de outubro de 2023, que estão a pedir à Al Jazeera mais no total, a soma das indenizações ultrapassa os US$ 1 bilhão e a queixa, isto muito genericamente, alega que a Al Jazeera forneceu apoio material ao Hamas, que empregou membros do Hamas como repórteres, fotógrafos e produtores, que pagou por entrevistas exclusivas com líderes do Hamas, que disponibilizou infraestruturas para ações de recrutamento, e que alguns elementos da equipa da Al Jazeera, portanto, em Gaza, tinham conhecimento prévio ou até participaram nos ataques de 7 de outubro. Estas alegações ainda não foram provadas em tribunal, claro, mas para já a Al Jazeera demitiu anteontem. Soube-se que tinha demitido 24 jornalistas e membros do canal televisivo que trabalhavam na Faixa de Gaza, o que é capaz de ser um sinal de pelo menos algum reconhecimento de culpa. O outro episódio que eu me referi prende-se com umas declarações esta semana de um fotógrafo, pelos vistos renomado, já ganhou muitos prêmios internacionais, pau que vi. Um senhor chamado Motaz Azaiza, que é natural de Gaza, que entretanto fugiu pro Qatar e que revelou numa entrevista que deu também há dois ou três dias, que há um grupo do WhatsApp chamado Smart, que ele próprio ainda chegou a integrar, e que coordena as informações que podem ser divulgadas pelos jornalistas no terreno e sempre de acordo, naturalmente, com os interesses do Hamas. E só um exemplo, o próprio fotógrafo em questão admitiu ter filmado agressões a reféns cometidas por multidões de populares em Gaza, mas ocultou essas filmagens, diz ele, para evitar que Israel identificasse os agressores. De qualquer maneira, as imagens foram ocultadas e o autor da ocultação reconheceu. E estes são apenas dois episódios recentes que se acumulam com muitos episódios anteriores e aos poucos uma pessoa começa a saber aquilo que sempre soube, bastava crer, que grande parte das notícias sobre o conflito em Gaza, que existe, mas não são notícias, são propaganda do Hamas. Agora, isto vai mudar alguma coisa no clima geral que se vive face a Israel e face à comoção que Gaza suscita nas pessoas? Acho que não vai mudar nada. Acho que na vasta maioria, os que condenam Israel, enquanto divulgam propaganda do Hamas, claro, sabem que estão a divulgar propaganda do Hamas. Acho que a ideia é mesmo essa. Quando se refere o famoso genocídio, as pessoas estão plenamente conscientes de que não há genocídio nenhum, mas sabem ou presumem, pelo menos, que a disseminação do conceito ajuda a demonizar Israel, e demonizar Israel é o objetivo desta história toda. Eles vão continuar a repetir mentiras, por muito descaradas que as mentiras sejam, na medida em que repetir mentiras tem sido o propósito desde o início. E de fato, não é preciso que um fotógrafo de Gaza apareça com revelações bombásticas ou que decorra o tal processo judicial contra a Al Jazeera. Há uma maneira mais fácil de provar que o que move essa gente não são os mortos em Gaza, os mortos reais, os mortos fictícios, mas o que os move é a má fé contra Israel, porque se fossem os mortos em Gaza a mover e a comover essa gente, essa gente repartiria, de certeza, imagino eu, acho que seria lícito esperar que essa gente repartiria os protestos contra o que o Irã faz e fez, particularmente há uns meses, ao seu próprio povo, ou contra o que a Rússia faz à Ucrânia desde há uns anos, ou contra inúmeros atos hediondos cometidos pelo governo chinês, ou contra incontáveis desgraças que continuam a acontecer em tantos países, sobretudo no Terceiro Mundo, ou naquilo a que se chamava antes do Terceiro Mundo. Mas não, essa gente só quer saber das vítimas que possam, com legitimidade, sem legitimidade, ser imputadas a Israel. A questão não passa por criticar ou não criticar as políticas de Israel. Até se pode admitir que Israel estaria até a cometer o genocídio, no limite. Mas se a totalidade da capacidade de indignação de um indivíduo se esgota nas políticas de Israel e despreza as inúmeras abominações que acontecem no resto do planeta, fica mais do que claro o que esse indivíduo é. Ele pode dizer-se antissionista, pode não sair do armário, pode não se assumir, mas o texto não engana. Quer dizer, se um defensor, um alegado defensor dos direitos humanos gasta 100% do seu tempo a criticar os judeus, acho que é mais ou menos certinho que se trata de um antissemita e a definição é exatamente essa. E ao menos os nazistas assumiam a definição. Os nazistas e similares, outros grupos, outras sociedades e outros indivíduos que não apreciavam especialmente os judeus, assumiam que não apreciavam especialmente os judeus. Pelos vistos, os antissemitas de hoje nem disso são capazes.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

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