Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto Não Passa na Rádio". Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Gonçalo Correia. Olá, Gonçalo.

Olá, Nelson.

E o Diogo Lopes.

Ora viva.

Viva, Diogo. Bem-disposto?

Sempre. Ora bem, claro.

Esta semana no "Isto Não Passa na Rádio", vamos dedicar-nos a algumas novidades da música nacional. Já tinha comentado aqui com os meus colegas que este 2021 promete e nas últimas semanas, nestes primeiros meses do ano, foram muitos os lançamentos que antecipam, de facto, um 2021 que vai valer a pena na produção nacional. E algumas dessas canções, uma espécie de seleção de esperanças portuguesa para este ano de 2021, que vamos aqui abordar no "Isto Não Passa na Rádio" esta semana. Vou começar com uma sugestão minha. Os Orelha Negra estão aí quase com uma nova mixtape. Já lançaram três canções para esse disco e uma delas é esta, "Ready ", com a participação do projeto A Garota Não.

"I'm ready. I feel like I'm ready. Look at the person beside you, tell them it's taken a long time for me to get here. But I feel like I'm ready. Turn to the person on the other side of you and say you don't know the preparation I've been through. But in this season of my life, I feel like I'm ready. Quantos deuses é que o medo cria? Estarás pronto para ver como é que a cor da batida fica na mulher? Ela não é santa, só um ser para o ser. Como é que esses argumentos servem para bater? Cala esses demónios, já te podes perdoar. Não levantes essa mão se não for para lutar. Por um dia mais claro, por um tempo mais doce. Não trocava um abraço pela joia que fosse. O tamanho da minha saia é inverso a essa cobardia. Se não aguentas a mulher que tens é porque te fica em demasia. O tamanho do sorriso dela não precisa de autorização. A liberdade é um barco à vela e o amor não é um prisão. Liberta logo esse ciúme amargo. Porque o ciúme deixa o homem bruto. Já nem sequer vês o mundo direito. Mas tu és o teu próprio instituto. Quantos deuses é que o medo cria? Semear a morte, sangue à terra fria. Nasce mais um corpo, a história é igual. Quando os cintos dançam, chora a catedral. Quando os cintos dançam, chora a catedral. Quantos deuses é que o medo cria? Semear a morte, sangue à terra fria. Nasce mais um corpo, a história é igual. Quando os cintos dançam, chora a catedral. Quantos deuses é que o medo cria? Semear a morte, sangue à terra fria."

"Ready " é uma das novas canções dos Orelha Negra, aqui com a participação de A Garota Não, um projeto de Cátia Mazari Oliveira, que se estreou também em disco em 2019. Por acaso tenho dúvidas se terá sido a sua estreia em disco, mas lembro-me desse disco que A Garota Não lançou em 2019.

Bastante bom.

Diz.

Bastante bom, por acaso, esse álbum da Garota Não.

Sim, eu estava a olhar também para estas notícias mais recentes dos Orelha Negra. Eles, de facto, já têm esta tradição: a cada álbum, lançam, passado um ano ou dois, uma mixtape com outros vocalistas, aliás, até com mais vocalistas para alguns dos instrumentais que façam parte desse álbum anterior. Em 2017, os Orelha Negra tiveram disco novo e agora, aqui no último ano, já têm surgido canções para essa tal mixtape, que é já uma espécie de tradição dos Orelha Negra. De resto, há já o tema "Parte de Mim", com Boss AC e Ace, dos Mind Da Gap. Em outubro também tinha saído "Alta Volta", com Mano Agagaia, e esta "Ready ", aqui com A Garota Não, é o terceiro avanço dessa mixtape. E é pra mim uma das canções favoritas da produção nacional em 2021. Um tema muito feminista, mas que me parece que ainda faz sentido em 2021. Gostaram?

Sim.

Sim, bastante. Já tinha ouvido esta música e gosto muito da escrita da Garota Não. Esse primeiro álbum, acho que era o primeiro, que saiu recentemente. Tinha ali um lado meio folk, que eu aprecio, como vocês bem sabem, mas com um lado de intervenção, de comentário talvez sobre o país em que vive, sobre o mundo em que está. Tinha coisas pra dizer.

Acho que é um ponto importante que tu falavas, Gonçalo, sobre as letras das coisas, porque eu acho que isso é uma coisa que nem sempre é dada muita atenção, porque continuo a achar que na música portuguesa ainda há malta que em busca daquela rima fácil. Admito, obviamente, que fazer músicas e escrever bem em português, sendo uma língua tão complexa, é complicado, mais ainda quando as tens de encaixar numa melodia. Mas acho que muitas vezes, as coisas portuguesas descuram um bocadinho na parte da letra. Acho que nesse aspecto, o hip-hop consegue levar vantagem em relação a outros géneros, mas também obviamente dependendo tanto das letras. Ainda bem que é assim.

Queria só deixar aqui a sugestão também para verem o vídeo de "Ready", "Mulher Batida" dos Orelha Negra. É espetacular. É uma pintora, a Mazinha, que está durante todo o vídeo a pintar um quadro e os Orelha Negra há dias também lançaram um leilão para a compra desta obra da Mazinha. Eu acho que já terminou o leilão. Na altura, as verbas seguiram para a União Audiovisual, que tem prestado apoio à malta da cultura que tem ficado sem trabalho durante estes sucessivos confinamentos. Vamos seguir em frente também com uma das minhas favoritas de 2021 até agora. Escolha do Diogo Lopes, David e Miguel, um duo romântico.

É verdade. É um duo romântico em todo o sentido da palavra. É um bocadinho a gozar, mas acho que isso não interessa para nada. O romantismo aqui transborda por todos os poros, assim com uma certa ironia, mas aqui há uns tempos, numa conversa paralela que tive com o Gonçalo, discutíamos sobre esta validade desta nova onda de músicos irónicos, sempre brincalhões e sempre com uma estética meio rebuscada, às vezes. De todos esses, acho que o David Bruno, em concreto, não destaco tanto o Mike Night, porque para todos os efeitos, entrou mais recentemente nesta dinâmica, porque este é o primeiro disco que ele vai fazer com o David Bruno, apesar de já terem colaborado antes, mas é a primeira coisa de raiz que eles fazem. Mas dizia que dentro desta onda dos músicos irónicos, acho que o David Bruno é aquele que se destaca mais, talvez porque não exagera muito e também porque tem uma certa parte de quase antropologia social associada a isto, que dá uma piada.

Antropólogo digital, segundo o próprio.

Exato. Porque acho que nas letras ele menciona coisas que quase toda a gente consegue identificar ou associar a um primo, a um tio, a um avô, a um amigo ou até às vezes conosco próprio. É fácil pegar nas coisas ou identificar as coisas que ele usa para gozar, entre aspas, e ver a piada em que isso está. Ele conseguiu criar um universo só dele, bem fundamentado e nota-se que não é só uma moda. Agora está toda a gente a ser assim meio parvinho, por isso vou fazer também uma coisa nessa linha. E para além disso, as músicas são sempre inatacáveis, na minha opinião. Acho que sempre bem produzidas, muito diferentes, apesar de serem bastante simples, porque isto, tanto quanto sei, ainda não se sabe muito sobre este single de avanço, que é o que eu escolhi para destacar este Inatel, mas acho que continua a sustentar-se muito à base do trabalho de produção do DB e das guitarras do Marco, do Marquitos. E acho que com pouco conseguem fazer muito e apesar de ser possível identificar uma estética típica dele, não é a repetição da mesma coisa uma vez e outra vez. Mas este Inatel fala sobre a ida ao Algarve, as férias do Algarve, e mais concretamente as férias no Algarve que têm esta associação Inatel como pouso de estadia. Acho que a letra fala bem por si, por isso se calhar sugeria ouvirmos para esclarecer as dúvidas sobre qual é que é a temática deste Inatel, de David e Miguel, o primeiro single de avanço do disco Palavras Cruzadas, que sairá no fim de abril.

Vou-te levar ao Inatel, no meu Ford Fiesta bota e mel. Regularizo as quotas só por ti. Meia pensão, suco de abacaxi. Vou-te levar ao Inatel, no meu Ford Fiesta bota e mel. Regularizo as quotas só por ti. Levo-te uma tacinha de açaí. Em Albufeira, há um sítio à beira-mar, com mar à maneira. Yeah! Com uma boa relação preço-qualidade e atividades em comunidade. Chaise longue divã, chuveiro polibã. Corte de tênis. O chão em sommier, o meu ateliê. Wi-Fi grátis. Dou-te uma foto todo nu, num passe-partout. Vidros nublos. Baldi no minibar, flamingos a escovar. Inatel. Bombástico tipo escala de Richter. Ainda por cima dá para descontar o voucher. Já liguei, podes trazer o teu pinscher. Nós os dois, a tua prima e o meu brother. Bombástico tipo escala de Richter. Ainda por cima dá para descontar o voucher. Já liguei, podes trazer o teu pinscher. Nós os dois, a tua prima e o meu brother. Inatel. Plage hotel. Vou-te levar ao Inatel

"Comment tu t'appelles, Isabelle? Viens avec moi à meu hotel Inatel. Vai à minha frente que eu vou derrière. Tu 'tás à vontade, ça c'est clair, c'est pas cher. Tous les hospèdes ici sont mes amis. Ça va Jordan? Ça va Louis? Eu fui imigrante muito tempo em Paris. Agora sou importante em Vilamoura e aqui je te dis. Pine Cliff Hotel c'est pas bon. C'est pas bon. Hilton Vilamoura c'est pas bon. C'est pas bon. Salgado do na suite c'est pas bon. C'est pas bon. Epixana c'est pas bon. Faites attention. Tivoli Marina c'est pas bon. C'est pas bon. Pestana Vilasol c'est pas bon. C'est pas bon. Quinta do Lago c'est pas bon. C'est pas bon. Inatel Page Hotel ça c'est bon."

Diogo, estou a abrir os braços qual videoclipe desta Inatel, abrindo os braços na varanda para o mar. David e Miguel, Inatel, escolha do Diogo Lopes, é também uma das esperanças no que toca a discos nacionais para 2021. Revelado há dias este primeiro single. Vejam o vídeo de Inatel, é inacreditável.

Vou muito apenar.

"Palavras Cruzadas" chega a 23 de abril e há dias David Bruno e Michael Knight também anunciaram a estreia ao vivo deste disco, 13 de maio, no Tivoli, em Lisboa. A ver vamos se não há retrocessos nos planos de desconfinamento para permitir então esta apresentação ao vivo.

Esperemos, sinceramente, que não.

13 de maio, uma data abençoada.

Abençoadíssimo. E quem me dera lá estar, espero que aconteça.

Braços abertos também assim no primeiro balcão do Tivoli.

Sim. Moullinex, com Sara Tavares. É de Moullinex também que se espera um disco novo, já com alguns avanços, não é, Gonçalo?

Sim, já saíram cinco singles, pelo menos. Não estou certo que sejam cinco, se são cinco ou se são seis, porque há um tema que não sei se fará parte do disco, mas saiu esta canção que eu trouxe aqui, esta "Menina de Céu", um single que saiu há mais ou menos um mês, portanto também ainda não teve tempo para passar muito na rádio, e saíram outras mais antigas, como "Running in the Dark", "Inner Child". E até mais recentemente do que esta música com a Sara Tavares, saiu um outro tema chamado "Negomanuana", com a Selva Alamuss. O próximo álbum do Moullinex, que é o nome artístico do Luís Clara Gomes, produtor, DJ, músico, instrumentista, sairá a 30 de abril, chama-se "Requiem for Empathy". Há vários ingredientes que fazem com que este seja um dos discos mais aguardados, pelo menos da minha parte, mas eu acho que pode ser um disco que pode ser muito importante para a música portuguesa, não só neste ano de 2021, mas nestes anos e nestes tempos, porque o Moullinex, como o Shinobi, acho que são, sobretudo, eles os dois, na discoteca, esses são os nomes que eu gosto mais e que acho que dentro da música eletrónica e da música de dança, têm tido mais capacidade de fazer um tipo de som que não é propriamente um som apenas discoteca, apenas música de dança pura e dura, sem nenhuma ligação à canção pop. Têm conseguido um bocadinho essa mistura e acho que têm conseguido muito bem os últimos discos de ambos. No caso do Moullinex, o último foi o "Hypersex", de 2017. Mas quer o último disco do Moullinex, quer o último disco do Shinobi, são muito interessantes. E eu acho que há aqui também um certo campo de evolução na eletrónica, porque nós tínhamos várias facetas na música de dança feita em Portugal. Havia uma faceta mais house, mais discoteca, fosse mais pop ou menos pop, mas menos canção e mais batida. Havia um formato, uma faceta de inspiração mais africana, por exemplo, obviamente os Buraka são um sistema, mas mais recentemente também a Príncipe Discos. E temos encontrado algumas interseções. O Branco, o Pedro da Linha têm feito a mistura um bocadinho entre esses dois lados, a canção pop e esse ritmo mais africano, a música de dança mais ocidental, americana, da América do Sul também, com ritmos africanos. Tivemos um outro projeto também que fez isso de forma interessante, um projeto bem menos conhecido, que era os Gato Preto, que fizeram uma música com o NBC, por exemplo, e que também tinha uma estética interessante. E o Moullinex, com esta canção com a Sara Tavares, tem também uma com a Selva Alamuss. Portanto, parece também estar aqui a ligar um bocadinho esse lado de canção pop com um lado mais africano. O disco será misturado por um senhor chamado David Wrench, que já trabalhou com gente como o Caribou, o Frank Ocean e os XX. Portanto, vamos ver aqui como é que termina este diálogo do Moullinex com cantores e intervenientes da música portuguesa. Mas a julgar por este single, acho que vai no bom caminho.

E já voltamos para a segunda parte do Isto Não Passa na Rádio. Sejam bem-vindos à segunda parte do Isto Não Passa na Rádio. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Gonçalo Correia e o Diogo Lopes. Esta semana estamos aqui a destacar algumas das canções que acho que já fazem de 2021 um grande ano na música nacional. Estamos aqui a perspetivar alguns lançamentos que já têm amostras, primeiros singles, mas este 2021 está a ficar agitado. Se calhar também, não sei se concordam, um bocado uma reação a um 2020 bem mais paradão que o habitual, não é?

Sim, eu acho que o que aconteceu, se calhar, foi como o ano 2020 foi tão incerto e ninguém sabia muito bem o que havia para fazer. Imagino que malta que já tinha coisas prontas para sair nessa altura, se calhar, aguentou ali um bocadito e disse: "Não, não vou mandar já, para ver o que isto dá". Então agora vai ser à pumba, uns atrás dos outros, pessoal a fazer dumping de música boa à força toda. Acho que pode ser um bocado por aí.

Sim, nós já falámos, pelo menos passámos três músicas na primeira parte e falámos sobre dois discos que vão sair. São dois discos que saem em abril e se calhar ainda vamos voltar ao próximo mês, aliás, a este mês de abril.

Estava-me a lembrar só que, e mais à frente vamos falar ainda de alguns outros lançamentos que se perspetivam por aí, mas estava-me a lembrar aqui já de cabeça, por exemplo, que o Samuel Uri lançou um EP há dias, solo, com algumas das canções do Pós-Guerra, assim mais despidas. E os Capitão Fausto também lançaram aquele disco com as canções do "Sol Posto", o filme que fizeram. São duas coisas que eu me lembrei.

A maior parte são versões de músicas que eles já tinham, sendo que algumas têm umas ligeiras adaptações, mas também não me pareceu ser nada assim de revolucionário.

Bem, vamos começar esta segunda parte então com uma sugestão minha para um projeto que eu tenho gostado muito de descobrir. Chama-se Bateu Matou. Ainda não há muitas canções deste que poderá ser considerado um supergrupo. Tem o Ivo Costa, que é o baterista da Sara Tavares e que também acompanha o projeto Batida do Pedro Coco Não. Tem o Quim Albergaria, dos Paus, e tem o Riot, ex-Buraka Sound System. É uma banda com muitos tambores, mas também com alguns computadores. Eles há dias, há algumas semanas, meses, lançaram uma canção chamada "Povo", com o Héber Marques dos HMB. É também um avanço para um EP que tinha a previsão de lançamento para este mês de março, mas hoje é dia 31, estamos a gravar este programa dia 31 e em março ainda não saiu o EP dos Bateu Matou. Mas eu gosto muito desta "Povo", deixou-me de boca aguçada para conhecer o resto do que serão as canções desse EP de Bateu Matou. Aqui está a colaboração do projeto com Héber Marques dos HMB. Esta chama-se "Povo". "Povo" de Bateu matou, este supergrupo com a participação de Héber Marques dos HMB. Gostei muito desta revelação. Fiquei curioso para conhecer o resto do EP, que se espera seja lançado em breve para este novo projeto da música nacional, os Bateu Matou. Eu vou mantê-los debaixo de ouvido. Estamos muito festeiros hoje, não estamos, nas nossas seleções?

Ora bem. É um bocado esquisito isto.

Para ti?

É inesperado isso.

Para o Diogo é normal, porque ele vive em festa.

Pois bem.

Olha, mas agora-

Não ouviste o programa da semana passada, Nelson

Ainda não.

O Diogo aliou-se a mim na americanisse.

Fizemos aqui uma joint venture.

Vou checar isso. Está disponível no site do Observador e também nas plataformas de podcast. Agora, eu gosto quando isto acontece. O Diogo Lopes trouxe aqui uma coisa que eu nunca ouvi falar. Já sabemos que ele é um digger profissional do italo disco ou algo que parece à música nacional, e trouxe aqui um nome que eu desconheço totalmente. João Borsch, é isto?

Exatamente, é isso mesmo. O nome real deste rapaz é João Borges, mas aparentemente acho que esse nome já estava ocupado artisticamente por um artista brasileiro de música cristã.

Deve ser bom.

Exato. Por isso ele fez aqui esta brincadeira e ficou João Borsch.

Borsch que é o nome de uma sopa, acho eu, não é? Tu que sabes de comidas.

Ora bem, uma sopa russa, é verdade. Não consegui chegar ao porquê da escolha deste nome, mas suspeito que havemos de falar mais vezes deste rapaz.

Pode ter sido para dificultar a vida dos realistas, também.

Pode ser. Ele esteve na dúvida entre isto ou o nome daquele vulcão na Islândia que está em atividade agora, um dos dois. Falavas do digging. Normalmente eu acabo por dar com estas coisas quando não estou muito à vontade dentro de alguma temática. Porque depois aí temos que escolher as coisas mais óbvias, então vou nos confins do Spotify à procura de coisas diferentes. E às vezes aparecem coisas interessantes, como é o caso deste João Borsch, que é um rapaz muito novo, madeirense, apesar de não se notar quase nada na forma dele cantar. A estética dele é um bocadinho a puxar pelo kitsch. Acho que se pesquisarem no Spotify, vão ver uma fotografia dele com uma roupa meio de cantor romântico, deitado em cima de uma toalha.

Naquela estética, Diogo, do paint me like one of your French girls.

Exatamente. Mas eu estive a ver uma entrevista que fizeram a este João Borsch e ele é um bocado, eu diria, um prodígio musical. Arrisco a dizer isso, porque acho que ele com 10 anos juntou-se com o irmão, que na altura tinha 14, e fizeram uma banda de thrash metal que lançou um EP. É surpreendentemente bem feito, no mínimo, para quem gosta do gênero. Não é o meu caso, mas consigo reconhecer alguma qualidade ali. Ele toca bateria, é o seu instrumento principal, toca teclas e toca guitarra também. E aqui nesta banda também canta, é o vocalista principal deste grupo. Ele tem um álbum novo, lançado a 29 de janeiro de 2021, que se chama "Uma Noite Romântica com João Borsch". É o seu primeiro trabalho a sério. Ele antes já tinha lançado um EP chamado "Talking Awkwardly To No One In Specific".

Bom título.

É verdade. Faz lembrar um título à Bruno Pernadas. Ele depois, entretanto, virou-se um bocadinho mais para a pop e começou uma formação a sério, que ainda está a fazer, em música jazz. Acho que musicalmente é muito interessante este trabalho. Acho que dentro do capítulo pop e daquilo que de pop é feito em Portugal, parece-me bastante trabalhado e mais ainda se tivermos em conta que a malta é muito nova. Por isso, parece uma coisa promissora, no mínimo, que já apresenta algumas músicas interessantes. Eu destaquei a música que fomos ouvir, que se chama "Boca Cheia", que é um dos singles, mas a "Bárbara" também é um bocado mais fora. Todas as canções são muito diferentes umas das outras e é engraçado perceber isso. Se calhar, revela que ele ainda está um bocadinho à procura do seu estilo.

Tem uma música chamada "Douradinhos", aqui ganham logo.

É verdade.

Nelson Ferreira a tirar o elefante da sala.

Sim, afinal um homem que tem nome de sopa e a segunda faixa do álbum são douradinhos.

Exatamente.

É o prato principal.

Tem umas sustentas mais fritas.

Eu lembrei-me imediatamente quando ouvi esta "Boca Cheia", e ainda é a única que conheço deste trabalho do João Borges, do Bruno de Seda. Lembram-se?

Sim.

Há aqui alguns paralelismos que se poderiam fazer, ou então é da minha cabeça.

E alguma coisa na forma de cantar dele, e isto pode parecer uma comparação um bocado fora, mas algumas coisas na forma de cantar dele que me faz lembrar um bocadinho o Manuel Cruz no tempo dos Ornatos Violeta, no início. Não sei se é da entoação, se é da musicalidade que ele dá às palavras, não tendo absolutamente nada a ver musicalmente, encontro algumas semelhanças na forma de ele cantar.

Muito bem, vamos conhecer o João Borges aqui com esta "Boca Cheia", trazida pelo Diogo Lopes. "Boca Cheia" de João Borges, escolha do Diogo Lopes para este "Isto Não Passa na Rádio", dedicado às canções da produção nacional que antecipam um 2021 em cheio. Quais os lançamentos que mais nos excitaram até agora e quais aqueles que antecipam discos que podem fazer deste um grande ano para a música nacional. Diogo, fiquei bastante agradado com o João Borges. Nunca tinha ouvido, apenas aqui na preparação do programa, esta "Boca Cheia" e principalmente naquela parte em que entram as vozes femininas, diria que se isto fosse ao Festival da Canção, eu votava nele.

Bem visto, bem lembrado. Por acaso eu não tinha pensado nisso, mas percebo a analogia.

É um bocado Gemini.

Sim.

Leva um bocadinho para aí.

Mas por acaso é engraçado, porque isso é uma característica até recorrente em mais músicas deste mesmo disco, que sendo todas muito diferentes, ele muitas vezes arranja maneira de enfiar isto lá pelo meio. Eu aconselhava a "Bárbara". A "Bárbara" é mais rasgadinha.

Muito bem produzido, com muitos sonzinhos por baixo.

Super. Eu achei a produção musical uma das melhores coisas disso. A voz dele também é muito diferente, pelo menos, no mínimo, e acho que canta bem.

Tem ali alguma interpretação.

Sim, a produção está ótima, mesmo.

João Borges, eu vou ficar com este nome também para seguir.

Sim, eu fiquei meio entre: "Isto está num segmento ao vivo do Batatoon" e "Isto é muito bom", mas mais para a segunda.

Mais para a segunda parte.

Tem um lado meio infantil, meio brincalhão.

Pueril, como se diz agora.

É. Totalmente erudito este discurso.

É muito journalês. Vamos seguir, já não temos muito mais tempo para este "Isto Não Passa na Rádio". Queríamos chamar a atenção dos nossos ouvintes que este 2021 promete na música nacional e nos últimos tempos têm saído coisas muito interessantes. Por exemplo, como esta aqui. Novo single do PZ, "Em Paz na Minha Guerra", ou na minha terra? Agora perdi-me. Deixa-me só confirmar.

Não sabes o disco que sai em 16 de abril?

16 de abril, mais um disco para a primavera, são bastantes.

"Em Paz na Minha Guerra".

"Em Paz na Minha Guerra", é isso. Também já tem vídeo e antecipa o novo trabalho de Paulo José Pimenta, mais conhecido como PZ. Mas há aqui um disco também, a reboque ainda da nova editora lançada pelo Pedro Trigueiro, a Arraial, que já anunciou alguns lançamentos que me interessam. O disco da Rita Vian, do qual já conhecemos "A Purga". É uma canção belíssima que tem uma passagem que eu gosto muito quando ela diz: "A tempura salta em dois olhos de manjérico". Há aqui uma ligação Ásia-Alfama, diria.

Gonçalo, deixa-me só fazer 10 segundos de autopromoção fajuta. Essa canção entrou numa lista do Observador de melhores canções portuguesas de 2020. Gostei muito desse tema.

Estamos aqui a ouvi-lo em fundo. Mais uma vez, esta mistura entre o tradicional e o moderno. O Branco também fez um remix para "A Sereia", precisamente da Rita Vian, e o disco que estreia vai sair pela Arraial. Quem também sai pela Arraial é o novo disco do Cherky. O projeto do Diogo Rico tem um single chamado "Mapa", que eu gosto muito e que de resto até já roda aqui na playlist da Rádio Observador, mas acho que é só a partir da próxima semana. Gonçalo, chegaste a equacionar aqui para o programa de hoje o Septeto Inter-Regional, que eu já ouvi, que gosto muito também. Só um pequeno resumo de quem são eles.

Sim, é uma banda formada por músicos de projetos musicais diferentes, que vão desde sereias, Stone Daddy, Mr. Galini, Glockenwise e Evils.

Malta do nervo.

Sim, Equations, José Pinhayo, Post mortem Experience, muita gente metida em muita coisa. É um supergrupo indie português?

É.

Aquilo nasceu de uma proposta do Music Box, da sala de concertos, que desafiou músicos de projetos diferentes a juntarem-se para fazer um disco na quarentena. E foi isso que aconteceu com este Septeto Interregional, que tem esta música, "A Divorce", a última faixa do disco homônimo. É muito interessante. Mas teremos também outros discos. Por exemplo, posso dizer que em 9 de abril vai sair o disco da Gisela João, que, meus amigos, está incrível. Vale mesmo muito a pena esperarmos para esse dia e ouvirmos o disco. Eu gostei muito, é muito rápido também, mas eu gostei muito de Dada Garbek. Achei muito fixe. Muito fixe o disco que ele lançou agora, foi em fevereiro. "The Evercoming".

O Septeto Interregional e o Dada Garbek, presumo que são duas edições da Lovers & Lollipops. O Septeto é, pelo menos.

Aliás, o Dada Garbek penso que é da Revolve.

Ah, pois é da Revolve, de Guimarães. Exatamente. Editora de Guimarães.

Penso que sim. A 16 de abril teremos o disco póstumo do Carlos do Carmo, teremos o do PZ, que já falaste, e teremos também dos Minta, que também já têm single.

"Matador" é o novo single.

"Matador", exatamente. A 23 de abril teremos disco novo do António Zambujas. A 28 de maio teremos o disco do Salvador Sobral, que também já tem um single, a canção "Sangue do Meu Sangue", também é uma cançãozaça. E haverão aqui outros nomes, o Pedro Mafama, que também já falámos aqui no programa.

Estou muito expectante com esse disco, também gosto muito do Mafama.

Sim. O Marco Franco, baterista e pianista, também terá um disco, tal como o Ricardo Toscano deve editar. A Surma deve editar um disco, os Ermo já não editam há bastante tempo.

Gosto muito dos Ermo. Mas Gonçalo, temos 30 segundos para nos falares de Bruno Pernadas, que tem uma grandessíssima canção de avanço para o novo álbum.

Também não tenho grande coisa.

Basta ver o vídeo. O vídeo é incrível também.

É incrível. Já falei aqui do Bruno Pernadas, já falámos até várias vezes. O disco sai a 23 de abril, é mais um disco do Bruno Pernadas, certamente a cruzar a pop, o jazz, o mundo ocidental, blues do deserto, ritmos orientais. E é um pouco a prova de que agora, hoje em dia, fala-se tanto da música em português ter de ser cantada em português, passou-se de um extremo para o outro, e é um pouco a prova de que também existe uma música portuguesa cantada em inglês, que não é preciso sermos puristas, extremistas e radicais nisso. E esta "Team Vision" é um single para esse disco, que valerá a pena tanto ouvir como depois ir ver ao vivo o concerto de apresentação já marcado. Creio que há dois concertos já marcados até no Culturgest, para dois dias diferentes.

Muito bem, estamos a fechar o "Isto Não Passa na Rádio" com Bruno Pernadas e sugestão aqui do Gonçalo Correia. Para a semana regressamos. Ouçam música nacional, porque como viram pelo programa de hoje, 2021 promete. E boa Páscoa, amigos. Até para a semana.

Até para a semana.