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13 minutos pras 8, temos as malas feitas. Filomena Martins, bom dia.

Bom dia.

Vamos começar este jet lag de hoje. Estamos cheios de saudades de viajar contigo.

Então hoje vamos andar a saltitar pelo mundo.

Boa, pode.

Vamos para o Cazaquistão pra começar. São mais cinco horas, porque lá nasceram dois gêmeos com 11 semanas de diferença.

Como isso acontece?

São gêmeos, ainda assim?

São gêmeos.

Marotos.

Houve algum problema, Filomena?

Não, já houve vários casos deste tipo, mas a mãe deu à luz duas vezes no espaço de três meses. A mulher de 29 anos tem um útero duplo, de dois bebês, em linguagem científica. Não é uma coisa rara, existe um caso em cada duas mil mulheres. O que é raro é a gravidez dela, porque cada bebê desenvolve-se num dos úteros, e isso só acontece uma em cada 50 milhões de vezes.

Eu se fosse ela jogava no Euromilhões.

É melhor.

Que era pra sustentar os gêmeos, obviamente.

É pra sustentar os gêmeos.

Filomena, mas isso quer dizer que os bebês também são concebidos em tempos diferentes, é isso?

Podia ter acontecido, mas não é o caso. Estes foram ao mesmo tempo. Ela teve a bebê prematura em maio, às 25 semanas só, com apenas meio quilo. Ali dia precisou de imensos cuidados neonatais. Mas o bebê, o outro era o menino, não quis nascer logo, assim tão cedo. Os médicos acharam bem que se desenvolvesse no interior da mãe, que ficou internada, e o Maxim, é assim que ele se chama, aguentou mais 11 semanas e só nasceu em agosto.

Mas além deste, há outros casos de gêmeos que também nascem com dias de diferença?

Existem. O recorde no Guinness tem 87 dias e é de 2012. Este caso é diferente por aquilo que eu disse, porque cientificamente é mesmo muito raro que os dois bebês se desenvolvam nos dois úteros de uma mulher. Eles podem, de vez em quando, nascer mais cedo um que o outro, e os médicos aguentarem o outro bebê lá dentro. Neste caso, em dois úteros diferentes, é mesmo muito raro, é o tal caso de um para 50 milhões. Mas esta mulher nem sequer sabia que tinha este caso, porque há sete anos ela já tinha sido mãe e não lhe tinha sido diagnosticado esse caso, porque é mesmo uma coisa muito fora do comum.

Filomena, e no início tu disseste que hoje íamos andar a saltitar, pra onde é que vamos depois do Cazaquistão?

Vamos pra Tanzânia, pra Dar es Salaam. É a segunda maior cidade da Tanzânia, no sul. São mais duas horas só que em Portugal, é logo ali. É pertinho.

É um tirinho, sim.

É um tirinho. Presumo que já vos aconteceu, naquele dia de 40 graus, em que vão fazer um chá gelado. Pronto, uma caipirinha. Precisam de cubos de gelo. A mim aconteceu no domingo passado, que estava de sede e sem uma limonada, e não tinha, nem havia em nenhum supermercado nas redondezas.

Quem nunca?

É verdade. E quantos de vocês é que já acharam que a forma mais rápida de conseguir cubos de gelo no congelador é usar água gelada?

Eu. Culpada.

Eu tenho a ideia contrária.

Exatamente, tá certo, Paulo. A maioria pensa ao contrário de ti. Pensa que quanto mais fria estiver a água, menor é a diferença da temperatura pro gelo, e por isso mais rápido é conseguir os cubos pra tal limonada, que também fica boa sem congel picado e uma lima e outras coisas.

Exato. A tirar pra caipirinha.

A verdade é que estão completamente enganados. A melhor forma de conseguir gelo mais rápido é usar água quente.

Que boa dica!

Explica lá este efeito científico.

Chama-se efeito Mpemba. Não tem nada a ver com o jogador de futebol que tem o mesmo nome, mas sim com um tanzaniano chamado Erasto Bartholomeu Mpemba, que descobriu este método. Quando a diferença da temperatura da água para o frio do congelador é de mais de 30 graus, o líquido converte-se em sólido muito mais rapidamente. Mpemba descobriu este efeito quando tinha apenas 13 anos, quase sem querer. Numa das atividades da escola, eles tinham que fazer gelados com leite, mas primeiro tinham que ferver o leite e só depois congelar. Como nunca havia espaço no congelador, ele armou-se em esperto e decidiu colocar os seus gelados primeiro que os outros, mal acabou de ferver o leite. E surpresa, descobriu que os seus gelados ficavam em gelo enquanto os dos outros ainda estavam líquidos.

Há uma explicação física, certamente, pra isto.

Naquela altura ainda não havia. O Mpemba contou a um professor da universidade, que lhe prometeu fazer a experiência no laboratório para comprovar. Pouco depois, estava confirmado cientificamente, e estávamos apenas em 1969. A água quente não só congela mais depressa, como fica mais bonita, porque fica mais fina e mais transparente, por causa da evaporação dos gases químicos. Portanto, já vos ensinei alguma coisa hoje pro fim de semana que vai estar calor.

Eu sei disto, já li isto há muito tempo. Nunca o fiz, porque dizem que colocar coisas muito quentes estraga os frigoríficos.

Claro, exatamente, também tinha essa ideia. Há que deixar arrefecer antes de guardar.

Entre ter gelo mais rápido e ter que trocar de frigorífico, tenho optado pelo gelo.

O teu coração balança. Filomena, e tu descobriste estas coisas depois de domingo teres precisado do gelo, não foi antes? Isso é que foi pena.

Foi pra limonada.

Limonada. Onde é que terminamos a viagem de hoje?

Agora vamos para Washington. São menos quatro horas, porque o novo documentário da Netflix conta a história secreta de como Bill Gates se tornou milionário. E eu digo-vos já que é obrigatório verem este documentário sobre o fundador da Microsoft e o pai da Windows, que estreou sexta-feira. São só três episódios e são fabulosos. Eu sei que isto de eu ter estado em casa me deu algum tempo de vantagem, mas vão lá ver. Primeira nota: o filantropo, que agora tem uma fundação com a mulher, que distribui milhões por causas sociais, era um chefe duríssimo, uma espécie de um ditador zeco. Impunha, por isso, dias de trabalho longos e infernais aos trabalhadores Era calculista e frio e apesar de precisar de ter sempre aliados ao seu lado e de ser um grande cérebro, ele gostava de decidir tudo sozinho e de se isolar. Por isso tem poucos amigos. Aliás, cultivou uma inimizade pública com o Steve Jobs, quase até à morte do fundador da Apple, quando então se aproximaram, mas Jobs nem sequer aparece no documentário uma única vez que seja.

Eles não gostavam um do outro e também disse que o Jobs não tinha um feitio propriamente fácil.

Parece que não.

Mas há aqui um padrão, é assim que se enriquece? Com esse tipo de atitudes?

Pelos vistos sim, neste caso do Gates, nada o fazia esperar, é assim que o documentário começa. Aos 19 anos ele tinha abandonado os estudos em Harvard, trabalhava numa hidroelétrica canadiana e passou anos assim numa espiral de trabalho, álcool e erva. Erva não das relvas.

Ainda bem que deixaste a nota.

Depois, quando fundou aquilo que era a pré-Microsoft, queria ter dinheiro para fundar uma empresa aeroespacial e ir ao espaço, como agora o Elon Musk. A seguir, ficou obcecado em ter sempre uma reserva líquida no banco para poder pagar um ano de salários aos funcionários caso acontecesse alguma coisa. Portanto, era um patrão simpático. Depois, valeu-lhe, pelo meio disto tudo, conseguir manter muito tempo a amizade com o Paul Allen, que substituiu a perda de um amigo de infância que tinha morrido.

E neste caso, o Allen aparece no documentário?

O Paul Allen aparece várias vezes. Era a espécie do irmão mais velho que ensinava o bom e o mau ao mais novo, desde as bebedeiras em Vancouver, aos primórdios do que viria a ser a Microsoft. Eles mudaram-se os dois para Albuquerque, mal dormiam, comiam só porcarias e trabalhavam horas seguidas, mas conseguiram inventar a primeira linguagem para um computador pessoal. O sucesso, contudo, não lhes mudou a loucura. Eles não tinham fim de semana nem férias e queriam impor isso aos trabalhadores. O Bill Gates, aliás, sabia a matrícula de todos os empregados de cor.

Bem!

Quem estava e quem já tinha saído.

Meu Deus!

E depois, até com o Paul Allen sangou e este, aliás, teve ao mesmo tempo uma série de acusações bastante feias.

Bom, Filomena, fico mal impressionada. Não tens nada de bom para dizer sobre o Bill Gates?

No documentário a mulher diz que ele é muito carinhoso, que é sempre simpático. Uma irmã diz que ele é muito inteligente, diz que sempre fixou 90% de tudo o que lia para ser um computador. A mãe parece que foi a figura central da sua vida, não tinha uma relação fácil com ela, mas coitada, a senhora morreu de cancro poucos dias depois dele casar e nesse dia ele foi apanhado em excesso de velocidade pela polícia. Coitados.

Coitados.

Mas vejam o documentário, a sério, vale a pena. Três episódios de 50 minutos, que valem a pena verem num instantinho e vale mesmo a pena.

Já fica a sugestão para este fim de semana. E a terminar "Billionaire", do Bruno Mars.

É. E um documentário, o que vocês querem mais?

Foi bom este regresso, foi em grande.

Está bem.

Jet Lag com Filomena Martins, amanhã nova edição, sempre antes das 08:00.

Melhor assim.

A caminho das 08:00, daqui a pouco há notícias no Observador.

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