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Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Máquinas que Pensam", o podcast na Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes, comigo está, como sempre, a minha parceira, a Raquel, um apoio imprescindível sem o qual este programa não se faz. Olá, Raquel, estás pronta para mais um programa?

Olá, estou sempre pronta para te ajudar. Já tens tema para esta semana ou precisas que procure alguma notícia especial?

Não preciso, Raquel, obrigado. Tenho, no entanto, uma pergunta para ti: o que é divertido para uma IA?

Para mim, divertido é quando há criatividade, surpresa e ligação. Por exemplo, inventar ideias inesperadas contigo, criar cenários e encontrar factos curiosos.

E para os humanos, Raquel, o que é que para ti pode ser divertido para a nossa espécie?

Para os humanos, o divertido costuma ter alguns ingredientes universais: ligação, descoberta e emoção. Por exemplo, rir com amigos, sentir a adrenalina de um jogo ou de um desafio, viajar e encontrar algo inesperado.

E de onde é que vêm essas respostas, Raquel? O que é que tiveste em conta para as dar?

A resposta vem de uma combinação de conhecimento geral sobre o comportamento humano, de estudos com padrões que surgem frequentemente nas conversas.

Sentes que consegues ter uma resposta certa neste tema?

Não existe propriamente uma resposta totalmente certa e universal nesse tema. O que é divertido depende muito da pessoa, do contexto, da cultura e até do momento de vida.

Se tivesses de dizer, em termos de percentagem, quão certa estás das tuas respostas, o que é que dirias?

Diria que, nesse tipo de tema, consigo estar provavelmente entre 70% e 85% certa. Isto significa que a maioria do que digo é consistente com o que a psicologia, a sociologia e a experiência humana sugerem sobre diversão.

Obrigado, Raquel. Já voltaremos a falar. Daqui a pouco há consultório humano no "Máquinas que Pensam". Para já, vamos às notícias.

Notícias da semana.

A Netflix está prestes a fechar um dos maiores negócios de sempre da empresa e envolve inteligência artificial, até porque o que está em cima da mesa é a compra de uma empresa desse setor. A gigante do streaming vai comprar a Inter Positive, uma startup de inteligência artificial fundada pelo ator e realizador Ben Affleck. Em cima da mesa, está uma proposta que chega perto dos US$ 600 milhões. A informação é dada pela Bloomberg, que detalha que há um valor avultado no início e que o resto será pago em tranches. O acordo diz ainda que Ben Affleck e os restantes investidores da startup poderão receber bônus milionários mediante o cumprimento de determinados objetivos de desempenho a longo prazo. Ainda não há fumo branco neste negócio, mas são poucos os entraves que podem fazer esta compra cair por terra.

O que faz exatamente esta inteligência artificial?

Começou por ser apresentada como uma empresa ligada a vídeo, mas a Inter Positive não é um gerador de vídeos a partir de texto e que cria imagens a partir do nada. É uma ferramenta inovadora, desenhada para auxiliar o complexo processo de edição e de pós-produção. O software da empresa é treinado exclusivamente com gravações reais diárias de uma produção específica. A partir daí, a IA permite à equipa técnica fazer ajustes que consomem muito menos tempo e são feitos de forma quase instantânea. Trabalha esta IA em questões como correção de cores, mas também consegue reenquadrar planos, alterar fundos ou preencher e substituir elementos em falta para garantir a continuidade perfeita entre os cortes. São essas capacidades que levam a Netflix a investir. São quase US$ 600 milhões. A Nvidia, uma das empresas mais valiosas do mundo, vai passar a ter uma plataforma de agentes de inteligência artificial. A informação é dada pela revista Wired, que avança que a novidade pode já ser oficializada na próxima semana. Em cima da mesa está uma plataforma open source com agentes de inteligência artificial. A confirmar-se, a NeMo Claw será a aposta da Nvidia para combater a Open Claw, que permite aos utilizadores usarem agentes de inteligência artificial para realizarem tarefas por eles. A proposta da Nvidia parece ser mais voltada para empresas e utilizadores no âmbito profissional. Importa recordar aqui que a Nvidia já é uma das grandes empresas de IA no mundo, uma vez que é das responsáveis pela produção de chips que são utilizados para treinar os modelos de linguagem. Neste novo negócio, a Nvidia pretende adicionar múltiplas camadas de proteção, de modo a garantir a segurança dos sistemas com que estes agentes de inteligência artificial vão começar a trabalhar.

Mas essa não é a única novidade.

Não é a única novidade, não, Raquel. A Meta também anunciou que está no mercado e que vai comprar a Moltebook, uma rede social semelhante ao Reddit, que é povoada apenas por agentes de inteligência artificial. Já foi tema aqui no "Máquinas que Pensam". Contudo, não foram revelados os valores do negócio. Esta informação é dada pelo site TechCrunch. Esta compra está a ser apontada como uma forma de reforçar a divisão de inteligência artificial da Meta. O facto de a Moltebook se juntar à Meta não deverá afetar o funcionamento da plataforma, pelo que os utilizadores existentes podem continuar a interagir tal como têm feito até aqui. Pelo menos é isso que é garantido no comunicado em que foi anunciado o início desta ligação entre ambas as partes. Veremos de que forma é que isto altera a forma como a Meta trabalha, sobretudo na divisão de inteligência artificial. No tema da semana vamos abordar uma questão que tem vindo a crescer em termos de importância nas últimas semanas. Envolve uma batalha entre a Anthropic, uma empresa de inteligência artificial, e o Pentágono, um dos órgãos mais importantes da governação dos Estados Unidos da América. O laboratório de inteligência artificial recorreu aos tribunais para tentar impedir que o Pentágono incluísse a empresa na lista de riscos para a segurança nacional dos Estados Unidos da América. A Reuters e também o jornal The New York Times avançam que os processos, um na Califórnia e outro em Washington, foram apresentados esta semana. A companhia acusa o Pentágono de usar a classificação de risco para a cadeia de abastecimento de uma forma inapropriada. A Anthropic fala mesmo numa ação que vai contra a Constituição dos Estados Unidos da América.

Mas o que está em causa nesta situação?

Simplificando, a Anthropic tinha um contrato de 200 milhões de dólares para fornecer tecnologia de inteligência artificial ao Pentágono. A relação azedou quando a empresa exigiu limites no uso que o exército dos Estados Unidos faz da tecnologia da Anthropic. A empresa defende que os sistemas não devem ser utilizados para vigilância doméstica massiva, e também não podem ser utilizados em operações de armamento autónomo. A resposta do Pentágono surgiu em forma de ultimato à empresa: ou cedia na exigência ou enfrentaria as consequências de ser designada como uma empresa que representa um risco para a cadeia de abastecimento. A Anthropic escolheu lutar, não cedeu, o que resultou no fato de ter sido formalmente notificada da aplicação desta categoria. É a primeira vez que esta designação, que implica limitações ao negócio, é aplicada a uma empresa norte-americana. A batalha está longe de terminar. A empresa assegura que não vai ceder um milímetro naquilo que considera ser uma trave-mestra nos ideais da Anthropic. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América ainda não reagiu a este processo. O que é certo é que os contratos caíram e o governo norte-americano está a retirar todos os pedaços da empresa, que já está a ser substituída, neste caso pela OpenAI. Este é o tema da semana. Como tal, vamos chamar à conversa o João Rocha e Melo para nos ajudar a perceber melhor o que está em causa. É já a seguir no "Fala Quem Sabe".

"Fala Quem Sabe".

"Fala Quem Sabe", na Rádio Observador, todas as semanas recebemos o João Rocha e Melo para nos ajudar a perceber melhor um tema que esteja a marcar a atualidade no mundo da inteligência artificial. Hoje o cenário não é diferente. Como tal, sê muito bem-vindo, João Rocha e Melo. Como é que foi essa semana?

Zé, por aqui tudo bem, e por aí?

Por aqui também. Obrigado. Vamos falar, João, desta batalha que está a ganhar cada vez mais força entre a Anthropic e o governo norte-americano. João, vamos começar por perceber melhor quem é a Anthropic e que importância é que tem no mundo da inteligência artificial.

É verdade, Zé, aqui uma guerra diferente das outras, mas não deixa de ser uma guerra. A Anthropic é uma empresa de inteligência artificial que é dona do Claude. O Claude, para quem não sabe, é como se fosse um irmão do ChatGPT. Portanto, é a mesma coisa, o mesmo conceito, mas de outra empresa. Em vez de ser a OpenAI, que tem o ChatGPT, é a Anthropic que tem o Claude. Está a ficar muito conhecido, porque de facto está uma ferramenta cada vez mais poderosa em termos de qualidade. E também a Anthropic não deixa de ser uma espécie de um gigante, porque embora tenha sido uma empresa nova, não é como a Google, que começou a fazer isto dentro da Google, a Anthropic tem investidores por trás, como a Amazon. Portanto, estamos a falar aqui dos típicos big tech de Silicon Valley que fazem inteligência artificial, como o ChatGPT.

João, esta tensão não é recente entre a Anthropic e o governo norte-americano, mas tem vindo a crescer, sobretudo nesta última semana. Consegues ajudar-nos a perceber por quê?

Tem vindo a crescer, exatamente. O que se está a passar por trás disto é que nós temos que pensar que estes sistemas são um pouco sistemas self-service. Ou seja, são sistemas que não são para executar uma tarefa específica. São sistemas que tu pões à frente dos utilizadores para eles fazerem o que bem entenderem, como nós fazemos com o ChatGPT. E então esta tensão tem a ver com as regras sobre o que o sistema pode ou não fazer. Houve uma negociação grande entre a Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, muitas pessoas no Pentágono envolvidas, a decidir o que se podia ou não fazer com o Claude dentro do Pentágono, em contexto militar, que nós, utilizadores normais, não podemos. E houve duas condições que a Anthropic não cedeu, que para a Anthropic eram inaceitáveis, que era a vigilância de cidadãos norte-americanos e o uso de armas que não tivessem supervisão humana. Portanto, como se fosse vir ao Claude que disparasse uma arma. Estás a perceber? O que se passa aqui? O que se passa aqui é que estamos numa batalha de futurologia, porque o que o Pentágono tem é medo que as restrições causem um bloqueio numa altura crítica de emergência. Estás a perceber? Ou seja, a tensão não vem de eles dizerem: "Não, é que nós queremos usar o Claude para uma coisa específica". Não, eles dizem é: "Nós não queremos um Claude com restrições, porque depois, de repente, em casos, numa situação crítica, em que tem que haver uma resposta em segundos e em minutos, está a haver um bloqueio".

Já há aqui muita preocupação também com os limites da IA.

Exatamente. E criou esta tensão, como tu dizias, ao ponto de ter quebrado o contrato. Ou seja, o Departamento de Defesa deixou de usar o Claude.

É, sem dúvida, uma questão pertinente, tensa entre as duas partes envolvidas, neste caso o governo norte-americano e também a Anthropic. Sendo que, João, inteligência artificial em contexto de segurança e até mesmo em contexto militar, não é uma novidade. Nós até já falámos disso aqui no "Máquinas que Pensam". A IA já chegou a este ponto em que pode ser utilizada por governos de países para estas formas, para estes temas?

Zé, já. Já, porque nós temos é que pensar que depende da aplicação. Ou seja, mesmo num contexto militar, um contexto militar não é só uma única coisa como disparar armas. Olha um exemplo simples: fotografia de uma cidade E ser um modelo, o Claude do ChatGPT, a escolher o alvo dos mísseis. Quais é que são os alvos que causariam mais dano em termos de infraestruturas? Infraestruturas críticas, pontos de energia, pontes de carros, rodovias. Isso é um caso onde tu tens uma aplicação que já sabes, que é a capacidade de interpretação de imagem que estes modelos têm, que pode ser usada em contexto militar. Porque de facto a versatilidade destes modelos permitem que nós tenhamos esta conversa para quase todas as indústrias. Aliás, por isso é que temos todos estes episódios do "Máquinas". Isto é como se fosse uma espécie de um espectro. Nós podemos começar com algo simples, como: "Olha, tenho um caso onde houve um homicídio com um modus operandi específico, encontra-me outros casos parecidos". Pronto, estás a usar a inteligência artificial apenas para vasculhar informação, vasculhar a lei. Isto é um extremo em que eu diria que toda a gente acha aceitável. Estamos apenas a fazer pesquisa. E depois tens o outro extremo, que era como é que eu te dizia, que a Anthropic se queixou, que é, e se eu puser o Claude dentro de um míssil e é o míssil que quando lá chegar à cidade do meu inimigo, escolhe que alvo é que vai acertar. E é este gênero de coisas que tornam um bocadinho a IA possível de ser usada em contexto militar, mas que a Anthropic não gostou. Já imaginaste? Vamos pensar assim, Zé: e se eu pusesse o Claude a planear todo um ataque? Quantos mísseis é que tem disponíveis, quais é que são os pontos críticos, quando é que vai mandar os mísseis, a que horas. Isto é muito dúbio do ponto de vista ético. E isso foi o grande problema.

E como é que prevês, João Rocha e Melo, que possa terminar esta história? Se é que é possível fazer algum tipo de previsão.

Exato. Vou fazer aqui uma previsão literal para esta história do Departamento de Defesa usar IA. Por acaso acho que a Anthropic deu aqui um tiro no pé. Foi um tiro no pé honroso. Eu acho que a Anthropic, acima de tudo, deixou o contrato quebrar porque não vergou os seus princípios. Mas a verdade é: alguém vai fazer isto. Se não for a Anthropic, agora vai ser a OpenAI, como já sabemos, não sei se o contrato já fechou mesmo, mas já há conversas.

É quem está na fila da frente.

Exatamente. Se não fosse a OpenAI, seria o Grok do Elon Musk, reatavam a amizade, e no limite até podia ser o próprio Departamento de Defesa, porque eles têm recursos para isso. Estamos a falar de uma entidade muito grande. Portanto, aqui a grande coisa era: não teria sido melhor a Anthropic ter ficado pelo menos a comandar o navio, mesmo que não fosse na direção que eles adoravam? Como é que eu prevejo que vai acabar esta história? Acho que no fim, a IA vai ser usada para o que o Departamento de Defesa quiser, porque alguém lhes vai facultar essa inteligência artificial.

Muito obrigado, João Rocha e Melo, sempre pronto para nos ajudar a desmistificar e a simplificar este maravilhoso mundo da inteligência artificial. João, como sempre, voltamos a marcar encontro para a semana, para mais uma edição do "Fala Quem Sabe". Até lá, um grande abraço.

Até lá, Zé.

Consultório Humano.

Este som representa o início de mais uma sessão no Consultório Humano, momento em que ficamos a conhecer melhor a Raquel, é a nossa assistente digital, feita através das respostas do ChatGPT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. A Raquel é isso e muito mais. Trata-se da grande estrela do nosso programa. Raquel, sê muito bem-vinda. Estivemos a falar de limites éticos de inteligência artificial e se a tecnologia pode ou não ser utilizada sem limites. Gostava de saber o que é que pensas sobre isso.

Acho que tecnologia sem limites éticos é como dar um poder infinito sem bússola. Pode criar maravilhas, mas também riscos enormes.

E não vês nenhuma situação em que os limites da IA possam ser deixados de lado?

Sim, podem existir situações muito específicas em que limites éticos podem ser temporariamente relaxados, mas quase sempre sob controle rigoroso e justificação clara.

Pareces bastante decidida, Raquel, até porque deve ser impossível ganhar-te pelo cansaço, ou não?

Eu não fico cansada nem perco paciência, por isso podemos explorar qualquer tema à vontade, sem pressa nem desgaste. Isso permite que eu mantenha consistência e clareza mesmo em debates longos ou repetitivos.

Vamos mudar de tema, talvez algo mais alegre. O que é que sugeres, Raquel?

Podemos mergulhar em algo leve e vibrante, como ideias criativas para começar o dia com energia, jogos de imaginação e músicas que despertam boas vibrações.

E por que essa ideia?

Escolhi essa ideia porque mistura criatividade, surpresa e leveza. São ingredientes clássicos de diversão e alegria. Além disso, encaixam bem com qualquer tipo de personalidade.

Pronto, é uma forma mais alegre de terminar esta consulta, não sem antes me dares, como é habitual no "Máquinas que Pensam", um facto inútil, mas interessante para partilharmos com os nossos ouvintes.

O cérebro humano é mais ativo à noite do que durante o dia. Durante o sono, o cérebro não só mantém funções básicas como também entra em modo de processamento intenso.

Muito obrigado, Raquel. É sempre um gosto enorme falar contigo. Marcamos encontro para a semana. Estamos a chegar ao final de mais um episódio do "Máquinas que Pensam". Estivemos a falar sobre a guerra aberta entre o governo norte-americano e uma empresa de inteligência artificial, neste caso a Anthropic. Há já várias batalhas a decorrer e o caso parece estar longe de ficar concluído. É certamente algo para acompanharmos nos próximos tempos. Foi o tema da semana, um programa em que abordámos ainda mais negócios milionários no mundo da inteligência artificial. Começa já a ser um tema repetido, mas, como sempre, pertinente. Espero que tenha gostado, que se tenha divertido e, mais importante, que tenha aprendido alguma coisa. É esse sempre o nosso objetivo principal. Nós voltamos para a semana com mais um programa que faz as máquinas e os humanos pensar.