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Sempre com o chef Leopoldo Calhau, o Mesa para quatro na Rádio Observador. Hoje somos três, mas para compensar, vamos até Espanha. Leopoldo, não é verdade?

É verdade.

É es verdad, neste caso. Qualquer coisa assim. La Tasquita de Enfrente, Madri.

Sim.

Pode-nos dizer sobre ela?

Eu vim de Espanha ontem, vim de Madri. Fui passear com a minha filha e mais uma vez visitei esta casa. Um restaurante que gosto muito, de um chef que admiro bastante, que tive a felicidade de conhecer pessoalmente há sete anos, quando me visitou ainda no Café Garret, e fomos mantendo contato.

Chama-se Juanjo López.

Juanjo López. Depois também tem um chef no terreno, que é o Nacho. E são muito competentes naquilo que fazem, e muito simpáticos, e acolheram-me sempre bem. Gosto de ir lá, aviso sempre quando vou a Madri, quando consigo. Consegui estar nos dois restaurantes deles, e com a minha filha, que também acabou por ter uma experiência muito particular.

E antes de entrarmos mais detalhadamente no menu desta La Tasquita de Enfrente em Madri e de sabermos onde é que é, qual é a melhor comida, a portuguesa ou a espanhola? Podemos fazer esta dicotomia? Podemos ser orgulhosos?

Eu acho que são as duas muito boas.

Viva o Mediterrâneo.

Nunca tu te foste meter.

Daria para muitos programas, efetivamente. Nós temos muita qualidade e orgulho naquilo que temos, que a história nos trouxe e aquilo que mantemos. Os espanhóis, se calhar noutro campeonato, fazem o mesmo. Têm mais mercado e efetivamente são muito maiores. Há muito mais poder de compra também. Estão mais habituados a jantar fora e almoçar fora.

Têm mais cultura de mesa.

Sim, têm mais cultura de ir para a rua. Fazem há muitos mais anos do que nós. Nós, quer queiramos, quer não, é uma coisa recente. Se compararmos com os anos que o país tem, isto de irmos jantar fora, é uma coisa que tem 20 e tal anos, provavelmente.

E o que é que podemos comer na La Tasquita de Enfrente?

Por norma, acabo sempre por fazer um menu de degustação. Eles trabalham muito o produto da estação. Nós comemos figos com anchova, comemos um ovo frito com biqueirão frito, tipo os carapauzinhos fritos, comemos lagostins com molho de salpicão e cabeças de lagostim.

Do extra?

Comemos lula grelhada, comemos os cantarelles também da época, com molho de abóbora, comemos almôndegas, comemos bochecha carrilhada e por último os callos, no fundo são a dobrada, um prato típico da região e que naquela casa tem muita tradição porque o pai já fazia. O Juanjo, tal como eu, também fez outra coisa na vida e um dia pegou no restaurante no espaço do pai, transformou, isto já há alguns anos, e é uma pessoa muito sensível, muito atenciosa. É sempre especial lá ir e nós até atrasamos o regresso para podermos lá almoçar e realmente até fica uma boa experiência almoçar bem e fazer uma viagem de carro de seis horas, até não fica mal.

Para desmoer no caminho.

Sim, exato. No fundo, fizemos a viagem felizes, o estômago estava satisfeito. Madri realmente é um destino, como ouvi ontem na rádio, não só cultural, mas gastronómico. Tem efetivamente uma variedade de restaurantes incríveis, de vários tipos, e está sempre tudo cheio, sempre animado.

Tem também aquela cultura de mercado, de passar pelas banquinhas do mercado, que depois foi também um pouquinho apropriada agora pelos mercados mais recentes em Lisboa.

Sim, e tem muita gente na rua, a toda hora. A qualquer hora do dia há gente na rua. É impressionante, até a Rafaela com 10 anos reparou nisso. Não se percebe como é que o país anda pra frente, mas pelos vistos anda, mas as pessoas andam sempre sentadas e vão para os cafés desde manhã.

Se calhar é por isso.

Se calhar o segredo está aí, os restaurantes. É sempre tudo mais tarde do que cá, efetivamente, mas sim, temos muito a aprender nessa matéria com eles. Eles são muito mais livres e dinâmicos e descontraídos. Ir a um restaurante não é uma experiência, é uma coisa normal.

É uma coisa rotineira.

É rotineira, exatamente. E portanto é genial.

Mas também tanto comem prato e garfo como comem o seu bocadillo.

São muito versáteis, porque no fundo é o encontro, o lado social, que é muito mais importante. E portanto, tudo à volta da comida e da bebida.

E das canhas.

Cerveja, vinho com fartura, mas as pessoas encontram-se, estão mais disponíveis para isso.

Tu foste a Madri e ficaste lá hospedado.

Sim, nós ficamos quatro dias.

Deu para fazeres várias horas do dia.

Sim, de manhã passeamos, fomos ao Parque também do Retiro, que é incrível. Depois fomos aos museus também. Depois tínhamos que ir almoçar. As crianças têm que almoçar e jantar.

E têm horas.

E têm horas para tudo. Também o descanso, caminhar bastante.

Que é para desmoer os almoços.

Sim, portanto é perfeito. Houve quem dissesse que eu estava mais magro, não sei como.

Olha, e muito calor?

Bastante. Muito mais do que aqui, efetivamente.

E olha, La Tasquita de Enfrente, fica em frente a quê? Onde é que podemos encontrá-la?

Fica ao pé da Gran Vía. É uma das avenidas principais. Portanto, é relativamente fácil de ir.

É preciso marcar.

Convém. Mas aconselho muito.

E estás a falar de um

Preços altos. Altos, mas dentro do que se come é baixo.

Para dois.

Para dois, com vinhos, talvez €300 ou mais.

Ok.

Não é para todas as carteiras.

Mas estás a dizer isso com vinhos.

Com vinhos pode ir de 150 a 200 €.

Disseste plural?

Por pessoa.

Plural, vinhos.

Efetivamente, vários pratos, vários vinhos, não faz mal a ninguém.

Fizeste o menu de degustação.

Ontem foi o lado menos bom, porque como vinha de carro.

Tive que prescindir.

Tinha que conduzir, tive que prescindir.

Punhas a tua filha como condutor coadjuvante.

Um dia vamos ver se a inteligência permite, mete lá um condutor por nós.

"La Tasquita de Enfrente" do chef Juanjo López, em Madrid, fica a dica desta semana. Algum ingrediente que queiras destacar de tudo o que provaste para fecharmos aqui o programa?

A dobrada, os carls, o final.

Os carls, o final.

E que foi o motivo para eu ter lá ido almoçar.

Quando diz isso, é o quê?

É uma dobrada com molho.

Uma dobrada é tripas à moda do Porto?

É, com o molho, com o pimentão. É muito bom. O lagostim também era, os figos. É tudo bom. É que aquilo é tudo bom e é muito simples, tem muita técnica, é muito suave, muito elegante e para mim é onde eu aprendo muito com ele. Eu até tenho um quadro. Falta-me um prato, que era a ensaladilla, tipo a salada russa, que é um marco também dos pratos dele.

E acompanha com o quê?

É o primeiro prato, geralmente. Eu até tenho uma fotografia desse prato em casa.

Se quiseres mandar por WhatsApp, nós depois olhamos.

Eu já enviei as fotografias, deixei ali o telefone, mas é realmente especial.

Deixa-me só fazer-te uma pergunta: se não for o menu degustação, fica mais barato, imagino, não é?

Sim, mas não é a mesma coisa.

Se é para ir, é para degustar.

É óbvio que este tipo de restaurantes temos que ir disponíveis. Não é fácil.

Com tempo.

Com tempo e com carteira, porque merece que estejamos à vontade, obviamente.

Está feito mais um "Mês para Quatro", que hoje foi para três, mas contamos com este espaço adicional, "La Tasquita de Enfrente" do chef Juanjo López, em Madrid, muito perto da Gran Via.

Já agora, só uma coisa. Tu se tivesses que escolher um prato, vais lá, não vais escolher um prato?

Vais degustar, mas só uma coisa.

Ele tem um prato que vai começar a fazer daqui a um mês, que é o de tomate, que é incrível. É um tomate espetacular.

É um tomate?

É um tomate.

Ok. Acho que podemos ficar satisfeitos.

Mas eles têm, para quem não tem a carteira para ir a eles, tem um que é o La Retasca, que é mesmo uma tasca espanhola e é de petiscos. Esse aí é mais fácil.

Ok.

O que é certo é que em Madrid passar fome é difícil.

Muito mesmo.

Leopoldo Calhau, muito obrigado por mais um "Mês para Quatro". Um abraço, bom descanso e até para a semana.

Tchau. Obrigado.